domingo, 6 de maio de 2012

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 26


Houve um ar de constrangimento ao ficar na presença de Marcela durante o dia. Talvez tenha sido por isso que procurei, assim que degustamos as bananas mais maduras, manter-me o mais longe possível dela, como se sua presença me remetesse a algo que eu procurava a todo custo esquecer. E quando nossos olhos casualmente se cruzavam, o que era inevitável, desviavam-se imediatamente seguidos de um rubor em nossas faces.
Eu não sei o que se passava na cabeça dela naqueles instantes; na minha porém vinha a lembrança não só do ocorrido mais cedo como também do episódio no segundo dia naquela ilha, quando a beijei pela primeira vez. E então eu me sentia inda mais tímido e envergonhado, como se cometera um crime horrendo e o qual poderia me fechar as portas do céu. O arrependimento em meu peito não só em relação ao que Marcela e as outras meninas poderiam pensar a meu respeito, embora isso também contasse muito, mas principalmente pelo temor a Deus, Dele estar vendo tudo que eu fazia aqui na terra como um ser impiedoso que castiga severamente o menor deslize de suas ovelhas. E quando eu estivesse diante Dele e Ele enumerasse todos os meus atos aqui na terra? Como eu me justificaria a fim de conseguir a sua absolvição para entrar no reino do céu? Não, eu não queria perecer no inferno e ser torturado para todo o sempre pelo diabo. Se havia uma coisa que eu temia era o inferno. Só a possibilidade de minha alma queimar eternamente me causava pavor; pois eu ouvia as piores e mais terríveis histórias sobre o inferno não só na igreja, quando íamos à missa, como também em casa e na escola desde pequeno, embora com o passar dos anos passei a por em dúvida a veracidade tanto dessas narrativas quanto a própria fé em Deus a ponto de hoje ter perdido completamente a fé. Mas depois do acidente com a Lancha, da morte do meu tio e durante boa parte de nossa estada naquela ilha, minha fé manteve-se inabalável.
Só que eu não queria ficar pensando no ocorrido para não pensar nos possíveis castigos, já que uma coisa levava a outra. E isso só seria possível se eu me afastasse e me entretece com alguma coisa. E como havia planejado antes, fui tentar pescar com uma vara pontiaguda para fisgar os peixes.
A minha primeira dificuldade foi entrar na mata para apanhar uma vara. Desde o episódio em que parecia ter visto alguma coisa se aproximar, na noite em que Luciana me surpreendeu masturbando-se e depois, com sua curiosidade e falta de vergonha, me fez ter um orgasmo, eu não tivera coragem de ir tão longe. Só de pensar que de qualquer ponto escuro da floresta poderia surgir terrível e monstruoso e me devorar fazia-me gelar e tremer dos pés à cabeça. Mas a necessidade muitas vezes é o que nos obrigar a correr riscos imensos. E perdidos naquela ilha, se não nos arriscássemos de vez em quando, não sobreviveríamos. Talvez por isso tenha criado um pouco de coragem e adentrado a mata para encontrar uma vara fina comprida e resistente para pescar.
Tive um pouco de trabalho para fazer-lhe uma ponta. A nossa “faca”, que já não prestava muita coisa, estava mais cega do que nunca. Aliás, quebrara numa das extremidades onde mais cortava. Contudo, depois de muito resistir pacientemente, consegui deixar uma das pontas fina o bastante para penetrar nos peixes. E isso só foi possível porque me ocorreu de esfregar a ponta da vara até que afinasse numa grande pedra
Agora só faltava treinar a pontaria. E eu teria muito que treinar, pois desde pequeno a minha pontaria sempre foi péssima. Contudo, estava obstinado a pegar um peixe. Dir-se-ia questão de honra, embora pensasse nisso para evitar de pensar em Marcela. E quando a gente quer, a gente consegue, basta ter força de vontade. Sempre ouvia isso de meus pais. E eles estavam com a razão. E por mais que eu fosse um garoto, era crescido o suficiente para saber disso. Além do mais, eu tinha todo o tempo do mundo. Poderia insistir, insistir o quanto quisesse. Poderia levar alguns minutos, meia hora, uma hora ou até mesmo o dia inteiro, mas em algum momento fisgaria um peixe.
E foi isso que não me fez desistir, mesmo quando o sol mudou de lado e eu já estava prestes a deixar para o outro dia.
De repente vi um dos grandes nadando tranquilamente entre duas pedras. Então eu olhei fixamente para ele, como se tentasse hipnotizá-lo. E por alguns instantes, me mantive inerte, apenas com os movimentos de meus olhos e minha respiração. A vara jazia em minha mão erguida, pronta para ser lançada. Mas eu queria esperar o momento certo – aquele instante em que você tem a certeza absoluta de que dessa vez não vai errar.
Esperei-o ficar numa posição em que fosse fácil calcular onde a lança o atravessaria. E assim, medindo bem com os olhos, coloquei toda a força no braço e atirei-a. Esta atravessou o peixe bem no meio, pouco abaixo da cabeça e enroscou-se nas pedras.
O pobre infeliz começou a se debater, querendo nadar para frente, mas a lança mal se movia. E mais que de pressa, abaixei e segurei-a pela outra ponta e a enterrei ainda mais para não deixar nenhuma possibilidade de escapar. E assim, como muito cuidado, desprendi-a das pedras e a ergui com peixe ainda se debatendo.
Ah, que sensação mais deleitosa! Foi como se, após uma luta feroz pela vida contra um inimigo bem mais poderoso, eu o tivesse finalmente vencido. Não sei nem mesmo explicar o que senti naquele momento. Nem mesmo hoje, depois de muitos anos, ainda não encontro palavras capazes de descrever com exatidão o que senti. Só posso dizer que me senti o homem mais feliz do mundo.
Qual foi a minha primeira reação ao apanhar a vara e erguê-la com o peixe sacolejando, desesperado para se soltar? Embora o mais lógico fosse retirá-lo do espeto e tentar fisgar outro, não foi isso que se passou pela minha cabeça. Aliás, nem sei se ouve tempo para pensar, pois simplesmente sai correndo com o espeto na mão em direção à cabana para mostrar as meninas o resultado da minha pescaria.
Encontrei a Marcela e Ana Paula sentadas lado a lado no chão, com os joelhos dobrados e os braços em volta. Ana Paula estava com os olhos vermelhos, dando a impressão de ter chorado mais uma vez.
Isso conteve meu estado eufórico, todavia não o bastante para dizer:
-- Olha o que eu peguei. – Aproximei a ponta onde o peixe ainda se agonizava sem forças.
-- Nossa! Que peixe grande! – espantou-se Marcela.
-- Agora a gente não precisa mais ficar comendo frutas o tempo todo – falei.
Ana Paula apenas ergueu a cabeça e olhou com ar de indiferença, como se isso não representasse melhora na nossa alimentação; em seguida tornou a abaixar a cabeça.
“Será o que aconteceu dessa vez?”, indaguei-me em pensamentos, “Será que ela e a Luciana já brigaram de novo?”.
-- O que aconteceu? – perguntei para Marcela.
-- É por causa do pai dela.
Então a lembrança da triste morte do tio Jamil me veio à memória. E por algum momento a cena do barco virando e todos nós caindo no mar se formou em minha cabeça. Esqueci o fruto da pescaria por alguns instantes. Olhei para Ana Paula e para Marcela e pude ver o desespero em seus rostos quando nos vimos as sós naquela imensidão de mar. E eu pude rever o meu próprio desespero ao gritar pelo tio e não obter respostas.
Entreguei a vara com peixe para Marcela e sentei ao lado de Ana Paula.
-- Não fique assim, prima – pedi, tomando-a nos braços e afagando seus cabelos.
Ela apoiou a cabeça em meu peito e tornou a chorar compulsivamente.
O pranto e a dor de minha prima acabaram por me comover; pois não era simplesmente um choro como a maioria dos que nos ocorre principalmente na infância. E por mais que tentasse ser forte, não pude deixar de verter lágrimas; pois também eu sentia um forte aperto no peito, consciente de que nunca mais veria o tio Jamil, de que sua família ao saber de sua morte também entrariam em desespero.
Marcela aproximou-se e também nos abraçou. Embora não tivesse nenhum parentesco com nossa família, também ela demonstrava estar consternada com a morte de meu tio.
E ficamos assim por algum tempo. Entretanto, depois da dor tornar menos intensa e Ana Paula finalmente parar de chorar, Marcela se levantou e foi mexer na fogueira. Aproveitei o momento para levar a mão ao queixo de minha prima, levantar sua cabeça e dizer-lhe enquanto olhava fixamente em seus chorosos olhos:
-- Não fique assim. Tudo vai ficar bem.
Ana Paula meneou a cabeça e tentou esboçar um sorriso.
Então lhe levei a mão ao rosto e enxugue-lhe as lágrimas. Seus olhos denotavam muita dor, feitos os olhos de uma criança sozinha, órfã, perdida no mundo, a qual só o tempo é capaz de aliviá-la. Era como se a minha presença não fizesse muita diferença, não confortasse sua dor.
-- E aí? Vamos preparar aquele peixe para o almoço? – perguntei, tentando reanimá-la? Ela meneou a cabeça afirmativamente. – Então vamos lá.
-- Como é que vamos fazer para limpar ele? – quis saber Marcela.
-- Sei lá! – falei. – Nunca limpei um peixe.
-- Eu sei mais ou menos. Já ajudei a minha mãe a fazer isso algumas vezes – adiantou-se Ana Paula.
“Ótimo! Assim ela vai se entreter e não vai ficar pensando na morte do pai. E a Luciana? Por onde anda?”, pensei. Em seguida perguntei para a Marcela:
-- Cadê a Luciana?
-- Ah, não sei não. Disse que ia andar por aí. Foi naquela direção. – Apontou a frente, para o lado onde costumávamos apanhar frutas.
-- Vou atrás dela e contar que peguei um peixe – falei, saindo da cabana e principiando a correr.

domingo, 29 de abril de 2012

SOU UM SONHADOR

Eu tenho ilusões e sou um sonhador 
Como qualquer ser humano. 
Quanto a isso eu não me engano. 
Talvez eu seja apenas insensível de vez em quando 
Como se a dor do outro não me dissesse respeito. 

Mas será que isso é realmente um defeito? 
Ou o fato de andar com o pé na verdade 
Faz-me ver melhor a realidade? 
Uma realidade que na realidade 
É dura e fria como amiúde é a verdade. 


Eu tenho ilusões e não deixo de sonhar de vez em quando 
Pois não posso suportar a realidade 
Com o peso que se impõe ao ser humano 
Quando este procura sempre a verdade. 

Não é por questão de fraqueza ou covardia 
Que o homem às vezes foge da realidade 
É para suportar as dores do dia a dia 
As quais fatalmente o elevaria a completa insanidade.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ADEUS Á INOCÊNCIA - CAP. 25

-- Não. Para! – ordenou Marcela ao sentir minha mão apertar-lhe o seio.
-- O que tem? Não estou fazendo nada demais – declarei. Embora desejoso, sentia-me tenso, com o coração palpitante, os lábios frios e as mãos quase trêmulas, pois no fundo sabia que não estava cometendo um pecado; pelo menos no meu entender.
Marcela olhava-me com desconfiança, receosa de dar um passo em falso, de ir além da conta e depois se arrepender. Aliás, se tem uma coisa que aprendi com ela e minha prima, foi isso: o medo de ir longe demais. Não posso acreditar que tenha sido mera coincidência as duas agirem dessa forma, com medo, com receio de dar um passo maior que a perna, cair e se machucarem profundamente. De todas, Luciana foi a única que não demonstrou isso; talvez porque fosse a mais velha, a mais esclarecida e a mais destemida; entretanto, nos momentos aonde ir longe demais poderia custar-lhe caro, ela titubeou, embora isso não a tenha impedido de seguir adiante. Acho que isso é algo que faz parte do instinto feminino, algo encontrado em todas – ou quase todas – as mulheres.
Por que elas se sentiam ameaçadas? Foi o que me pus a perguntar várias vezes. No início, eu não soube responder; aliás, era inocente demais para saber. No entanto, depois com o passar do tempo e após ponderar bastante durante nossa estada naquela ilha, cheguei a algumas suposições; e dessas suposições a resposta mais condizente foi a de que faziam isso por temor da gravidez (isso só ocorreu-me algumas semanas depois, quando Luciana, ao se aproveitar de mim, falou dos riscos e do precisaria fazer para evitá-la). Acho que no fundo elas pensavam: se ficarmos grávida e não sairmos dessa ilha antes do nascimento, teremos que ter sozinhas o filho aqui no meio do mato? Será que não tinham consciência dessa possibilidade? E mesmo que não tivessem consciência disso, o inconsciente antevia esses perigos, como um sexto sentido. Sim, querido leitor. Não estou dizendo que tais conclusões sejam de todo verdadeiras, uma vez que não sou versado no assunto, contudo foi a melhor explicação encontrada por mim.
-- Eu sei. Mas eu não quero – retrucou ela dando um passo para trás.
-- Então? Eu não vou fazer nada demais. Eu gosto de você e jamais te faria algum mal. – Dei um passo adiante, tornando a ficar frente a frente com ela, quase colado. E estava tão próximo que podia sentir sua respiração descompassada, como se ela se sentisse acuada feito uma presa. Seus seios arfavam e a pele ia adquirindo certo brilho, devido às minúsculas gotas de suor a brotar de todos os poros. Dir-se-ia estar tão amedrontada quanto um animal atacado por um predador.
No curto intervalo de tempo, onde o silêncio foi absoluto, nenhum detalhe me passou despercebido. E como num golpe de sorte, percebi sua fraqueza, seu medo. Aí eu ponderei: “Se eu pegar neles, ela não vai me impedir. Ela está assim por isso, porque sabe que não vai escapar. Acho que ela pensa que não adianta correr e nem gritar, porque estamos longe da cabana e elas não vão ouvir. Ela está achando que se correr vou correr atrás dela e agarrar ela a força. É mesmo! Nem havia pensado nisso! Eu podia correr atrás dela, derrubar ela na areia e ela não ia poder fazer nada. Sou mais forte. Não. Mas ela não vai correr. Se fosse já teria corrido. Ela vai deixar. Quer ver?”.
Meus olhos fixaram-se nela e mantiveram-se imóveis, como que vidrados, como os olhos de um predador aguardando o momento certo para dar o derradeiro golpe em sua presa. Nisso, uma secura subia-me pela garganta ao mesmo tempo em que uma sensação desmedida de calor fazia-me o corpo transpirar. Os meus pensamentos, desordenados e confusos até então, pareciam ter cessado, como se uma força invisível e muito poderosa me impedisse de pensar, de formar ideias, como se perdesse a capacidade de processar imagens, sons e sensações. Eu era puro instinto; eis a verdade!
E então, sem controle sobre meus atos, minhas mãos se moveram como se agissem por si só e foram tocar levemente os seios dela, sobre o biquíni. E tomado pela curiosidade e desejo – eram eles quem me dominavam, quem me fazia agir assim –, apalpei-os com as pontas dos dedos, como se apenas tencionasse sentir a consistência daquelas formações arredondas e pontiagudas do corpo dela, aquelas partes que no meu não existiam.
E ao tocar-lhe os seios, esperei que Marcela dissesse alguma coisa, mesmo que fosse para me mandar parar, mas ela não pronunciou nenhuma palavra e nem mesmo fez algum gesto capaz me induzir a tirar as mãos e recuar; simplesmente ficou ali, de pé diante de mim, com os seus meigos e confusos olhinhos presos ao meu rosto, como que hipnotizada. Embora enleado, pude notar-lhe um estado de submissão e até mesmo um quê de receio, como se temesse os momentos seguintes. A verdade era que ela estava completamente em meu poder tal qual eu vez ou outra ficava nas mãos de Luciana.
Eu também sentia medo. Mas o meu medo era um medo diferente. Eu sentia medo do desconhecido, do novo e das minhas próprias sensações. Pois a vendo ali tão dócil, totalmente sob o meu poder, eu senti uma sensação de poder como nunca sentira até então. Era como se sua vida, seu destino me pertencesse e estivesse em minhas mãos. Era como se em minhas mãos, tal qual nas mãos de Deus, estivesse o poder de dar-lhe ou tirar-lhe a vida. E isso me provocava êxtase e pavor ao mesmo tempo. Aliás, o poder nas mãos de quem sabe ter poder é usado sem medo, mas na mão de um fraco é inútil e desastroso, por isso tenho de concordar com aquele filósofo alemão que enaltece tanto os fortes e vê nos fracos apenas uma ponte.
E foi por causa desse dualismo, desse fluir entre duas sensações tão opostas que não cometi nenhum ato do qual me envergonharia e me arrependeria por toda a vida. Cheguei avançar um pouco mais, ao enfiar a mão por baixo do pano e desnudar-lhe o par de seios, contudo, ao fazer isso e tê-los diante de meus olhos, o pavor se apoderou de mim, como se um espírito maligno saísse do meu corpo e minha alma retomasse o controle sobre ele. Então retirei as mãos trêmulas e dei um passo para trás, abaixando a cabeça de vergonha. Foi então que pensei: “Meu deus! O que eu ia fazer? Ia me condenar ao inferno para sempre. Ia ser atirado ao fogo, amarrado naquelas correntes grossas e chicoteado por aquele monstro horrível enquanto o fogo me queimava todo. Eu ia gritar por toda a eternidade. Meu deus! Ser queimado no inferno! Não. Não deixa isso acontecer comigo. Eu prometo que vou parar de pensar nessas coisas, que não vou agarrar ela de novo, que não vou querer fazer com ela aquelas coisas que eu penso. Eu juro! Eu juro que, quando começar a pensar nessas coisas e meu troço crescer, eu não vou ficar pensando nisso. Mas não me deixe ir para o inferno. Eu vou ser um bom menino. Prometo que vou rezar toda noite, se o Senhor me perdoar”. E tais pensamentos por pouco não me arrancaram lágrimas, feito um garotinho que, após uma travessura, se põe a chorar de medo de levar uma grande surra dos pais.
Marcela, ainda envergonhada, arrumara o biquíni no lugar. Em seguida abaixou-se para apanhar as bananas e disse:
-- Vamos embora. As meninas devem estar preocupadas com a nossa demora.
Concordei com meneios de cabeça, pois a vergonha era tamanha que não tive ânimo nem para pronunciar uma palavra. Aliás, se me fosse possível, imediatamente sairia a nado daquela ilha. Ela se afastou e eu apanhei o restante das bananas sobre a vegetação rasteira. E enquanto retornávamos – Marcela seguia alguns passos à frente --, não tive nem mesmo coragem de olhar para ela. Só pensava no que ia dizer quando chegasse, pois tinha a certeza de que Luciana e a minha prima Ana Paula notariam alguma coisa estranha entre a gente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ALGUÉM ASSIM COMO VOCÊ


















Quando eu partir dessa vida
Quero levar apenas a lembrança
De ter amado imensamente
Alguém assim como você
Que me ensinou a viver
Cada dor e cada alegria
Com o mais intenso prazer

Quando aqui eu não estiver mais
E então ter deixado para trás
Apenas um rastro de minha passagem
Quero que, ao lembrar-se de mim,
De teus lábios escapem enfim
Um deleite que te compraz;
Um deleite que o tempo não desfaz.

E quando minha partida se perder no tempo
E tua memória esquecer os meus traços
Ainda sim em teus braços
Há de sentir os meus abraços;
E em teus lábios murchos e ressecados
Há de sentir os meus beijos molhados
Como se o tempo não houvesse passado.

É por isso que enquanto vivo estou
Faço de cada instante
Motivo para cultivar o amor
E mesmo naqueles momentos
Onde esbarro em nossas diferenças
Tento te provar que meu amor
É eterno, pois renova-se constantemente

domingo, 1 de abril de 2012

QUANDO O CORAÇÃO NÃO PARA DE SANGRAR
















Chega a noite e uma voz penetra-me profundamente no ouvido
E então eu me lembro em algum momento vivido
Do rosto que, em carícias abundantes, produzia essa voz,
A qual criava uma cortina sobre nós e nos deixava as sós.

Sem que eu queria, o som dessa voz delirante
Faz-me voltar ao passado; o coração sangra, quer aqueles instantes,
O quais nas tardes frias de domingo, à beira mar,
Tornava quente e aconchegante o mais gélido lugar

Inútil dizer que tudo findou e ficou perdido no passado
O coração é um ser que quer de volta o que lhe foi negado
Quando no momento da mais pura e intensa felicidade
O destino sorrateiramente veio e lhe mostrou a dor da saudade.

As noites chegam e eu me vejo novamente atormentado
Por essa dor que sangra feito um ferimento mal curado,
Cujo sangue, num fluxo constante, leva-me também a vida
A qual, a cada dia, gota a gota, deixa a morte bem nutrida.

quarta-feira, 14 de março de 2012

OS NIILISTAS ALIENADOS


Um diz que o homem atual é um alienado (Marx) e o outro que ele vive num Niilismo (Nietzsche). Embora cada um tenha lá seus argumentos e seus pontos de vista, tenho de concordar que estão certos. A impressão que tenho é de que as pessoas, mergulhadas numa modernidade onde a informação pipoca aos quatro ventos, não conseguem lidar com elas e se sentem impotentes diante do conhecimento. Claro que muita gente esbarra nas próprias convicções e naquilo que lhe foi ensinado pelos pais e por todos que o cercam desde os primeiros anos de vida. Mas por que não questionar a mais inquestionável das convicções, mesmo que seja para afirmar a própria convicção? E uma das questões que as pessoas resistem em questionar é justamente a religião e a crença em Deus. Como um bom ateu, não quero destruir a crença de ninguém (só os fundamentalistas tentam te convencer a acreditar naquilo que acreditam). Mas há alguns fatos difíceis de ignorar. Como este: Que as religiões vivam do sofrimento, da doença, como afirmou Nietzsche acerca do cristianismo ao dizer que "o cristianismo tem por base o rancor dos doentes, o instinto voltado contra os sadios, contra a saúde", e da miséria, como afirmou Marx ao declarar que a “a religião é o ópio do povo”, do ser humano, com algumas raras exceções, eu não tenho dúvida; pois sem isso as religiões já teriam sido varridas da face da terra há centenas de anos. Mas o que eu não conformo é ver pessoas ditas “inteligentes” e com um grau de conhecimento satisfatório acreditar num Deus rancoroso, vingativo e ciumento que precisa ser louvado o tempo todo, de um lado; e por outro, um deus que está disposto a satisfazer os nossos mais insignificantes e absurdos desejos. Ou essas pessoas se fazem de idiotas ou são tomadas pela mais absurda ingenuidade. Num ou noutro caso elas não devem ser levas muito a sério. Citando Nietzsche mais uma vez, eu pergunto: Será que as pessoas não se dão conta de que "O Homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua imagem e semelhança"?

terça-feira, 6 de março de 2012

A OPÇÃO PELO PINGUIM

Embora tenha dado aulas de informática por anos e nesse período tenha ensinado Windows, há 4 anos que não o uso, exceto talvez uma vez ou outra no computador de algum conhecido. Desde que tomei contato com o Linux por volta do ano 2000 percebi que havia algo no sistema do pinguim (como o Linux é conhecido) que não havia no Windows: a segurança e a estabilidade (naquela época o Windows ainda era bastante instável). Aliás, ficava muito puto da vida quando o computador pegava vírus e era preciso formatar o computador, pois muitas vezes o vírus não podia ser removido por um antivírus. Outras vezes porém o maldito vírus havia danificado os meus dados, os quais muitas vezes não podiam ser recuperados, e então dava vontade de quebrar o computador. E quem já não passou por isso? 
 Claro que naquela época o Linux não era como hoje – mais fácil de instalar e usar do que o próprio Windows --, mas com algum esforço e graças a internet acabei aprendendo a instalá-lo, configurá-lo para que tudo no computador funcionasse e a usá-lo, já que para alguém acostumado com o sistema da Microsoft como eu o Linux era bastante estranho. Aos poucos porém, vi que a maioria das tarefas que eu fazia no Windows era possível fazer no Linux. E então gradualmente a troca de um pelo outro foi ocorrendo. Por volta de 2007 o Linux já havia evoluído tanto a ponto de se tornar tão fácil de usar quanto Windows XP. Não tive dúvida em abandonar quase que de vez o Windows. 
 Já havia trocado o pacote Office da Microsoft pelo OpenOffice e aos poucos troquei o PhotoShop pelo Gimp, o Corel pelo Inkscape e finalmente o PageMaker pelo Scribus. Na realidade, os três últimos eram usados com pouca frequência, só para fazer cartões de visita, convites e cartazes. Confesso que tive certa dificuldade em fazer as mesmas coisas que fazia nos aplicativos para Windows. A substituição mais difícil foi a do CorelDraw pelo Inkscape. Este não havia atingido no nível que tem hoje e muita coisa que fazia no Corel não era possível fazer no Inkscape. Hoje porém isso são águas passadas e tanto o Inkscape quanto o Gimp e o Scribus atingiram um nível de maturidade e possuem uma gama de recursos que não deixam a desejar em nada aos similares para Windows. Aliás, existem versões desses programas para Windows. Sem contar que são gratuitos e você não corre o risco de ser acusado de estar usando um programa pirata. 
 Hoje eu mudei de profissão. Uso quase que exclusivamente o pacote para escritório LibreOffice (um derivado do OpenOffice) e a internet. Claro que assisto vídeos, ouço música e rádios online, mas isso qualquer sistema faz. Não posso afirmar que jamais usarei o Windows, mas não tenho a menor intenção de instalá-lo nos meus computadores. Os notebooks das minhas filhas tem o Linux e o Windows instalados lado a lado (não é preciso tirar o Windows para instalar o Linux. Ao ligar o computador você opta por um ou outro), mas ainda sim elas preferem o Linux pois dizem que é mais rápido (provavelmente o antivírus seja a causa da lentidão no Windows. Lembro como isso me irritava na época). E como o Linux possui uma infinidade de variantes (chamadas de distribuições) uma das filhas prefere o Linux Mint enquanto a outra (e eu também) o Mandriva. 
 Independentemente do uso que se faça do computador, só o fato de saber que não há perigo de vírus e de ter as senhas e os dados roubados já é o bastante para optar pelo Linux. Aliás, este foi um dos motivos pelos quais a maioria das empresas fizeram a troca. Então por que não faça o mesmo você também?

ABAIXO UMA IMAGEM DO DO LINUX MINT E MANDRIVA. PARA MELHOR VISUALIZÁ-LAS, CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR.