Independentemente de ser de esquerda ou direita, já que estes rótulos não fazem mais sentido hoje em dia, é preciso reconhecer que o capitalismo passa por uma grave crise, tão grave quanto aquela ocorrida entre as duas grandes guerras, onde o mundo mergulhou na maior crise de sua história, o que contribuiu significativamente para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, embora não tenha sido diretamente a causa. Desde o desmoronamento do comunismo em 1989 dizia-se que finalmente o capitalismo triunfara. E de fato parecia uma verdade incontestável, embora o atual capitalismo não seja o mesmo que perdurou até meados da década de 50 do século passado. Para não sucumbir, acabou adotando medidas defendida pelos socialistas e fazendo concessões, como proteção aos trabalhadores, redução da jornada de trabalho e uma série de garantias trabalhistas. Nesse ponto, o socialismo teve o seu papel benéfico, pois humanizou o capitalismo, reduzindo a exploração da classe trabalhadora. No entanto, como Sistema Político, o socialismo fracassou ao se transformar em ditaduras implacáveis, disposta a sacrificar tudo e todos para a sobrevivência de quem estava no poder. Talvez o maior erro desse sistema, que prometia libertar os trabalhadores da exploração capitalista mas os transformou em escravos do sistema, foi justamente ir contra o que pregava: ao querer libertar o homem, acabou por transformá-lo num mero instrumento, em alguém que deveria sacrificar seus interesses particulares em nome do coletivo. Com o fim do socialismo, o capitalismo agora mais humanizado, prometeu a liberdade e a reumanização do ser humano, com ênfase no. individual E num primeiro momento, realmente cumpriu sua promessa. Mas encontrou os seus próprios limites. Sem um sistema que o ameaçasse, como ocorreu durante quase todo o século XX, o capitalismo começou a mostrar suas garras. A liberdade de certa forma permanece preservada embora muitas vezes essa liberdade não passe de ilusão, pois num mundo consumista e totalmente dependente de capital, quem não tem dinheiro está fora do sistema e portanto não é livre e nem levado em conta: vive-se uma liberdade aparente, já que o acesso a praticamente tudo depende de dinheiro. O mesmo vale para a reumanização do ser humano. Só se tem valor como ser humano se você tem algo a oferecer. Se não tem, você também não tem valor como pessoa e não passa de um estorvo, de um fardo que a sociedade é obrigada a carregar. O problema desse capitalismo pós 89 é que ele é faminto, nunca está satisfeito e quer cada vez mais. Ele visa maie e mais lucro, e tudo isso sem ser produtivo de fato. O Mercado Financeiro, e principalmente o especulativo, tornou-se a grande fonte de investimento. E como população em sua maioria não tem acesso ao Sistema Financeiro, a desigualdade social só se faz crescer. Há mais duas décadas que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres não só vem aumentando como também em taxas cada vez maiores.. Isso em todos os países, sem exceção. Não por acaso, o berço do moderno capitalismo – os Estados Unidos – vê o contingente de pobres e miseráveis crescer de forma vertiginosa, isso com o PIB crescendo mais de 3% ao ano. Se não bastasse, cresce na mesma proporção a insatisfação social, gerando turbulências políticas cujas consequências são imprevisíveis. Talvez, antes que o sistema desmorone e leve o mundo a um novo conflito de proporções mundiais, cujos sinais são mais evidentes a cada dia, como a nova Gerra Fria entre Estados Unidos e Rússia por exemplo, o capitalismo encontre uma alternativa e procure se reinventar. Mas até lá o mundo vai passar um grande crise e por profundas transformações. Isso será inevitável.
Apaixonado por literatura desde pequeno, começou a escrever as primeiras histórias aos 11 anos e desde então não parou mais. Parte desse material escrito nos últimos 30 anos você poderá encontrar aqui, inclusive trechos de obras que estão sendo preparadas para a publicação.
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
UM VIR A SER TALVEZ
Este momento,
Este agora
É tudo que tenho,
É tudo que preciso
Para me sentir vivo.
O amanhã é só
Uma possibilidade,
Um vir a ser talvez...
Este agora
É tudo que tenho,
É tudo que preciso
Para me sentir vivo.
O amanhã é só
Uma possibilidade,
Um vir a ser talvez...
terça-feira, 1 de março de 2016
O BRUSCO APAGAR DA CHAMA
A vida, que flui do nada,
É mágica e bela até
Envolta numa jornada
Na qual há ciência e fé
A vida é um fluir constante
Um rio ora de águas calmas
Ora um fluxo intermitente
Como o balançar das chamas
A vida é uma enxurrada
Que colhe o que lhe estiver
Na frente. E assim acumulada
Faz de cada ser o que é
Mas aí sorrateiramente
A morte à vida reclama
Num ato insignificante
Num brusco apagar da chama
É mágica e bela até
Envolta numa jornada
Na qual há ciência e fé
A vida é um fluir constante
Um rio ora de águas calmas
Ora um fluxo intermitente
Como o balançar das chamas
A vida é uma enxurrada
Que colhe o que lhe estiver
Na frente. E assim acumulada
Faz de cada ser o que é
Mas aí sorrateiramente
A morte à vida reclama
Num ato insignificante
Num brusco apagar da chama
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
FOI A VONTADE DE DEUS
Antes
da viagem, o automóvel, tirado num consórcio há pouco mais de um
ano, vai para a revisão. Afinal não se deve pegar a estrada sem
fazer uma revisão no carro. Ainda mais quando se transporta os
filhos e a esposa, uma senhora de 31 anos, que divide sua devoção
entre os filhos, o marido e Deus, frequentado a igreja uma vez por
semana em companhia da família.
No
dia 22 de dezembro, após uma oração, eles saem cedo de casa. Seu
Roberto, como é conhecido no bairro, é um homem prudente que
respeita a sinalização e os limites de velocidade. Por isso sabe
que gastará mais tempo do que a maioria dos motoristas para fazer o
mesmo trajeto. Mas ele não se importa com isso. “Não se deve ter
pressa. O importante é chegar em segurança”. É o seu lema, o
qual costuma dizer aos amigos quando estes pegam a estrada.
Apesar
do trânsito, a viagem até o litoral corre da melhor forma possível.
E
durante aqueles 12 dias, a família se diverte como nunca. Vão à
praia quase todos os dias e passeiam pela cidade quase todos os
começos de noite. E tudo aquilo que a cidade oferece aos turistas,
aquela família procura desfrutar. Mas não esquecem de seus deveres
para com Deus e assim vão à missa de domingo.
E
como todo passeio, aquele também chegou ao fim. Mas isso não foi
motivo de tristeza. No dia 2, acordaram todos antes da aurora e
pegaram a estrada de volta.
Mas
não chegaram em casa.
Numa
curva de um trecho sem acostamento, uma carreta, vindo em sentindo
contrário, fez uma ultrapassagem proibida e atingiu de frente o
carro onde jazia a família do Sr. Roberto. Tanto ele quanto a esposa
morreu na hora. A menina de 4 anos ainda chegou a ser levada com vida
ao hospital, mas morreu horas depois. O garoto de 7 anos, sobreviveu.
Mas uma fratura na coluna, na região do pescoço, deixou-o
tetraplégico. O motorista do caminhão, apesar da gravidade do
acidente, sofreu ferimentos leves, tendo de mais grave uma perna
quebrada, a qual se recuperou completamente semanas depois.
No
seu depoimento, ele justificou a ultrapassagem da seguinte forma:
--
Não sei o que me deu na cabeça pra fazer aquilo. Talvez eu
estivesse um pouco cansado, já que tava dirigindo há mais de seis
horas sem parar. Parece que alguma coisa me levou a cometer essa
loucura... Talvez tenha sido a vontade de Deus...
Durante
o enterro daqueles inocentes, não faltou um ombro amigo que de uma
forma ou de outra tentava confortar os pais e avós daquelas três
vítimas da irresponsabilidade de um motorista. Ainda mais que eram
pessoas muito queridas na cidade, cuja morte chegou a causar uma
comoção.
E
foram muitas as palavras de consolo. Mas o mais que se ouviu foi:
“Foi
a vontade de Deus”.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
CHAGA DOLOROSA
Não sei o que fazer
Com esse sentimento
Aqui no peito a roer.
Dói a todo momento
É uma dor insana
Sem fim, sem uma pausa
Que até a alma desengana
Sem entender a causa
Mas é no te querer
Sem te ter entretanto
A razão do sofrer
Sem apaziguamento
Mas sei que a vida engana
Como espinho de rosa
Amar não é bacana
É chaga dolorosa
Com esse sentimento
Aqui no peito a roer.
Dói a todo momento
É uma dor insana
Sem fim, sem uma pausa
Que até a alma desengana
Sem entender a causa
Mas é no te querer
Sem te ter entretanto
A razão do sofrer
Sem apaziguamento
Mas sei que a vida engana
Como espinho de rosa
Amar não é bacana
É chaga dolorosa
domingo, 14 de fevereiro de 2016
A SEDUTORA
Não venha com esses olhos inebriantes
Seduzir-me assim. Sou fraco e até me deixo
Levar facilmente pelas deleitantes
Pulsões do prazer. Ah, e como me deixo!
Árdua luta travo contra essa vontade
De me perder em ti, de me deixar
Sucumbir à tua pura sensualidade
Cujo deleite é o mais intenso que há
Tuas carícias tão ternas e tão excitantes
Tem grande poder. E nesse meu desleixo
Onde se permite atos inconsequentes
Ajo como louco, como fora do eixo
Mas essa loucura não é insanidade
É minha paixão que me faz renunciar
À razão, ao bom senso e à realidade
Para no teu gozo o meu se misturar
Seduzir-me assim. Sou fraco e até me deixo
Levar facilmente pelas deleitantes
Pulsões do prazer. Ah, e como me deixo!
Árdua luta travo contra essa vontade
De me perder em ti, de me deixar
Sucumbir à tua pura sensualidade
Cujo deleite é o mais intenso que há
Tuas carícias tão ternas e tão excitantes
Tem grande poder. E nesse meu desleixo
Onde se permite atos inconsequentes
Ajo como louco, como fora do eixo
Mas essa loucura não é insanidade
É minha paixão que me faz renunciar
À razão, ao bom senso e à realidade
Para no teu gozo o meu se misturar
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
O ZIKA VÍRUS E O FIM DA HUMANIDADE
Após uma série de casos de microcefalia em recém-nascidos, parece não haver mais dúvida quanto à causa dessa deficiência genética, que provoca cegueira, surdez, retardamento mental, dificuldade motora entre outras, tornando a vítima num incapaz para o resto da vida, já que parece que o Zika vírus provoca os casos mais graves da doença E não há dúvida de que haverá milhares de casos de microcefalia não só na América Latina como em todo o mundo. Aliás, é imprevisível o que poderá ocorrer quando essa doença chegar à África e aos países mais pobres e populosos do planeta como a Índia e a China por exemplo. Será uma tragédia humanitária sem precedentes. O Zika vírus produzirá uma geração de incapazes, afetando profundamente as gerações futuras devido ao custo humano e financeiro para ligar com as vítimas desse nefasto vírus. E há ainda um outro problema: o baixo índice de nascimentos, provocados pelo aumento de abortos e o adiamento da gravidez com o temor da microcefalia, pois muitos casais adiarão seus planos de ter filhos. As taxas de natalidade nos países afetados deve cair consideravelmente nos próximos anos, levando inclusive a um crescimento populacional negativo. Veremos algo parecido com o que ocorreu com a Peste Negra na Idade Média. É bem possível que nas próximas décadas veremos um decréscimo da população de muitos países como já vem ocorrendo na Europa, embora por outros motivos. Então eu me pergunto: será o começo do fim da humanidade? Poderá o Zika vírus, aliado às mudanças climáticas, as quais já vem afetando o crescimento populacional do planeta, causar a extinção do homem? Não creio. Esses dois fatores por si só não são suficientes, mas certamente provocarão profundas mudanças sociais e econômicas nas próximas décadas, mudanças para as quais a maioria das nações não estão preparadas.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
O VERDADEIRO MOTIVO DO IMPEACHMENT DA DILMA
Após a deflagração do processo de impeachment da presidenta Dilma, iniciou-se um embate entre os apoiadores da presidenta e os que se opõem ao seu governo. Os primeiros insistem na ilegalidade do processo, dizendo que se trata de um golpe, enquanto o outro lado insiste que há provas de que Dilma cometeu crime de responsabilidade e por isso ela deve ser cassada. Não sou especialista no assunto para afirmar qual dos lados tem razão, até porque nem mesmo os juristas mais renomados desse país se entendem; embora a maioria tenha se posicionada contrário ao impeachment. Mas até onde sei, Dilma realmente não cometeu um crime que justifique a perda de mandato. Mesmo que ela tenha praticado as tais pedaladas fiscais, ainda sim tenho de concordar com a maioria dos juristas que afirmam que ela não se beneficiou delas, portanto não praticou nenhum ato ilícito. No entanto, culpada ou não das tais pedaladas, o que está em jogo não é o crime em si. Aliás, isso é o que menos importa. Trata-se apenas duma desculpa para julgá-la pela péssima administração que vem fazendo. Como não há na Constituição nenhum tipo de condenação por inaptidão, incompetência e coisas do gênero, procura-se uma forma alternativa de tirá-la do poder. O processo conta Dilma é só mais um dos vários que vem ocorrendo na América Latina, onde governantes impopulares são destituídos pelo parlamento sem que tenham cometido de fato um crime; como ocorreu no Paraguaí, Equador, Bolívia, entre outros. Claro que a democracia brasileira é mais sólida do que nesses países e o processo segue plenamente a Lei. Ainda sim, o processo de impeachment é, na mais das vezes, um processo puramente político onde o presidente é destituído tão somente por ter perdido a capacidade de governar. E é o que se vê no processo contra Dilma. Afinal, ela cometeu algum ato que justifica a perda de mandato? Muito provavelmente não, mas ela perdeu a legitimidade. E este é o maior problema. Se ela vai ser cassada ou não é difícil saber. Vai depender do que ela ainda tem na manga para mostrar alguma força no parlamento. Se escapar do impeachment, Dilma sai fortalecida e finalmente pode começar a governar o país; se, por outro lado, for caçada, mostrará que a permanência dela no comando do país seria desastroso, pois estaria completamente isolada e sem a menor condições de governar. Esperamos que, para o bem do país, o processo seja rápido.
domingo, 20 de dezembro de 2015
SANGRANDO ILUSÕES
Por que se preocuparem
Com as minhas verdades?
Se por minhas só serem
Só a mim há utilidade?
Por que então se importar
Com a opinião alheia?
Se isso não moverá
Nem um só grão de areia
De minhas convicções?
Pobres almas que creem
Ser melhor sua verdade,
Quando aí não veem
A mão da ingenuidade!
Como podem deixar
Correr dentro da veia
Veneno que não há
Pior? Pois fure tua veia
E sangre as ilusões!
Com as minhas verdades?
Se por minhas só serem
Só a mim há utilidade?
Por que então se importar
Com a opinião alheia?
Se isso não moverá
Nem um só grão de areia
De minhas convicções?
Pobres almas que creem
Ser melhor sua verdade,
Quando aí não veem
A mão da ingenuidade!
Como podem deixar
Correr dentro da veia
Veneno que não há
Pior? Pois fure tua veia
E sangre as ilusões!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
NIETZSCHE: O FILÓSOFO “POP”
Nietzsche é um pensador que, diferentemente da maioria dos filósofos, não possui um pensamento conciso e ordenado. Toda a sua vasta obra é fragmentária e vez ou outra contraditória. Além do mais, por usar um estilo muitas vezes poético e metafórico, sua obra é de difícil compreensão, o que gera muitas interpretações equivocadas, desvirtuadas e não condizentes com o seu pensamento. Por isso, durante boa parte do século XX, seu pensamento foi usado para os mais variados interesses e fins como para justificar o autoritarismo e a perseguição aos judeus por exemplo. O caso mais notório é o uso de seu pensamento pelos nazistas, um uso que o próprio Nietzsche, temendo a deturpação de seu pensamento, fez questão de alertar meio século antes. Ainda hoje, com a enorme popularidade que Nietzsche e o grande interesse que sua filosofia desperta por se tratar de um pensador atual, é possível encontrar seu pensamento sendo usado para os mais variados fins e sendo usado para sustentar as mais diversas bandeiras. E porque isso acontece? Basicamente devido ao estilo usado pelo filósofo alemão em suas obras. O uso do aforismo – um texto breve, normalmente de cunho moral, que encerra na mais das vezes uma sentença filosófica – é a principal razão. Além do mais, Nietzsche é um dos poucos pensadores a abordar os mais variados temas em suas obras. Ao usar sentenças breves, mutias não passam de duas linhas, e de impacto, faz com que sejam de fácil leitura e memorização, mesmo que nem sempre o leitor compreende de fato o seu real sentido. Quem nunca ouviu falar que “toda a vida humana está profundamente embebida na inverdade”(1), “Quem não sabe pôr no gelo seus pensamentos não deve se entregar ao calor da discussão”(2), “A exigência de ser amado é a maior das pretensões”(3), “É mais fácil lidar com sua má consciência do que com sua má reputação”(4), “A decisão cristã de achar o mundo feio e ruim tornou o mundo feio e ruim”(5), “A humanidade prefere ver gestos a ouvir razões”(6), “Onde quer que a neurose religiosa tenha aparecido na terra, nós a encontramos ligada a três prescrições dietéticas perigosas: solidão, jejum e abstinência sexual”(7), “Não existem fenômenos morais, apenas uma interpretação moral dos fenômenos”(8), “Aprendemos a desprezar quando amamos, e justamente quando amamos melhor”(9), “As paixões tornam-se más e pérfidas quando são consideradas más e pérfidas”(10), “Pode-se recusar um pedido, mas nunca recusar um agradecimento”(11) e “Quanto mais alto nos elevamos, tanto menores parecemos àqueles que não sabem voar”? São por sentenças assim que Nietzsche caiu no gosto popular e se tornou um filósofo “pop” mas muito pouco compreendido infelizmente. E o que poderia ser um ponto a favor acaba se tornando um problema, já que se coloca na boca de Nietzsche aquilo de fato ele nunca disse ou pretendeu dizer.
Notas
1. Humano, Demasiado Humano, Cap. I, aforismo 34
2. Humano, Demasiado Humano, Cap. VI, aforismo 315
3. Humano, Demasiado Humano, Cap. IX, aforismo 523
4. A Gaia Ciência, Livro I, aforismo 52
5. A Gaia Ciência, Livro III, aforismo 130
6. O Anticristo, aforismo 54
7. Além do Bem e do Mal, Cap. III, aforismo 47
8. Além do Bem e do Mal, Cap. IV, aforismo 108
9. Além do Bem e do Mal, Cap. VII, aforismo 216
10. Aurora, Livro I, aforismo 76
11. Aurora, Livro IV, aforismo 235
12. Aurora, Livro V, aforismo 574
domingo, 13 de dezembro de 2015
FOI DEMAIS PRA MIM
A
chuva caindo naquela tarde cinzenta
Era
um imenso mar de lágrimas descendo
Pela
minha face tão cheia de tormenta,
Vazia
de vida como se eu tivesse morrendo.
Era
tudo tão sombrio, sem esperança
Como
se de fato o mundo chegara ao fim
E
então ansiava por uma fatal sentença
Que
à morte me levasse aquela dor enfim
Como
pode ser o amor uma ferramenta
Capaz
de causar tamanha dor? É sofrendo
Que
o supremo valor da vida se apesenta?
Nesse
viver contudo à morte querendo
Mas
por que não querer? Só tem desesperança
No
meu sofrer. Perdê-la desse jeito assim
Para
um amigo, no qual toda confiança
Eu
lhe depositava foi demais pra mim
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 62
-- Agora ela não vai se apagar tão cedo – disse com seus lábios sorridentes, quando me apanhou.
Ignorei-a e continuei em frente. Ela passou alegre por mim, virou e parou na minha frente. Com olhos perscrutadores e um sorriso desavergonhado, acrescentou:
-- Finalmente as sós, sem ninguém para atrapalhar.
No meu peito, as palpitações intensificaram. Experimentei um medo inquietante. Sabia que dessa vez não haveria escapatória. Desculpas não funcionariam. Correr e fugir só complicaria as cosias e só adiaria o inevitável. Teria de enfrentar aquilo e reviver os fantasmas do passado, por mais assombrosos que fossem. De forma que não fugi.
Se por um lado ela me manipulava e me forçava a fazer coisas que não queria, como Fabrício também fizera, por outro ela estava me dando a oportunidade de me colocar no lugar dele e assim experimentar as sensações que ele experimentara. E ainda mais: poderia descobrir o porque que ele gostava tanto de me possuir.
Ainda me recordo de como ele confessara em uma das oportunidades, pouco antes de gozar em mim, que o meu cu era mais apertado e mais gostoso que uma boceta. Eu nunca pude compreender por que um homem podia preferir outro a uma mulher. Deus fizera o homem e a mulher para se unir e ter filhos. Era assim a natureza e a vontade Dele. Mas um homem com um outro homem? Tratava-se duma aberração, dum pecado sem tamanho. Eu sabia que meu primo era um garoto, embora mais velho do que eu, e que também já tinha se deitado com uma mulher; portanto sabia que deveria ser assim: um homem e uma mulher. Não dois homens. É por isso que eu não entendia como ele poderia fazer aquilo comigo. Eu não era mulher. Era seu primo. Tinha ido a sua casa para fazer-lhe companhia enquanto seus pais viajavam. Por que ele foi fazer aquilo comigo? Eu era um garoto bobo, inocente e muito ingênuo, mas era um garoto como qualquer outro. Por que ele quis fazer de conta que eu era mulher? Por que ele queria fazer aquilo o tempo inteiro? Por que me ameaçava e me coagia daquele jeito toda vez que eu recusava? Por que me agarrava a força quando eu dizia que não queria? Será que ele não via o quanto eu me sentia humilhado, sujo, pecaminoso ao ser usando daquela forma? Ele não se comovia com minhas lágrimas? Só sabia dizer: Para de chorar como uma mulherzinha, seu viadinho, sua menininha com pinto!
Essas perguntas ainda ecoam na minha memória até hoje, amigo leitor. Nunca fui capaz de me livrar totalmente delas. Ainda as carrego como um fardo, embora hoje a vergonha e o medo da danação eterna não me afligem mais. Aliás, o motivo por eu me sentir tão humilhado e ultrajado após Fabrício sair de mim não era só o fato de ter sido usado como uma mulher, mas o temor de um castigo eterno e a vergonha de meus pais. Acreditava que seria castigado eternamente por aquilo tanto quanto temia a humilhação e a vergonha, caso meus pais viessem a saber. Imaginava-os me castigando severamente e até me expulsando de casa por tê-los envergonhado. Eu me sentia mais culpado que o meu próprio primo, o qual não parecia sentir o menor remorso. Aquilo se parecia quase natural. Aliás, a culpa e o medo era a razão pela qual eu cedia tão fácil às ameaças dele. Se para ocultar aquele ato vergonhoso eu tinha de me sujeitar mais uma vez, que assim fosse. E foram muitas e muitas vezes.
Embora Luciana quisesse que eu fizesse o que meu primo fizera, não via muita diferença na minha culpa. Deus me castigaria da mesma forma. Éramos homem e mulher, mas o que ela queria fazer era contra os ensinamentos de Deus. Onde ela queria meu pinto era um lugar imundo, feito para defecar e não para ser penetrado e receber a semente da vida. “Por que ela quer fazer isso? Ia dar certo os dois. Fabrício. Ele nela por trás, na bunda dela. Outras pessoas também gostam. Mas por quê?”, lembro-me de pensar. Se por um lado, em casa a sexualidade não fosse um tema discutido na minha frente, por outro, a curiosidade me levava a manter os ouvidos atentos não só no lar como entre os colegas de escola, principalmente aqueles das séries mais adiantadas. Súbito, conclui que era porque elas eram atentadas pelo diabo. Era ele quem induzia as pessoas a fazer isso para terem sua alma perdida. “Ele atenta elas pra roubar sua alma.”, foi minha conclusão. E me lembro de acrescentar quando Luciana abraçou e disse que queria um beijo: “Ela também tá possuída. Ele tá obrigando ela a fazer essas coisas. Por isso ela age assim. Por isso ela é tão má. Me atormenta também. O diabo. Ele quer usar ela pra roubar minha alma também”.
Beijei-a.
Ela premeu seu corpo no meu e roçou os quadris nos meus. Sabia que não podia lutar contra a natureza. Contra minha vontade, os instintos aflorariam e eu não poderia fazer nada. Assim, não tentei conter o excitamento, o qual foi rápido.
-- Assim que eu gosto – lembro-me de ouvi-la dizer, quando, tomando pelo desejo, agarrei-lhe um dos seios e chupei o outro.
Súbito, ela se desvincilhou, sentou-se na areia, deitou de barriga para cima e me chamou com uma voz meiga e submissa. Meus olhos escorreram por ela ali -- ela jazia aos meus pés -- e tive por um breve momento a percepção de fragilidade nela. Ela era uma mulher dominadora e manipuladora, mas ali parecia capaz de qualquer coisa para em ter.
Ah, se eu soubesse manipular o seu igual como alguns fazem! Teria mudado não só o futuro dela como também o da maioria de nós. Mas eu não soube o que fazer com aquele momento de vulnerabilidade e fraqueza dela. Minha ingenuidade impediu-me barganhar, de tirar algum proveito daquela situação, como ela magistralmente fazia comigo. Por isso eu tenho de reconhecer que as pessoas manipuladoras já nascem com esse dom. Elas não deixam jamais uma oportunidade passar. E a todo momento veem como tirar benefício de uma situação.
Agachei ao seu lado e deitei sobre ela. Após algumas carícias, penetrei-a, pensando que ela esquecera aquela história de “dar o cu”. E para evitar que ela relembrasse, ora beijava-a entusiasmadamente, ora lhe apertava os seios e os chupava de forma a provocar-lhe intenso prazer, o qual poderia levá-la ao gozo.
Mas não funcionou. De repente, ela me empurrou para o lado e disse:
-- Agora quero que você faça por trás. -- Virou de bruços e abanou a areia das nádegas brancas. -- Quero experimentar. Você vai enfiar no meu cu.
-- Mas vai doer, vai te machucar – falei, lembrando de como algumas vezes de fato foi dolorido e de como Fabrício realmente chegou a me machucar, principalmente quando, já deitados, prontos para dormir, ele vinha até mim, tirava a minha cueca e molhando insuficientemente o seu falo com a própria saliva, penetrava-me sem qualquer outro tipo de lubrificação, enquanto eu permanecia sob ele, calado, passivo, como que paralisado ou completamente imobilizado, apenas aguardando que ele terminasse o mais breve possível.
-- Como você sabe que dói e machuca?
Fiquei sem palavras, num embaraço sem precedentes. Era como se ela tivesse descoberto o meu segredo, um segredo que eu não revelaria por nada desse mundo. Preferia encarar a morte do que sofrer tamanha humilhação. Por isso, desconversei:
-- Não, eu não sei. Eu acho.
-- Não, não vai doer e nem me machucar. Na minha classe tem um garoto, o Sandrinho, que é gay. É meu melhor amigo. E ele já transou com alguns homens. Disse que não dói e é muito gosto. É só você enfiar bem devagarzinho, com jeito. E se doer, você para – explicou.
Tive alguma dificuldade em penetrá-la, pois meu falo ainda imaturo era muito fino e não tinha a resistência de um rapaz ou de um homem mais velho. E quando a penetrei as sensações a as lembranças do passado confundiram-se de tal forma que eu não sabia o que era novo ou experiência vivida. Ao mesmo tempo que descobria um mundo de sensações, sensações experimentadas tão somente pelo meu primo quando me penetrava, velhas sensações também vinham à tona. E embora fosse Luciana a experimentá-las (aliás com um certo receio no início, mas depois intensamente) eu não podia deixar de senti-las presente. Cada movimento do meu falo remetia-me aos movimentos do falo de meu primo em mim, confundindo as sensações. E então eu me punha no lugar dela. Talvez até seja um exagero, mas era como se não fosse o meu falo a penetrar ânus de Luciana, mas um outro falo a penetrar o meu. Havia momentos em que a sensação de algo a se mover entre minhas nádegas era tão real que o meu ânus se contraia.
Talvez se meu primo não tivesse me tratado com tanta indiferença e me possuído como se eu fosse um objeto que se usa e depois descarta; pois, ao atingir seu objetivo, abandonava-me de tal forma como se eu simplesmente desaparecesse como num devaneio ou como se eu fosse um brinquedo que se abandona depois de não o querer mais, o meu destino e minhas escolhas teriam sido outras. Afirmar que eu teria me tornado um gay não passa de especulação, mas, ao longo de todos esses anos, tal questionamento foi feito por incontáveis vezes, principalmente quando eu deparava com um homossexual da minha idade. E se em todas as vezes que ele me possuiu tivesse sido carinhoso, demonstrando algum tipo de consideração e feito daquele ato um ato de amor? Afinal, ele me possuiu mais de uma dezena de vezes e só em três dessas oportunidades demonstrou algum carinho. Se é que posso chamar aquilo de carinho.
A primeira delas foi na segunda vez em que transamos. Tínhamos acabado de deitar, depois de ficar brincando até tarde. Súbito, ele saltou de sua cama para a minha, abraçou-me, e chamou-me para “namorar” (foi a única vez em que usou essa palavra. Assim como eu, também ele usava somente uma cueca, pois fazia um calor terrível naqueles dias; mas mesmo assim pude senti-lo excitado, pois não fez questão de ocultar isso. Ele me acariciou as penas, as nádegas e arrastou-se para cima de mim. De frente um para o outro, nossos olhos se cruzaram. Ele deu um sorriso estanho (hoje eu sei que era voluptuoso e com segundas intenções) enquanto o meu escapou timidamente, cheio de vergonha. Ele me beijou. Sem saber como agir, correspondi ao seu beijo. Aliás, usou isso com uma estratégia, pois enquanto nos beijávamos, sua mão encontrou a minha cueca e a puxou para baixo, até os joelhos. Seus lábios abandonaram os meus e deslizaram pelos meu pescoço e sua língua encontrou minha orelha. Súbito, ele ergueu a cabeça, olhou-me novamente nos olhos e seus lábios famintos, cheios de volúpia, buscaram os meus. Uma de seus braços enlaçava-me o pescoço e eu o abraçava-lhe o dorso com os dois como se fossemos um casal. Enquanto sua língua procurava a minha, senti-o erguer os quadris e empurrar a sua peça de roupa pernas abaixo. Quando seus quadris abaixaram, senti seu falo teso e úmido tocarem-me os testículos e deslizar para baixo, a procura do ânus. Tentou me penetrar assim, nervoso e desajeitadamente, mas não obteve sucesso, nem mesmo comigo facilitando as coisas, ao afastar um pouco as pernas, pois não me ocorreu que ele fosse realmente me penetrar. Pediu-me para virar e não houve mais carícias. Apenas seus braços me envolveram fortemente; na verdade, para se firmar enquanto a parte inferior de seu corpo premiam minhas nádegas, no meio das quais eu sentira o ir e vir de seu falo impaciente.
A segunda vez foi no dia seguinte, à tarde, no banheiro. Embora eu procurasse me esquivar, ele não perdia a oportunidade de agarrar-me por trás. Isso o excitou em dado momento. Lembro-me de ouvi-lo proferir: “Tô num tesão danado. Olha como o meu pau tá duro. Pega nele para você ver”. Incapaz de recusar, segurei-o com dois dedos. Estava. Antes que eu tirasse a mão, segurou os meus dedos e mexeu-os para frente e para trás, gemendo. Entreolhamo-nos e antes que eu pensasse em escapar, seus lábios avançaram sobre os meus. Foi apenas um beijo, embora não tenha sido breve como os primeiros. Então ele me disse para virar. Ainda me lembro de como ele acrescentou em tom jocoso: “Vou te dar um pouco do meu leitinho”. Virei, apoiei as mãos na parede e ele teve o seu gozo.
A terceira vez que me fez algum carinho, foi dois dias depois. Nazaré, tinha ido ao correio e ao mercado. Era um final de tarde. Estávamos sentados frente a frente no chão da sala jogando pega varetas. De repente, sua mão escorregou por uma das minhas coxas. Surpreso, olhei para ele. Ele sorriu e me atirou um beijo. Envergonhado, abaixei a cabeça, como se o ignorasse. Ele se aninhou do meu lado e beijou-me várias vezes na nuca e no rosto, deslizando seus dedos pelas minhas coxas, a fim de me excitar. De repente, seu rosto surgiu na minha frente e sua boca procurou a minha. Embora fossemos homens, ele gostava de me beijar como se eu fosse uma garota. Enquanto beijávamos, suas mãos continuavam a escorregar para lá e para cá nas minhas coxas e minhas nádegas. Foi uma das raras vezes em que fiquei muito excitado, a ponto de superar a timidez, o medo do castigo divino, e desejá-lo. Talvez porque também foi a única vez em que disse que meu corpo era bonito e minhas coxas excitavam-no e minhas nádegas eram macias e gostosas. Chegamos a ficar nus ali, mas por precaução, convidou-me para seu quarto, onde dormíamos e para o qual fui de bom grado. Diferentemente do que costumava fazer, não deitei de bruços. Havia gostado das carícias na sala e queria mais. Ele não me pediu para virar. Deitou sobre mim e continuamos a nos acariciar entre o beijo e outro. Aliás, cheguei a acariciar-lhe o falo por alguns instantes, imitando-o, já que ele havia pego o meu e também o acariciava. Ele por sua vez abandou o meu falo e voltou para as coxas e as nádegas, acariciando-as a maior parte do tempo, chegando inclusive a procurar-me o ânus e introduzir-lhe um dedo. Isso me levou a abrir-lhe as pernas para que me penetrasse. Seu falo chegou a entrar, mas não o suficiente. A posição atrapalhava. Por isso ele mandou eu dobrar as pernas e segurá-las na região dos joelhos. Penetrou-me mais profundamente do que havia conseguido até então. Talvez por estarmos de frente um para o outro, voltou a me beijar. Pouco depois porém, ele teve o seu deleite, saiu de mim, vestiu a cueca e de forma dura, como muitas vezes fazem os homens rústicos com as prostitutas, ordenou: “Anda! Levanta, seu bichinha! Antes que a porra escorre do teu cu e suja a minha cama”.
Não há dúvida de que isso contribuiu para que minhas lembranças daqueles momentos fossem as mais desagradáveis possíveis. Se tivesse sido diferente, talvez eu não teria me recusado a passar as próximas férias em sua casa, apesar do convite de meus tios e da insistência de meus pais. Pois eu sabia que se fosse, Fabrício, agora seis meses mais velho e com 14 anos estaria provavelmente mais insaciável, dominar-me-ia ainda com mais facilidade e descarregaria em mim suas taras.
Luciana não era vítima da timidez, não estava limitada por ela e nem era escrava de seus temores. Por isso não se manteve passiva como eu. Não ficou apenas esperando, esperando que aquilo terminasse, como eu fiquei tantas vezes. Ela queria sentir prazer e o procurou, exigindo de mim que lhe desse. Em dado momento, pediu-me para enfiar a mão por baixo dela, ir até o meio das pernas, introduzir o dedo na “xana” e mexer ele para frente e para trás. Fez questão de mostrar aonde e como o dedo deveria passar, já que para mim não fazia a menor diferença passá-lo num lugar ou noutra, uma vez que jamais ouvira falar do clitóris.
O gozo dela acabou levando ao meu. E quando este aconteceu, o passado ficou de lado e não me assombrou mais, pelo menos naquele momento. Então pode experimentar todo o deleite que meu primo experimentara todas as vezes que me possuíra.
Não sei se foi a imaturidade ou a inexperiência a razão pela qual não consegui ver muita diferença entre possuí-la de uma forma ou de outra. Claro que havia diferença. Das outras vezes, eu a possuíra de frente, ora olhando-a nos olhos, ora fitando as expressões de seu rosto, ora contemplando os seus seios, ora beijando seus lábios, ora lhe chupando os mamilos já que isso me dava prazer. Dessa vez, porém, isso não foi possível. Havia o prazer de vê-la de costas, sem seus braços a enlaçar, sem seus olhos a me observar, o que me dava a sensação de poder sobre dela, um poder que eu jamais experimentara. Talvez o prazer maior estivesse nisso, pois eu estava no controle, comandando os movimentos. Contudo, havia uma outra fonte de prazer, a qual contribui até mais para que aquele ato tenha sido diferente: as nádegas. Aliás, era por causa das minhas nádegas que meu primo tanto gostava de me possuir. Ele chegou a confessar isso mais de uma vez. E ali, sobre Luciana, sentindo os meus quadris socarem aquelas nádegas brancas e macias, experimentei um prazer que ainda não havia experimentado, um prazer intenso, que num primeiro momento não associei ao coito anal, e sim a sensação de poder que aquela posição me dava.
Ainda sobre ela e agora sem o domínio dos instintos, ao refletir e tentar entender as razões de meu primo, conclui que precisava experimentar de novo. Precisava tirar a prova e quiçá livrar de meus fantasmas, os quais começavam a se desfazerem. E se não fosse com Luciana, seria com minha prima.
Diferentemente de Fabrício, não me levantei e abandonei Luciana a própria sorte, deixando-a com aquela terrível sensação de abandono. Permaneci-lhe sobre algum tempo, talvez porque estivesse tão acostumado a obedecer ordens que tenha ficado esperando que ela me mandasse sair, o que de fato aconteceu algum tempo depois.
-- Chega, vai! Tira isso aí do meu cu. Já tá me incomodando – disse ela.
Rolei para o lado e fiquei estirado na areia, olhado para o céu, no qual formavam-se algumas nuvens escuras, apesar de nada indicar que fosse chover.
O silêncio nos envolveu e por algum tempo ficamos pensativos.
-- Você gostou? -- perguntou ela.
-- Eu? -- exclamei, surpreso.
-- É. Gostou de foder o meu cu? -- fez questão de explicar.
-- Gostei.
-- Eu também. No começo, achei estranho. Mas quando você enfiou o dedo na minha xana e ficou mexendo, foi ficando bom. É diferente! Parece que dá mais prazer. Não sei direito. Depois vamos fazer de novo. -- Virou-se de frente para mim, aninhou em meus braços e apoiou a cabeça nos meus peitos. Parecia tão feliz e apaixonada. -- Quero ver se vou sentir isso de novo. Você faz comigo de novo amanhã?
Poderia ter dito que não, mas diferentemente do que sentira até então, estava em paz e não havia aquela sensação de culpa que toda vez me invadia após o ato sexual. Havia uma transformação em curso dentro de mim. Era como se realmente os fantasmas do passado começassem a desaparecer. Por isso respondi:
-- Se você quiser, eu faço.
Ela me beijou carinhosamente e numa das raras oportunidades, disse:
-- Te amo, sabia!
Não respondi. Não queria mentir.
Fez-se um novo silêncio. Sua mão acariciava-me a face e a minha deslizava por suas costas, indo até as nádegas e voltando até a altura do pescoço.
Ficamos assim por algum tempo.
Mas não podíamos ficar para sempre. Não tardaria a anoitecer e eu precisava garantir o jantar, caso as meninas não encontrasse nada para comermos.
-- Precisamos pescar – falei.
Ela me deu um beijo, se levantou e disse com naturalidade, com uma naturalidade que só as putas mais experientes são capazes de ter.
-- E eu preciso cagar tua porra! Ela já está começando a escorrer pela minha bunda. -- disse ela com naturalidade, como se falasse de algo trivial. Aliás, isso me fez ficar com uma sensação de nojo, pois ela usara praticamente as mesmas palavras de meu primo que, após sair de cima de mim, costumava dizer: “Vai no banheiro, senta no vaso e faz força pra tu cagar a minha porra que eu gozei no teu cu senão ela via ficar escorrendo depois”. Embora só tenha dito isso nas primeiras vezes, depois eu já sabia o que tinha fazer, apesar de não ter feito por duas ou três vezes.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
QUANDO A SAUDADE É INSUPORTÁVEL
Eu
vejo os dias passarem, na expectativa de poder te reencontrar, de me
atirar em teus braços e, olhando bem fundo nos teus olhos
brilhantes, dizer-te o quanto te amo e o quanto me foi difícil e
doloroso passar todos esses dias sem você, meu amor.
Eu
até tento encontrar um meio de me distrair ou alguma coisa com a
qual me ocupar para não ficar todo o tempo com os pensamentos em
você, mas confesso que não consigo, pois as mais comuns e
insignificantes coisas me trazem à memória a tua lembrança. Ah,
meu amor! Tudo parece me levar a você. Muitas vezes, eu digo a mim
mesmo: "Não adianta, não posso estar com ela agora", mas
o meu coração teima em não me ouvir. Ele é como uma criança
teimosia e mimada que só quer saber de suas vontades.
Ah,
meu amor! Como é horrível querer estar com uma pessoa e não poder!
Fico pensando em todos os momentos que poderia estar contigo,
cobrindo-te de carinhos e beijos, vendo o teu sorriso, ouvindo a tua
voz estonteante dizendo-me coisas insignificantes mas que para mim é
de um valor inestimável, pois tudo que me diz respeito a você é
importante para mim.
Eu
não sei se você sente essa falta que eu sinto de ti, mas se sente,
então sabe do que eu estou dizendo. E se é assim, seus dias também
são aflitos que nem os meus e a espera tem um sabor amargo, onde o
dia seguinte será tão ou mais doloroso que o anterior.
Mas
eu sei que essa separação não será duradoura. Brevemente vou
poder estar aí contigo e então compensaremos todos esses dias que o
destino nos separou, interpondo a distância entre nós só para nos
mantermos afastados. Talvez não possamos recuperar todo o tempo
perdido, mas tentaremos recuperá-lo ao máximo. Enquanto isso,
enquanto a distância nos mantém longe um do outro, tento pelo menos
acalentar-te. E esta carta ao menos te dará uns momentos de alegria,
mesmo que sejam poucos, e lembrar-te-ão que estar longe de ti só
faz o meu amor maior e mais forte.
domingo, 29 de novembro de 2015
OUTRAS FORMAS DE DEMONSTRAR AMOR
O tempo, esse inimigo impiedoso de todos
nós, é capaz dos mais profundos danos não só em nosso passado,
nossa história e nossas lembranças, apagando e envolvendo nas mais
profundas brumas tudo que ficou para trás, como também tem um
efeito devastador sobre o nosso dia a dia. Principalmente num
relacionamento amoroso, onde a rotina tem um papel semelhante, senão
maior, em provocar desgastes e levar ao esfriamento da paixão, a
qual é forjada nas mais intensas chamas. Isso deveria ser encarado
com mais naturalidade pelas partes envolvidas, já que os sentimentos
não são eternos e, por serem fruto de reações químicas no
cérebro, tendem a perder força com o passar do tempo. Afinal não
existe fogo que arde eternamente. Aliás, o tempo não afeta só os
sentimentos, mas nossas ideias, nossas percepções e nossas reações
diante de qualquer estímulo. O problema é que a maioria das pessoas
não dispõe desses conhecimentos e são incapazes de compreender
tais mudanças. E isso faz com que muitas vezes uma parte acuse a
outra de falta de amor, atenção, carinho, alegando que não a ama
mais, o que pode até ser verdadeiro. Na mais das vezes porém, a
coisa não é bem assim. O fato de a paixão ter esfriado não é
sinal de falta de amor. Há tantas outras formas de demonstrar amor
sem que essas envolvam diretamente o sentimentalismo. O respeito, o
companheirismo, o apoio, a compreensão, a atenção, o respeito, a
renúncia entre outros também é forma de demonstrar amor. O que
acontece é que, para algumas pessoas, isso passa despercebido ou até
mesmo não tem importância alguma. Mas para outras isso tem um
significado muito grande e lhe pode custar mais do que simples jogar
palavras da boca para fora. De forma que, se uma pessoa já não
demonstra seu amor através de palavras e carícias, pode ser que ela
esteja demonstrando de outra forma. E pode ser que o outro
simplesmente não esteja vendo isso.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
PARIS: ÓDIO À LIBERDADE E À DEMOCRACIA
Dez
meses depois, a França sofre um novo ataque terrorista promovido
pelo Estado Islâmico, matando até o momento 129 pessoas. E
justamente a França que é um país democrático, tolerante,
multirracial e berço da luta pelos direitos humanos. Nenhum país
merece uma barbárie dessas, menos ainda a França. Mas terroristas
não escolhem vítimas e muito menos o país. Querem apenas promover
o caos, a comoção popular e combater a liberdade, a igualdade e a
fraternidade. É um dos poucos meios que dispõem para chamar a
atenção, para mostrar alguma força. Embora não pareça, no fundo
os líderes dessa organização terrorista sabem que não vão chegar
a lugar algum, que lutam uma guerra perdida. Por isso, eles usam os
meios mais bárbaros para demonstrar força e poder, seja nos
territórios onde dominam, seja nos lugares mais democráticos do
mundo. Aliás, nada lhes é mais perigoso que a democracia. Eles a
temem tanto, ou até mais, quanto temem o Diabo. A escolha da França
não foi um acaso. Os franceses fazem parte da coalizão que vem
promovendo ataques aos territórios dominados por esses terroristas.
E de todos os integrantes da coalizão, a França talvez seja o país
onde os terroristas teriam maiores chances de serem bem sucedidos e
onde poderiam causar maior comoção. Talvez os EUA fossem o alvo
desejado, mas o sistema de vigilância norte americano certamente
frustraria qualquer tentativa de um ataque de grandes proporções.
Nos outros países da coalizão, um ataque assim talvez até
provocasse mais danos e mortes, mas não teria o mesmo efeito e no
ocidente isto seria mais uma notícia corriqueira, sem muita
relevância. Daí a França. E de fato conseguiram o que desejavam.
Não resta dúvidas de que foram bem sucedidos. Resta saber o que os
franceses farão. Somente uma resposta capaz de provocar perdas
incalculáveis ao Estado Islâmico fará com que desistam de novos
ataques. Talvez o mais sensato a fazer seja o envio do que há de
mais moderno em armamento bélico e de um grande contingente de
tropas para lutar em várias frentes, em conjunto com o exército
iraquiano numa das frentes e com os curdos em outra. Chegou a hora de
reconhecer que ataques aéreos por si só não vai derrotar esses
terroristas, pois tendem a se dissiparem e combater os inimigos com
atentados terroristas. Só há um meio de acabar com isso:
dizimando-os. Ou isso ou é só questão de tempo para novos
atentados terroristas. A França está numa encruzilhada e se deseja
continuar a ser um exemplo de tolerância e democracia terá de fazer
sacrifícios. Não há outra saída.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
LONGA ESPERA
Deixo tristemente o dia passar
Com um profundo aperto no peito
E a saudade prestes a me dar
Um desatino que não tem jeito
Como será que ela está?
O que deve tá fazendo?
Em mim pensando estará
Como nela estou pensando?
Eu faço tantas indagações
As quais não me tranquilizam a alma
Novas e novas inquietações
Arrancam-me o que resta da calma
Eu preciso dela já
Pois muito estou sofrendo
Por que não deixa pra lá
Logo tudo e vem correndo?
O dia passa. Nada dela chegar
No ouvido um diabinho diz: “bem feito!
Para ti ela não vai mais voltar”
Mas tais palavras eu não aceito
Sim. Eu sei que ela virá
E já deve tá chegando
Ela não me deixará
Com o coração sangrando
Chega a noite e minhas desrazões
Ardem na mais inquietante flama
Uma ligação dá-me as razões:
Num assalto, roubaram-lhe a chama
Com um profundo aperto no peito
E a saudade prestes a me dar
Um desatino que não tem jeito
Como será que ela está?
O que deve tá fazendo?
Em mim pensando estará
Como nela estou pensando?
Eu faço tantas indagações
As quais não me tranquilizam a alma
Novas e novas inquietações
Arrancam-me o que resta da calma
Eu preciso dela já
Pois muito estou sofrendo
Por que não deixa pra lá
Logo tudo e vem correndo?
O dia passa. Nada dela chegar
No ouvido um diabinho diz: “bem feito!
Para ti ela não vai mais voltar”
Mas tais palavras eu não aceito
Sim. Eu sei que ela virá
E já deve tá chegando
Ela não me deixará
Com o coração sangrando
Chega a noite e minhas desrazões
Ardem na mais inquietante flama
Uma ligação dá-me as razões:
Num assalto, roubaram-lhe a chama
domingo, 22 de novembro de 2015
AGARRANDO-SE AO PASSADO
Nas incansáveis viagens ao passado
Eu tento trazer de volta as lembranças
Daqueles momentos ali guardados,
Dos quais a saudade sem fim é imensa
É uma busca inútil, infelizmente
Já que o passado não volta jamais.
Ainda sim procuro insistentemente
Vivê-los nem que seja uma vez mais
A força com que neles eu me agarro
Dir-se-ia dum Hércules -- de tão
grande.
E embora tudo me seja tão caro
E sofrível. Aí minh'alma se prende
Mas quem caminha rumo ao fim certo
Sem muito mais esperar desta vida
Melhor porto é o passado decerto
Pra se crer que a vida não foi perdida
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
QUADRINHA DE AMOR(22)
Esta é mais uma das quadrinhas de amor de minha autoria. Para quem não sabe, a quadrinha de amor é composta de 4 versos com 7 sílabas poéticas.
Quero sonhar acordado
Com uma garota bem linda
E quando a tiver achado
Amá-la-ei por toda a vida
terça-feira, 10 de novembro de 2015
A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO
Talvez de todos os erros cometidos pelo parlamento brasileiro ao longo de sua história, o maior venha a ser o projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento, pois trata-se de um enorme equivoco achar que armar a população irá reduzir a criminalidade. Digo equivoco porque é um enorme absurdo achar que o alto índice de violência e criminalidade presente na sociedade brasileira é em grande parte fruto da impossibilidade de reação das vitimas por estarem desarmadas. O fato de uma pessoa está ou não desarmada não irá impedir um criminoso de cometer crimes; pelo contrário, irá torná-lo mais violento, mais disposto a matar com o intuito de impedir uma reação da vitima, o que muito provavelmente irá aumentar a criminalidade, já que os criminosos terão facilitado o acesso às armas de fogo tanto ao adquiri-las no mercado negro quanto ao roubá-las das próprias vitimas, as quais muitas vezes vão preferir entregar sua arma ao bandido do que usá-la contra o agressor. Aliás, muitos dos crimes de roubo que acontecem hoje em dia são praticados por criminosos com armas de brinquedo e armas brancas. Essas últimas inclusive, apesar de causar ferimentos nas vítimas, são bem menos letais que armas de fogo. O problema da criminalidade não é se a vitima é vulnerável ou não, mas sim a sensação de impunidade. É sabido que a maioria dos crimes não são solucionados e os culpados jamais pagam por eles. Esse é grande problema, embora não seja o único, já que a brandura das penas aplicadas a maioria dos crimes também contribui para o aumento da criminalidade, assim como o sistema prisional que, além de não recuperar o condenado, acaba na realidade servindo-lhe de escola do crime. Uma pessoa que é encarcerada por um por um crime leve, o qual poderia muito bem ser convertido em trabalho social ou outra forma de penalização, acaba saindo da cadeia como um criminoso de alta periculosidade. Isso tudo junto é a verdadeira razão dos altos índices de violência e criminalidade no Brasil. Armar a população não vai impedir o criminoso de ser criminoso, mas pode sim levá-lo a matar apenas porque a vítima tentou reagir, ainda mais que o criminoso está sempre mais preparado para atirar e não hesitará um seguindo se quer ao matar. Eu não tenho dúvida de que se o Estatuto do Desarmamento for revogado como querem um grupo de parlamentares, veremos os índices de assassinatos atingirem níveis inimagináveis. Eu já sou um homem de quase cinquenta anos e as chances de que venha ser assassinado por um assaltante não se modificam muito, mas temo muito por todos os jovens dessa geração e das próximas, pois a insegurança e o medo fará parte do dia a dia de todos, muito mais do já faz hoje. Para o bem de nossos jovens, espero que esse projeto não vá para frente, pois trata sim de uma grande loucura.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
À CAÇA DE MEUS SONHOS
Meus sonhos parecem impossíveis
Difíceis de alcançar
Teimam sempre em fugir
Sempre que eu tento me aproximar
Como um animal faminto
Para não deixá-los escapar.
Mas escapam,
Voam ainda mais para distante
E minha alma em desespero
Cede a uma dor pungente
Como uma punhalada no peito
Mas eu não desisto tão fácil assim
São meus sonhos,
As razões que eu tenho para viver
Não posso deixá-los fugir de mim
Tão fácil assim
Sonhar é saber que se está vivo
Na dor de toda a realidade
Sonhar é se ver no paraíso
E acreditar na própria imortalidade
Porque a realidade da vida
É sombria, perversa
E cheia de desencantos
Não perdoa os erros
E nos cobra um alto preço
Tirando cada um dos sonhos
Tão caros a cada um de nós
Sonhar é suportar a vontade
De mergulhar no abismo do nada
Sonhar é resistir aos desenganos
Sem ceder a uma morte antecipada
Difíceis de alcançar
Teimam sempre em fugir
Sempre que eu tento me aproximar
Como um animal faminto
Para não deixá-los escapar.
Mas escapam,
Voam ainda mais para distante
E minha alma em desespero
Cede a uma dor pungente
Como uma punhalada no peito
Mas eu não desisto tão fácil assim
São meus sonhos,
As razões que eu tenho para viver
Não posso deixá-los fugir de mim
Tão fácil assim
Sonhar é saber que se está vivo
Na dor de toda a realidade
Sonhar é se ver no paraíso
E acreditar na própria imortalidade
Porque a realidade da vida
É sombria, perversa
E cheia de desencantos
Não perdoa os erros
E nos cobra um alto preço
Tirando cada um dos sonhos
Tão caros a cada um de nós
Sonhar é suportar a vontade
De mergulhar no abismo do nada
Sonhar é resistir aos desenganos
Sem ceder a uma morte antecipada
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