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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

QUANDO A SAUDADE É INSUPORTÁVEL

Eu vejo os dias passarem, na expectativa de poder te reencontrar, de me atirar em teus braços e, olhando bem fundo nos teus olhos brilhantes, dizer-te o quanto te amo e o quanto me foi difícil e doloroso passar todos esses dias sem você, meu amor.
Eu até tento encontrar um meio de me distrair ou alguma coisa com a qual me ocupar para não ficar todo o tempo com os pensamentos em você, mas confesso que não consigo, pois as mais comuns e insignificantes coisas me trazem à memória a tua lembrança. Ah, meu amor! Tudo parece me levar a você. Muitas vezes, eu digo a mim mesmo: "Não adianta, não posso estar com ela agora", mas o meu coração teima em não me ouvir. Ele é como uma criança teimosia e mimada que só quer saber de suas vontades.
Ah, meu amor! Como é horrível querer estar com uma pessoa e não poder! Fico pensando em todos os momentos que poderia estar contigo, cobrindo-te de carinhos e beijos, vendo o teu sorriso, ouvindo a tua voz estonteante dizendo-me coisas insignificantes mas que para mim é de um valor inestimável, pois tudo que me diz respeito a você é importante para mim.
Eu não sei se você sente essa falta que eu sinto de ti, mas se sente, então sabe do que eu estou dizendo. E se é assim, seus dias também são aflitos que nem os meus e a espera tem um sabor amargo, onde o dia seguinte será tão ou mais doloroso que o anterior.

 Mas eu sei que essa separação não será duradoura. Brevemente vou poder estar aí contigo e então compensaremos todos esses dias que o destino nos separou, interpondo a distância entre nós só para nos mantermos afastados. Talvez não possamos recuperar todo o tempo perdido, mas tentaremos recuperá-lo ao máximo. Enquanto isso, enquanto a distância nos mantém longe um do outro, tento pelo menos acalentar-te. E esta carta ao menos te dará uns momentos de alegria, mesmo que sejam poucos, e lembrar-te-ão que estar longe de ti só faz o meu amor maior e mais forte.

terça-feira, 9 de junho de 2015

EU QUERIA PARAR O TEMPO


Eu tento voltar no tempo, num passado em que você ainda não tinha entrado na minha e nem fazia parte do meu mundo, transformando a minha e a tua história numa coisa só; mas confesso-te que não consigo. Não que o passado seja assim tão distante ou o tempo tenha se encarregado de envolver em densa névoa as minhas lembranças. Não, não é nada disso. É que o meu passado parece tão insignificante e tudo que vivi ou experimentei me parece tão superficial. É como se tudo não tivesse o menor valor e tivesse sido apenas uma “ponte para que eu chegasse a você”, meu amor.
Talvez eu esteja exagerando e vendo as coisas de uma forma distorcida. Mas o que fazer? Se, depois de te conhecer e me apaixonar por você, tornei-me outro homem? Confesso-te que num primeiro momento, eu me senti “como um frágil barco surpreendido em alto mar por um vento furioso”. Mas eu nunca tinha me apaixonado antes. Era tudo tão novo e repleto das mais intensas sensações. E o amor tem dessas coisas: adiciona aos nossos sentidos um novo filtro comandado pelo coração, dando uma vivacidade e uma nova capacidade, mais humana diga-se de passagem, de ver, ouvir, sentir e interpretar o mundo a nossa volta. E tenho de te confessar, meu amor, que tudo a minha volta hoje me parece tão mais belo, tão mais cheio de vida e cor. E devo tudo isso a você.
Cada momento com você é mágico, cheio de vivacidade e envolto nas mais intensas emoções. Às vezes, eu tenho a sensação de estar, num único dia, vivenciando coisas que, se não fosse por ti, eu levaria toda uma vida; ou talvez uma única vida nem fosse suficiente e então eu teria de viver tanas outras para experimentá-la.
O teu olhar, o teu sorriso, o toque sutil de tuas mãos acariciando-me docilmente, fazem-me desejar a eternidade do presente, o parar do relógio do tempo. Ah, se eu pudesse quebrá-lo! Ah, se eu pudesse impedir os ponteiros de avançar! Mas isso é impossível. Um desvario sem tamanho. Assim, só me resta guardar esses instantes na memória, mantê-los na lembrança enquanto me for possível viver.
Eu não gosto de falar do futuro, de fazer planos. Quanto a isso, sou mais comedido. Talvez você até estranhe esse meu comportamento, mas é que eu prefiro não me prender ao amanhã, ao vir a ser. Ele é tão incerto. Tão cheio de talvezes! Por isso, procuro viver o presente da forma mais intensa possível. Horácio diz: “satisfeitos com o presente, evitemos preocupar-nos com o futuro”. Talvez seja esse o meu problema. Talvez eu até tema o futuro, pois nem mesmo posso imaginá-lo sem que você não esteja nele.
Da mesma forma que não me agarro ao passado. Eu quero repousar a minha cabeça nos teus braços toda noite, te beijando e te dizendo “boa noite, meu amor”; quero acordar no dia seguinte com você ao meu lado todos as manhãs da minha vida te desejando um “bom dia”; assim como eu quero sentar à mesa contigo em todos os cafés da manhã e em todos os momentos que nos for possível estar juntos. Essas pequenas coisas me são tão significantes. E eu sei que você também deseja isso tanto quanto eu. Mas “por que, em tão curta vida, fazer tantos projetos?” Deixemos que isso ocorra naturalmente.
Dizer-te o quanto te amo não é possível, pois não se pode ter a medida dos seus próprios sentimentos. Posso porém afirmar-te que te amar é o maior e mais intenso acontecimento em minha vida. Por isso, eu lhe dedico todos os instantes; por isso o meu querer infundado em parar o tempo; por isso essas palavras dir-se-ia quase insanas.
Eu me atenho por aqui e deixo que o silêncio de minhas palavras – “o próprio silêncio tem a sua linguagem” como diz Lucrécio – continuem regando o nosso amor, fixando cada vez mais fundo as suas raízes, pois muitas vezes as palavras são superficiais e estorvantes, tirando a beleza daquilo que apenas o silêncio é capaz de dizer. No entanto, antes de por o ponto final, quero que você saiba: EU TE AMO.

terça-feira, 11 de março de 2014

A DOLOROSA ESPERA POR VOCÊ


Parece um sonho mágico e quase não posso acreditar que tenho você. Minha longa e interminável espera acabou. Às vezes, eu meu pergunto: “Será que é verdade mesmo? Será que é real?” Mas a tua imagem, o teu cheiro, a tua voz, os teus carinhos me fazem ver que sim, que é real. Sim, você está aqui nos meus braços.
Ah, mas quão longa foi a minha espera! Eu te esperei por dias e noites ao longo de todos esses anos. Eu te esperei, meu amor, como a noite espera o luar das estrelas para torná-la única, como as flores que desabrocham esperam o perfume para torná-las ainda mais belas, encantadores e irresistíveis. E mais: eu te esperei tão ansiosamente quanto os lábios apaixonados, ao fechar dos olhos, esperam o beijo. Sim. Eu esperei e esperei. E fui recompensado.
Eu sei que agora tudo compensará aquelas horas de angústia, de dor e de profunda saudade. Um beijo teu foi o bastante para compensar essa espera interminável. Mas sei que terei teus beijos para sempre, por toda a eternidade. Pois preciso de ti mais do que tudo nesse mundo, mais do que um faminto precisa de alimento, mais do que um recém nascido precisa do seio da mãe. Na verdade, sem ti eu já não sei mais viver. E tenho a plena certeza de que não sei mais amar sem você e nem sonhar sem você. E até meus lábios não serão capazes de beijar outros lábios que não sejam os teus. Sem você, tudo isso não tem sentido, não tem razão de ser.
Sabe, meu amor! Eu me sinto tão inseguro quando estou longe de ti. O medo ronda-me a alma, a insegurança está sempre à espreita e a agonia é uma nuvem negra que me envolve e me faz perder completamente o rumo. Não, meu amor!, não me furte de tua presença, de tua beleza, de teus carinhos, de teus beijos e de tuas palavras apaixonadas. Eu preciso de tudo isso para me sentir vivo.
Talvez o meu amor exacerbado tenha contaminando todos os meus atos, meus pensamentos, minhas palavras e me levado a exagerar em tudo. Mas fazer o quê? É assim que me sinto. Que culpa eu tenho de te amar ao ponto de achar que te amo mais do que você possa imaginar? Toda a minha volúpia de amar é tua, somente tua. Eu te farei de minha deusa e deixarei que teus braços me envolva e me elevem até as nuvens, ao infinito ou até onde você quiser me levar. E não terei medo da altura e nem de cair, pois sei que estarei em teus braços.
Enfim, meu amor... Talvez esta carta esteja ficando um pouco longa. Mas eu não sei como terminá-la. Quero escrever páginas e páginas até que se torne a mais densa e extensa obra produzida por um autor. Mas para isso eu precisaria da imortalidade e da eternidade, e mesmo assim ainda não teria conseguido dizer tudo que sinto por você. Só que não sou imortal e a eternidade me é inalcançável. E como só tenho essa vida tão breve, não posso desperdiçá-la apenas falando de meu amor. Tenho de vivê-lo, de senti-lo a cada momento em teus braços. Por isso fico por aqui e termino esta com apenas duas palavras, as quais resumem tudo que acabei de escrever: TE AMO!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O INFINITO PRAZER DE ESTAR CONTIGO


Meu amor, nem mesmo eu consigo compreender a razão desse meu desespero, dessa sensação de que estou perdido e sem rumo quando você não está em meus braços. Talvez seja esse vazio, essa falta de onde me sustentar que me leva a sentir assim; talvez vivendo todos esses anos sozinho e da forma mais livre e independente possível eu não tenha me dado conta de que o amor, quando nos arrasta feito uma forte correnteza, provoca na gente uma dependência sem precedentes. E pode ser isso que tenha acontecido comigo com relação a você, meu amor. Talvez por isso a tua ausência quase me leva à loucura. Minha imaginação fértil e até um tanto fantasiosa demais fica, em suas mais loucas suposições, como se eu sonhasse acordado, tentando descobrir o que você estará fazendo quando você não está comigo. Não sei o porquê dessa preocupação, desse querer inútil. Por que não me ocorre que você pode estar fazendo o mesmo que eu? Pensando em mim, como eu em você? Talvez a tua vontade e a tua necessidade de estar em meus braços não se compara à minha, mas ainda sim, nos teus momentos de ociosidade, eu seja objeto de teus pensamentos. E por que não seria, se nos amamos tanto? E quando se ama, é inevitável pensar na pessoa amada. Não sei no teu caso, mas comigo os pensamentos não me confortam; pelo contrário, aumentam ainda mais a minha vontade de estar contigo. Sei que você não me priva um único dia de seus lábios e de tuas carícias amorosas, mas ainda sim elas nunca me bastam e eu quero sempre mais. Será que há algo errado comigo, meu amor? Ou você também tem essa mesma sensação, mesmo que de vez em quando? Talvez eu esteja doente, doente de amor por você. Mas se assim é, então não me deixe curar. Pois não quero me privar desse infinito prazer que eu sinto quando você surge diante de meus olhos. TE AMO.

quarta-feira, 6 de março de 2013

VOCÊ ME FEZ NASCER DE NOVO


Às vezes, o desespero invade-me a alma de tal forma que a sinto dilacerar. O ceticismo, a crença no nada e na insignificância da vida entram em choque com um sentimento e o qual representa exatamente o contrário de tudo isso: o amor. E ao me aperceber que amar é dizer um sim à vida e a tudo de intenso e mágico que o amor possa nos proporcionar, sinto que talvez estivera enganado ao longo de todos esses anos. Talvez a vida me tenha deixado nesse vazio por tanto tempo justamente para, quando te conhecesse e assim viesse a experimentar o outro lado, ficar tão inebriado que não desejasse mais, nem por um segundo, aquela vida anterior.
Não posso negar o que passado não existiu e menos ainda negá-lo completamente, mas que proveito tirar daqueles anos onde naveguei à deriva nos mares da incerteza por tanto tempo? Tudo agora me parece coisa de outro mundo. É como se eu tivesse sido teletransportado e caído num outro planeta; num planeta igual ao nosso, onde as pessoas fossem as mesmas mas ao mesmo tempo fossem diferente, como se tudo tivesse uma nova perspectiva. Talvez eu até não esteja sabendo me expressar. Mas como expressar o que sinto se nem mesmo eu sei direito o que é? Sei que de repente o meu mundo, o qual não passava de um caos, encontrou uma estrela – a mais poderosa do universo – e pôs ordem em toda aquela confusão. Agora você é o centro de tudo, assim como o sol no nosso sistema solar. E tudo que eu faça, por mais insignificante que pareça ser, tem como centro você. Não que tudo que eu tenha feito até hoje fosse de fato tão importante assim, mas até aquelas coisas para as quais eu me importava de fato, dum momento para outro se tornaram tão sem sentido.
De um momento para outro, um sorriso teu, um olhar, um toque e até aquelas frases sem muito sentido tornaram-me importantes e cheias de símbolos. Uma roupa que você põe, a forma de pentear o cabelo e inclusive o teu silêncio entre uma frase e outra me passaram não só a serem notadas como amiúde preenchem meus pensamentos. Aquelas palavras tão apaixonadas, as tuas carícias, as quais me fazem experimentar um deleite inexplicável, e os teus beijos, todos eles me tornaram tão relevantes que se fixam na minha memória para sempre. Os dias, as semanas e os meses não são suficientes para apagá-los.
Quando estou só e então não consigo pensar noutra coisa que não seja em você, tua imagem me remetem a essas lembranças e então, com um prazer intenso, revivo cada um desses momentos. E como essas recordações me afetam, meu amor! Muitas vezes, sou tentado a sair correndo ao teu encontro, mesmo sabendo que por um motivo ou outro isso não é possível. Mas como explicar para minha alma, que não entende o porquê de você não estar sempre ao meu lado, que naquele momento isso não é possível? Que o meu “querer” vez ou outra esbarra no teu “poder”?
Enfim, meu amor... Eu nasci pela segunda vez quando te conheci. E posso te afirmar sem medo de estar enganado que tudo que eu poderia desejar na vida é tão ínfimo comparado com o teu amor. Amar, como os poetas gostam de declamar, talvez seja realmente isso: cair sempre no exagero. Mas existe algo melhor que do isso? Só se for te amar duas vezes. Isso porém é impossível. Meu amor por ti é tão imenso que multiplicá-lo por dois ultrapassa até mesmo a concepção do infinito. E isso vai além da incompreensão humana...

domingo, 10 de junho de 2012

MEU AMOR, O QUANTO ME SIGNIFICA ESSE DIA


Eu tenho tantas datas para comemorar e tantos momentos inesquecíveis para relembrar que este dia é só mais um desses momentos. Mas ainda sim, não há como negar, meu amor, que esse dia é motivo de muita alegria. Eu te amo mais do que tudo nesse mundo. Talvez por isso o “Dia dos Namorados” seja tão significativo assim, porque ele me faz lembrar como nunca de quanto te amar é tudo.
Já acordei diferente, com os pensamentos em você. Eu fiquei imaginando como você reagiria ao nos encontrarmos, a roupa que estaria usando e até mesmo quais palavras me diria. Imaginei inclusive o sorriso que teus lábios deixariam escapar e o tamanho do brilho dos teus olhos. Sei que isso pode parecer um tanto idiota, mas fazer o quê? Os apaixonados agem feito idiotas e mesmo assim não há nada que um ser humano deseje mais na vida do que estar apaixonado. Ao longo de nossa existência, experimentos os mais variados e intensos prazeres, mas nenhum é tão intenso quanto o prazer de te amar. Acho que nem precisava estar te dizendo isso. Você deve saber disso muito bem.
As horas passam lentamente e quanto mais vai se aproximando o momento de nos encontrarmos, mais impaciente e com mais frequência eu consulto o relógio, como se isso fizesse os ponteiros correrem mais rápido. Meu coração há muito perdeu os compassos e assemelha-se a um garotinho afoito. Talvez por isso eu esteja a transpirar, embora o dia esteja relativamente frio. Aliás, resolvi te escrever esta carta justamente para conter a ansiedade, a qual quase me leva ao desespero. Talvez assim o tempo passa mais rápido.
Virei o rosto para o lado e fitei o pequeno embrulho que comprei para ti. Obviamente você não faz a menor ideia do que seja. Mas aposto que, enquanto você também se prepara, deva estar pensando no que eu vou te dar. Eu confesso, meu amor, que não me preocupo com o que vou ganhar. Talvez porque o presente em si não fará a menor diferença, mas sim o significado que ele carregará consigo. Aliás, foi pensando nisso que te comprei algo duradouro, para que toda vez que olhá-lo, você se lembre não só de mim mas do momento em que te foi presenteado. Tenho certeza de que esse momento te será eterno, como será o momento em que nossos olhos se cruzaram, trazendo consigo um deleite imensurável.
Já estou eu consultando o relógio mais uma vez. Falta pouco mais de uma hora. Vou encerrar por aqui. Não consigo nem mesmo escrever-te mais. Veja minha letra como parece nervosa e inconsistente. Isso é a vontade de estar contigo, meu amor.
Antes de terminar, só queria te dizer mais uma coisa, meu amor.
TE AMO, TE AMO mais do que tudo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

UMA HOMENAGEM AO DIAS DAS MÃES

Mãe,
Eu não encontro palavras para te agradecer por tudo aquilo que fizestes por mim em todos esses anos. Quando teu corpo começou a perder a sutileza dos traços, talvez deixando definitivamente para trás muito de tua formosura, ao invés de amaldiçoar aquele que te fazia disforme, passou a amá-lo na mesma proporção em que tomava forma dentro de ti e fazia-te mais pesada e tornando-te as mais simples tarefas cada vez mais dificultosa.
Quando aquele ser que tu já amavas mais do que tudo no mundo, embora ainda não o tivesse visto e nem ao menos sabia como chamá-lo, pois desconhecia-lhe o sexo, resolveu vir ao mundo e finalmente estar em teus braços, provocou-te dores terríveis, as quais provavelmente fez-te pensar que morrerias. E quando em teus braços, eis que resolve flagelar-te e deformar-te os peitos com sua fome insaciável. Mas as dores do parto e em teus seios rachados só te causaram prazer por ter em teus braços aquele ser tão frágil e indefeso.
O teu corpo deformado nunca mais voltou a ter a beleza dantes. Mas os teus seios pararam de doer e o leite secou quando aquele ser que antes parecia tão frágil quanto uma pétala de rosa foi perdendo a fragilidade e ao mesmo tempo descobrindo um mundo só para si. E apesar de teus cuidados, incansáveis diga-se de passagem, e de toda a atenção que estava disposta a oferecer, a passagem dos anos fez com que, sem que te fosse possível fazer algo para impedir, teu filho fosse pouco a pouco dispensando tua atenção em prol daquela oferecida primeiro pelos amiguinhos da escola, depois, já na adolescência, não só por estes mas também pelas garotas; um interesse que, como no meu caso, fazia-te sofrer com minha indiferença, com as respostas malcriadas, com a desobediência e até mesmo com uma rispidez como se você, mãe, fosse quase uma inimiga.
Ah, como somos ingratos com aquela que nos gerou, que nos alimentou quando não éramos capazes de fazê-lo sozinho, que se desesperou quando éramos atacado por uma doença, que nos ensinou as primeiras palavras, que nos deu caráter, dignidade e nos ensinou seus valores na esperança de que nos tornássemos pessoas dignas e honradas, embora alguns de nós preferimos desprezar tudo isso. E muitas vezes nossa ingratidão é tamanha que não fazemos outra coisa a não ser envergonhá-la e fazê-la sofrer como se tudo o que te fizemos passar desde a tua gestação fosse apenas quimera.
Sabe, mãe, é preciso crescer e ficar adulto para compreender o verdadeiro significado desse dia, um dia que é só teu. É preciso que a vida nos atire aos precipícios da existência, que durante a queda, sem ter onde se agarrar, estendamos o braço e gritamos teu nome como fazíamos todas as vezes na infância pelos motivos mais banais, para termos pelo menos uma noção de quanto lhe devemos, de quanto deveríamos fazer por ti e muitas vezes não fazemos. Talvez se todo filho procurasse em algum momento se pôr no teu lugar e fosse capaz de se esforçar um pouco mais para corresponder nem que fosse uma pequenina parte de tuas expectativas dar-te-ia mais valor. Pois uma mãe não deseja nada mais além do que o prazer de se orgulhar do filho, de saber que todo aquele trabalho e dedicação incansáveis por anos a fio não foi em vão.
Sei que talvez não tenha sido o filho dos teus sonhos, aquele que, a cada momento de tua dedicação, teus olhos, como se fossem capazes de antever o futuro, via-o coberto de honrarias. Mas independentemente disso, o pouco que eu possa ser em comparação aos teus sonhos, devo tudo a você, minha mãe. E se não fosse por ti eu simplesmente seria NADA. NADA vezes NADA.
Obrigado, mãe.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

COM VOCÊ EM MEUS PENSAMENTOS


 O meu despertar para um novo dia tem sempre aquela sensação de ter acabado de adormecer, como se eu passasse por uma rápida madorna. Digo isso, meu amor, porque, ao acordar, vem-me à memória o último pensamento da noite anterior, o qual, com imenso prazer, é sobre algum momento onde, nos braços um do outro, fazíamos intensa a chama do amor.

Talvez eu até exagere um pouco nos meus devaneios; mas quem, sob o efeito da paixão e inebriado pelo néctar do amor, não vê tudo como se diante dos olhos encontrasse uma poderosa lente de aumento? E também se me atiro ao abismo do mar de sensações com meus devaneios é porque estes me proporcionam um prazer que nada pode me dar, nada além do que pensar em você. Aliás, dormir e acordar com tua imagem nos meus pensamentos é como despertar todos os dias para uma nova vida; pois tenho a certeza de que te amar e ter esse amor correspondido é como viver em uma única vida dezenas de outras.
Não me importa que ao longo do dia as coisas sejam boas ou ruins, pois sei que, mesmo não podendo estar contigo um dia ou outro, ainda sim me resta o travesseiro para que eu passa repousar a cabeça e ir ao seu encontro através de meus pensamentos. Por isso, amor, eu jamais me sinto só. Tua imagem me guia a um novo dia onde certamente a tua presença física fará a taça no meu peito transbordar de felicidade. Uma felicidade tão intensa quanto a que sinto quando, teus lábios colados ao meu ouvido, você me sussurra: TE AMO! 

terça-feira, 8 de junho de 2010

CARTA DE AMOR: DIA DOS NAMORADOS


Na ociosidade interminável de minhas noites sem você, a imobilidade do silêncio me devora a alma feito um ácido de grande poder de corrosão. É quase insuportável a saudade no meu peito, ainda mais por saber que você também deva estar experimentando uma sensação parecida com a minha, pois tuas palavras apaixonadas me levam a acreditar que o nosso amor é infinitamente grande.
Num momento ou outro até, tento não pensar em você, mas no fracasso de minhas tentativas eu me deparo com a certeza de que minhas limitações são tamanhas que não tenho nenhuma chance contra essa gigantesca força chamada amor. E então me rendo feito um crente fervoroso ao imensurável poder de Deus. Deixo os pensamentos me lançarem até você, mais precisamente aos nossos momentos tão bem registrados na minha memória.
O passado, embora ainda recente, passa-me na cabeça feito um filme onde se pode correr umas cenas e passar lentamente outras. E cada uma delas a seu modo me provoca sensações diferentes. Uma ou outra inclusive faz-me verter lágrimas, lágrimas essas que, ao formar uma gota pesada demais, escorrem-me pelos cantos dos olhos e vai morrer no travesseiro, o qual desde a última noite, exala o perfume inconfundível de teu corpo. Aliás, talvez por causa desse teu cheiro, que penetra-me pelas narinas e chega aos mais longínquos recantos de meu cérebro, essa saudade me parece mais terrível de suportar.
Penso em saltar da cama e, assim seminu, apenas com as roupas de baixo, pular pela janela e voar até você feito Ícaro. Mas ai me dou conta de que não tenho asas, de que se me atirar pela janela, ao invés de encontrar os teus braços macios, quentes e apaixonados encontrarei tão somente a dureza e a indiferença das pedras frias da calçada. E já que não tenho asas, penso em sair em disparada pela porta da sala, atravessar a rua e correr até sua casa num único fôlego. Mas não sou aquele personagem da mitologia grega cuja corrida de uma cidade a outra deu origem à Maratona. E embora moremos na mesma cidade, a distância é grande demais para que se possa tentar o mesmo feito.
Olho no relógio. E os ponteiros se misturaram para iniciar um novo dia. Tento conter a euforia e a vontade de que estas passem rápido a fim de que finalmente eu possa estar nos teus braços mais tarde, nessa data tão especial para nós, os amantes. De repente o passado e o presente se misturam. Então surge o futuro. Penso no que faremos, onde iremos e no melhor momento de entregar-te o meu presente, o qual tenho certeza de que te provocará surpresa; tento imaginar qual será tua reação, a expressão de teu rosto, de teus olhos e de tua boca; indago-me que palavras me dirás. Mas ao mesmo tempo imagino-te muda, sem palavras.
Confesso que também sou tomado pela curiosidade em saber como me surpreenderá. Embora você me seja o melhor presente que o destino me deu, portanto nenhum presente poderá se igualar a esse. Ainda sim não posso deixar de desejá-lo. Pois por mais simples que seja, o que ele representará não há preço que pague. Nada poderá valer tanto quanto o prazer de contemplá-lo com a única finalidade de trazer-me de volta a lembrança do momento em que me foi dado. Aliás, meu amor, foi pensando nisso que comprei-te algo durável, mais durável do que a nossa brevíssima passagem por esse mundo. Passagem que apesar de tão rápida, ter-me-á valido mais do que se fosse eterna, pelo simples fato de ter-te encontrado. Porque não trocaria esse instante de existência pela eternidade sem você. Até porque como disse Stendhal, um de meus autores preferidos: “Não amar quando se recebeu do céu uma alma feita para o amor é privar-se a si mesma e a outrem de uma grande felicidade”.
Dizer-te mais uma vez que te amo, pode até parecer aborrecido. Mas sei que, apesar de dizê-lo uma centena de vezes quando estou contigo, ainda sim você sente prazer em ouvi-la. Os amantes são assim mesmo. Só para aqueles que nunca experimentaram o amor no que há de mais profundo podem nos achar bobos, ingênuos, irritantes e principalmente aborrecidos. Aliás, estas palavras um tanto exageradas, como é o meu amor por ti, também devem ser aborrecidas, sem sentido e idiotas para quem não ama. Mas alguém apaixonado assim como eu, se as lesse, compreenderia minhas palavras e dar-me-ia razão. É como disse Pascal: “O coração tem suas razões, que a razão desconhece”.
É com essas palavras, meu amor, que encerro minha carta. Agora deitarei no travesseiro e deixarei que os meus pensamentos em você me guiem ao mundo dos sonhos e permitam que eu possa atravessar a noite são e salvo até que, “acordando vagarosamente para um trêmulo conhecimento da manhã”, posso levantar e me preparar para o acontecimento mais especial do dia: estar com você, meu amor.

Te amo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O AMOR QUANDO FINCA RAÍZES


Olho através da janela silenciosa o jardim triste e a rua deserta e com o coração gritante penso a cada instante onde você estará agora.
Sonho que o deserto da rua será ocupado com os teus passos,a tristeza do meu jardim alegrado com o teu sorriso e o silêncio que me oprime e quase me leva ao desespero seja quebrado com o som da campainha. Mas tudo talvez não passe de um sonho descabido, de uma forma de minimizar a minha dor ao acreditar que o impossível possa acontecer.
Você partiu com a certeza de nunca mais voltar, de apagar o nosso passado, como se este fosse rabiscos de giz na lousa da escola. Talvez todo esse tempo que vivemos lado a lado, onde amamos intensamente um ao outro nada te tenha significado, mas para mim são lembranças que não podem ser apagadas.
Talvez você não tenha compreendido que o amor, quando finca raízes, não pode ser arrancado, feito uma árvore na tempestade, sem destruir o terreno. Se a árvore que eu plantei no teu coração não criou raízes profundas, quiça ao penetrá-lo tenha encontrado uma rocha, impedindo-o de se firmar e assim ficar vulnerável a mais amena das tempestades. Saiba, no entanto, que a semente que você plantou no meu criou raízes tão profundas que, para ser derrubada, terá de abrir meu peito e arrancar o coração junto.
Mas por que estou eu te dizendo isso, se minhas palavras chocarão contra o mundo da indiferença em teu peito? Talvez fosse melhor nem lê-las, pois na incapacidade de compreender minha dor, possa, através destas palavras, rir-se de mim, vendo-me tão somente como um perfeito idiota. Mas se amar é tornar-se idiota, então dou mil vivas a todos os idiotas. Pois através da mais profunda dor sei que experimentei a paixão da forma mais profunda também e consequentemente sinto a vida no que ela tem de mais bom e ruim, agora infelizmente quanto á você talvez a vida seja tão somente uma viagem tão empolgante quanto a ida do trabalho para casa.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O MEU RETORNO À USINA DE LETRAS

A Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br) é um dos Sites onde publico os meus textos. Tudo começou em 2003 e desde então muita coisa foi postada lá. Alguns de meus textos espalharam-se pela internet, outros viraram música, foram publicados em coletâneas, livros didáticos e até foram parar em vídeos. Na Usina de Letras, tive mais de 8 milhões de leituras. No entanto, por problemas técnicos do site, resolvi deixar o site no final do ano passado, pois me senti desprestigiado quando os problemas afetaram meus textos e os responsáveis não tomaram nenhuma providência. Mas a pedido de leitores leitores e por estar sentindo falta da Usina, devido aos amigos que deixei por lá, resolvi voltar este mês. E a primeira coisa que fiz, foi publicar esta carta:

Em Outubro do ano passado resolvi deixar a Usina de Letras pelos problemas do Site, pela falta de respeito e consideração com um autor que, desde o início, foi um dos que contribuiu para a popularização do mesmo (infelizmente a maioria deixou a Usina há muito tempo). Sem dar uma satisfação – embora eu tenha insistido nisso –, alguns dos meus textos desapareceram sem mais nem menos e a contagem de leituras de outros (coincidentemente os mais lidos) simplesmente foram zeradas. Como não se tomou nenhuma providência e muito menos deram-me uma explicação, simplesmente não renovei mais minha assinatura e deixei de publicar. Como já publicava em outros sites (Planeta Literatura, Recanto das Letras, Texto Livre, Usina das Palavras, entre outros) mantive a publicação somente nesses. Todavia, ao longo do tempo chegavam-me e-mais de leitores insistindo para que eu voltasse e continuasse a publicar, pois os mesmos sentiam falta dos meus versos e dos meus contos. Embora de quando em quando publicava alguma coisa, resolvi renovar minha assinatura e voltar a publicar normalmente.
Infelizmente, ao retornar, fiquei um tanto desapontado com o que encontrei. Esperava que alguma coisa houvesse mudado. Mas pelo jeito os problemas continuam, pois os placares não funcionam ou funcionam precariamente, a publicação de imagens pornográficas sem contexto algum, apenas com o intuito de angariar leituras, continua a todo vapor, assim como a simples cópia de textos da internet e a publicação dos mesmos. Realmente talvez não devesse ter retornado, mas a esperança é a última que morre, já diz o velho ditado. Quem sabe algum dia os responsáveis (se é que é do interesse deles) decidam trazer a Usina de volta à época em que era um Site sério, realmente voltado para a divulgação de novos autores, e cujos leitores sabiam que a USINA realmente era de LETRAS. Bem, deixemos isso pra lá. Eu voltei mesmo foi em respeito aos meus leitores e as 8.559.566 (OITO MILHÕES E QUINHENTOS MIL) leituras.
Para aqueles que ainda não me conhecem ou chegaram aqui depois que sai, espero que o meu trabalho possa superar as expectativas. Adianto desde já que, ao clicar nos meus textos, o leitor encontrará LITERATURA, textos nos quais dei o máximo de mim. E para constatar a qualidade e a receptividade de meu trabalho, o leitor poderá fazer uma pesquisa no Google ou em qualquer outro site de pesquisa, apenas informando o meu nome (Edmar Guedes) e verá o retorno. Meus textos estão espalhados por uma infinidade de sites e blogs (isso quando aqueles que os copiaram deram-se ao trabalho de informar a minha autoria) e até mesmo em vários perfis do Orkut ou páginas de recados do mesmo. Confiram.
Aproveitando a oportunidade, informo-lhes que não deixem de visitar o meu BLOG. Http://edmarguedes.blogspot.com

É isso aí.

Edmar Guedes,
25 de Agosto de 2009.

Espero que o meu retorno me traga tantas alegrias quanto a Usina me trouxe nos anos em que estive lá. Sei que alguns amigos não estão mais por lá, ou por descontentamento ou por motivos de forma maior, como é o caso de Domingos de Oliveira e de Wladimir Oliver por motivos de falecimento. Fazem falta, mas a vida é assim. Ninguém é eterno. Um dia a gente acaba por se deparar com a morte por nossas andanças pela existência e então somos obrigados a acompanhá-la para a eternidade.

sábado, 1 de agosto de 2009

ASSIM É MEU CORAÇÃO

Eu te amo e sei disso
Feito uma verdade absoluta e imutável
E o meu amor como o paraíso
É um sentimento inexplicável.

Eu sei o que sinto quando estou contigo
Mas não sei como enumerá-lo
Talvez haja algum problema comigo
Como se desejasse algo sem querer alcançá-lo.

Acredito, embora sem ter certeza,
De que meus desejos me fazem assim
Ver em tudo (até onde não há) a beleza
Como em teus nãos e teus sins

Aliás, o amor é um ponto de interrogação
Até mesmo depois de dissecá-lo
E assim também é meu coração
Quando teus beijos vêm tocá-lo.