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quinta-feira, 3 de março de 2016

O MUNDO EM DIREÇÃO AO ABISMO

Independentemente de ser de esquerda ou direita, já que estes rótulos não fazem mais sentido hoje em dia, é preciso reconhecer que o capitalismo passa por uma grave crise, tão grave quanto aquela ocorrida entre as duas grandes guerras, onde o mundo mergulhou na maior crise de sua história, o que contribuiu significativamente para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, embora não tenha sido diretamente a causa. Desde o desmoronamento do comunismo em 1989 dizia-se que finalmente o capitalismo triunfara. E de fato parecia uma verdade incontestável, embora o atual capitalismo não seja o mesmo que perdurou até meados da década de 50 do século passado. Para não sucumbir, acabou adotando medidas defendida pelos socialistas e fazendo concessões, como proteção aos trabalhadores, redução da jornada de trabalho e uma série de garantias trabalhistas. Nesse ponto, o socialismo teve o seu papel benéfico, pois humanizou o capitalismo, reduzindo a exploração da classe trabalhadora. No entanto, como Sistema Político, o socialismo fracassou ao se transformar em ditaduras implacáveis, disposta a sacrificar tudo e todos para a sobrevivência de quem estava no poder. Talvez o maior erro desse sistema, que prometia libertar os trabalhadores da exploração capitalista mas os transformou em escravos do sistema, foi justamente ir contra o que pregava: ao querer libertar o homem, acabou por transformá-lo num mero instrumento,  em alguém que deveria sacrificar seus interesses particulares em nome do coletivo. Com o fim do socialismo, o capitalismo agora mais humanizado, prometeu a liberdade e a reumanização do ser humano, com ênfase no. individual E num primeiro momento, realmente cumpriu sua promessa. Mas encontrou os seus próprios limites. Sem um sistema que o ameaçasse, como ocorreu durante quase todo o século XX, o capitalismo começou a mostrar suas garras. A liberdade de certa forma permanece preservada embora muitas vezes essa liberdade não passe de ilusão, pois num mundo consumista e totalmente dependente de capital, quem não tem dinheiro está fora do sistema e portanto não é livre e nem levado em conta: vive-se uma liberdade aparente, já que o acesso a praticamente tudo depende de dinheiro. O mesmo vale para a reumanização do ser humano. Só se tem valor como ser humano se você tem algo a oferecer. Se não tem, você também não tem valor como pessoa e não passa de um estorvo, de um fardo que a sociedade é obrigada a carregar. O problema desse capitalismo pós 89 é que ele é faminto, nunca está satisfeito e quer cada vez mais. Ele visa maie e mais lucro, e tudo isso sem ser produtivo de fato. O Mercado Financeiro, e principalmente o especulativo, tornou-se a grande fonte de investimento. E como população em sua maioria não tem acesso ao Sistema Financeiro, a desigualdade social só se faz crescer. Há mais duas décadas que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres não só vem aumentando como também em taxas cada vez maiores.. Isso em todos os países, sem exceção. Não por acaso, o berço do moderno capitalismo – os Estados Unidos – vê o contingente de pobres e miseráveis crescer de forma vertiginosa, isso com o PIB crescendo mais de 3% ao ano. Se não bastasse, cresce na mesma proporção a insatisfação social, gerando turbulências políticas cujas consequências são imprevisíveis. Talvez, antes que o sistema desmorone e leve o mundo a um novo conflito de proporções mundiais, cujos sinais são mais evidentes a cada dia, como a nova Gerra Fria entre Estados Unidos e Rússia por exemplo, o capitalismo encontre uma alternativa e procure se reinventar. Mas até lá o mundo vai passar um grande crise e por profundas transformações. Isso será inevitável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O VERDADEIRO MOTIVO DO IMPEACHMENT DA DILMA

Após a deflagração do processo de impeachment da presidenta Dilma, iniciou-se um embate entre os apoiadores da presidenta e os que se opõem ao seu governo. Os primeiros insistem na ilegalidade do processo, dizendo que se trata de um golpe, enquanto o outro lado insiste que há provas de que Dilma cometeu crime de responsabilidade e por isso ela deve ser cassada. Não sou especialista no assunto para afirmar qual dos lados tem razão, até porque nem mesmo os juristas mais renomados desse país se entendem; embora a maioria tenha se posicionada contrário ao impeachment. Mas até onde sei, Dilma realmente não cometeu um crime que justifique a perda de mandato. Mesmo que ela tenha praticado as tais pedaladas fiscais, ainda sim tenho de concordar com a maioria dos juristas que afirmam que ela não se beneficiou delas, portanto não praticou nenhum ato ilícito. No entanto, culpada ou não das tais pedaladas, o que está em jogo não é o crime em si. Aliás, isso é o que menos importa. Trata-se apenas duma desculpa para julgá-la pela péssima administração que vem fazendo. Como não há na Constituição nenhum tipo de condenação por inaptidão, incompetência e coisas do gênero, procura-se uma forma alternativa de tirá-la do poder. O processo conta Dilma é só mais um dos vários que vem ocorrendo na América Latina, onde governantes impopulares são destituídos pelo parlamento sem que tenham cometido de fato um crime; como ocorreu no Paraguaí, Equador, Bolívia, entre outros. Claro que a democracia brasileira é mais sólida do que nesses países e o processo segue plenamente a Lei. Ainda sim, o processo de impeachment é, na mais das vezes, um processo puramente político onde o presidente é destituído tão somente por ter perdido a capacidade de governar. E é o que se vê no processo contra Dilma. Afinal, ela cometeu algum ato que justifica a perda de mandato? Muito provavelmente não, mas ela perdeu a legitimidade. E este é o maior problema. Se ela vai ser cassada ou não é difícil saber. Vai depender do que ela ainda tem na manga para mostrar alguma força no parlamento. Se escapar do impeachment, Dilma sai fortalecida e finalmente pode começar a governar o país; se, por outro lado, for caçada, mostrará que a permanência dela no comando do país seria desastroso, pois estaria completamente isolada e sem a menor condições de governar. Esperamos que, para o bem do país, o processo seja rápido.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PARIS: ÓDIO À LIBERDADE E À DEMOCRACIA


Dez meses depois, a França sofre um novo ataque terrorista promovido pelo Estado Islâmico, matando até o momento 129 pessoas. E justamente a França que é um país democrático, tolerante, multirracial e berço da luta pelos direitos humanos. Nenhum país merece uma barbárie dessas, menos ainda a França. Mas terroristas não escolhem vítimas e muito menos o país. Querem apenas promover o caos, a comoção popular e combater a liberdade, a igualdade e a fraternidade. É um dos poucos meios que dispõem para chamar a atenção, para mostrar alguma força. Embora não pareça, no fundo os líderes dessa organização terrorista sabem que não vão chegar a lugar algum, que lutam uma guerra perdida. Por isso, eles usam os meios mais bárbaros para demonstrar força e poder, seja nos territórios onde dominam, seja nos lugares mais democráticos do mundo. Aliás, nada lhes é mais perigoso que a democracia. Eles a temem tanto, ou até mais, quanto temem o Diabo. A escolha da França não foi um acaso. Os franceses fazem parte da coalizão que vem promovendo ataques aos territórios dominados por esses terroristas. E de todos os integrantes da coalizão, a França talvez seja o país onde os terroristas teriam maiores chances de serem bem sucedidos e onde poderiam causar maior comoção. Talvez os EUA fossem o alvo desejado, mas o sistema de vigilância norte americano certamente frustraria qualquer tentativa de um ataque de grandes proporções. Nos outros países da coalizão, um ataque assim talvez até provocasse mais danos e mortes, mas não teria o mesmo efeito e no ocidente isto seria mais uma notícia corriqueira, sem muita relevância. Daí a França. E de fato conseguiram o que desejavam. Não resta dúvidas de que foram bem sucedidos. Resta saber o que os franceses farão. Somente uma resposta capaz de provocar perdas incalculáveis ao Estado Islâmico fará com que desistam de novos ataques. Talvez o mais sensato a fazer seja o envio do que há de mais moderno em armamento bélico e de um grande contingente de tropas para lutar em várias frentes, em conjunto com o exército iraquiano numa das frentes e com os curdos em outra. Chegou a hora de reconhecer que ataques aéreos por si só não vai derrotar esses terroristas, pois tendem a se dissiparem e combater os inimigos com atentados terroristas. Só há um meio de acabar com isso: dizimando-os. Ou isso ou é só questão de tempo para novos atentados terroristas. A França está numa encruzilhada e se deseja continuar a ser um exemplo de tolerância e democracia terá de fazer sacrifícios. Não há outra saída.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

EDUARDO CUNHA E O TITANIC

A situação de Eduardo Cunha piorou consideravelmente depois da confirmação de que as contas na Suíça são realmente dele, de que ele as movimentara até recentemente, de que há coincidência entre contratos fechados pela Petrobras e transferências para essas contas correntes na Suíça, de que ele omitiu o fato de possuir vários veículos no nome da esposa e de que seu patrimônio aumentou drasticamente nos últimos anos. Até então havia tão somente acusações contra si, mas agora existem as provas, provas essas irrefutáveis. E isso muda-lhe completamente a situação. Dado o que vem acontecendo com todos os acusados na operação Lava a Jato, não tenho a menor dúvida de que é bom ele ir se preparando para passar algum tempo atrás das grades. Embora tenha foro privilegiado e portanto só possa ser processado pelo STF, não creio que o presidente da Câmara dos Deputados conseguirá segurar seu mandato por muito tempo. A oposição, que se aliara a ele com a finalidade de promover o impeachment de Dilma, resolveu atirá-lo aos leões, abandonando-o como ratos ao primeiro sinal de que o navio está afundando. E mesmo que consiga num acordo escuso com o governo (pois agora só lhe resta isso) em troca da recusa dos pedidos de impeachment da presidenta Dilma, ele acabará perdendo o mandato quando for julgado pelo supremo. As investigações só estão no começo e ainda há muito o que vir à tona. Eduardo Cunha não foi só mais um beneficiado pelo esquema de corrupção na Petrobras. Embora seja do PMDB, é um dos cabeças desse esquema de desvio de recursos públicos e sua queda pode inclusive levar muita gente importante consigo como ocorreu com o Titanic. Ele é um homem vingativo e não cairá sozinho. Mas mesmo que isso aconteça, não há dúvida de que isso trará mais benefícios que danos ao país, embora mais uma vez a imagem do parlamento fique profundamente manchada. 

domingo, 20 de setembro de 2015

O CONGRESSO E O REBAIXAMENTO DA NOTA DO BRASIL

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil para especulativo pela agência de classificação de risco Standard & Poor's é um reflexo da situação política e econômica pela qual o país vem passando nos últimos meses. Aliás, mais por questões políticas do que econômicas, uma vez que não há aparentemente razão para a redução dessa nota, uma vez que o Brasil é um país capaz de honrar seus compromissos a médio e longo prazo. No entanto, é preciso reconhecer que, no âmbito político, a situação está complicadíssima e não há a curto prazo uma solução. Independentemente dos erros do governo, erros esses que culminaram com a crise atual, o Congresso Nacional tem um papel fundamental no agravamento dessa crise, pois parece fazer de tudo para criar problemas para o Executivo, que procura fazer o impossível para reequilibrar as contas públicas. Embora o Senado esteja mais alinhado com o Governo Federal, procurando muitas vezes apagar o incêndio provocado pela Câmara dos Deputados, ainda sim não deixa de criar entraves. Claro que o embate em Câmara dos Deputados e Governo Federal é fruto em parte da fragilidade do Governo Dilma e da falta de coordenação entre o Palácio do Planalto e os parlamentares. Mas não é só isso. O governo não tem uma maioria de fato, capaz de acompanhá-lo para o que der e vier. E isso faz com que boa parte dos deputados chantageie o Governo Federal a fim de obter algum ganho, já que a política nacional sempre foi na base do toma lá dá cá. E infelizmente nossos deputados preferem, antes de tudo, pensar em si mesmos do que nos seus eleitores ou no próprio país; aliás, o que muitos querem infelizmente é o “quanto pior melhor” . Por isso eles têm a sua parcela de culpa no rebaixamento da nota de crédito do Brasil, mesmo não sendo eles que tenham gerado essa crise. Além de não ajudarem a resolvê-la, procuraram, por outro lado, torná-la mais aguda. Agora não adianta dizer que o Congresso não tem nada a ver com essa história porque esse papo furado não cola. Eles têm culpa sim e muito!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A EUROPA É CULPADA DISSO:

A invasão de imigrantes, fugindo das regiões em conflito no Oriente Médio e na África, que a Europa vem sofrendo é um exemplo claro de como o Ocidente fracassou em apoiar as revoltas da Primavera Árabe e no combate aos grupos extremistas que aterrorizam as populações por onde passam. Pois a maioria esmagadora desses refugiados, os quais arriscam a vida para fugir muito provavelmente da morte ou até mesmo da escravidão, vêm de algum país dessa região: ou é de países onde a tentativa de derrubar o governo não só criou um caos como também fez surgir uma guerra sangrenta entre os mais diversos grupos a fim de tomar o poder, o que fez aumentar a repressão por parte de quem se mantém no poder como na Síria por exemplo; ou é de países onde há forte atuação de grupos extremistas, como é o caso do Estado Islâmico, o qual aterroriza e escraviza as populações das regiões que caem em seu poder. É o que ocorre no Iraque e principalmente na Síria, provocando uma grave crise humanitária. Seja qual for o caso, a responsabilidade da Europa e de boa parte da comunidade internacional é muito grande, uma vez que são culpados direta ou indiretamente pelo caos nesses países. E de mais a mais nunca é bom lembrar que essas nações eram, até a Segunda Guerra Mundial, colônias europeias e as quais eram exploradas impiedosamente para manter a guerra imperialista do continente. Portanto, a Europa, mesmo meio século depois, continua tendo uma dúvida com a população desses países, já que a pobreza e situação presente é, senão de todo, pelo menos em parte, herança do passado de exploração à qual as gerações anteriores foram submetidos por vários séculos. Receber esses imigrantes que arriscam tudo e principalmente a própria vida para fugir do sofrimento e chegar a Europa, deixando para trás o país, a comunidade, o lar e tudo que conquistaram ao longo de uma vida inteira é mais do que uma obrigação. A Europa tem o dever de fazer tudo que for necessário para dar uma uma esperança e uma vida melhor a esses refugiados. E tentar negar-lhes isso, proibindo-os de entrar em seus territórios e tratando-os como animais, além de desumano é, sem sombra de dúvida, um crime contra a humanidade. Se os europeus não querem que eles deixem seus países de origem, então que se unam e ponham fim aos conflitos e às causas dessa fuga desesperada e o último fio de esperança que essas pessoas têm para não sucumbir à fome e à brutalidade inimaginável desses grupos extremistas, os quais nos trazem de volta em pleno o século XXI os horrores da Idade Média.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A SITUAÇÃO DE EDUARDO CUNHA ESTÁ SE COMPLICANDO

Ainda é muito cedo para dizer que Eduardo Cunha realmente recebeu os 5 milhões de dólares do “petrolão”, uma vez que a denúncia é recente e ainda não foi apresentada nenhuma prova. No entanto, ele já vem sendo acusado de ter enviado um e-mail para uma das empreiteiras, fazendo ameaças. Agora a ex-advogada de vários réus que fizeram delação premiada também o acusa indiretamente de ameaçá-la, o que a levou a abandonar a defesa dos réus e a profissão, temendo pelos seus familiares. Se não bastasse, o lobista e delator da Lava Jato Júlio Camargo repassou R$ 125.000,00 à igreja evangélica Assembleia de Deus em Campinas, igreja essa frequentando por nada menos que Eduardo Cunha. E para complicar ainda mais a sua situação, o doleiro Alberto Youssef o acusa de estar ameaçando seus familiares, na tentativa de intimidá-lo. Tudo até pode não passar de uma armação, mas a cada denúncia essa tese fica menos desacreditada. Ainda mais que a maioria dos usaram esse mesmo procedimento acabaram desmascarado. E a forma violenta com que reagiu as denúncias só se faz confirmar uma das frases dessa mesma denúncia, a de que ele é um homem agressivo. Quer agressividade maior do que a reação dele? Agora, amigo leitor, imagine um homem desse comandando o Brasil, caso Eduardo Cunha e o Congresso venha a caçar o mandato da Dilma embora isso seja pouco provável pois não há o menor sinal de envolvimento dela no “petrolão”. Se o país já está desse jeito, o quanto pior não poderia ficar? Bom, é melhor nem imaginar.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SEMENTES DO ESTADO ISLÂMICO


O tão temido “Estado Islâmico”, com sua violência, com seu desprezo pela vida, muitas vezes se assemelha aos bárbaros da antiguidade. Aliás, como não ver o tratamento dados por eles aos habitantes dos territórios que conquista e não se lembrar de Átila, o huno? Ou até mesmo Gengis Kahn? Talvez os mais terríveis homens da história. Mas Átila, Gengis Kahn e tantos outros fazem parte de um remoto tempo, de uma era onde a humanidade – senão toda, pelo menos a grande maioria dela -- ainda vivia mergulhada nas trevas da ignorância e do desprezo ao ser humano, pois a vida de um homem valia tanto quando a de qualquer outro animal. O “Estado Islâmico”, por outro lado, é fruto de uma era onde a vida é o bem mais precioso que se pode ter e onde qualquer ato de violência contra um semelhante causa indignação e revolta. Então, por que o surgimento de uma organização tão sanguinária e cruel, principalmente contra os inimigos? Seria uma volta à barbárie? Não, definitivamente não. De fato ele é fruto do fracasso daquilo que chamamos sociedade, uma vez que ela não é mais capaz de suprir os anseios de uma população materialista, individualista e ávida por bens materiais, onde a vida se tornou inclusive uma mercadoria. E na incapacidade de suprir uma necessidade cada vez maior de consumo, o homem se sente frustrado e sem perspectiva com relação ao futuro. E é aí que entra o “Estado Islâmico”. Eles prometem uma nova ordem social, um mundo menos materialista e, principalmente, uma eternidade gloriosa após a breve passagem pela vida terrena, coisa que a civilização ocidental não oferece mais, aliás como já afirmava Nietzsche em pleno século IXX, ao declarar que “Deus está morto” (A Gaia Ciência, aforismo 341). Enfim, o “Estado Islâmico” só precisou de um vasto terreno fértil, onde semeava o caos, para plantar suas sementes, as quais podem sem encontradas em abundância nos quatro cantos do mundo, principalmente no ocidente.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A DIVISÃO DO PAÍS E O ATUAL GOVERNO

    As últimas ondas de protestos ocorridas no início do mês mostram que o país continua dividido desde as últimas eleições. De um lado estão aqueles que votaram na atual presidente e os quais procuram defendê-la com unhas e dentes independentemente dela está fazendo um bom ou mal governo. De outro estão aqueles que não votaram nela e, em grande maioria, os que votaram no outro candidato, os quais acusam a presidenta Dilma e o PT por todos os problemas pelos quais o país está passando e por isso querem a todo custo tirá-la do poder, através de um golpe militar ou de um impeachment.
    Mas afinal, quem está com a razão? Ambos e nenhum dos lados. Primeiro, porque cada um defende o seu ponto de vista e seus interesses, que no caso é o oposto do ponto de vista e dos interesses da outra parte; segundo, porque cada lado tem um quê de razão em seus argumentos, embora esses argumentos sejam muitas vezes fruto da falta de razão e excesso de emoção. Se por um lado o governo é legítimo, não havendo (ainda) razão para um impeachment, por outro é preciso reconhecer que os inúmeros problemas que vêm afetando o Brasil é, em grande parte, responsabilidade do atual governo, o qual não fez o necessário para evitá-los. A crise de econômica, a falta de credibilidade do país e os altos índices de inflação poderiam ter sidos evitados se as medidas necessárias tivessem sido tomadas na dose certa e na hora certa, o que não ocorreu. Por outro lado, é preciso reconhecer que a corrupção não é culpa do atual governo. Por mais que alguém afirme o contrário, tem-se de admitir que a corrupção está enraizada na sociedade brasileira há mais de 100 anos. E o mais grave: não só nos órgãos da administração pública como em todo lugar, das grandes corporações às pequenas empresas, embora isso raramente apareça nos meios de comunicação.
    Nunca é bom lembrar que qualquer ato que resulta em vantagem é corrupção, por menor que seja. E uma grande maioria das pessoas que tem a oportunidade de levar algum tipo de vantagem não pensa duas vezes, sem se dar conta que o seu ato é tão grave quanto aquele cometido por um agente público. É claro que hoje temos a percepção de que a corrupção é muito maior do que no passado, até porque é assunto diário nos meios de comunicação. E elas têm razão. Mas não tanto pelo fato de a corrupção ter aumentado assim tão significativamente e sim porque hoje é muito mais fácil identificar uma movimentação financeira ilícita, um enriquecimento incompatível com as rendas daquela pessoa, etc. E o mais importante: hoje vivemos numa democracia onde a liberdade de imprensa dá todas as garantias aos jornalistas e a imprensa como um todo para investigar e denunciar qualquer irregularidade, coisa que não era possível há 25 anos. Isso, no entanto, não exime o PT pelos atuais escândalos envolvendo o partido, um partido que até chegar ao poder era pautado na defesa da ética, uma ética que ele jogou por terra.
    Apesar de tudo isso, exigir o impeachment da presidenta Dilma não se justifica. Aliás, nem há base jurídica para isso, pois mesmo que houvesse um envolvimento dela, isso ocorreu na administração passada. De mais a mais, isso só tende a agravar a instabilidade política, provocando uma crise econômica ainda maior que a atual e gerando um custo muito alto ao país, o que consequentemente penalizá todos nós, porque uma crise não afeta o “Brasil” e sim todos os brasileiros.
    Por isso, eu pergunto aos integrantes dos dois grupos: O que é mais importante? O seu voto, o seu candidato, o seu partido e suas convicções políticas ou o Brasil? Independentemente de quem tenha sido o meu e o seu candidato, temos de admitir: o atual governo não é fruto de um golpe militar ou de uma fraude eleitoral. E até que provem o contrário, foi eleito democraticamente pela maioria dos eleitores. Portanto, como cidadãos honestos e defensores das leis, devemos respeitar a vontade da maioria, gostemos ou não disso; mas não passivamente. Todos nós, sem exceção, devemos exigir que o governo, pertença ele a corrente que pertencer, governe para todos, fazendo o melhor para todos nós; que crie mecanismos e combata incansavelmente toda a forma de ato ilícito praticados por agentes públicos, punindo os culpados. Talvez o maior problema do Brasil seja justamente a impunidade e não  quem esteja no poder.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A REAÇÃO AOS ATAQUES TERRORISTAS NA FRANÇA

Os ataques terroristas em Paris que culminou com a morte de 13 pessoas mexeram profundamente com o orgulho dos franceses, um povo acostumado a levar a democracia às últimas consequências. As reações aos ataques vão desde a condenação veemente do extremismo islâmico, ao maior protesto que os franceses já viram em sua história, a uma edição com milhões de exemplares do jornal satírico Charlie Hebdo -- alvo principal do ataque e onde morreram o maior número de pessoas – e o envio de mais armamentos para o combate aos extremistas. Se o único objetivo desses extremistas era assassinar os editores e cartunistas do jornal a fim de vingar o profeta Maomé pelas charges, os terroristas conseguiram seu objetivo. Por outro lado, despertaram não só a ira ocidental como também a de grande parte da comunidade muçulmana moderada, a qual não compactua com a interpretação radical do islamismo e condena o assassinato religioso. E esse despertar custar-lhes-á muito caro, pois, pela primeira vez, se vê a maior parte do mundo disposta a varrer de uma vez por todas esses extremistas da face da terra. Embora o extremismo não seja exclusividade do islamismo, já que ele está presente tanto no judaísmo quanto o cristianismo que aliás no passado praticava os mesmos atos que condena hoje em dia. Grupos assim continuaram a existir, mesmo que uma grande coalização venha derrotar e enfraquecer a Al-Qaeda, os jihadistas do Estado Islâmico, o Boko Haran e outros grupos semelhantes. Mas se o ocidente quer realmente evitar que estes grupos se reorganizem ou que surjam outros tão radicais e perigosos quanto estes, deve antes de mais nada mudar sua estratégia. Esses grupos na realidade usam a religião como meio de sedução, mas o que eles querem mesmo é, de um lado, vingar-se das grandes colônias europeias por suas décadas de colonização e exploração, onde não fizeram nada para melhorar daquele povo; e, por outro, dos EUA pelo seu apoio incondicional à Israel, o qual vem colonizando e massacrando os palestinos da mesma forma que as grandes potências europeias fizeram nos séculos XIX e primeira metade do século XX, e principalmente pelas intervenções militares no Iraque, Afeganistão e mais recentemente na Líbia e na Síria. Os protestos em Paris no último domingo mostrou a união do ocidente e de alguns países árabes, mas a união e a retórica não vencem a guerra. É preciso mostrar que esses países estão dispostos a sacrificar muito mais do que o poderio bélico e tecnológico. Mas será que realmente estão dispostos?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O MOVIMENTO DE IMPEATCHMENT DA DILMA É GOLPISMO?

O movimento para pedir o impeachment da Presidente Dilma, promovido por uma parte daqueles que se sentiram derrotados nas urnas, é um ato ilegítimo por si só e não tem o menor fundamento. Aliás, prova disso é o fato de nenhum partido político ter se disposto a encabeçar esse movimento no Congresso Nacional. Nem mesmo o maior interessado, o PSDB de Aécio Neves, que justamente foi derrotado pela Dilma, deu aval ao movimento; pelo contrário, se pronunciou contra. As justificativas daqueles que promovem o movimento é a alegação de que Dilma sabia dos escândalos de corrupção e desvio de dinheiro que envolvem integrantes do Governo Federal e diretores da Petrobras. No entanto, suspeitas não são provas e enquanto essas provas não existirem não há do que acusar Dilma. Ela pode ser acusada de não ter cumprido as promessas da campanha de 2010; pode ser acusada de não ter conduzido o país de acordo com as expectativas dos brasileiros; e pode ser até acusada de não estar a altura do cargo ao qual ocupa e de não ter tomados as medidas necessárias para evitar a crise econômica pela qual o país vem passando nos últimos meses e a qual muito provavelmente se agravará em 2015. No entanto, isso não é uma justificativa legal para exigir que o parlamento brasileiro inicie um processo de cassação do seu mandato. Aliás, o fato dela ter acabado de ser reeleita para um novo mandato faz do movimento um ato golpista. Se o movimento tivesse ocorrido no primeiro semestre de 2014 ou mesmo antes ainda poderia ter alguma legitimidade, mas não no dia seguinte às eleições. Este talvez tenha sido o maior erro daqueles que iniciaram o movimento, pois não há como desassociá-lo de uma tentativa de reverter os resultados das urnas -- resultado esses contestados das formas mais absurda e muitas vezes homofóbica, preconceituosa e até racistas --, ainda mais que o movimento é promovido por um grupo muito restrito da sociedade brasileira. O Congresso está em final de legislatura e portanto não há legitimidade para inciar um processo de impeachment e o novo Congresso, que tomará posse em 2015, não o fará, a não ser que haja uma razão muito forte para isso, coisa que não existe até o momento e dificilmente haverá. Aliás, a alegação de que Collor foi caçado por muito menos não tem razão de ser. Collor não foi caçado porque tinha cometido algum crime, mas porque não tinha e nunca teve apoio no Congresso para se manter no poder. Enfim, exigir o impeachment da Presidente Dilma no momento é sim, gostem ou não, um ato oportunista e golpista.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A DESRAZÃO DOS DERRROTADOS

Embora muitos discordem, não há como negar que a eleição da presidenta Dilma foi legítima e democrática. Os ataques mútuos e a baixaria de ambos os lados não afetou em nada o processo eleitoral e o brasileiro não teve o seu direito de escolha cerceado, como muitas vezes acontece nos regimes autoritários. E o mais importante: não houve fraude, o que de fato teria tornado o processo ilegítimo.
    Uma parte considerável daqueles que apoiam Aécio Neves reagiram de forma irracional e, inconformados com a derrota, acusaram injustamente os nordestinos pela derrota do candidato do PSDB, quando, na realidade, Dilma venceu em outros estados, os quais não faziam parte do Nordeste, e teve votação expressiva no Sudeste. Ora, acusar a população dessa ou daquela região pela derrota de seu candidato não tem o menor cabimento. Esse é preço da democracia. Não vamos nem entrar no mérito do preconceito contra os nordestinos, pois isso não merece discussão.
    Outro argumento dos derrotados que não se justifica é a alegação de fraude devido à demora em sair os primeiros resultados, os quais, ao serem disponibilizados, já mostravam Dilma na frente. O processo eleitoral brasileiro é considerado um dos mais seguros do mundo e exemplo para muitos países. Apesar de não existir sistema imune à fraude, as urnas eletrônicas são seguras. Então não há porque questionar o processo. O falto dos resultados terem saído quando a totalização já estava no fim talvez seja a justificativa daqueles que alegam fraudes, mas não devemos esquecer que o envio de dados é feito diretamente pelos locais de votação e os quais são fiscalizados por representantes dos partidos em disputas. Isso, se não impede a manipulação dos votos, dificulta em muito, tornando praticamente impossível. Os dados não foram disponibilizados antes por causa do fuso horário, uma vez que no estado do Acre, a votação só foi encerrada por volta de 20:00 horas. Nos estados onde a eleição encerrara três horas antes, os votos já tinha sido totalizados, mas não poderiam ser divulgados para não influenciar aqueles que ainda não tinham votado. Aliás, foi a primeira vez que o segundo turno ocorreu após o início do horário de verão. Enfim. Mais um argumento sem o menor fundamento.
    E por último, alegar que o PT fez terror eleitoral e consequentemente influenciou muitos eleitores também não se justifica. De fato, a campanha da Presidenta Dilma jogou sujo contra Aécio Neves, mas o jogo sujo ocorreu dos dois lados. Aliás, isso não é caso típico da política brasileira. Nos EUA esse jogo sujo também ocorre, embora não de forma tão baixa como ocorreu no último pleito. Aliás, o próprio PT foi vítima desse jogo sujo em 1989, o qual de fato influenciou o resultado das urnas, mas essa influência não ocorreu no último pleito. Aliás, só idiota acreditaria que a reportagem da revista Veja contra a candidata Dilma não teve a intenção de influenciar o eleitor e ajudar a campanha de Aécio.
    Na falta de argumentos consistentes para questionar a eleição de Dilma, aqueles que ainda não se conformaram com a derrota, embora Aécio e o próprio PSDB já a aceitaram, vêm articulando movimentos na intenção de provocar o impeachment da presidenta eleita. Se fosse feito no último ano ainda se poderia dar alguma legitimidade ao movimento, mas agora não passa de um oportunismo barato e sem o menor fundamento. Dilma acabou de ser eleita e não há clima político e nem justificativa plausível para iniciar um processo de cassação. Até porque a legislatura do Congresso está no fim e o novo Congresso empossado não o fará, a não ser que surja um fato muito grave que justifique tal processo.

terça-feira, 25 de março de 2014

NOVA MARCHA DA FAMILIA: UM DESVARIO

Para comemorar os 50 anos do Golpe Militar que derrubou o ex-presidente João Goulart estão programadas uma série de passeatas com o objetivo de reviver a “Marcha da Família com Deus”, a qual foi o estopim para a tomada do poder pelos militares. Os organizadores do movimento querem, como em 64, que as forças armadas derrubem o atual governo e instaure uma ditadura militar. A alegação desses saudosistas é, de um lado, a de que a presidenta Dilma pretende, após as eleições, instaurar uma ditadura Comunista no Brasil e, de outro, que a corrupção está generalizada e só um governo militar pode findá-la. Há ainda uma outra parte desse movimento -- conservador e de orientação religiosa -- que prega o retorno dos preceitos morais e do bom costume. É inegável que se trata de um movimento promovido por saudosistas e dir-se-ia lunáticos, cuja visão da realidade é distorcida e deficiente. Qualquer pessoa em sã consciência não levaria essas pessoas a sério, mas num país onde a democracia e liberdade de expressão permite que qualquer um possa expressar suas ideias -- embora os integrantes desse movimento querem, por incrível que pareça, o fim dessa liberdade, liberdade essa que permite possam exercer seu direito de se manifestar, ou seja: querem cuspir no prato que comem -- esse tipo de coisa acontece. Quanto aos argumentos dessa gente, não têm fundamento. É de um desvario sem tamanho acreditar que Dilma ou qualquer outro postulante ao Palácio do Planalto queria instalar um governo comunista no Brasil. Já está mais do que provado que o comunismo é um sistema político utópico e se praticado insustentável, o qual só trás atraso econômico e autoritarismo, não por culpa do sistema, mas por causa do ser humano cujas razões não vêm ao caso. Quanto à corrupção, é preciso reconhecer que esta se encontra em todas as esferas da administração pública; entretanto, o problema não é esse ou aquele governo e sim do sistema. Hoje, tem-se uma maior percepção de que a corrupção aumentou vertiginosamente por dois motivos: o primeiro é que de fato ela pode ter aumentado; e o segundo -- o mais importante -- é fruto da liberdade, uma vez que a imprensa tem toda a liberdade de investigar e denunciar qualquer mal feito, diferentemente do que ocorreu durante o Regime Militar, onde os órgãos de repressão não só inibia a qualquer tentativa de investigação como agia com brutalidade para que as denúncias não viessem à tona. A história está repleta de exemplos que mostram que os regimes ditatoriais são bem mais corruptos que os democráticos. E por fim, há o argumento de que é preciso resgatar a moral e os bons costumes. Não há duvida de que se tratam de pessoas extremamente conservadoras e preconceituosas que se sentem desconfortáveis diante do homossexualismo e das liberdades individuais presentes nos dias atuais e veem isso como uma degeneração humana. Gostemos ou não, a humanidade vive uma nova realidade, talvez um período de transição e por isso essa sensação de impotência e aceitação de uma nova realidade, e não vai ser uma tentativa de volta ao passado que resolverá o problema; até porque o passado não volta.

domingo, 9 de março de 2014

OS TEMPOS SÃO OUTROS


Num passado não muito distante, a deposição do presidente da Ucrânia por uma revolta popular não teria, em primeiro lugar, chegado a acontecer, e se tivesse, a Rússia teria invadido imediatamente o país vizinho e sufocado a revolta -- como na antiga Checoslováquia em 1968 -- sem que a comunidade internacional pudesse fazer alguma coisa. Mas os tempos são outros. Não estamos mais no período da “Guerra Fria”; o mundo não se divide mais entre Estados Unidos de um lado e União Soviética do outro; Tanto os EUA quanto a Rússia, embora tenha armamentos para destruir o mundo uma dezena de vezes, não têm a mesma força política e aliados suficientes para impor a sua vontade assim tão facilmente; o mudo está mais globalizado e o poder econômico e financeiro global tem um peso maior sobre as decisões políticas de cada país. Portanto, por mais que a Rússia gostaria de sufocar a revolta popular na Ucrânia, não o fará; pois será isolada internacionalmente e consequentemente terá de pagar um preço muito alto, sendo que os benefícios e os seus interesses não compensarão. Além do mais, com o mundo globalizado, os mercados financeiros, que é de fato o fator relevante nas decisões políticas dos países, obrigariam o governo russo a recuar. É assim que a coisa funciona hoje. Vladimir Putin até pode sonhar uma Rússia forte e poderosa como era nos tempos da velha União Soviética, mas um Império, quando cai, não volta a se reerguer. A velha Rússia está morta e esta que sobrou é apenas uma sombra da outra. No fundo, eles sabem disso, os EUA também sabem e o resto do mundo também. Portanto, a Rússia vai pressionar os ucranianos, vai tentar obter o máximo de vantagens possíveis, talvez até uma autonomia maior para a Crimeia, o palco de toda essa disputa, com a finalidade de continuar controlando nesse que seja esse pequeno território, mas não vai além disso. Invadir a Ucrânia seria um suicídio político para Putin e ele é esperto demais para cometer uma burrice dessa.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

VEM AÍ MAIS APAGÕES


Embora as causas do último apagão em várias regiões do Brasil ainda não tenha sido esclarecidos, não há dúvida que a onda de calor que assola o país contribuiu para o problema, uma vez que as redes de transmissão estão sobrecarregas e no limite. É bem possível que este apagão seja o primeiro de uma série que ocorrerão, caso não volte a chover rápido e as chuvas não sejam abundantes (é bom a gente começar a fazer a dança da chuva). Os reservatórios estão nos mais baixos níveis dos últimos anos quando, na verdade, deveriam estar cheios, pois estamos numa época de chuvas e onde os reservatórios normalmente estão em melhor situação. Pode ser que haja termoelétricas suficientes para suprir a demanda no período de estiagem, período esse que coincide com a Copa do Mundo de Futebol, o que deve aumentar ainda mais o consumo. Temo que o Brasil possa dar um vexame não em campo (e por que não? Futebol é uma caixinha de surpresas) mas com os apagões durante os jogos da copa. É obvio que o problema de energia se arrasta há décadas e culpar exclusivamente este ou aquele governo pelo problema não tem cabimento, mas é preciso reconhecer que se cada um dos governos tivesse feito a sua parte, isto não estaria acontecendo. E o governo Dilma é direta ou indiretamente o mais culpado. Não só por não ter feito os investimentos necessários, mas também por ter barateado a conta de luz, fazendo com que o preço baixo da energia elétrica levasse a população a gastar mais. Por outro lado, o incentivo ao consumo de eletrodomésticos com a redução de impostos, cujo objetivo era manter a economia aquecida e as baixas taxas de desemprego, objetivo esse que foi alcançado, agravou o problema uma vez que elevou bastante o consumo de energia sem que esse aumento fosse compensado com a entrada em funcionamento de novas usinas hidroelétricas. Agora, a saída será por em funcionamento o maior número possível de termoelétricas para suprir a demanda. Só que essas usinas têm um custo muito alto e consequentemente vai pesar no bolso do consumidor, direta, através da conta de luz; ou indiretamente, através de aumento de impostos ou da inflação – nesse caso, o aumento da inflação virá se o governo decidir bancar sozinho esse custo, o que vai aumentar ainda mais o rombo nas contas públicas e um desequilíbrio fiscal. E toda vez que há um desequilíbrio fiscal, há um aumento na inflação, uma disparada do dólar, uma desconfiança com o país o que reduz o investimento, etc, etc... Enfim. Não tem jeito! Se correr o bicho pega, se fixar o bicho come. Qual você prefere?

sábado, 5 de outubro de 2013

OS MOVIMENTOS IRANIANOS NO TABULEIRO DE XADREZ

Durante décadas o inimigo número um do Irã foi os EUA, tanto que eles estão de relações diplomáticas rompidas desde 1979. No entanto, após a Primavera Árabe e após a comunidade internacional passar a pressionar Israel para chegar um acordo de paz com os palestinos e consequentemente a uma solução de dois estados, o Irã elevou Israel ao estatuo de maior inimigo e não mais os EUA como até então. Assim, para isolar ainda mais o Estado judeu e levá-lo a fazer concessões aos palestinos, estes apoiados pelo Irã, concessões essas impensável há poucos anos, o governo de Teerã está disposto a reatar relações com os Estados Unidos e chegar a um acordo com a comunidade internacional acerca do seu programa nuclear – até porque mais cedo ou mais tarde terá de fazê-lo de qualquer jeito uma vez que o embargo econômico ao país vem afetando profundamente sua economia –, tudo para prejudicar Israel. O governo iraniano sabe que uma aproximação e um reatamento das relações com os EUA vai levar os Estados Unidos a reaver seu apoio incondicional aos israelenses – apoio esse que já não é mais tão incondicional quanto antes --, até porque senão num primeiro momento mas não muito depois os iranianos vão cobrar isso dos EUA. Por outro lado, Israel está em pavor, uma vez que a aproximação do Irã com os EUA era o pior que poderia acontecer. Por isso, o governo israelense vem insistindo que os iranianos estão mentindo e que só querem ganhar tempo a fim de construir uma bomba atômica, embora os iranianos sejam signatários do acordo de não proliferação de armas de destruição em massa enquanto Israel não é e não demonstra o menor interesse em sê-lo. Enfim, cada movimento, tanto Irã  quanto  de Israel é muito mais calculado do que aqueles que os maiores mestres do xadrez fazem. Ninguém quer dar um passo em falso. No momento porém, parece que os iranianos estão levando uma ligeira vantagem. E se Israel não souber lidar com essa nova realidade poderá levar um xeque mate do seu maior inimigo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

PORQUE OS EUA NOS ESPIONARAM


Muitos devem estar se perguntando por que os EUA foram espionar justamente o Brasil, um país pacífico e que na mais das vezes é parceiro e amigo dos Estados Unidos. Embora sejamos o país mais importante de América Latina e de certa forma capaz de influenciar os vizinhos, ainda sim há nesta mesma América Latina países que embora não sejam declaradamente inimigos dos EUA pelo menos querem ver os EUA pelas costas. Este é o caso da Venezuela, da Bolívia e em certa medida da Argentina e até do Uruguai. Então por que o Brasil? Talvez a explicação mais plausível seja a seguinte: a nossa presidenta é uma mulher que no passado pertenceu à esquerda revolucionária, a qual era ligada tanto à Cuba quanto à União Soviética; também é de conhecimento de todos que nos últimos dez anos houve uma forte aproximação do Brasil tanto com a Venezuela quanto com Cuba, países declaradamente antiamericanos. Portanto, aos olhos dos EUA, somos um país que, apesar da nossa profunda amizade com eles, somos também amigos de seus inimigos. E já que espionar seus inimigos é uma tarefa por demais arriscada e muitos vezes infrutífera, por que não manter-se informado acerca do que o amigo de nossos inimigos andam conversando, principalmente o alto escalão do governo? Por outro lado, o Brasil tem empresas multinacionais de grande relevância na economia global – como é o caso da Petrobras e da Vale do Rio Doce por exemplo --, empresas essas que dispõem de tecnologias que nem mesmo os EUA possuem. Por que não espioná-las também e quiça obter algum benefício sobre essas tecnologias? Então? Por que espionar nossos vizinhos se na realidade é o Brasil o único país da América, depois dos EUA, capaz de exercer alguma influência no continente? Por isso fomos nós e não os outros.

sábado, 7 de setembro de 2013

IRÃ, COREIA DO NORTE E A CORRIDA ATÔMICA

Assim como as relações entre os homens é uma relação de poder, o mesmo ocorre entre as organizações e os estados. De forma que quem tem mais força tem consequentemente mais poder. E é sabido que quem tem mais poder o usa em benefício próprio, pois esse é justamente o objetivo de quem busca alcançar mais poder. Afinal, faz parte da natureza de qualquer ser vivo – não só humana, uma vez que no reino animal e até no vegetal isso também seja comum, embora entre os homens, por ser dotado de inteligência, isso seja mais exacerbado – se beneficiar do poder sobre os demais. E a prova mais evidente de que tal afirmação não é mera especulação é a obstinação de algumas nações em desenvolver armas nucleares. Desde que os EUA lançaram a primeira bomba atômica sobre o Japão, levando-o a rendição incondicional, o que jamais teria ocorrido se não fosse o poder de destruição de tais armas, a corrida atômica passou a ser questão de vida ou morte para algumas nações. Até porque quem tem tais armas não só corre um risco ínfimo de ser atacado por uma nação hostil como também detém um poder e uma capacidade de persuasão muito maior do que aqueles que não as possuem. Por isso a Coreia do Norte faz seus testes nucleares, a comunidade internacional protesta, impõe algumas sanções econômicas, mas não passa disso. Nenhuma nação é governada por loucos o bastante para atacá-la. O mesmo vale para o Irã. As pressões para evitar que este país desenvolva tais armas não é tanto pelo temor do que o Irã poderá fazer com elas, e sim com o poder que terá ao ser detentor dessa tecnologia. Aliás, como ocorre com a Coreia do Norte, o Irã precisa de tais armas não para se defender de Israel ou de qualquer outro inimigo, mas para exercer poder e influência não só no mundo árabe como para ser tratado de igual para igual com a comunidade internacional, principalmente os EUA e a Europa. E é justamente isso que muita gente não entende.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O ACORDO ENTRE AÉCIO E EDUARDO CAMPOS


O acordo entre Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) para a divisão de palanques nas eleições de 2014 mostra que ambos os candidatos acham que não podem derrotar a presidenta Dilma (PT) sozinhos. Embora os dois provavelmente serão adversários e terão portanto de lutar entre si para chegar ao segundo turno, a percepção de ambos é a de que é melhor mostrar união e focaram no combate à candidata do PT do que se desgastarem brigando entre si e verem a eleição decidida no primeiro turno a favor do PT. Claro que ainda é muito cedo para Dilma contar vitória, mas após um momento ruim em junho e julho, quando seus índices de popularidade atingiram os mais baixos valores, ela vem se recuperando de forma rápida, surpreendendo muitos analistas. Isto mostra que Dilma poderá vir muito forte no próximo ano, quando inclusive o momento mais crítico da crise econômica terá passado e o país, graças à recuperação da economia mundial, possivelmente voltará a crescer de forma robusta. Aliás, o PIB do segundo semestre desse ano veio bem acima do que os analistas previam, mostrando que o Brasil poderá ter um crescimento acima do previsto. De mais a mais, a sociedade brasileira é bem menos ingênua do que nas décadas passadas e sabe que, num mundo globalizado como o nosso, nem sempre o desempenho fraco da economia é culpa de quem está no poder, embora no caso do governo Dilma é preciso reconhecer que há dificuldades na condução do país. Enfim, é difícil saber se esse acordo entre Aécio Neves e Eduardo Campos foi a decisão mais acertada. Talvez isso, ao invés de render frutos para ambas as candidaturas, pode, ao contrário, dar a sensação de fragilidade das mesmas, rendendo assim frutos para Dilma. Isso no entanto só poderá ser avaliado nos primeiros meses do próximo ano, quando as candidaturas começam a se consolidar.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

STF PODERÁ TER DE JULGAR NOVAMENTE OS MENSALEIROS


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Possivelmente na segunda semana de setembro o STF deve decidir acerca da possibilidade de aceitar ou não os embargos infringentes dos condenados no “mensalão”; embargos estes que permitem a um réu absolvido por pelo menos quatro ministros do colegiado ter o seu caso revisto pela Corte. Traduzindo em miúdos, o réu que foi absorvido por quatro ministros do STF terá ou não direito a um novo julgamento. Há vários condenados no processo do “Mensalão” nessa situação, dentre os quais, podemos citar José Dirceu, considerado o mentor do esquema, e José Genuíno, os quais se absolvidos terão sua pena reduzida. Caso o STF entenda que cabe o recurso, ou seja: os embargos infringentes, haverá um novo julgamento e a possibilidade de serem absolvidos é muito grande, uma vez que há novos ministros que não participaram do primeiro julgamento e há uma tendência de que esses novos ministros votem, principalmente no crime de formação de quadrilha, favoravelmente aos réus. O STF vem enfrentando um dilema e pressões externas por não ter dado aos condenados um novo julgamento, como ocorre nas instâncias inferiores. Talvez por isso, para aliviar essas pressões, os ministros do Supremo venham aceitar os embargos, até porque a lei que possivelmente pôs fim a eles é muito vaga e no entendimento da maioria dos juristas os embargos continuam existindo. Assim, é quase certo que vários dos condenados serão julgados novamente, estendendo este julgamento por mais alguns meses. Portanto, amigo leitor, não espere a prisão dos mensaleiros para este ano e quiçá para o ano que vem.