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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 62

-- Agora ela não vai se apagar tão cedo – disse com seus lábios sorridentes, quando me apanhou.
Ignorei-a e continuei em frente. Ela passou alegre por mim, virou e parou na minha frente. Com olhos perscrutadores e um sorriso desavergonhado, acrescentou:
-- Finalmente as sós, sem ninguém para atrapalhar.
No meu peito, as palpitações intensificaram. Experimentei um medo inquietante. Sabia que dessa vez não haveria escapatória. Desculpas não funcionariam. Correr e fugir só complicaria as cosias e só adiaria o inevitável. Teria de enfrentar aquilo e reviver os fantasmas do passado, por mais assombrosos que fossem. De forma que não fugi. 
Se por um lado ela me manipulava e me forçava a fazer coisas que não queria, como Fabrício também fizera, por outro ela estava me dando a oportunidade de me colocar no lugar dele e assim experimentar as sensações que ele experimentara. E ainda mais: poderia descobrir o porque que ele gostava tanto de me possuir. 
Ainda me recordo de como ele confessara em uma das oportunidades, pouco antes de gozar em mim, que o meu cu era mais apertado e mais gostoso que uma boceta. Eu nunca pude compreender por que um homem podia preferir outro a uma mulher. Deus fizera o homem e a mulher para se unir e ter filhos. Era assim a natureza e a vontade Dele. Mas um homem com um outro homem? Tratava-se duma aberração, dum pecado sem tamanho. Eu sabia que meu primo era um garoto, embora mais velho do que eu, e que também já tinha se deitado com uma mulher; portanto sabia que deveria ser assim: um homem e uma mulher. Não dois homens. É por isso que eu não entendia como ele poderia fazer aquilo comigo. Eu não era mulher. Era seu primo. Tinha ido a sua casa para fazer-lhe companhia enquanto seus pais viajavam. Por que ele foi fazer aquilo comigo? Eu era um garoto bobo, inocente e muito ingênuo, mas era um garoto como qualquer outro. Por que ele quis fazer de conta que eu era mulher? Por que ele queria fazer aquilo o tempo inteiro? Por que me ameaçava e me coagia daquele jeito toda vez que eu recusava? Por que me agarrava a força quando eu dizia que não queria? Será que ele não via o quanto eu me sentia humilhado, sujo, pecaminoso ao ser usando daquela forma? Ele não se comovia com minhas lágrimas? Só sabia dizer: Para de chorar como uma mulherzinha, seu viadinho, sua menininha com pinto!
Essas perguntas ainda ecoam na minha memória até hoje, amigo leitor. Nunca fui capaz de me livrar totalmente delas. Ainda as carrego como um fardo, embora hoje a vergonha e o medo da danação eterna não me afligem mais. Aliás, o motivo por eu me sentir tão humilhado e ultrajado após Fabrício sair de mim não era só o fato de ter sido usado como uma mulher, mas o temor de um castigo eterno e a vergonha de meus pais. Acreditava que seria castigado eternamente por aquilo tanto quanto temia a humilhação e a vergonha, caso meus pais viessem a saber. Imaginava-os me castigando severamente e até me expulsando de casa por tê-los envergonhado. Eu me sentia mais culpado que o meu próprio primo, o qual não parecia sentir o menor remorso. Aquilo se parecia quase natural. Aliás, a culpa e o medo era a razão pela qual eu cedia tão fácil às ameaças dele. Se para ocultar aquele ato vergonhoso eu tinha de me sujeitar mais uma vez, que assim fosse. E foram muitas e muitas vezes.
Embora Luciana quisesse que eu fizesse o que meu primo fizera, não via muita diferença na minha culpa. Deus me castigaria da mesma forma. Éramos homem e mulher, mas o que ela queria fazer era contra os ensinamentos de Deus. Onde ela queria meu pinto era um lugar imundo, feito para defecar e não para ser penetrado e receber a semente da vida. “Por que ela quer fazer isso? Ia dar certo os dois. Fabrício. Ele nela por trás, na bunda dela. Outras pessoas também gostam. Mas por quê?”, lembro-me de pensar. Se por um lado, em casa a sexualidade não fosse um tema discutido na minha frente, por outro, a curiosidade me levava a manter os ouvidos atentos não só no lar como entre os colegas de escola, principalmente aqueles das séries mais adiantadas. Súbito, conclui que era porque elas eram atentadas pelo diabo. Era ele quem induzia as pessoas a fazer isso para terem sua alma perdida. “Ele atenta elas pra roubar sua alma.”, foi minha conclusão. E me lembro de acrescentar quando Luciana abraçou e disse que queria um beijo: “Ela também tá possuída. Ele tá obrigando ela a fazer essas coisas. Por isso ela age assim. Por isso ela é tão má. Me atormenta também. O diabo. Ele quer usar ela pra roubar minha alma também”.
Beijei-a.
Ela premeu seu corpo no meu e roçou os quadris nos meus. Sabia que não podia lutar contra a natureza. Contra minha vontade, os instintos aflorariam e eu não poderia fazer nada. Assim, não tentei conter o excitamento, o qual foi rápido.
-- Assim que eu gosto – lembro-me de ouvi-la dizer, quando, tomando pelo desejo, agarrei-lhe um dos seios e chupei o outro.
Súbito, ela se desvincilhou, sentou-se na areia, deitou de barriga para cima e me chamou com uma voz meiga e submissa. Meus olhos escorreram por ela ali -- ela jazia aos meus pés -- e tive por um breve momento a percepção de fragilidade nela. Ela era uma mulher dominadora e manipuladora, mas ali parecia capaz de qualquer coisa para em ter.
Ah, se eu soubesse manipular o seu igual como alguns fazem! Teria mudado não só o futuro dela como também o da maioria de nós. Mas eu não soube o que fazer com aquele momento de vulnerabilidade e fraqueza dela. Minha ingenuidade impediu-me barganhar, de tirar algum proveito daquela situação, como ela magistralmente fazia comigo. Por isso eu tenho de reconhecer que as pessoas manipuladoras já nascem com esse dom. Elas não deixam jamais uma oportunidade passar. E a todo momento veem como tirar benefício de uma situação.
Agachei ao seu lado e deitei sobre ela. Após algumas carícias, penetrei-a, pensando que ela esquecera aquela história de “dar o cu”. E para evitar que ela relembrasse, ora beijava-a entusiasmadamente, ora lhe apertava os seios e os chupava de forma a provocar-lhe intenso prazer, o qual poderia levá-la ao gozo.
Mas não funcionou. De repente, ela me empurrou para o lado e disse:
-- Agora quero que você faça por trás. -- Virou de bruços e abanou a areia das nádegas brancas. -- Quero experimentar. Você vai enfiar no meu cu.
-- Mas vai doer, vai te machucar – falei, lembrando de como algumas vezes de fato foi dolorido e de como Fabrício realmente chegou a me machucar, principalmente quando, já deitados, prontos para dormir, ele vinha até mim, tirava a minha cueca e molhando insuficientemente o seu falo com a própria saliva, penetrava-me sem qualquer outro tipo de lubrificação, enquanto eu permanecia sob ele, calado, passivo, como que paralisado ou completamente imobilizado, apenas aguardando que ele terminasse o mais breve possível.
-- Como você sabe que dói e machuca?
Fiquei sem palavras, num embaraço sem precedentes. Era como se ela tivesse descoberto o meu segredo, um segredo que eu não revelaria por nada desse mundo. Preferia encarar a morte do que sofrer tamanha humilhação. Por isso, desconversei:
-- Não, eu não sei. Eu acho.
-- Não, não vai doer e nem me machucar. Na minha classe tem um garoto, o Sandrinho, que é gay. É meu melhor amigo. E ele já transou com alguns homens. Disse que não dói e é muito gosto. É só você enfiar bem devagarzinho, com jeito. E se doer, você para – explicou.
Tive alguma dificuldade em penetrá-la, pois meu falo ainda imaturo era muito fino e não tinha a resistência de um rapaz ou de um homem mais velho. E quando a penetrei as sensações a as lembranças do passado confundiram-se de tal forma que eu não sabia o que era novo ou experiência vivida. Ao mesmo tempo que descobria um mundo de sensações, sensações experimentadas tão somente pelo meu primo quando me penetrava, velhas sensações também vinham à tona. E embora fosse Luciana a experimentá-las (aliás com um certo receio no início, mas depois intensamente) eu não podia deixar de senti-las presente. Cada movimento do meu falo remetia-me aos movimentos do falo de meu primo em mim, confundindo as sensações. E então eu me punha no lugar dela. Talvez até seja um exagero, mas era como se não fosse o meu falo a penetrar ânus de Luciana, mas um outro falo a penetrar o meu. Havia momentos em que a sensação de algo a se mover entre minhas nádegas era tão real que o meu ânus se contraia.
Talvez se meu primo não tivesse me tratado com tanta indiferença e me possuído como se eu fosse um objeto que se usa e depois descarta; pois, ao atingir seu objetivo, abandonava-me de tal forma como se eu simplesmente desaparecesse como num devaneio ou como se eu fosse um brinquedo que se abandona depois de não o querer mais, o meu destino e minhas escolhas teriam sido outras. Afirmar que eu teria me tornado um gay não passa de especulação, mas, ao longo de todos esses anos, tal questionamento foi feito por incontáveis vezes, principalmente quando eu deparava com um homossexual da minha idade. E se em todas as vezes que ele me possuiu tivesse sido carinhoso, demonstrando algum tipo de consideração e feito daquele ato um ato de amor? Afinal, ele me possuiu mais de uma dezena de vezes e só em três dessas oportunidades demonstrou algum carinho. Se é que posso chamar aquilo de carinho. 
A primeira delas foi na segunda vez em que transamos. Tínhamos acabado de deitar, depois de ficar brincando até tarde. Súbito, ele saltou de sua cama para a minha, abraçou-me, e chamou-me para “namorar” (foi a única vez em que usou essa palavra. Assim como eu, também ele usava somente uma cueca, pois fazia um calor terrível naqueles dias; mas mesmo assim pude senti-lo excitado, pois não fez questão de ocultar isso. Ele me acariciou as penas, as nádegas e arrastou-se para cima de mim. De frente um para o outro, nossos olhos se cruzaram. Ele deu um sorriso estanho (hoje eu sei que era voluptuoso e com segundas intenções) enquanto o meu escapou timidamente, cheio de vergonha. Ele me beijou. Sem saber como agir, correspondi ao seu beijo. Aliás, usou isso com uma estratégia, pois enquanto nos beijávamos, sua mão encontrou a minha cueca e a puxou para baixo, até os joelhos. Seus lábios abandonaram os meus e deslizaram pelos meu pescoço e sua língua encontrou minha orelha. Súbito, ele ergueu a cabeça, olhou-me novamente nos olhos e seus lábios famintos, cheios de volúpia, buscaram os meus. Uma de seus braços enlaçava-me o pescoço e eu o abraçava-lhe o dorso com os dois como se fossemos um casal. Enquanto sua língua procurava a minha, senti-o erguer os quadris e empurrar a sua peça de roupa pernas abaixo. Quando seus quadris abaixaram, senti seu falo teso e úmido tocarem-me os testículos e deslizar para baixo, a procura do ânus. Tentou me penetrar assim, nervoso e desajeitadamente, mas não obteve sucesso, nem mesmo comigo facilitando as coisas, ao afastar um pouco as pernas, pois não me ocorreu que ele fosse realmente me penetrar. Pediu-me para virar e não houve mais carícias. Apenas seus braços me envolveram fortemente; na verdade, para se firmar enquanto a parte inferior de seu corpo premiam minhas nádegas, no meio das quais eu sentira o ir e vir de seu falo impaciente.
A segunda vez foi no dia seguinte, à tarde, no banheiro. Embora eu procurasse me esquivar, ele não perdia a oportunidade de agarrar-me por trás. Isso o excitou em dado momento. Lembro-me de ouvi-lo proferir: “Tô num tesão danado. Olha como o meu pau tá duro. Pega nele para você ver”. Incapaz de recusar, segurei-o com dois dedos. Estava. Antes que eu tirasse a mão, segurou os meus dedos e mexeu-os para frente e para trás, gemendo. Entreolhamo-nos e antes que eu pensasse em escapar, seus lábios avançaram sobre os meus. Foi apenas um beijo, embora não tenha sido breve como os primeiros. Então ele me disse para virar. Ainda me lembro de como ele acrescentou em tom jocoso: “Vou te dar um pouco do meu leitinho”. Virei, apoiei as mãos na parede e ele teve o seu gozo. 
A terceira vez que me fez algum carinho, foi dois dias depois. Nazaré, tinha ido ao correio e ao mercado. Era um final de tarde. Estávamos sentados frente a frente no chão da sala jogando pega varetas. De repente, sua mão escorregou por uma das minhas coxas. Surpreso, olhei para ele. Ele sorriu e me atirou um beijo. Envergonhado, abaixei a cabeça, como se o ignorasse. Ele se aninhou do meu lado e beijou-me várias vezes na nuca e no rosto, deslizando seus dedos pelas minhas coxas, a fim de me excitar. De repente, seu rosto surgiu na minha frente e sua boca procurou a minha. Embora fossemos homens, ele gostava de me beijar como se eu fosse uma garota. Enquanto beijávamos, suas mãos continuavam a escorregar para lá e para cá nas minhas coxas e minhas nádegas. Foi uma das raras vezes em que fiquei muito excitado, a ponto de superar a timidez, o medo do castigo divino, e desejá-lo. Talvez porque também foi a única vez em que disse que meu corpo era bonito e minhas coxas excitavam-no e minhas nádegas eram macias e gostosas. Chegamos a ficar nus ali, mas por precaução, convidou-me para seu quarto, onde dormíamos e para o qual fui de bom grado. Diferentemente do que costumava fazer, não deitei de bruços. Havia gostado das carícias na sala e queria mais. Ele não me pediu para virar. Deitou sobre mim e continuamos a nos acariciar entre o beijo e outro. Aliás, cheguei a acariciar-lhe o falo por alguns instantes, imitando-o, já que ele havia pego o meu e também o acariciava. Ele por sua vez abandou o meu falo e voltou para as coxas e as nádegas, acariciando-as a maior parte do tempo, chegando inclusive a procurar-me o ânus e introduzir-lhe um dedo. Isso me levou a abrir-lhe as pernas para que me penetrasse. Seu falo chegou a entrar, mas não o suficiente. A posição atrapalhava. Por isso ele mandou eu dobrar as pernas e segurá-las na região dos joelhos. Penetrou-me mais profundamente do que havia conseguido até então. Talvez por estarmos de frente um para o outro, voltou a me beijar. Pouco depois porém, ele teve o seu deleite, saiu de mim, vestiu a cueca e de forma dura, como muitas vezes fazem os homens rústicos com as prostitutas, ordenou: “Anda! Levanta, seu bichinha! Antes que a porra escorre do teu cu e suja a minha cama”.  
Não há dúvida de que isso contribuiu para que minhas lembranças daqueles momentos fossem as mais desagradáveis possíveis. Se tivesse sido diferente, talvez eu não teria me recusado a passar as próximas férias em sua casa, apesar do convite de meus tios e da insistência de meus pais. Pois eu sabia que se fosse, Fabrício, agora seis meses mais velho e com 14 anos estaria provavelmente mais insaciável, dominar-me-ia ainda com mais facilidade e descarregaria em mim suas taras.
Luciana não era vítima da timidez, não estava limitada por ela e nem era escrava de seus temores. Por isso não se manteve passiva como eu. Não ficou apenas esperando, esperando que aquilo terminasse, como eu fiquei tantas vezes. Ela queria sentir prazer e o procurou, exigindo de mim que lhe desse. Em dado momento, pediu-me para enfiar a mão por baixo dela, ir até o meio das pernas, introduzir o dedo na “xana” e mexer ele para frente e para trás. Fez questão de mostrar aonde e como o dedo deveria passar, já que para mim não fazia a menor diferença passá-lo num lugar ou noutra, uma vez que jamais ouvira falar do clitóris.
O gozo dela acabou levando ao meu. E quando este aconteceu, o passado ficou de lado e não me assombrou mais, pelo menos naquele momento. Então pode experimentar todo o deleite que meu primo experimentara todas as vezes que me possuíra.
Não sei se foi a imaturidade ou a inexperiência a razão pela qual não consegui ver muita diferença entre possuí-la de uma forma ou de outra. Claro que havia diferença. Das outras vezes, eu a possuíra de frente, ora olhando-a nos olhos, ora fitando as expressões de seu rosto, ora contemplando os seus seios, ora beijando seus lábios, ora lhe chupando os mamilos já que isso me dava prazer. Dessa vez, porém, isso não foi possível. Havia o prazer de vê-la de costas, sem seus braços a enlaçar, sem seus olhos a me observar, o que me dava a sensação de poder sobre dela, um poder que eu jamais experimentara. Talvez o prazer maior estivesse nisso, pois eu estava no controle, comandando os movimentos. Contudo, havia uma outra fonte de prazer, a qual contribui até mais para que aquele ato tenha sido diferente: as nádegas. Aliás, era por causa das minhas nádegas que meu primo tanto gostava de me possuir. Ele chegou a confessar isso mais de uma vez. E ali, sobre Luciana, sentindo os meus quadris socarem aquelas nádegas brancas e macias, experimentei um prazer que ainda não havia experimentado, um prazer intenso, que num primeiro momento não associei ao coito anal, e sim a sensação de poder que aquela posição me dava. 
Ainda sobre ela e agora sem o domínio dos instintos, ao refletir e tentar entender as razões de meu primo, conclui que precisava experimentar de novo. Precisava tirar a prova e quiçá livrar de meus fantasmas, os quais começavam a se desfazerem. E se não fosse com Luciana, seria com minha prima.
Diferentemente de Fabrício, não me levantei e abandonei Luciana a própria sorte, deixando-a com aquela terrível sensação de abandono. Permaneci-lhe sobre algum tempo, talvez porque estivesse tão acostumado a obedecer ordens que tenha ficado esperando que ela me mandasse sair, o que de fato aconteceu algum tempo depois.
-- Chega, vai! Tira isso aí do meu cu. Já tá me incomodando – disse ela.
Rolei para o lado e fiquei estirado na areia, olhado para o céu, no qual formavam-se algumas nuvens escuras, apesar de nada indicar que fosse chover.
O silêncio nos envolveu e por algum tempo ficamos pensativos. 
-- Você gostou? -- perguntou ela.
-- Eu? -- exclamei, surpreso.
-- É. Gostou de foder o meu cu? -- fez questão de explicar.
-- Gostei.
-- Eu também. No começo, achei estranho. Mas quando você enfiou o dedo na minha xana e ficou mexendo, foi ficando bom. É diferente! Parece que dá mais prazer. Não sei direito. Depois vamos fazer de novo. -- Virou-se de frente para mim, aninhou em meus braços e apoiou a cabeça nos meus peitos. Parecia tão feliz e apaixonada. -- Quero ver se vou sentir isso de novo. Você faz comigo de novo amanhã?
Poderia ter dito que não, mas diferentemente do que sentira até então, estava em paz e não havia aquela sensação de culpa que toda vez me invadia após o ato sexual. Havia uma transformação em curso dentro de mim. Era como se realmente os fantasmas do passado começassem a desaparecer. Por isso respondi:
-- Se você quiser, eu faço.
Ela me beijou carinhosamente e numa das raras oportunidades, disse:
-- Te amo, sabia!
Não respondi. Não queria mentir.
Fez-se um novo silêncio. Sua mão acariciava-me a face e a minha deslizava por suas costas, indo até as nádegas e voltando até a altura do pescoço.
Ficamos assim por algum tempo.
Mas não podíamos ficar para sempre. Não tardaria a anoitecer e eu precisava garantir o jantar, caso as meninas não encontrasse nada para comermos.
-- Precisamos pescar – falei.
Ela me deu um beijo, se levantou e disse com naturalidade, com uma naturalidade que só as putas mais experientes são capazes de ter.
-- E eu preciso cagar tua porra! Ela já está começando a escorrer pela minha bunda. -- disse ela com naturalidade, como se falasse de algo trivial. Aliás, isso me fez ficar com uma sensação de nojo, pois ela usara praticamente as mesmas palavras de meu primo que, após sair de cima de mim, costumava dizer: “Vai no banheiro, senta no vaso e faz força pra tu cagar a minha porra que eu gozei no teu cu senão ela via ficar escorrendo depois”. Embora só tenha dito isso nas primeiras vezes, depois eu já sabia o que tinha fazer, apesar de não ter feito por duas ou três vezes. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 61

Em disparada, retornei à cababa, na esperança de encontrar algum sinal de fogo para que pudesse reacender a fogueira. Por isso não me preocupei com a minha nudez e menos ainda com a reação da Marcela quando a visse. Sabia que ela não deixaria de fitar-me, principalmente o sexo que, por suas peculiaridades, era uma fonte inesgotável de curiosidade do sexo oposto.
Cheguei e ajoelhei diante do fogo morto. Não havia o menor sinal de chamuscamento. Mexi nos gravetos e soprei a ponta queimada de cada um, na esperança de surgir uma fagulha vermelha, mas não encontrei o que procurava. “Ela apagou mesmo!”, conclui.
-- Quando chegamos, ela já estava apagada – disse Marcela. Só então lembrei-me de sua presença. Ela jazia sentada numa das “camas”, atrás de mim. No entanto, levantou-se e aproximou-se. -- Você acha que consegue acender ela de novo?
-- Vou tentar. A gente não pode ficar sem ela. Como é que a gente vai assar os peixes?
-- É mesmo! Nem me lembrava disso – disse ela, parando na minha frente e fitando-me com certa curiosidade, embora não olhasse diretamente para o púbis. -- Cadê as meninas?
Levantei a cabeça e fitei-a. Por um momento, meus pensamentos esqueceram a fogueira e concentraram-se nela. Não pude evitar a vontade de me levantar e tomá-la nos braços. Ainda mais agora que estávamos ambos nus. E caso a abraçasse, certamente nossos sexos se tocariam, eu ficaria excitado e muito provavelmente isso a assustaria. “Não. É melhor num ficar pensando nessas coisas. Ele vai crescer. Ficar duro. Vai sim! Luciana vai chegar. Vai ver. Vai saber que eu estava pensando na Marcela. Em fazer aquelas coisas com ela”, pensei.
-- Ficaram para trás. Eu vim correndo.
Marcela agachou-se na minha frente, apanhou um graveto e docilmente perguntou:
-- Quer que eu te ajudo a acender?
-- Quero – respondi. -- Vou ter que fazer que nem da outra vez: esfregar um pau no outro até pegar fogo. A gente vai ter que apanhar um pouco de folhas e capim, porque eles pegam fogo mais rápido – expliquei.
-- Vou buscar pra você – disse ela, levantando-se.
Novamente tive de resistir ao impulso de estender a mão e pedir para que não se levantasse e viesse aninhar em meus braços, mas temi pela chegada de Luciana e Ana Paula. Elas poderiam chegar de repente. Não deveriam estar longe. Aliás, se não fosse o tornozelo da Luciana, que ainda não havia melhorado de todo e o qual a impedia de correr, elas já teriam chegado. Isso contudo não me impediu de, enquanto Marcela se afastava, levantar a cabeça e olhá-la no traseiro enquanto deixava a cabana. Súbito pensei: “É mais bonito que o da Luciana. Mais redondo, mais cheio ele é. Que nem as pernas dela. Mais grossas. Se não fosse elas, se elas num tivesse vindo...” 
Quando olhei para fora, vi ambas aproximando-se. Caminhavam uma ao lado da outra, contudo, em silêncio como duas estranhas. Ana Paula aproximava-se de cabeça baixa, como se olhasse onde punha o pé; Luciana por outro lado olhava para frente, de forma altiva, senhora de si. A falta de afabilidade entre elas era evidente.
Encontraram com Marcela do lado de fora da cabana. Pararam e ouvi Luciana perguntar:
-- Ele conseguiu acender?
-- Não. Já estava toda apagada – respondeu Marcela. -- Tô indo buscar um pouco de capim seco para ver se ele consegue acender ela novamente. 
-- Vou com você – disse Ana Paula.
Luciana entrou logo em seguida. 
-- Se a gente não tivesse que usar essa fogueira para assar os peixes, a gente não precisava mais dela -- foi logo dizendo. -- Se nesses quase trinta dias, não chamou a atenção de ninguém que poderia estar nas proximidades dessa ilha não vai chamar mais. Mas eu não vou comer peixe cru. Não sou japonês. E só temos ela para assar eles. Então, é bom que você consiga acender ela – proferiu, como se desse uma ordem.
-- Vou conseguir sim. É só fazer que nem eu fiz da primeira vez. Deu certo. Então vai dar de novo. Só vai demorar. Mas agora vai ser mais fácil. Tenho o machado e sei como fazer – falei. Selecionando um graveto mais grosso e resistente. Em seguida, peguei um pedaço de um galho, tirei uma lasca nele com o machado, para deixá-lo plano, e fiz uma pequena fenda. Por último fiz uma ponta no graveto. -- Pronto! Agora é só ir esfregando esse graveto assim – fiz para ela ver. -- Vai começar a soltar um pozinho. É da madeira. É ele que vai pegar fogo. Antes, ele vai começar a sair fumaça. Vai demorar um pouco, mas deve funcionar.
-- Depois quero ir de novo pescar contigo – disse.
-- Mas você não sabe pescar. Já tentou duas vezes e não conseguiu pegá nada. Se você for, vai é acabar me atrapalhando. Não sabe ficar quieta – falei, enquanto esfregava o graveto na fenda para lá e para cá.
-- Mas quero ir assim mesmo. Prometo que não vou te atrapalhar – insistiu, agachando do meu lado e pondo uma das mãos sobre minha coxa. -- Só quero ficar lá, vendo você pescar.
-- E me vigiando... -- acrescentei. -- Sei muito bem o que você quer.
Nosso ela escorregou a mão até o meio de minhas pernas e pegou em meu falo.
-- Tenho que tomar conta do que é meu. Ainda mais com ele solto assim -- e deixou escapar um sorriso malicioso. -- Aposto como aquela vadia já estava de olho nele. Doida pra abrir as pernas pra você enfiar ele nela.
-- Sai daqui! Não me atrapalhe – pedi. -- Preciso de concentração e não posso parar, senão não dá certo. 
Ela obedeceu, ainda mais que as outras duas se aproximavam, conversando alegremente.
-- Será que isso aqui dá – perguntou Marcela, mostrando-me o maço de capim e dois punhados de folhas.
-- Acho que sim – respondi. -- Só amassa elas bem que fica mais fácil para elas pegar fogo – acrescentei.
Marcela agachou-se de frente para mim e ficou olhando para minhas mãos ocupadas e impacientes. Embora não segurasse o graveto onde ele estava em contato com a base, podia senti-lo quente. “É bom isso acender logo! Minha mão já tá doendo. Num vou aguentar esfregar isso por muito mais tempo”, pensei.
Minutos depois, surgiram os primeiros sinais de fumaça.
-- Encosta eles aqui do lado – pedi a Marcela, que estava com um punhado de arbustos numa das mãos. -- Já já vai pegar fogo.
De fato não demorou a chamuscar. Marcela pôs um punhadinho de folhas amassadas e soprei, levemente. As chamas surgiram. Em seguida ela colocou mais um punhado de folhas e um maço de arbustos. As chamas ficaram maiores. Nisso, empurrei tudo para baixo da fogueira, onde jaziam os gravetos e galhos maiores.
Quando esta acendeu, as meninas bateram palmas. Via-se a mesma alegria que elas esboçaram quando a acendi pela primeira vez, há mais de vinte dias.
-- Da próxima vez que vocês deixarem ela apagar, vocês vão acender ela – falei.
-- É só a gente usar lenha mais grossa que ela não se apaga assim tão fácil – disse Marcela. -- Ai a gente não precisa ficar se preocupando tanto com ela.
-- É, mas aonde a gente vai arrumar lenha mais grossa? -- perguntou Ana Paula. -- A gente já custa achar esses galhos aí -- apontou para alguns galhos recolhidos no dia anterior.
Realmente, toda vez que íamos apanhar lenha para a fogueira, apanhávamos os galhos que conseguíamos quebrar com as mãos. Até porque até quatro o cinco dias atrás não tínhamos com o que cortar uma árvore. E embora essa realidade tenha mudado, a tarefa de encontrar lenha para a fogueira continuava sendo das meninas e elas não sabiam manipular aquela ferramenta. 
-- É só cortar as árvores – disse Luciana.
-- É mesmo! Você fez não aquilo ali – Marcela apontou para o machado esquecido no fundo da cabana. -- Se ele cortou esses paus da cabana, pode cortar lenha para a fogueira.
-- Só que pra fogueira, a gente precisa de madeira seca – falei. -- E eu não vi nenhuma árvore seca ainda.
-- Lá em cima tem uma árvore seca – lembrou Luciana – Aquela que o raio partiu ao meio.
-- É verdade – falei, recordando daquela terrível expedição, a qual eu desejaria esquecer. -- Mas eu não vô lá não. É muito longe e não gosto de ficar entrando nessa mata. 
-- Mas não precisa de uma árvore seca. Verde também pega fogo – disse Marcela.
Até então, eu jamais ouvira dizer que árvores verdes pegavam fogo. Pensava que só as secas eram capazes de se queimar. Aliás, Ana Paula e Luciana também não sabiam disso, como confessaram. No entanto, Marcela nos lembrou que eram da madeira verde que se fazia carvão vegetal.
-- Madeira verde pega fogo sim – insistiu ela, quando insisti que não. -- Eu sei porque o amigo de meu pai é dono de uma carvoaria. Ele disse que não precisa esperar a madeira secar para fazer carvão.
Não a contestamos, já que ela demonstrava ser a mais inteligente do grupo. 
-- Então depois a gente experimenta – falei.
-- Bom, agora que a fogueira está acesa, vocês não acham melhor a gente ir atrás de alguma coisa para comer, antes que fique de noite? -- perguntou Luciana, levantando-se.
-- É mesmo! -- disse Ana Paula. -- Já estou começando a ficar com fome.
-- A gente tem que encontrar uma outra forma de arrumar mais comida. As goiabas praticamente acabaram, as bananas estão verdes, e ficar comendo só esse pouquinho de peixe não vai dar muito certo não. A gente não está se alimentando direito. Vocês já repararam que a gente está emagrecendo? -- comentou Marcela.
Ambos concordamos. Aliás, a perda de peso ficara mais evidente em Marcela, por ter maios volume. Por outro lado, não se via diferença em mim, uma vez que eu sempre fora um garoto franzino.
-- A gente não sabe quanto tempo a gente ainda vai ficar aqui. Pode ser que vai demorar pra gente sair dessa ilha. Tenho essa impressão. Se a gente não se alimentar melhor, a gente pode ficar doente e ai não temos médico e nem remédio. Se a gente ficar doente, é bem capaz de morra – concluiu.
Olhamos um para os outros preocupados. Ela estava com a razão. Mas o que fazer para melhorar a nossa alimentação? No dia anterior, ocorreu-nos de usar flechas para mantar algumas daquelas aves que viviam na ilha, mas isso ainda não tinha sido posto em prática. E de mais a mais, a carne de ave não supriria as nossas necessidades. Precisávamos de outras fontes de vitaminas. Mas como obtê-las?
-- Você tem razão – falei.
-- É, mas vamos deixar para discutir isso enquanto a gente come. Primeiro, temos que ir atrás de comida – interveio Luciana. -- Por que vocês duas não entram de novo na mata e tentam achar alguma coisa pra comer? Eu fico aqui tomando conta da fogueira e o Sílvio vai pescar.
-- E por que que tem que ser você? Por que não eu ou a Marcela? -- protestou Ana Paula, provavelmente para afrontá-la, já que ambas não perdiam a oportunidade de alfinetar uma a outra.
-- Porque o meu pé ainda não está bom. Se eu subir esse morro, é bem capaz dele se machucar de novo. Ele ficou doendo quando subimos da última vez. Não quero me arriscar. Quando eu estiver melhor, pode deixar que eu irei, até sozinha se for preciso – explicou ela, contrafeita.
-- É verdade, prima. O pé dela ainda não melhorou direito – falei, procurando defender Luciana para evitar um novo desentendimento, embora realmente fosse muito arriscado ela entrar na mata e subir o morro sem que o tornozelo estivesse totalmente recuperado. 
Marcela se levantou e sem olhar para mim, chamou Ana Paula para acompanhá-la, dizendo que era melhor ir logo, antes que escurece. No entanto, acrescentou:
-- Mas não sei se vamos achar alguma coisa.
-- Aproveita e trás lenha para a fogueira – falei.
-- Tá. Pode deixar... – disse ela saindo.
Levantei, apanhei a lança que jazia ao lado da entrada e, sem dar muita importância à Luciana, disse que ia pegar alguns peixes. Ao me ver saindo, levantou-se e correu atrás de mim.
-- Eu vou com você.
-- E quem vai ficar tomando conta da fogueira?
-- Ninguém.
-- Mas alguém tem que ficar – falei. -- Senão ela pode apagar de novo.
-- Não, não vai não. Eu pus mais lenha nela. E vai demorar pra queimar ela toda. Até lá a gente já voltou. E também não vamos demorar muito. Você é rápido com esse troço aí. -- disse ela se referindo a lança que eu usava para fisgar os peixes. -- Mas vou por aquele resto por segurança. Aquelas duas vão trazer mais mesmo.
Não fiz objeção. Sabia que não adiantaria de nada. Apenas pedi:
-- Então faça isso que eu vou indo na frente.
Deixei-a e fui me afastando. Pouco depois, olhei para trás e Luciana vinha ao meu encalço, embora andando lentamente. “Ela tá armando alguma. Num é boba. Quando enfia uma coisa na cabeça, vai até conseguir. Até sei o que ela quer. Fazer por trás. Que nem o Fabrício fez comigo. De manhã, quando a gente estava pescando, ela queria. Quer experimentar. Saber como é. Fabrício gostava. Tava sempre querendo fazer. Três naquele dia. De manhã, acordei com ele puxando o meu shorts. Eu disse que num queria, mas foi subindo pra cima de mim. O pinto dele já tava duro. Eu vi. A cabeça pra fora. Não pude fazer nada. Ele era bem mas forte. De tarde também. Esperou a dona... Como era mesmo o nome dela? Merda! Num consigo me lembrar. Era tão boazinha. Atenciosa comigo. Ela saiu. No mercado ela disse que ia. A gente tava na sala, vendo TV. Ele chegou perto e chamou pra gente meter de novo. Abaixou o short e mostrou o pinto duro, dizendo que queria pôr na minha bunda. Eu disse que num tava com vontade. Mas ele me segurou e disse que ia contar pra mãe dele quando ela voltasse de São Paulo que eu ficava chamando ele pra meter com ele, que eu ficava abaixando o shorts e oferecendo a bunda pra ele e que ficava pegando no pinto dele. Fiquei com medo. Ela não ia acreditar em mim. Ia acreditar nele. Ia pensar que eu era bicha. Filho dela. Ainda ia contar pros meus pais. Fiquei com muito medo mesmo. Fui. Ficou pelado. O pinto dele. Duro. Ele fez eu tirar a minha roupa toda. Deitou em cima de mim e fez de novo. Gemendo no meu ouvido. De noite, de novo. Falei que num queria porque minha bunda tava dolorida. E tava mesmo! Aí ele me fez chupar o pinto dele. Só fiz um pouquinho. Gosto esquisito. Meio salgado. Falei que num queria mais. Aí me disse que se eu não continuasse ia comer o meu cu. E ia machucar ele. Falava bem assim. Preferi deixar. Ele demorou mais do que das outras vezes. Foi horrível. Nunca vou esquecer. Ela tá chegando. Parece que tá sorrindo. Ele mandou eu ficar de quatro. Eu não sabia. Me mostrou como era. Ficava pondo com força, como se estivesse com raiva. Tudo. Ficou doendo. Dormi chorando. Nem me levantei pra me limpar. No outro dia, tinha manha de sangue na cueca. Tava toda suja. Tive que lavar ela no banheiro pra ninguém ver. Ela tá sorrindo sim. Vai me chamar pra fazer com ela. Sei quando ela quer...”, pensei.

terça-feira, 14 de julho de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 60



Tivemos talvez a melhor refeição naquele dia. Comemos um peixe cada. E depois, por causa do calo infernal daquele começo de tarde, corremos para o mar a fim de refrescar um pouco. Ao ser atingido por uma onda, o que ainda restava de minha sunga rasgou-se e desprendeu-se, deixando-me inteiramente nu. Corri para apanhá-la, mas esta foi levada até a faixa de areia.
Envergonhado, com a água até o umbigo, gritei para que minha prima fosse apanhá-la. Olhei para Marcela e Luciana e ambas me fitavam, cada uma com uma expressão diferente no rosto. Marcela parecia estampar um sorriso tímido e ao mesmo tempo curioso, como se disse: “Agora você está igual à gente.” ou: “agora vou poder ver ele quantas vezes quiser”; Luciana por outro lado, demonstrava espanto e um ar de indignação, talvez achando que eu fosse o culpado por aquele pedaço de pano ter apodrecido e agora estar se desfazendo. Embora soubéssemos que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, ela parecia não aceitar.
Ana Paula correu até a faixa de areia e a apanhou. Em seguida, levantou-a e, segurando-a com as duas mãos, espichou-a. O pano muito fraco não resistiu e partiu ao meio. Ela ficou com um pedaço em cada mão.
Tenho cá comigo que ela fiz isso de propósito, tanto que cheguei a pensar: “ela fez isso para se vingar”. Talvez quisesse dar o troco por eu ter corrido atrás dela e, ao não ser capaz de conter os instintos, tê-la violentado. Ela sabia da minha timidez. E sabia também que, diferente das meninas, ficar nu na frente delas me seria constrangedor. Assim aproveitou para rasgar a minha sunga.
-- Lamento, primo! Mas essa já era. Agora você vai ter que ficar pelado também – disse rindo, um sorrisinho malicioso. -- Vai ter que ficar com o seu troço sem nada tampando ele.
-- Pelado? -- perguntei.
-- O que tem? A Marcela e a Luciana não estão. E quer saber duma coisa. Vô ficar também. Já num aguento mais essa coisa colada em mim. Tenho que ficar tirando ela com o maior cuidado para num acabar de rasgar. -- Ana Paula simplesmente puxou a tanga do biquíni e esta se rompeu. Além de mim, era a única que ainda mantinha alguma coisa cobrindo as partes pudicas, embora sua tanga também estivesse rasgada em vários pontos.
-- Mas eu não posso ficar pelado – retruquei.
-- Por que não? -- indagou Marcela, aproximando-se de mim.
Olhei mais uma vez para Luciana e sua cara estava fechada. Temi que ela não fosse capaz de se controlar e fosse fazer uma besteira.
-- Porque eu sou homem – foi o que respondi.
-- É que ele tem vergonha de andar com o troço dele de fora – disse Ana Paula rindo.
-- Ou da gente ver que ele é pequenininho? -- falou Marcela.
-- Num é nada disso! -- respondi, olhando mais uma vez para Luciana. O sangue parecia subir-lhe pela face.
-- E você, Luciana? – Marcela virou-se na direção dela -- Por que você acha que o Sílvio não quer ficar pelado que nem a gente?
Houve um breve silêncio. Luciana parecia pensar em uma resposta.
-- As duas coisas: ele é um idiota todo envergonhado e o pintinho dele já deve ter uma dona, por isso que não quer exibir ele por ai.
De fato, comparado com a esperteza e a experiência de Luciana, eu era idiota e ingenuo demais, uma vez que era resultado da edução que meus pais me dera, uma educação restrita e inadequada para os dias atuas não só devido às limitações de meus pais, pois eles tinham pouco estudo, mas também fruto da rígida moral religiosa que imperava em nosso lar. E se não bastasse isso, a minha timidez tornava-me ainda mais limitado, pois os tímidos não se interagem com os outros e consequentemente não aprende na rua, com os amigos, aquilo que os pais não ensinam.
Talvez para provocar Luciana, já que as duas não morriam de amores uma pela outra, Ana Paula acrescentou, dando uma risadinha:
-- Quem será? Uma de nós ou alguém que eu não conheço.
-- Querem parar vocês! Ficam falando besteiras, inventando coisas. Não é nada disso! -- falei, dando uma pausa. Tinha de tomar uma decisão e por fim àquilo. Lembrei da última vez em que minha sunga foi parar nas mãos de Ana Paula e temi que ela tecesse algum comentário sobre aquele episódio e provocasse a ira de Luciana, uma vez que tanto eu quanto minha prima negara ter havido entre nós alguma coisa naquele episódio. -- É sério! E agora? Como vou fazer? -- perguntei com um certo desespero. Não só por temer que Ana Paula falasse demais, embora duvidasse que fizesse algum comentário sobre como perdera a inocência, mas também pelo temor de que Luciana viesse a arrumar briga caso pegasse Marcela ou até mesmo minha prima observando-o, o que inevitavelmente aconteceria.
E havia outro motivo. Nos primeiros dias, quando ficava excitado, a sunga escondia, senão de todo, pelo menos parte desse excitamento. E agora? Não havia nada que o prendesse junto ao corpo. Se me excitasse, chamaria tanta a atenção que não teria como qualquer uma delas não ver. E isso com toda a certeza seria fonte de curiosidades e perguntas, as quais me provocariam grandes constrangimentos, embora para Luciana e minha prima isso não fosse mais um mistério.
-- Já disse! Vai ter que ficar assim.
-- Não, eu não vou sair da água com vocês ai, olhando. Só vou sair quando vocês não estiverem mais ai – falei.
-- E se a gente ficar aqui até você sair? -- quis ela saber
-- Eu num saio – tornei a afirmar.
-- Então vamos passar a noite aqui, né meninas? -- Minha prima parecia ter encontrado o meu ponto fraco e decidira me espezinhar.
Fui salvo por Luciana que até então procura não se meter. Talvez porque não soubesse o que fazer.
-- Não, nós não vamos ficar aqui. Se ele está com vergonha de ficar pelado na frente da gente, porque é tímido, a gente tem que respeitar isso. Mas não tem outro jeito. A não ser que você amarrasse uma folha de bananeira ai na frente. Mas isso ia ficar tão ridículo e não ia dar certo. Ela ia acabar caindo. Portanto não tem jeito. Você vai ter que ficar. Se não for agora, será mais tarde. -- disse, muito certamente com alguma coisa em mente. Súbito, acrescentou: -- Vai vocês duas pra cabana que vou conversar com ele.
-- E por quê você? -- quis saber Marcela.
-- Porque sou mais velha e sei lidar melhor com essa situação. Tenho certeza que vou acabar com essa vergonha rapidinho -- disse ela. -- Vão, saiam as duas.
Contrariadas e com um ar de desconfiança, elas nos deixaram.
Quando as duas desapareceram instantes depois, Luciana aproximou-se, parou na minha frente e, enfiando a mão embaixo d'água, agarrou-me os testículos como fazia todas as vezes que era possuída pelo ciúme e queria fazer mais ameaças.
-- Ai, tá doendo! -- falei.
-- É para doer mesmo! E vai doer muito mais se eu ver ele crescendo na frente delas. Já te disse que ele é meu e o que é meu não divido com ninguém, principalmente isso. Dele, elas não vão sentir o gostinho. Porque se sentir, você fica sem ele.
-- Mas eu não posso controlar. Às vezes, ele começa a crescer sozinho – asseverei.
Ela refletiu por alguns instantes.
-- Pensa que eu sou idiota? -- apertou-me ainda mais os testículos. -- Crescer sozinho! Ele só cresce quando você pensa em sacanagem. Sei muito bem disso! Aqueles idiotas do colégio me disseram isso. E eles eram muito mais esperto e experiente do que você possa imaginar. E o mais idiota deles achava que era o mais esperto, ainda teve a cara de pau de confessar que toda vez que pensava em mim o pinto dele crescia e que já tinha até batido punheta pensando em mim. Um dia, levei ele para trás da biblioteca e perguntei se o pinto dele estava duro. Ele disse que não. -- Empolgada pelas lembranças, Luciana afrouxou a mão e soltou-me os testículos. -- Ai eu disse para ele me mostrar. Ele disse que só me mostrava se eu mostrasse a minha xoxota. Acho que ele achou que eu não fosse capaz. Levantei a saia e abaixei a calcinha. Ele esbugalhou os olhos e ficou de boca aberta. Não dei tempo a ele. Disse que se ele me mostrasse ali, naquele momento, eu deixava ele por a mão na minha xana. Ele abriu o zíper e tirou o pinto. Ele estava mole, mas foi crescendo bem ali na minha frente. Ah, que delícia ver aquilo. Peguei a mão dele e enfiei ela no meio das minhas pernas. Ele parecia paralisado, sem saber o que fazer. Tive que falar para ele enfiar o dedo ali no meio. Quando ele tirou o dedo, o pinto dele estava mais duro que tudo. Uns quinze dias depois, deixei ele por ele no meio das minhas pernas, mas não deixei ele enfiar. Teve que gozar nas minhas coxas. Portanto, seu idiota, não sou uma idiota que nem você – afirmou, tornando a apertar-me os testículos. -- E sabe o que vou fazer para não correr o perigo de ver ele crescer na frente delas? Vou fazer você ficar sem vontade. E vou começar agora. Vem, vamos lá pra trás.
Cabisbaixo, feito um garoto aprisionado que vai ser violentado, segui-a.
Um golpe do destino, no entanto, frustrou-lhe os planos. Ana Paula surgiu, correndo em nossa direção, no exato momento em que Luciana havia me atirado ao chão.
-- Por que vocês vieram pra cá? -- perguntou, ao se aproximar.
Eu levei um grande susto, mas Luciana denotou grande frustração. Seu rosto adquiriu um tom avermelhado e seus olhos faiscaram.
-- Porque esse idiota saiu correndo e eu vim atrás dele – disse ela contrafeita. -- E você o que está fazendo aqui? Veio ver o pintinho do priminho?
-- Não. Vim avisar que a fogueira apagou.
-- Apagou? -- Levantei num sobressalto, esquecendo que estava completamente nu. Aliás, não tinha motivos para me envergonhar. Não era a primeira vez que ela me via naquele estado.
-- Apagou. A gente até tentou evitar que ela se apagasse totalmente, mas não conseguimos. Ainda tinha um toquinho de brasa, mas ele também se apagou. A Marcela soprou, soprou, mexeu nos gravetos, mas nada. Você vai ter que tentar acender ela de novo, como você fez daquela vez.
-- Só me faltava essa agora! -- exclamou Luciana, gesticulando os braços. -- Perdemos o nosso bem mais precioso.
-- Como isso foi acontecer? -- indaguei. -- Ninguém se lembrou de por lenha nela quando a gente foi tomar banho. Acho que ficamos empolgados com aqueles peixes e nem vimos que a fogueira estava se apagando.
Uma sombra de irritação envolveu-me, talvez porque eu sabia quão trabalhoso seria acendê-la novamente.
-- E agora o que a gente vai fazer? -- indagou Ana Paula, fitando-me com discrição a minha nudez.
-- Ora! Deixa ela apagada – exclamou Luciana.
-- Mas a gente precisa dela – falei. -- No começo, era só para alguém achar a gente, mas agora isso já não faz tanta diferença. Só que a gente precisa de fogo para assar os peixes e, se você conseguir matar algumas daquelas aves, elas também.
-- Isso é verdade! -- concordou minha prima.
-- Ora! Se você acendeu uma vez, pode acender de novo – asseverou Luciana, que alternava os olhares entre eu e Ana paula como se nos vigiasse. Aliás, isso não me passou despercebido, tanto que cheguei a pensar: “Se ela está de olho em nós que somos primos, imagina como não vai ficar de olho em mim e na Marcela! Vou ter que tomar muito cuidado! Se sentir que meu pinto vai crescer, tenho de sair de perto delas”.
-- É o jeito! -- respondi.
-- E é melhor a gente voltar. Temos que pensar em arrumar comida. Não temos nada para comer o resto do dia e eu não vou dormir com fome.
Ambos concordamos. Até porque o plano era tentar fazer um arco e flecha para matar algumas daquelas aves que viviam na ilha. E embora o incidente da sunga tenha me feito esquecer desse compromisso, no caminho de volta para a “casa”, Luciana fez questão de relembrá-lo.
-- Vou sim. Quem sabe a gente consegue matar uma dessas grandes. Ai a gente vai poder comer uma carne de verdade.
-- Mas pra isso você vai ter que acender a fogueira de novo – lembrou Ana Paula.
-- Uma coisa de cada vez – falei.
-- Mas não vamos contar com isso. Quando chegarmos na cabana – Embora a cabana tivesse melhorado muito e tivesse uma aparência de “casa”, por costume continuávamos a chamá-la de “cabana” --, sua priminha e a amiguinha dela vão tentar achar alguma coisa pra gente comer – disse Luciana, com um certo ar de provocação.
-- E por que você num vai? -- volveu Ana Paula.
-- Porque meu pé não melhorou totalmente. Não quero me machucar de novo – retrucou a mais velha. Foi uma má desculpa, uma vez que ela chegara inclusive a subir na mata depois de torcer o pé, mas Ana Paula, por inocência e ingenuidade, não se lembrou desse detalhe.
-- Só quero ver até quando você vai ficá usando essa desculpa – falou Ana Paula, cutucando a outra.
Vendo que os ânimos começavam a se exaltar, decidi por um basta naquilo. Se não o fizesse, as provocações continuariam e certamente levariam as ofensas e depois a agressão física.
-- Vamos parar as duas! Lá na cabana a gente vê o que faz.
Não se ouviu mais nenhuma palavra até chegarmos.

domingo, 28 de junho de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 59

Naquela manhã, como acontecera outras vezes, não tínhamos o que comer. Assim, para quebrar o jejum, tomamos água de coco. Súbito, consultando um pedaço de tábua onde jazia uma série de riscos, Marcela disse:
-- Já não tenho certeza de quanto tempo estamos aqui. Será que não esquecemos de marcar algum dia?
-- Não sei – respondi. -- Você é que faz isso todos os dias.
-- 23 dias. Mas parece que estamos uma eternidade aqui – lamentou, deixando escapar uma voz triste. -- Será que já desistiram da gente?
-- Acho que as autoridades já. O Corpo de Bombeiros com certeza já encerrou as buscas – asseverou Luciana.
-- Mas nós tamos vivos. Eles num podem parar de procurar a gente – exclamou Ana Paula.
-- Por que não? Não vão procurar a gente a vida inteira. Como não acharam a gente, para todos efeitos já estamos mortos – afirmou Luciana.
-- Será que nossos pais também desistiram? -- perguntei.
-- Não, acho que não. Eles ainda tem esperança de encontrar a gente – disse Marcela. -- Talvez pensem que a gente esteja perdido numa ilha qualquer.
-- Como realmente a gente tá – acrescentou minha prima.
-- Só não entendo porque nunca vieram procurar a gente aqui – falei.
-- Talvez porque tenham encontrado os destroços do barco muito longe daqui. Eles não vão procurar o oceano inteiro. Procuram até um certo ponto. E se não vieram procurar a gente aqui quer dizer que viemos parar muito, mas muito longe de onde o barco afundou – explicou Marcela. -- a gente ficou boiando por quase dois dias.
-- Também acho – concordei. -- Mas acredito que dia menos dia vai aparecer alguém aqui. Ai será nossa chance de voltar para casa.
-- Quanto a isso, tenho de concordar com vocês. Só acho que não será tão cedo. Não encontramos marcas recentes da passagem de alguém por aqui. E por quê? Porque esta ilha é muito pequena e sem importância. Claro que algum curioso vai vir aqui qualquer dia. Mas pode ser que demore ainda alguns meses – disse Luciana.
-- Mas será? -- indaguei.
-- Eu estava até pensando sobre isso uma noite dessas, enquanto tomava conta da fogueira. A gente tinha viajado em direção ao norte. Isso quer dizer que talvez a gente nem esteja longe do litoral, mas longe o bastante da rota de navegação. Por isso nunca vimos sinal de barcos ou navios – continuou Luciana com um certo ar de superioridade, como se aquela suposição fosse fruto de uma inteligência excepcional embora, é preciso admitir, ela fosse dotada de uma esperteza invejável. Prova disso era a facilidade com que me manipulava. -- Também não adianta a gente ficar lamentando. -- Levantou-se, limpou a areia das nádegas e acrescentou: -- Estou com fome e não temos nada para comer. Não é melhor a gente tratar de pegar uns peixes logo?
-- Tem razão – falei, levantando-me. -- Vou pegar uns enquanto vocês vão procurar alguma coisa para a gente comer.
-- E você vai me ensinar a pescar e a usar a flecha como prometeu ontem – lembrou-me Luciana. -- E vocês duas, que gostam tanto de andar no mato, vão fazer a parte de vocês. Precisamos matar algumas dessas aves. Tantas por ai e nós aqui passando fome.
Ana Paula e Marcela levantaram-se. Apanharam a lâmina de ferro e partiram desejando-nos sorte na pescaria.
-- Já que você quer tanto aprender a pescar, então vamos. Só quero ver no que vai dar isso – felei instantes depois, apanhando a lança que jazia recostada a um dos cantos da casa. -- Pensa que é fácil? Levei tempo para aprender.
-- Tá pensando que não sou capaz de aprender? Você vai se surpreender – disse ela, pegando-me na mão, prostrando-se bem a minha frente e acrescentando: -- Mas antes quero um beijo bem gostoso. Quero sentir o gosto da tua boca. Estou com saudades. Se não fosse aquelas duas ia ficar te beijando o tempo inteiro.
-- Agora não. Elas podem voltar – falei, procurando evitar que aquele beijo pudesse ser o primeiro passo de outros que acabariam me levando a deitar-se com ela.
-- Não. Elas não vão voltar. E você também não vai querer que eu fique brava, né? Você sabe que quando não me obedecesse eu fico muito brava e perco a cabeça, não sabe?
Nisso, senti suas mãos agarraram-me por entre as pernas a dor embora leve chegou-me ao cérebro.
-- Sei sim -- respondi, vencido.
-- Ótimo. Então seja um bom menino.
A dor desapareceu e então senti sua mão escorregar um pouco para cima e agarrar-se outra parte do meu corpo; mas ao invés de apertá-la, apenas a acariciou. Nisso, meus lábios haviam encontrado os delas e sua língua procurava desesperadamente enroscar-se a minha.
Eu apenas e segurava pelos quadris enquanto ela usava um dos braços para me prender pelo pescoço. Súbito porém, ela o tirou e pegou num dos meus punhos e levou e o ergueu até que minha mão foi parar-lhe no seio. Como se eu fosse um idiota ou não soubesse o que fazer, ela pegou-me a mão a fez apertar-lhe o seio. Talvez por não conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo, a outra mão, a qual parara de mexer como meu falo, voltou a deslizar sobre ele para frente e para trás. Isso me levou a espremer os quadris contra os dela a fim de evitar que ele continuasse, pois assim não haveria espaço para os movimentos de sua mão. Ela porém interpretou meu gesto de outra forma. Pensou que eu tencionava penetrá-la. Assim, afastou as pernas e seus ágeis dedos conseguiram empurrar-me o falo para o meio delas.
Até então eu procurava conter a excitação. Mas diante de certas circunstâncias, não tive como evitá-la. Embora tenhamos por hábito julgar aquele que não foi capaz de conter seus instintos, na realidade deveríamos ser bem mais condescendentes com essas pessoas, uma vez que em se tratando do instinto praticamente nada pode ser feito para contê-lo. Assim, meu falo reagiu instantaneamente.
-- Isso. Deixa ele ficar do jeito que eu gosto. Tô com saudades dele – disse-me ela, quando seus lábios finalmente deixaram os meus.
-- Mas a gente tem que pescar. Não temos nada para comer – argumentei.
-- Daqui a pouco a gente vai. Os peixes não vão fugir. Elas também não voltar tão cedo – disse ela. -- Vem cá – deu um passo para trás e sentou numa das camas, a qual estava forrada com folhas de bananeira. -- Estou pegando fogo.
Não compreendi aquele pegando fogo embora cheguei a deduzir que se tratava de algo relacionado com a sua vontade em se deitar comigo. Aliás, não de importância a isso. Principalmente após vê-la deitar-se e abrir as pernas para me receber.
Tudo foi muito rápido, mais do que das outras vezes, talvez porque enquanto a fodia, imaginava Marcela e não Luciana entre mim e aquela cama. Ela porém manteve-me preso entre seus braços. Meu rosto jazia apoiado entre os seios dela. Os lábios jaziam entreabertos ao lado de um dos mamilos dela, o qual, momentos antes, por mais de uma sofrera a pressão de meus dentes.
-- Alguma coisa está acontecendo comigo – disse ela, dando fim aquele silêncio que se formara após o gozo. -- Meus peitos estão sensíveis e até doeram quando você ficou chupando eles. Isso antes não acontecia.
Levantei a cabeça, fitei-os e só então a indaguei:
-- Como assim?
-- Não sei. Sinto que tem algo estranho. E ainda não menstruei. Talvez seja por isso. Já vai fazer um mês que fiquei da última vez.
-- Menstruar é ficar naqueles dias? -- perguntei, lembrando do que Ana Paula me dissera no dia anterior.
-- É.
-- E o que acontece se você não ficar?
-- Se eu não ficar quer dizer que possa estar grávida.
-- Gravida? -- dei um sobressalto e sai de cima dela.
-- É. Não sei ainda. Mas pode ser que a gente vai ter um bebê.
-- Eu num quero ter um bebê contigo – falei com ar de revolta e sentindo-me usado, como se o mundo estivesse por desmoronar-me na cabeça. E ao imaginar-lhe um recém-nascido nos braços e ela me oferecendo aquele bebê, dizendo-me que era nosso filho, subitamente fui tomando pelo desejo de pegá-lo a atirá-lo longe como teria feito uma criança mimada ao ganhar um brinquedo que não lhe agradasse. E ao me ver fazendo isso, não fui tomado pelo arrependimento, nem mesmo de ter aqueles pensamentos. Aliás, ao supor que este filho de fato viesse ao mundo, senti apenas ódio, tanto dela quanto da criança. “Se ela quer tanto ter um bebê, então que fique com ele. Eu num quero, não quero o bebê dela. Eu amo a Marcela e é só ela que eu quero...”, lembrou-me de pensar.
-- Por que não? Vai ser incrível.
-- Não. Não vai ser incrível coisa nenhuma. Eu num quero! – falei, demonstrando ainda mais irritação. -- E nem tenho idade pra isso.
-- Mas se eu estiver, você não pode fazer nada. E aposto que fosse com a Marcela você ia querer. Não é verdade?
Não, eu não queria ter um filho com ela também. Pelo menos não desejava isso. Talvez, quando fosse mais velho e estivesse preparado para ser pai, mudasse de opinião. Mas naquela ilha não queria engravidar nem uma nem a outra.
-- Claro que não.
-- Duvido. Mas aposto como você vai mudar de ideia quando ver minha barriga crescer. E meus peitos vão crescer também. Sabia?
-- Não, não vou mudar. Já disse que num quero ter um filho teu.
-- Bobinho. Se eu não tiver, vou ficar mais cedo ou mais tarde. E você não vai poder fazer nada.
De fato ela estava certa. Não estava em minhas mãos decidir se ela teria ou não um filho meu. Ela me dominava e fazia de mim o seu brinquedo. Enquanto eu continuasse a despejar quase que diariamente todo o meu sêmen dentro dela, seria apenas questão de tempo para que fosse fecundada, embora eu não soubesse direito como engravidar uma mulher, uma vez que sabia que o fato de ter se deitado com ela não era o suficiente.
Luciana sentou na cama e olhou para o meio das pernas. Em seguida levou a mão lá e a retirou toda lambuzada.
-- Nossa! Quanta porra! Melhor a gente ir se lavar. Isso aqui vai me escorrer pelas pernas abaixo – disse levantando-se.
Ela se aproximou e tentou me abraçar, mas eu me afastei, empurrando-lhe a mão para longe de mim.
-- Não fica assim. Eu ainda não sei se estou grávida. E se tiver também, você ficar com raiva de mim não vai adiantar de nada. Vem cá, seu bobinho. Não se preocupa com isso agora. Vamos pegar aqueles peixes. Estou faminta.
Permaneci em silêncio. Apanhei a vara e sai. Luciana me seguiu de perto, puxando assunto a fim de fazer com que eu falasse consigo. No entanto, não me deixei dobrar. Mantive-me calado. Aliás, aproveitei aquele silêncio para pensar em Marcela e no que lhe diria caso viesse a ser pai.
-- Como é que eu devo segurar a lança? -- perguntou ela, quando chegamos. -- Assim? -- Levantou-a, segurando na altura do ombro, como eu fizera da última vez em que a levei para me ver pescar.
-- É – respondi, abrindo a boca pela primeira vez desde que deixamos a cabana. -- Fala baixo, senão eles assustam – sussurrei.
-- E agora? O que eu faço? -- perguntou ela num tom de voz tão baixo que quase não consegui ouvir.
-- Você mira ele. E quando tiver certeza de que vai acertar ele, atira ela com força – expliquei.
Luciana ficou imóvel por alguns instantes, com os olhos fixos num peixe que parecia não se importar com a nossa presença, talvez porque não tinha nos notado ali. Súbito, ela lançou a vara, mas esta enterrou a ponta na areia a cerca de meio metro do peixe. Este, com o som produzido, desapareceu da nossa vista.
-- Merda! Errei! -- esbravejou. -- E agora?
-- Pega a lança e vamos esperar um pouco que aparece outro. Às vezes, até mais de um – expliquei. -- Ai você tenta de novo. Mas tente mirar mais certo dessa vez.
Alguns minutos depois, outro peixe apareceu.
-- Você não vai me escapar – balbuciou ela.
Deixei que ela mirasse e tentasse acertá-lo. Mas ela não teve a paciência necessária para esperar o melhor momento. Ela simplesmente atirou a lança e esta foi parar ainda mais longe.
-- Quer saber duma coisa? Não quero mais aprender a pescar. Isso é muito difícil. É coisa para homem – disse ela, dando alguns passos sobre as pedras e apanhando a lança. -- Toma! Vou ficar em cima daquela pedra olhando. Se eu ficar aqui tentando, não vamos ter o que comer hoje – acrescentou por fim, enquanto se afastava. Deu alguns passos e sentou numa grande pedra, cerca duns dois metros de onde eu estava.
Fez silêncio por alguns instantes. Então ela principiou a dizer alguma coisa. Mas antes que ela terminasse a palavra, fiz-lhe sinal de silêncio. Ela calou-se até que me viu atirar a lança e apanhá-la em seguida com um peixe pequeno se debatendo, embora devesse pesar umas 300 gramas.
-- Nossa! Que rapidez! -- exclamou ela, com empolgação. -- Pelo menos nisso você é eficiente – acrescentou em seguida com um tom de sarcasmo.
Depois de tirar o peixe da lança e espetá-lo na vareta que eu costumava usar para transportá-los, fiquei na espreita a fim de fisgar o próximo. Às vezes, eles retornavam rápido, mas vez ou outra tinha de ter paciência e esperar uns bons minutos.
O próximo não demorou muito. Aliás, vieram três de uma vez. Assim, pude escolher o maior. Lancei a vara e por pouco não o errei. A ponta atravessou-o próximo do rabo. Se eu não tivesse sido rápido em puxá-la para fora e dar-lhe uma pedrada na cabeça provavelmente teria escapado mesmo assim. Após parar de se mexer, espetei-o na vareta junto com o outro e dei-os para Lucina segurar.
-- Nossa! Esse é bem grande hein – disse ela. -- Hoje vamos passar bem.
-- Tamos com sorte – respondi.
Voltei a ficar na espreita. Levou algum tempo até que consegui avistar outro um pouco mais adiante de onde fisgara o último. Mirei-o e então atirei a lança. Dessa vez porém não tive sorte. Errei-o por alguns centímetros.
-- Merda! -- exclamei. -- Escapou. E o pior que agora eles vão ficar com medo e vão demorar a aparecer. -- De fato, normalmente era isso que ocorria. Eles pareciam pressentir o perigo e só retornavam depois de algum tempo. Vez o outra eu tinha de esperar um tempão até que conseguisse avistar outro.
Esperamos por uns cinco ou dez minutos. Talvez até mais, já que não tínhamos como marcar o tempo, uma vez que o meu relógio de pulso fora danificado pela água e deixara de funcionar desdes a nossa chegada àquela ilha.
Luciana manteve-se em silêncio a maior parte do tempo. Súbito, quando eu circulava entre as pedras a fim de ver se avistava mais algum peixe, ouvi-a perguntar:
-- Você acha a minha bunda bonita?
Desviei os olhos em sua direção e a vi curvada sobre a pedra, mostrando-me o traseiro. Olhei para suas nádegas com uma certa indiferença. Ainda não havia reparado atentamente em seu traseiro. Nos seios sim. Achava-os bonitos. Talvez porque eram grandes. Mas aquele traseiro não me despertara a mesma atenção. Reparando-o porém naquela posição não havia como negar os seus atrativos.
-- Ah, sei lá! Nunca reparei – respondi.
-- Então repara, seu idiota!
Ela mexeu os quadris e balançou o traseiro como que o oferecesse a mim. Aliás, fez questão de se curvar mais a fim de que eles se destacassem.
-- E aí? O que você acha?
-- É bonita sim – respondi, como quem cumpre apenas a obrigação de dar uma resposta.
-- Você gostaria de me pegar assim? Por trás? -- Ela afastou um pouco as pernas e tornou a mexer os quadris.
Aquela pergunta me desconsertou de tal forma que por pouco não perdi o equilíbrio e caí sobre as pedras. O que me afetou não foi a pergunta dela, mas a lembrança que dos quinze dias passados na casa dos pais de Fabrício, fazendo-lhe companhia enquanto seus pais viajavam para São Paulo. Súbito, veio-me a imagem de meu primo excitado embaixo do chuveiro (eu também estava) brincando de passar o seu pênis nas minhas nádegas. De repente ele me abraçou por trás e o introduziu no meio de minhas pernas, movimentando os quadris para frente e para trás enquanto acariciava o meu pênis. Não sei por que razão, ele, resolveu me chamar para “meter”. Eu não sabia ao certo o que ele estava querendo dizer, por isso disse que não. Mas ele insistiu e foi persuasivo. Pressionado e sem ter como escapar ou a quem recorrer, já que só a empregada da família estava em casa, acabei aceitando. Só não imaginava que ele fosse me penetrar e, apesar de meus protestos, continuar até chegar ao orgasmo.
-- Eu? Por quê?
-- Porque eu li outro dia numa Playboy do meu pai que a maioria dos homens adoram possuir a mulher por trás, como os animais fazem. Agora eu me lembrei disso assim do nada. Ai pensei: será que ele também gosta? Você não gostaria de trepar em mim assim? -- Luciana continuava a mexer os quadris como se procurasse me excitar.
Talvez se eu fosse um rapaz mais velho e não tivesse o trauma de ter vítima desse tipo de experiência, tivesse ficado excitado na hora, mas eu era apenas um menino de 13 anos, totalmente averso ao sexo anal. E mesmo que não fosse esse trauma, ainda sim seria bem possível que me exibir o traseiro não me excitasse como ela provavelmente estava imaginando. A chama da volúpia ainda não tinha aquela força e virilidade tão comum nos rapazes que trilham o misterioso caminho da puberdade. De mais a mais, tínhamos transado pouco antes. Assim, procurando ocultar minha afetação e mostrado ar de indiferença, tornei a responder:
-- Ah, não sei! Talvez.
-- Como não sabe?
-- Não sabendo. Eu nunca fiz! -- menti.
Fabrício, para tentar me convencer a deixar que ele me penetrasse novamente na noite do dia seguinte, quando já estávamos na cama, disse que me deixaria “meter” nele também. Mais uma vez persuadido, acabei aceitando. Mas, após o gozo, ele rolou para o lado e disse que não estava mais com vontade e que no outro dia deixaria. Envergonhado como estava, não tive coragem de insistir. No outro dia, ele realmente cumpriu a promessa quando tomávamos banho. Deitou no chão do banheiro e disse para eu “trepar” nele, mas deixou bem claro que não era para “enfiar”. Aliás, fiquei em cima dele por cerca um minuto. Talvez percebendo que aquilo não daria em nada, pois até então eu nunca tivera um orgasmo, disse: “agora é a minha vez”. Trocamos de posição e assim que trepou em mim, penetrou-me. Dessa vez porém não cheguei a protestar. Apenas aguardei.
-- Então por que não vem descobrir?
-- Não. Num tô com vontade. Tenho que tentar pegar mais uns peixes -- esquivei.
Apesar da minha recusa, ela continuava a mexer os quadris. Agora, entretanto, mexia-os para cima e para baixo. Fitei-a por alguns instantes. Temendo porém que aquilo acabasse me afetando e me levasse a aceitar o seu convite, virei para o outro lado e fingi procurar peixes na água.
-- E se eu te desse o cu?
Confesso não saber onde enfiar a cara. No entanto, não podia deixar que ela percebesse. Lembro perfeitamente de minha preocupação um tanto exagerada com isso, talvez para ocultar o meu passado. De forma que me fiz de desentendido.
-- Como assim?
-- Você não sabe o que é dar o cu? -- perguntou ela com um ar de incredulidade, como se eu tivesse a obrigação de saber tudo.
-- Não. Quer dizer, sei mais ou menos – menti.
-- Cada vez eu tenho mais certeza que você é um idiota. Dar o cu é deixar você enfiar o teu pinto no meu cu, ao invés de enfiar na minha boceta. Entendeu agora? -- Luciana parecia irritada, pois seu tom de voz havia mudado. E isso ficou ainda mais claro quando ela se ergueu e virou de frente para mim.
-- E para que eu ia querer enfiar meu pinto na sua bunda? -- Proferi a palavra bunda porque não tive coragem de falar cu. Fabrício, nas primeiras vezes também disse bunda, mas depois, demonstrando intimidade, simplesmente me agarrava por trás e dizia: “vem cá, deixa eu comer seu cu”, o que eu consentia.
-- Porque eu li na mesma revista que muitos homens adoram fazer isso. Eles dizem que sentem mais prazer. E algumas mulheres diziam que também sentem muito prazer. Não vejo qual a graça disso, mas se você quiser experimentar eu também deixo. Você quer? -- perguntou ela, vindo em minha direção.
Embora eu estivesse de costas, mergulhado em velhas lembranças, pude perceber seu aproximar. Ouvia seus passos sobre as pedras.
Tentando demovê-la de qualquer tentativa em me seduzir ali, disse-lhe de forma categórica um “não”.
-- Ah, mas eu vou querer experimentar. Nem que seja só para saber como é. – Pude ouvir sua voz cada vez mais próxima. -- Você vai enfiar para a gente experimentar, não vai? -- As últimas palavras soaram tão próximas que pude sentir sua respiração na minha nunca. Então ela me abraçou e escorregou a mão direita até meu falo e o acariciou. -- Que tal se a gente experimentasse agora? Tô morrendo de curiosidade.
-- Não. Agora não – respondi, tirando-lhe a mão e me desvincilhando dela.
-- Por que não?
-- Porque não estou com vontade – tornei a responder. -- E eu preciso pegar pelo menos mais um peixe. Esses dois não vai dar para matar nossa fome o dia todo – acrescentei.
Contrariada, Luciana acabou dizendo:
-- Tá bom então, seu frouxo! Mas mais tarde, você vai fazer.
Ela voltou a sentar na mesma pedra e tornou a ficar em silêncio me observando. Não sei o que se passava naquela cabeça, mas nas poucas vezes em que virei os olhos em sua direção ela parecia compenetrada, como se estivesse perdida em pensamentos. Talvez divagasse acerca de seus pais ou até mesmo com alguma coisa não relacionada a mim, mas hoje tenho quase a certeza de que simplesmente fantasiava comigo. E só saiu daquele estado de absorção e correu em minha direção quando gritei que pegara mais um peixe.
-- E esse também é grande – falei, ao espetá-lo junto com os outros.
Pouco depois peguei o quarto peixe e dei aquela pescaria por encerrada, temendo que ela viesse a insistir em fazer aquelas coisas, uma vez que aqueles quatro peixes nos eram suficientes para aquele dia, apressei em chamá-la para retornarmos.