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quinta-feira, 3 de março de 2016

O MUNDO EM DIREÇÃO AO ABISMO

Independentemente de ser de esquerda ou direita, já que estes rótulos não fazem mais sentido hoje em dia, é preciso reconhecer que o capitalismo passa por uma grave crise, tão grave quanto aquela ocorrida entre as duas grandes guerras, onde o mundo mergulhou na maior crise de sua história, o que contribuiu significativamente para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, embora não tenha sido diretamente a causa. Desde o desmoronamento do comunismo em 1989 dizia-se que finalmente o capitalismo triunfara. E de fato parecia uma verdade incontestável, embora o atual capitalismo não seja o mesmo que perdurou até meados da década de 50 do século passado. Para não sucumbir, acabou adotando medidas defendida pelos socialistas e fazendo concessões, como proteção aos trabalhadores, redução da jornada de trabalho e uma série de garantias trabalhistas. Nesse ponto, o socialismo teve o seu papel benéfico, pois humanizou o capitalismo, reduzindo a exploração da classe trabalhadora. No entanto, como Sistema Político, o socialismo fracassou ao se transformar em ditaduras implacáveis, disposta a sacrificar tudo e todos para a sobrevivência de quem estava no poder. Talvez o maior erro desse sistema, que prometia libertar os trabalhadores da exploração capitalista mas os transformou em escravos do sistema, foi justamente ir contra o que pregava: ao querer libertar o homem, acabou por transformá-lo num mero instrumento,  em alguém que deveria sacrificar seus interesses particulares em nome do coletivo. Com o fim do socialismo, o capitalismo agora mais humanizado, prometeu a liberdade e a reumanização do ser humano, com ênfase no. individual E num primeiro momento, realmente cumpriu sua promessa. Mas encontrou os seus próprios limites. Sem um sistema que o ameaçasse, como ocorreu durante quase todo o século XX, o capitalismo começou a mostrar suas garras. A liberdade de certa forma permanece preservada embora muitas vezes essa liberdade não passe de ilusão, pois num mundo consumista e totalmente dependente de capital, quem não tem dinheiro está fora do sistema e portanto não é livre e nem levado em conta: vive-se uma liberdade aparente, já que o acesso a praticamente tudo depende de dinheiro. O mesmo vale para a reumanização do ser humano. Só se tem valor como ser humano se você tem algo a oferecer. Se não tem, você também não tem valor como pessoa e não passa de um estorvo, de um fardo que a sociedade é obrigada a carregar. O problema desse capitalismo pós 89 é que ele é faminto, nunca está satisfeito e quer cada vez mais. Ele visa maie e mais lucro, e tudo isso sem ser produtivo de fato. O Mercado Financeiro, e principalmente o especulativo, tornou-se a grande fonte de investimento. E como população em sua maioria não tem acesso ao Sistema Financeiro, a desigualdade social só se faz crescer. Há mais duas décadas que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres não só vem aumentando como também em taxas cada vez maiores.. Isso em todos os países, sem exceção. Não por acaso, o berço do moderno capitalismo – os Estados Unidos – vê o contingente de pobres e miseráveis crescer de forma vertiginosa, isso com o PIB crescendo mais de 3% ao ano. Se não bastasse, cresce na mesma proporção a insatisfação social, gerando turbulências políticas cujas consequências são imprevisíveis. Talvez, antes que o sistema desmorone e leve o mundo a um novo conflito de proporções mundiais, cujos sinais são mais evidentes a cada dia, como a nova Gerra Fria entre Estados Unidos e Rússia por exemplo, o capitalismo encontre uma alternativa e procure se reinventar. Mas até lá o mundo vai passar um grande crise e por profundas transformações. Isso será inevitável.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O ZIKA VÍRUS E O FIM DA HUMANIDADE

Após uma série de casos de microcefalia em recém-nascidos, parece não haver mais dúvida quanto à causa dessa deficiência genética, que provoca cegueira, surdez, retardamento mental, dificuldade motora entre outras, tornando a vítima num incapaz para o resto da vida, já que parece que o Zika vírus provoca os casos mais graves da doença E não há dúvida de que haverá milhares de casos de microcefalia não só na América Latina como em todo o mundo. Aliás, é imprevisível o que poderá ocorrer quando essa doença chegar à África e aos países mais pobres e populosos do planeta como a Índia e a China por exemplo. Será uma tragédia humanitária sem precedentes. O Zika vírus produzirá uma geração de incapazes, afetando profundamente as gerações futuras devido ao custo humano e financeiro para ligar com as vítimas desse nefasto vírus. E há ainda um outro problema: o baixo índice de nascimentos, provocados pelo aumento de abortos e o adiamento da gravidez com o temor da microcefalia, pois muitos casais adiarão seus planos de ter filhos. As taxas de natalidade nos países afetados deve cair consideravelmente nos próximos anos, levando inclusive a um crescimento populacional negativo. Veremos algo parecido com o que ocorreu com a Peste Negra na Idade Média. É bem possível que nas próximas décadas veremos um decréscimo da população de muitos países como já vem ocorrendo na Europa, embora por outros motivos. Então eu me pergunto: será o começo do fim da humanidade? Poderá o Zika vírus, aliado às mudanças climáticas, as quais já vem afetando o crescimento populacional do planeta, causar a extinção do homem? Não creio. Esses dois fatores por si só não são suficientes, mas certamente provocarão profundas mudanças sociais e econômicas nas próximas décadas, mudanças para as quais a maioria das nações não estão preparadas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O VERDADEIRO MOTIVO DO IMPEACHMENT DA DILMA

Após a deflagração do processo de impeachment da presidenta Dilma, iniciou-se um embate entre os apoiadores da presidenta e os que se opõem ao seu governo. Os primeiros insistem na ilegalidade do processo, dizendo que se trata de um golpe, enquanto o outro lado insiste que há provas de que Dilma cometeu crime de responsabilidade e por isso ela deve ser cassada. Não sou especialista no assunto para afirmar qual dos lados tem razão, até porque nem mesmo os juristas mais renomados desse país se entendem; embora a maioria tenha se posicionada contrário ao impeachment. Mas até onde sei, Dilma realmente não cometeu um crime que justifique a perda de mandato. Mesmo que ela tenha praticado as tais pedaladas fiscais, ainda sim tenho de concordar com a maioria dos juristas que afirmam que ela não se beneficiou delas, portanto não praticou nenhum ato ilícito. No entanto, culpada ou não das tais pedaladas, o que está em jogo não é o crime em si. Aliás, isso é o que menos importa. Trata-se apenas duma desculpa para julgá-la pela péssima administração que vem fazendo. Como não há na Constituição nenhum tipo de condenação por inaptidão, incompetência e coisas do gênero, procura-se uma forma alternativa de tirá-la do poder. O processo conta Dilma é só mais um dos vários que vem ocorrendo na América Latina, onde governantes impopulares são destituídos pelo parlamento sem que tenham cometido de fato um crime; como ocorreu no Paraguaí, Equador, Bolívia, entre outros. Claro que a democracia brasileira é mais sólida do que nesses países e o processo segue plenamente a Lei. Ainda sim, o processo de impeachment é, na mais das vezes, um processo puramente político onde o presidente é destituído tão somente por ter perdido a capacidade de governar. E é o que se vê no processo contra Dilma. Afinal, ela cometeu algum ato que justifica a perda de mandato? Muito provavelmente não, mas ela perdeu a legitimidade. E este é o maior problema. Se ela vai ser cassada ou não é difícil saber. Vai depender do que ela ainda tem na manga para mostrar alguma força no parlamento. Se escapar do impeachment, Dilma sai fortalecida e finalmente pode começar a governar o país; se, por outro lado, for caçada, mostrará que a permanência dela no comando do país seria desastroso, pois estaria completamente isolada e sem a menor condições de governar. Esperamos que, para o bem do país, o processo seja rápido.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PARIS: ÓDIO À LIBERDADE E À DEMOCRACIA


Dez meses depois, a França sofre um novo ataque terrorista promovido pelo Estado Islâmico, matando até o momento 129 pessoas. E justamente a França que é um país democrático, tolerante, multirracial e berço da luta pelos direitos humanos. Nenhum país merece uma barbárie dessas, menos ainda a França. Mas terroristas não escolhem vítimas e muito menos o país. Querem apenas promover o caos, a comoção popular e combater a liberdade, a igualdade e a fraternidade. É um dos poucos meios que dispõem para chamar a atenção, para mostrar alguma força. Embora não pareça, no fundo os líderes dessa organização terrorista sabem que não vão chegar a lugar algum, que lutam uma guerra perdida. Por isso, eles usam os meios mais bárbaros para demonstrar força e poder, seja nos territórios onde dominam, seja nos lugares mais democráticos do mundo. Aliás, nada lhes é mais perigoso que a democracia. Eles a temem tanto, ou até mais, quanto temem o Diabo. A escolha da França não foi um acaso. Os franceses fazem parte da coalizão que vem promovendo ataques aos territórios dominados por esses terroristas. E de todos os integrantes da coalizão, a França talvez seja o país onde os terroristas teriam maiores chances de serem bem sucedidos e onde poderiam causar maior comoção. Talvez os EUA fossem o alvo desejado, mas o sistema de vigilância norte americano certamente frustraria qualquer tentativa de um ataque de grandes proporções. Nos outros países da coalizão, um ataque assim talvez até provocasse mais danos e mortes, mas não teria o mesmo efeito e no ocidente isto seria mais uma notícia corriqueira, sem muita relevância. Daí a França. E de fato conseguiram o que desejavam. Não resta dúvidas de que foram bem sucedidos. Resta saber o que os franceses farão. Somente uma resposta capaz de provocar perdas incalculáveis ao Estado Islâmico fará com que desistam de novos ataques. Talvez o mais sensato a fazer seja o envio do que há de mais moderno em armamento bélico e de um grande contingente de tropas para lutar em várias frentes, em conjunto com o exército iraquiano numa das frentes e com os curdos em outra. Chegou a hora de reconhecer que ataques aéreos por si só não vai derrotar esses terroristas, pois tendem a se dissiparem e combater os inimigos com atentados terroristas. Só há um meio de acabar com isso: dizimando-os. Ou isso ou é só questão de tempo para novos atentados terroristas. A França está numa encruzilhada e se deseja continuar a ser um exemplo de tolerância e democracia terá de fazer sacrifícios. Não há outra saída.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO

Talvez de todos os erros cometidos pelo parlamento brasileiro ao longo de sua história, o maior venha a ser o projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento, pois trata-se de um enorme equivoco achar que armar a população irá reduzir a criminalidade. Digo equivoco porque é um enorme absurdo achar que o alto índice de violência e criminalidade presente na sociedade brasileira é em grande parte fruto da impossibilidade de reação das vitimas por estarem desarmadas. O fato de uma pessoa está ou não desarmada não irá impedir um criminoso de cometer crimes; pelo contrário, irá torná-lo mais violento, mais disposto a matar com o intuito de impedir uma reação da vitima, o que muito provavelmente irá aumentar a criminalidade, já que os criminosos terão facilitado o acesso às armas de fogo tanto ao adquiri-las no mercado negro quanto ao roubá-las das próprias vitimas, as quais muitas vezes vão preferir entregar sua arma ao bandido do que usá-la contra o agressor. Aliás, muitos dos crimes de roubo que acontecem hoje em dia são praticados por criminosos com armas de brinquedo e armas brancas. Essas últimas inclusive, apesar de causar ferimentos nas vítimas, são bem menos letais que armas de fogo. O problema da criminalidade não é se a vitima é vulnerável ou não, mas sim a sensação de impunidade. É sabido que a maioria dos crimes não são solucionados e os culpados jamais pagam por eles. Esse é grande problema, embora não seja o único, já que a brandura das penas aplicadas a maioria dos crimes também contribui para o aumento da criminalidade, assim como o sistema prisional que, além de não recuperar o condenado, acaba na realidade servindo-lhe de escola do crime. Uma pessoa que é encarcerada por um por um crime leve, o qual poderia muito bem ser convertido em trabalho social ou outra forma de penalização, acaba saindo da cadeia como um criminoso de alta periculosidade. Isso tudo junto é a verdadeira razão dos altos índices de violência e criminalidade no Brasil. Armar a população não vai impedir o criminoso de ser criminoso, mas pode sim levá-lo a matar apenas porque a vítima tentou reagir, ainda mais que o criminoso está sempre mais preparado para atirar e não hesitará um seguindo se quer ao matar. Eu não tenho dúvida de que se o Estatuto do Desarmamento for revogado como querem um grupo de parlamentares, veremos os índices de assassinatos atingirem níveis inimagináveis. Eu já sou um homem de quase cinquenta anos e as chances de que venha ser assassinado por um assaltante não se modificam muito, mas temo muito por todos os jovens dessa geração e das próximas, pois a insegurança e o medo fará parte do dia a dia de todos, muito mais do já faz hoje. Para o bem de nossos jovens, espero que esse projeto não vá para frente, pois trata sim de uma grande loucura.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

EDUARDO CUNHA E O TITANIC

A situação de Eduardo Cunha piorou consideravelmente depois da confirmação de que as contas na Suíça são realmente dele, de que ele as movimentara até recentemente, de que há coincidência entre contratos fechados pela Petrobras e transferências para essas contas correntes na Suíça, de que ele omitiu o fato de possuir vários veículos no nome da esposa e de que seu patrimônio aumentou drasticamente nos últimos anos. Até então havia tão somente acusações contra si, mas agora existem as provas, provas essas irrefutáveis. E isso muda-lhe completamente a situação. Dado o que vem acontecendo com todos os acusados na operação Lava a Jato, não tenho a menor dúvida de que é bom ele ir se preparando para passar algum tempo atrás das grades. Embora tenha foro privilegiado e portanto só possa ser processado pelo STF, não creio que o presidente da Câmara dos Deputados conseguirá segurar seu mandato por muito tempo. A oposição, que se aliara a ele com a finalidade de promover o impeachment de Dilma, resolveu atirá-lo aos leões, abandonando-o como ratos ao primeiro sinal de que o navio está afundando. E mesmo que consiga num acordo escuso com o governo (pois agora só lhe resta isso) em troca da recusa dos pedidos de impeachment da presidenta Dilma, ele acabará perdendo o mandato quando for julgado pelo supremo. As investigações só estão no começo e ainda há muito o que vir à tona. Eduardo Cunha não foi só mais um beneficiado pelo esquema de corrupção na Petrobras. Embora seja do PMDB, é um dos cabeças desse esquema de desvio de recursos públicos e sua queda pode inclusive levar muita gente importante consigo como ocorreu com o Titanic. Ele é um homem vingativo e não cairá sozinho. Mas mesmo que isso aconteça, não há dúvida de que isso trará mais benefícios que danos ao país, embora mais uma vez a imagem do parlamento fique profundamente manchada. 

domingo, 20 de setembro de 2015

O CONGRESSO E O REBAIXAMENTO DA NOTA DO BRASIL

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil para especulativo pela agência de classificação de risco Standard & Poor's é um reflexo da situação política e econômica pela qual o país vem passando nos últimos meses. Aliás, mais por questões políticas do que econômicas, uma vez que não há aparentemente razão para a redução dessa nota, uma vez que o Brasil é um país capaz de honrar seus compromissos a médio e longo prazo. No entanto, é preciso reconhecer que, no âmbito político, a situação está complicadíssima e não há a curto prazo uma solução. Independentemente dos erros do governo, erros esses que culminaram com a crise atual, o Congresso Nacional tem um papel fundamental no agravamento dessa crise, pois parece fazer de tudo para criar problemas para o Executivo, que procura fazer o impossível para reequilibrar as contas públicas. Embora o Senado esteja mais alinhado com o Governo Federal, procurando muitas vezes apagar o incêndio provocado pela Câmara dos Deputados, ainda sim não deixa de criar entraves. Claro que o embate em Câmara dos Deputados e Governo Federal é fruto em parte da fragilidade do Governo Dilma e da falta de coordenação entre o Palácio do Planalto e os parlamentares. Mas não é só isso. O governo não tem uma maioria de fato, capaz de acompanhá-lo para o que der e vier. E isso faz com que boa parte dos deputados chantageie o Governo Federal a fim de obter algum ganho, já que a política nacional sempre foi na base do toma lá dá cá. E infelizmente nossos deputados preferem, antes de tudo, pensar em si mesmos do que nos seus eleitores ou no próprio país; aliás, o que muitos querem infelizmente é o “quanto pior melhor” . Por isso eles têm a sua parcela de culpa no rebaixamento da nota de crédito do Brasil, mesmo não sendo eles que tenham gerado essa crise. Além de não ajudarem a resolvê-la, procuraram, por outro lado, torná-la mais aguda. Agora não adianta dizer que o Congresso não tem nada a ver com essa história porque esse papo furado não cola. Eles têm culpa sim e muito!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

OS DIVERSOS SISTEMAS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS


Muita gente não sabe, mas, diferente do que acontece no mundo dos computadores, onde o Windows, sistema operacional da Microsoft, reina absoluto com o IOS, sistema operacional da Apple presente ms Macs, e o Linux correndo por fora, no mundo dos dispositivos móveis (celulares, tablets, relógios inteligentes e carros conectados entre outros) a situação é bem diferente. E embora o Android, desenvolvido pelo Google, seja o dominante, seu domínio não é tão grande quanto o Windows nos computadores e o número de concorrentes é bem maior. Claro que a maioria das pessoas – principalmente aqui no Brasil e na América Latina – pensa que só existem o Android com os mais variados dispositivos rodando o sistema do robozinho e o IOS da Apple com os seus Ipads e Iphones. Mas na verdade existem outros sistemas para esses tipos de dispositivos. A maioria deles é bem mais recente, lançados nos últimos meses, e por isso ainda praticamente desconhecido do público em geral. Aliás, além do Android e IOS, só o Windows Phone da Microsoft tem alguma popularidade e seja conhecido do público brasileiro. Até porque, excetuando-se o Firefox OS (presente em mais de uma dezena de aparelhos celulares e nas smarts Tvs da Panasonic), cujo desenvolvedor (fundação Mozilla) é o mesmo do navegador Firefox, os outros ainda não foram oficialmente lançados aqui no Brasil e na América Latina, embora possam ser legalmente importados. Além dos quatro sistemas já citados acima, somente o Sailfish OS da Jolla, uma empresa finlandesa fundada por ex-funcionários da Nokia após a venda para a Microsoft, já tem algum tempo no mercado com um celular e um tablet, o qual foi lançado há pouco mais de um mês. A Samsung, em parceria com a Intel e um grupo de outras empresas, vem desenvolvendo o Tizen. Essas empresas, principalmente a Samsung, está investindo pesado no Tizen com o objetivo de acabar com a dualidade Android e IOS. O Tizen está presente em dois modelos de celulares (Z1 e Z3 da Samsung), lançados recentemente na Índia e na África, nos relógios inteligentes da linha Gear, nas novas Smarts TVs da empresa Sul Coreana e nas câmeras fotográficas. A Samsung pretende, aos poucos, substituir o Android pelo Tizen nos seus aparelhos top de linha. E finalmente temos o Ubuntu Phone da Conical, a mesma empresa que está por trás do Ubuntu, a distribuição Linux mais conhecida, presente em vários notebooks e desktops. O Ubuntu Phone foi lançado há poucos meses e está presente em dois aparelhos (Aquarios E4.5, da espanhola BQ e MX4 da chinesa Meizu), vendidos principalmente na Europa e China. O que há em comum a todos os sistemas operacionais, exceto o Windows Phone e IOS, é o fato de todos serem derivados do Linux. Embora cada um dos sistemas tenha as suas particularidades, vantagens e desvantagens, o que pode agradar mais uns e outros menos, no fim das contas todos fazem praticamente as mesmas coisas. Não é objetivo desse artigo apresentar as características de cada um desses sistemas; aliás para saber um pouco mais cada um deles é só acessar este LINK A intenção do autor é tão somente mostrar ao leitor a existência de uma grande variedade de sistemas para dispositivos móveis, pois muita gente ainda não sabe disso. Aliás, se hoje essa informação pode até parecer irrelevante, o mesmo não será num futuro bem próximo, pois não há dúvida de que a guerra e a disputa por relevância entre os sistemas citados acima está para começar. Quem sobreviverá é difícil saber, mas não há a menor sombra de dúvida que, no fim das contas, quem sairá ganhando é o usuário, que terá cada vez mais recursos ao alcance da mão. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A EUROPA É CULPADA DISSO:

A invasão de imigrantes, fugindo das regiões em conflito no Oriente Médio e na África, que a Europa vem sofrendo é um exemplo claro de como o Ocidente fracassou em apoiar as revoltas da Primavera Árabe e no combate aos grupos extremistas que aterrorizam as populações por onde passam. Pois a maioria esmagadora desses refugiados, os quais arriscam a vida para fugir muito provavelmente da morte ou até mesmo da escravidão, vêm de algum país dessa região: ou é de países onde a tentativa de derrubar o governo não só criou um caos como também fez surgir uma guerra sangrenta entre os mais diversos grupos a fim de tomar o poder, o que fez aumentar a repressão por parte de quem se mantém no poder como na Síria por exemplo; ou é de países onde há forte atuação de grupos extremistas, como é o caso do Estado Islâmico, o qual aterroriza e escraviza as populações das regiões que caem em seu poder. É o que ocorre no Iraque e principalmente na Síria, provocando uma grave crise humanitária. Seja qual for o caso, a responsabilidade da Europa e de boa parte da comunidade internacional é muito grande, uma vez que são culpados direta ou indiretamente pelo caos nesses países. E de mais a mais nunca é bom lembrar que essas nações eram, até a Segunda Guerra Mundial, colônias europeias e as quais eram exploradas impiedosamente para manter a guerra imperialista do continente. Portanto, a Europa, mesmo meio século depois, continua tendo uma dúvida com a população desses países, já que a pobreza e situação presente é, senão de todo, pelo menos em parte, herança do passado de exploração à qual as gerações anteriores foram submetidos por vários séculos. Receber esses imigrantes que arriscam tudo e principalmente a própria vida para fugir do sofrimento e chegar a Europa, deixando para trás o país, a comunidade, o lar e tudo que conquistaram ao longo de uma vida inteira é mais do que uma obrigação. A Europa tem o dever de fazer tudo que for necessário para dar uma uma esperança e uma vida melhor a esses refugiados. E tentar negar-lhes isso, proibindo-os de entrar em seus territórios e tratando-os como animais, além de desumano é, sem sombra de dúvida, um crime contra a humanidade. Se os europeus não querem que eles deixem seus países de origem, então que se unam e ponham fim aos conflitos e às causas dessa fuga desesperada e o último fio de esperança que essas pessoas têm para não sucumbir à fome e à brutalidade inimaginável desses grupos extremistas, os quais nos trazem de volta em pleno o século XXI os horrores da Idade Média.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A SITUAÇÃO DE EDUARDO CUNHA ESTÁ SE COMPLICANDO

Ainda é muito cedo para dizer que Eduardo Cunha realmente recebeu os 5 milhões de dólares do “petrolão”, uma vez que a denúncia é recente e ainda não foi apresentada nenhuma prova. No entanto, ele já vem sendo acusado de ter enviado um e-mail para uma das empreiteiras, fazendo ameaças. Agora a ex-advogada de vários réus que fizeram delação premiada também o acusa indiretamente de ameaçá-la, o que a levou a abandonar a defesa dos réus e a profissão, temendo pelos seus familiares. Se não bastasse, o lobista e delator da Lava Jato Júlio Camargo repassou R$ 125.000,00 à igreja evangélica Assembleia de Deus em Campinas, igreja essa frequentando por nada menos que Eduardo Cunha. E para complicar ainda mais a sua situação, o doleiro Alberto Youssef o acusa de estar ameaçando seus familiares, na tentativa de intimidá-lo. Tudo até pode não passar de uma armação, mas a cada denúncia essa tese fica menos desacreditada. Ainda mais que a maioria dos usaram esse mesmo procedimento acabaram desmascarado. E a forma violenta com que reagiu as denúncias só se faz confirmar uma das frases dessa mesma denúncia, a de que ele é um homem agressivo. Quer agressividade maior do que a reação dele? Agora, amigo leitor, imagine um homem desse comandando o Brasil, caso Eduardo Cunha e o Congresso venha a caçar o mandato da Dilma embora isso seja pouco provável pois não há o menor sinal de envolvimento dela no “petrolão”. Se o país já está desse jeito, o quanto pior não poderia ficar? Bom, é melhor nem imaginar.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SEMENTES DO ESTADO ISLÂMICO


O tão temido “Estado Islâmico”, com sua violência, com seu desprezo pela vida, muitas vezes se assemelha aos bárbaros da antiguidade. Aliás, como não ver o tratamento dados por eles aos habitantes dos territórios que conquista e não se lembrar de Átila, o huno? Ou até mesmo Gengis Kahn? Talvez os mais terríveis homens da história. Mas Átila, Gengis Kahn e tantos outros fazem parte de um remoto tempo, de uma era onde a humanidade – senão toda, pelo menos a grande maioria dela -- ainda vivia mergulhada nas trevas da ignorância e do desprezo ao ser humano, pois a vida de um homem valia tanto quando a de qualquer outro animal. O “Estado Islâmico”, por outro lado, é fruto de uma era onde a vida é o bem mais precioso que se pode ter e onde qualquer ato de violência contra um semelhante causa indignação e revolta. Então, por que o surgimento de uma organização tão sanguinária e cruel, principalmente contra os inimigos? Seria uma volta à barbárie? Não, definitivamente não. De fato ele é fruto do fracasso daquilo que chamamos sociedade, uma vez que ela não é mais capaz de suprir os anseios de uma população materialista, individualista e ávida por bens materiais, onde a vida se tornou inclusive uma mercadoria. E na incapacidade de suprir uma necessidade cada vez maior de consumo, o homem se sente frustrado e sem perspectiva com relação ao futuro. E é aí que entra o “Estado Islâmico”. Eles prometem uma nova ordem social, um mundo menos materialista e, principalmente, uma eternidade gloriosa após a breve passagem pela vida terrena, coisa que a civilização ocidental não oferece mais, aliás como já afirmava Nietzsche em pleno século IXX, ao declarar que “Deus está morto” (A Gaia Ciência, aforismo 341). Enfim, o “Estado Islâmico” só precisou de um vasto terreno fértil, onde semeava o caos, para plantar suas sementes, as quais podem sem encontradas em abundância nos quatro cantos do mundo, principalmente no ocidente.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A DIVISÃO DO PAÍS E O ATUAL GOVERNO

    As últimas ondas de protestos ocorridas no início do mês mostram que o país continua dividido desde as últimas eleições. De um lado estão aqueles que votaram na atual presidente e os quais procuram defendê-la com unhas e dentes independentemente dela está fazendo um bom ou mal governo. De outro estão aqueles que não votaram nela e, em grande maioria, os que votaram no outro candidato, os quais acusam a presidenta Dilma e o PT por todos os problemas pelos quais o país está passando e por isso querem a todo custo tirá-la do poder, através de um golpe militar ou de um impeachment.
    Mas afinal, quem está com a razão? Ambos e nenhum dos lados. Primeiro, porque cada um defende o seu ponto de vista e seus interesses, que no caso é o oposto do ponto de vista e dos interesses da outra parte; segundo, porque cada lado tem um quê de razão em seus argumentos, embora esses argumentos sejam muitas vezes fruto da falta de razão e excesso de emoção. Se por um lado o governo é legítimo, não havendo (ainda) razão para um impeachment, por outro é preciso reconhecer que os inúmeros problemas que vêm afetando o Brasil é, em grande parte, responsabilidade do atual governo, o qual não fez o necessário para evitá-los. A crise de econômica, a falta de credibilidade do país e os altos índices de inflação poderiam ter sidos evitados se as medidas necessárias tivessem sido tomadas na dose certa e na hora certa, o que não ocorreu. Por outro lado, é preciso reconhecer que a corrupção não é culpa do atual governo. Por mais que alguém afirme o contrário, tem-se de admitir que a corrupção está enraizada na sociedade brasileira há mais de 100 anos. E o mais grave: não só nos órgãos da administração pública como em todo lugar, das grandes corporações às pequenas empresas, embora isso raramente apareça nos meios de comunicação.
    Nunca é bom lembrar que qualquer ato que resulta em vantagem é corrupção, por menor que seja. E uma grande maioria das pessoas que tem a oportunidade de levar algum tipo de vantagem não pensa duas vezes, sem se dar conta que o seu ato é tão grave quanto aquele cometido por um agente público. É claro que hoje temos a percepção de que a corrupção é muito maior do que no passado, até porque é assunto diário nos meios de comunicação. E elas têm razão. Mas não tanto pelo fato de a corrupção ter aumentado assim tão significativamente e sim porque hoje é muito mais fácil identificar uma movimentação financeira ilícita, um enriquecimento incompatível com as rendas daquela pessoa, etc. E o mais importante: hoje vivemos numa democracia onde a liberdade de imprensa dá todas as garantias aos jornalistas e a imprensa como um todo para investigar e denunciar qualquer irregularidade, coisa que não era possível há 25 anos. Isso, no entanto, não exime o PT pelos atuais escândalos envolvendo o partido, um partido que até chegar ao poder era pautado na defesa da ética, uma ética que ele jogou por terra.
    Apesar de tudo isso, exigir o impeachment da presidenta Dilma não se justifica. Aliás, nem há base jurídica para isso, pois mesmo que houvesse um envolvimento dela, isso ocorreu na administração passada. De mais a mais, isso só tende a agravar a instabilidade política, provocando uma crise econômica ainda maior que a atual e gerando um custo muito alto ao país, o que consequentemente penalizá todos nós, porque uma crise não afeta o “Brasil” e sim todos os brasileiros.
    Por isso, eu pergunto aos integrantes dos dois grupos: O que é mais importante? O seu voto, o seu candidato, o seu partido e suas convicções políticas ou o Brasil? Independentemente de quem tenha sido o meu e o seu candidato, temos de admitir: o atual governo não é fruto de um golpe militar ou de uma fraude eleitoral. E até que provem o contrário, foi eleito democraticamente pela maioria dos eleitores. Portanto, como cidadãos honestos e defensores das leis, devemos respeitar a vontade da maioria, gostemos ou não disso; mas não passivamente. Todos nós, sem exceção, devemos exigir que o governo, pertença ele a corrente que pertencer, governe para todos, fazendo o melhor para todos nós; que crie mecanismos e combata incansavelmente toda a forma de ato ilícito praticados por agentes públicos, punindo os culpados. Talvez o maior problema do Brasil seja justamente a impunidade e não  quem esteja no poder.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A REAÇÃO AOS ATAQUES TERRORISTAS NA FRANÇA

Os ataques terroristas em Paris que culminou com a morte de 13 pessoas mexeram profundamente com o orgulho dos franceses, um povo acostumado a levar a democracia às últimas consequências. As reações aos ataques vão desde a condenação veemente do extremismo islâmico, ao maior protesto que os franceses já viram em sua história, a uma edição com milhões de exemplares do jornal satírico Charlie Hebdo -- alvo principal do ataque e onde morreram o maior número de pessoas – e o envio de mais armamentos para o combate aos extremistas. Se o único objetivo desses extremistas era assassinar os editores e cartunistas do jornal a fim de vingar o profeta Maomé pelas charges, os terroristas conseguiram seu objetivo. Por outro lado, despertaram não só a ira ocidental como também a de grande parte da comunidade muçulmana moderada, a qual não compactua com a interpretação radical do islamismo e condena o assassinato religioso. E esse despertar custar-lhes-á muito caro, pois, pela primeira vez, se vê a maior parte do mundo disposta a varrer de uma vez por todas esses extremistas da face da terra. Embora o extremismo não seja exclusividade do islamismo, já que ele está presente tanto no judaísmo quanto o cristianismo que aliás no passado praticava os mesmos atos que condena hoje em dia. Grupos assim continuaram a existir, mesmo que uma grande coalização venha derrotar e enfraquecer a Al-Qaeda, os jihadistas do Estado Islâmico, o Boko Haran e outros grupos semelhantes. Mas se o ocidente quer realmente evitar que estes grupos se reorganizem ou que surjam outros tão radicais e perigosos quanto estes, deve antes de mais nada mudar sua estratégia. Esses grupos na realidade usam a religião como meio de sedução, mas o que eles querem mesmo é, de um lado, vingar-se das grandes colônias europeias por suas décadas de colonização e exploração, onde não fizeram nada para melhorar daquele povo; e, por outro, dos EUA pelo seu apoio incondicional à Israel, o qual vem colonizando e massacrando os palestinos da mesma forma que as grandes potências europeias fizeram nos séculos XIX e primeira metade do século XX, e principalmente pelas intervenções militares no Iraque, Afeganistão e mais recentemente na Líbia e na Síria. Os protestos em Paris no último domingo mostrou a união do ocidente e de alguns países árabes, mas a união e a retórica não vencem a guerra. É preciso mostrar que esses países estão dispostos a sacrificar muito mais do que o poderio bélico e tecnológico. Mas será que realmente estão dispostos?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O MOVIMENTO DE IMPEATCHMENT DA DILMA É GOLPISMO?

O movimento para pedir o impeachment da Presidente Dilma, promovido por uma parte daqueles que se sentiram derrotados nas urnas, é um ato ilegítimo por si só e não tem o menor fundamento. Aliás, prova disso é o fato de nenhum partido político ter se disposto a encabeçar esse movimento no Congresso Nacional. Nem mesmo o maior interessado, o PSDB de Aécio Neves, que justamente foi derrotado pela Dilma, deu aval ao movimento; pelo contrário, se pronunciou contra. As justificativas daqueles que promovem o movimento é a alegação de que Dilma sabia dos escândalos de corrupção e desvio de dinheiro que envolvem integrantes do Governo Federal e diretores da Petrobras. No entanto, suspeitas não são provas e enquanto essas provas não existirem não há do que acusar Dilma. Ela pode ser acusada de não ter cumprido as promessas da campanha de 2010; pode ser acusada de não ter conduzido o país de acordo com as expectativas dos brasileiros; e pode ser até acusada de não estar a altura do cargo ao qual ocupa e de não ter tomados as medidas necessárias para evitar a crise econômica pela qual o país vem passando nos últimos meses e a qual muito provavelmente se agravará em 2015. No entanto, isso não é uma justificativa legal para exigir que o parlamento brasileiro inicie um processo de cassação do seu mandato. Aliás, o fato dela ter acabado de ser reeleita para um novo mandato faz do movimento um ato golpista. Se o movimento tivesse ocorrido no primeiro semestre de 2014 ou mesmo antes ainda poderia ter alguma legitimidade, mas não no dia seguinte às eleições. Este talvez tenha sido o maior erro daqueles que iniciaram o movimento, pois não há como desassociá-lo de uma tentativa de reverter os resultados das urnas -- resultado esses contestados das formas mais absurda e muitas vezes homofóbica, preconceituosa e até racistas --, ainda mais que o movimento é promovido por um grupo muito restrito da sociedade brasileira. O Congresso está em final de legislatura e portanto não há legitimidade para inciar um processo de impeachment e o novo Congresso, que tomará posse em 2015, não o fará, a não ser que haja uma razão muito forte para isso, coisa que não existe até o momento e dificilmente haverá. Aliás, a alegação de que Collor foi caçado por muito menos não tem razão de ser. Collor não foi caçado porque tinha cometido algum crime, mas porque não tinha e nunca teve apoio no Congresso para se manter no poder. Enfim, exigir o impeachment da Presidente Dilma no momento é sim, gostem ou não, um ato oportunista e golpista.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A DESRAZÃO DOS DERRROTADOS

Embora muitos discordem, não há como negar que a eleição da presidenta Dilma foi legítima e democrática. Os ataques mútuos e a baixaria de ambos os lados não afetou em nada o processo eleitoral e o brasileiro não teve o seu direito de escolha cerceado, como muitas vezes acontece nos regimes autoritários. E o mais importante: não houve fraude, o que de fato teria tornado o processo ilegítimo.
    Uma parte considerável daqueles que apoiam Aécio Neves reagiram de forma irracional e, inconformados com a derrota, acusaram injustamente os nordestinos pela derrota do candidato do PSDB, quando, na realidade, Dilma venceu em outros estados, os quais não faziam parte do Nordeste, e teve votação expressiva no Sudeste. Ora, acusar a população dessa ou daquela região pela derrota de seu candidato não tem o menor cabimento. Esse é preço da democracia. Não vamos nem entrar no mérito do preconceito contra os nordestinos, pois isso não merece discussão.
    Outro argumento dos derrotados que não se justifica é a alegação de fraude devido à demora em sair os primeiros resultados, os quais, ao serem disponibilizados, já mostravam Dilma na frente. O processo eleitoral brasileiro é considerado um dos mais seguros do mundo e exemplo para muitos países. Apesar de não existir sistema imune à fraude, as urnas eletrônicas são seguras. Então não há porque questionar o processo. O falto dos resultados terem saído quando a totalização já estava no fim talvez seja a justificativa daqueles que alegam fraudes, mas não devemos esquecer que o envio de dados é feito diretamente pelos locais de votação e os quais são fiscalizados por representantes dos partidos em disputas. Isso, se não impede a manipulação dos votos, dificulta em muito, tornando praticamente impossível. Os dados não foram disponibilizados antes por causa do fuso horário, uma vez que no estado do Acre, a votação só foi encerrada por volta de 20:00 horas. Nos estados onde a eleição encerrara três horas antes, os votos já tinha sido totalizados, mas não poderiam ser divulgados para não influenciar aqueles que ainda não tinham votado. Aliás, foi a primeira vez que o segundo turno ocorreu após o início do horário de verão. Enfim. Mais um argumento sem o menor fundamento.
    E por último, alegar que o PT fez terror eleitoral e consequentemente influenciou muitos eleitores também não se justifica. De fato, a campanha da Presidenta Dilma jogou sujo contra Aécio Neves, mas o jogo sujo ocorreu dos dois lados. Aliás, isso não é caso típico da política brasileira. Nos EUA esse jogo sujo também ocorre, embora não de forma tão baixa como ocorreu no último pleito. Aliás, o próprio PT foi vítima desse jogo sujo em 1989, o qual de fato influenciou o resultado das urnas, mas essa influência não ocorreu no último pleito. Aliás, só idiota acreditaria que a reportagem da revista Veja contra a candidata Dilma não teve a intenção de influenciar o eleitor e ajudar a campanha de Aécio.
    Na falta de argumentos consistentes para questionar a eleição de Dilma, aqueles que ainda não se conformaram com a derrota, embora Aécio e o próprio PSDB já a aceitaram, vêm articulando movimentos na intenção de provocar o impeachment da presidenta eleita. Se fosse feito no último ano ainda se poderia dar alguma legitimidade ao movimento, mas agora não passa de um oportunismo barato e sem o menor fundamento. Dilma acabou de ser eleita e não há clima político e nem justificativa plausível para iniciar um processo de cassação. Até porque a legislatura do Congresso está no fim e o novo Congresso empossado não o fará, a não ser que surja um fato muito grave que justifique tal processo.

terça-feira, 25 de março de 2014

NOVA MARCHA DA FAMILIA: UM DESVARIO

Para comemorar os 50 anos do Golpe Militar que derrubou o ex-presidente João Goulart estão programadas uma série de passeatas com o objetivo de reviver a “Marcha da Família com Deus”, a qual foi o estopim para a tomada do poder pelos militares. Os organizadores do movimento querem, como em 64, que as forças armadas derrubem o atual governo e instaure uma ditadura militar. A alegação desses saudosistas é, de um lado, a de que a presidenta Dilma pretende, após as eleições, instaurar uma ditadura Comunista no Brasil e, de outro, que a corrupção está generalizada e só um governo militar pode findá-la. Há ainda uma outra parte desse movimento -- conservador e de orientação religiosa -- que prega o retorno dos preceitos morais e do bom costume. É inegável que se trata de um movimento promovido por saudosistas e dir-se-ia lunáticos, cuja visão da realidade é distorcida e deficiente. Qualquer pessoa em sã consciência não levaria essas pessoas a sério, mas num país onde a democracia e liberdade de expressão permite que qualquer um possa expressar suas ideias -- embora os integrantes desse movimento querem, por incrível que pareça, o fim dessa liberdade, liberdade essa que permite possam exercer seu direito de se manifestar, ou seja: querem cuspir no prato que comem -- esse tipo de coisa acontece. Quanto aos argumentos dessa gente, não têm fundamento. É de um desvario sem tamanho acreditar que Dilma ou qualquer outro postulante ao Palácio do Planalto queria instalar um governo comunista no Brasil. Já está mais do que provado que o comunismo é um sistema político utópico e se praticado insustentável, o qual só trás atraso econômico e autoritarismo, não por culpa do sistema, mas por causa do ser humano cujas razões não vêm ao caso. Quanto à corrupção, é preciso reconhecer que esta se encontra em todas as esferas da administração pública; entretanto, o problema não é esse ou aquele governo e sim do sistema. Hoje, tem-se uma maior percepção de que a corrupção aumentou vertiginosamente por dois motivos: o primeiro é que de fato ela pode ter aumentado; e o segundo -- o mais importante -- é fruto da liberdade, uma vez que a imprensa tem toda a liberdade de investigar e denunciar qualquer mal feito, diferentemente do que ocorreu durante o Regime Militar, onde os órgãos de repressão não só inibia a qualquer tentativa de investigação como agia com brutalidade para que as denúncias não viessem à tona. A história está repleta de exemplos que mostram que os regimes ditatoriais são bem mais corruptos que os democráticos. E por fim, há o argumento de que é preciso resgatar a moral e os bons costumes. Não há duvida de que se tratam de pessoas extremamente conservadoras e preconceituosas que se sentem desconfortáveis diante do homossexualismo e das liberdades individuais presentes nos dias atuais e veem isso como uma degeneração humana. Gostemos ou não, a humanidade vive uma nova realidade, talvez um período de transição e por isso essa sensação de impotência e aceitação de uma nova realidade, e não vai ser uma tentativa de volta ao passado que resolverá o problema; até porque o passado não volta.

domingo, 9 de março de 2014

OS TEMPOS SÃO OUTROS


Num passado não muito distante, a deposição do presidente da Ucrânia por uma revolta popular não teria, em primeiro lugar, chegado a acontecer, e se tivesse, a Rússia teria invadido imediatamente o país vizinho e sufocado a revolta -- como na antiga Checoslováquia em 1968 -- sem que a comunidade internacional pudesse fazer alguma coisa. Mas os tempos são outros. Não estamos mais no período da “Guerra Fria”; o mundo não se divide mais entre Estados Unidos de um lado e União Soviética do outro; Tanto os EUA quanto a Rússia, embora tenha armamentos para destruir o mundo uma dezena de vezes, não têm a mesma força política e aliados suficientes para impor a sua vontade assim tão facilmente; o mudo está mais globalizado e o poder econômico e financeiro global tem um peso maior sobre as decisões políticas de cada país. Portanto, por mais que a Rússia gostaria de sufocar a revolta popular na Ucrânia, não o fará; pois será isolada internacionalmente e consequentemente terá de pagar um preço muito alto, sendo que os benefícios e os seus interesses não compensarão. Além do mais, com o mundo globalizado, os mercados financeiros, que é de fato o fator relevante nas decisões políticas dos países, obrigariam o governo russo a recuar. É assim que a coisa funciona hoje. Vladimir Putin até pode sonhar uma Rússia forte e poderosa como era nos tempos da velha União Soviética, mas um Império, quando cai, não volta a se reerguer. A velha Rússia está morta e esta que sobrou é apenas uma sombra da outra. No fundo, eles sabem disso, os EUA também sabem e o resto do mundo também. Portanto, a Rússia vai pressionar os ucranianos, vai tentar obter o máximo de vantagens possíveis, talvez até uma autonomia maior para a Crimeia, o palco de toda essa disputa, com a finalidade de continuar controlando nesse que seja esse pequeno território, mas não vai além disso. Invadir a Ucrânia seria um suicídio político para Putin e ele é esperto demais para cometer uma burrice dessa.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A SAMSUNG E O TIZEN


Depois do lançamento do FirefoxOS e do Sailfish, cegou a vez do Tizen, sistema de dispositivos móveis desenvolvido pela Samsung em parceria com a Intel e várias outras do ramo de tecnologia. Para quem ainda não sabe, o Tizen é uma herança do Meego, sistema que chegou a ser desenvolvido pela Nokia em parceria com Intel mas que foi abandonado pela Nokia depois do acordo com a Microsoft. Acordo esse que, dizem as más línguas, foi o maior erro da empresa finlandesa, uma vez que o Meego era superior ao Windows Phone e tinha tudo para concorrer em pé de igualdade com o Android do Google e o IOS da Apple. Assim como o Android, o FirefoxOS e Sailfish o Tizen é baseado no Linux, mas com uma diferença: Dá mais poder ao HTML5 – linguagem usada pela internet – o que deve tornar os aplicativos mais velozes e menos pesados. Enfim, a Samsung resolveu entrar na parceria com a Intel e, após grandes mudanças nos rumos do sistema, rebatizou-o de Tizen. Com ele, a intenção da Samsung é diminuir a dependência do Android e com isso reduzir o altos custos com o pagamento de patentes tanto ao Google quanto às demais empresas como a Apple e a Microsoft, uma vez que o Android usa várias patentes dessas empresas. Apesar do sucesso da Samsung e do fato de ter se tornado a segunda maior fabricante de smartphones do mundo se dever ao Android, que ela soube como nenhuma outra empresa, ajustar ao gosto e às necessidades do usuário, ela parece disposta a tomar um novo rumo. Ainda é cedo para sabermos se o Tizen de fato terá condições de ser competitivo e de agradar ao público a ponto de levá-los a comprar aparelhos com o novo sistema. Mas tudo indica que o Tizen pode sim vir a ser um concorrente de peso, uma vez que vai equipar os aparelhos de ponta da empresa sul-coreana e muito provavelmente de outras empresas. Outro fator que pode favorecer o Tizen é o fato de equipar outros aparelhos eletrônicos como smarttvs, noteboks, tablets, câmeras fotográficas e veículos. Mas a Samsung sozinha não terá condições de levar o Tizen a desbancar o Android e o IOS. Aliás, o caso da Apple é único e muito dificilmente surgirá outra empresa que faça o mesmo. A Microsoft com o seu Windows Phone vem engatinhando há quase uma década e só agora, depois da aquisição da Nokia – empresa que já foi a maior fabricante de celulares do planeta --, que seu sistema operacional passou a ter alguma relevância no mercado de dispositivos móveis, ainda sim muito pequena. Apesar dos esforços da Microsoft, ainda assim os tablets com Windows não decolam. A Samsung por outro lado parece não estar disposta a cometer o mesmo erro e vai continuar a lançar aparelhos com o Android, mas a medida que o Tizen for crescendo, é bem possível que ela acabe dando preferência ao seu próprio rebento. Então, que venha mais um sistema e que os consumidores se encarreguem de dizer quem sobreviverá.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

VEM AÍ MAIS APAGÕES


Embora as causas do último apagão em várias regiões do Brasil ainda não tenha sido esclarecidos, não há dúvida que a onda de calor que assola o país contribuiu para o problema, uma vez que as redes de transmissão estão sobrecarregas e no limite. É bem possível que este apagão seja o primeiro de uma série que ocorrerão, caso não volte a chover rápido e as chuvas não sejam abundantes (é bom a gente começar a fazer a dança da chuva). Os reservatórios estão nos mais baixos níveis dos últimos anos quando, na verdade, deveriam estar cheios, pois estamos numa época de chuvas e onde os reservatórios normalmente estão em melhor situação. Pode ser que haja termoelétricas suficientes para suprir a demanda no período de estiagem, período esse que coincide com a Copa do Mundo de Futebol, o que deve aumentar ainda mais o consumo. Temo que o Brasil possa dar um vexame não em campo (e por que não? Futebol é uma caixinha de surpresas) mas com os apagões durante os jogos da copa. É obvio que o problema de energia se arrasta há décadas e culpar exclusivamente este ou aquele governo pelo problema não tem cabimento, mas é preciso reconhecer que se cada um dos governos tivesse feito a sua parte, isto não estaria acontecendo. E o governo Dilma é direta ou indiretamente o mais culpado. Não só por não ter feito os investimentos necessários, mas também por ter barateado a conta de luz, fazendo com que o preço baixo da energia elétrica levasse a população a gastar mais. Por outro lado, o incentivo ao consumo de eletrodomésticos com a redução de impostos, cujo objetivo era manter a economia aquecida e as baixas taxas de desemprego, objetivo esse que foi alcançado, agravou o problema uma vez que elevou bastante o consumo de energia sem que esse aumento fosse compensado com a entrada em funcionamento de novas usinas hidroelétricas. Agora, a saída será por em funcionamento o maior número possível de termoelétricas para suprir a demanda. Só que essas usinas têm um custo muito alto e consequentemente vai pesar no bolso do consumidor, direta, através da conta de luz; ou indiretamente, através de aumento de impostos ou da inflação – nesse caso, o aumento da inflação virá se o governo decidir bancar sozinho esse custo, o que vai aumentar ainda mais o rombo nas contas públicas e um desequilíbrio fiscal. E toda vez que há um desequilíbrio fiscal, há um aumento na inflação, uma disparada do dólar, uma desconfiança com o país o que reduz o investimento, etc, etc... Enfim. Não tem jeito! Se correr o bicho pega, se fixar o bicho come. Qual você prefere?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

OS “ROLEZINHOS” NOS SHOPPINGS CENTERS


Há um novo movimento social em ebulição nos grandes centros urbanos que, se espalhar pelo país, causará uma série de distúrbios e afetará milhares de cidadãos. Trata-se do “rolezinho”, promovidos por jovens – a maioria oriunda da periferia – nos shoppings centers, onde dezenas ou centenas de jovens se reúnem para promover tumultos, corre-corre e inclusive saques. O problema não é esses jovens irem ao shopping, pois eles têm o direito de frequentar um Shopping Center como qualquer cidadão, e sim fazer esses tais “rolezinhos”. Mas afinal, qual é o objetivo desses “rolezinhos”? A primeira vista, pode até parecer que esses jovens querem tão somente provocar badernas, tumulto e a chamar a atenção da sociedade. Mas se olharmos de forma mais profunda a questão, veremos que, assim como nos protestos que assolaram o país em meados de 2013, esses jovens querem na realidade chamar a atenção por uma série de reivindicações tais como: falta de áreas de lazer nas periferias, descaso com esses jovens nos períodos de férias, falta de atenção dos pais e familiares, entre outras coisas de menor importância. A questão do lazer para jovens, principalmente nos períodos de férias escolares, é um problema que vem se agravando nos últimos anos, uma vez que os grandes empreendimentos constroem áreas de lazer tão somente nos grandes condomínios, onde o acesso só é permitido pelos moradores do próprio condomínio e portanto por pessoas de melhor poder aquisitivo, excluindo justamente aqueles que mais precisam de lazer durante o recesso escolar. Se não bastasse isso, o avanço dos grandes empreendimentos imobiliários na periferia restringe ainda mais as opções dos jovens dessas periferias, o quais se sentem excluídos. Esse é provavelmente o motivo mais relevante, mas não é o único. No período de férias, esses jovens ficam ociosos e muitas vezes presos em casa, o que gera ansiedade e acumulo de energia, a qual é preciso ser extravasada de alguma forma. Esses “rolezinhos” é uma fora de extravasar essa energia, já que não há outro meio de extravasá-las. E por fim, muitos jovens, ao passarem o dia todo em casa, não recebem a atenção dos pais, sendo praticamente ignorados por eles. Isso gera uma frustração que, para chamar a atenção de seus genitores, acabam cometendo esses atos. De forma que a responsabilidade não pode ser creditada tão somente ao poder público. A solução para o problema envolve tanto os órgãos públicos, quanto os empreendimentos imobiliários e os próprios familiares desses jovens. A questão é: como convencer todas as partes envolvidas a sentar à mesa para discutir uma solução conjunta para o problema.