Não posso lutar contra a humanidade
E nem enfrentar as convenções vigentes
Sou apenas um grão de areia na infinitude
Do universo. Sou um ponto insignificante
Meu querer é o querer da minoria
E das almas impuras e desgraçadas
Para as quais o pecado é uma alegoria
Para aterrorizar almas atormentadas
Tenho de renunciar as minhas vontades
E a esse querer peculiar e diferente
E aceitar que as minhas necessidades
São frutos de uma era distante
Mas se não me fosse tão caro, lutaria
Por aquela alma fresca e imaculada
E a tornaria impura, como o Diabo faria
Em busca da perdição mais bem orquestrada
Apaixonado por literatura desde pequeno, começou a escrever as primeiras histórias aos 11 anos e desde então não parou mais. Parte desse material escrito nos últimos 30 anos você poderá encontrar aqui, inclusive trechos de obras que estão sendo preparadas para a publicação.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
MINHAS ASPIRAÇÕES DIVAGAM APENAS
Eu não sei como desembaraçar
Os nós desse emaranhado de sensações
Que feito um mar fazem-me enfrentar
As mais adversas emoções
Eu as transformo em pensamentos
E os pensamentos em fonemas
E os quais em profundo contentamento
Deixo escapar em confissões amenas
A surpresa, que não procuras ocultar
Intensifica mais e mais minhas emoções
Não, não tendo mais como segurar
E confesso a fonte de minhas paixões
È você, dona dos mais fortes encantos,
Que fez das minhas noites, outrora serenas,
Momentos de intensos desalentos
Já que minhas aspirações divagam apenas
domingo, 20 de julho de 2014
ADEUS Á INOCÊNCIA - CAP. 43
Voltei
com
dois
peixes
atravessados
pela
vara,
frutos
de
muita
paciência
e
perseverança.
Não
tinha
certeza
quanto
tempo
levara
para
pescá-los.
Poderia
ter
se
passado
meia,
uma,
duas
horas ou
até
mais
que
isso.
Aliás,
o
tempo
não
era importante desde
que
chegamos
àquela
ilha.
Éramos
apenas
guiados
pelo
movimento
do
sol
e
da
lua.
Sabíamos
quando
era
dia,
noite,
quando
era
cedo,
por
volta
do
meio
dia
e
final
de
tarde,
nada
mais
além.
Marcela
e
Ana
Paula
também
haviam
retornado
e
estavam
preocupadas
com
o
meu
sumiço.
Ana
Paula
chegou
inclusive
a
dizer
que
se
eu
demorasse
mais
um
pouco
iriam
ela
e
Marcela
atrás
de
mim.
--
Fui
atrás
de
alguma
coisa
pra
gente
comer
--
falei,
entregando
os
peixes
para
Marcela.
--
Agora
é
a
vez
de
vocês
limpar.
Marcela
pegou
a
vara
com
os
peixes
e
disse
para
Ana
Paula:
--
Vamos
preparar
eles
para
o
almoço.
Pelo
menos
não
vamos
comer
algo
diferente
hoje.
--
É.
As
coisas
tão
melhorando
por
aqui
--
disse
minha
prima
rindo.
--
Num
aguentava
mais
comer
frutas
o
tempo
todo.
Saíram.
Por
alguns
minutos
fiquei
às
sós
com
Luciana.
E
para
quebrar
o
silêncio,
perguntei:
--
E
o
pé?
Como
tá?
--
Pelo
menos
parou
de
doer
um
pouco.
--
É
só
não
forçar
que
em
três
ou
quatro
dias
ele
já
vai
tá bem
melhor.
--
Você
acha
que
até
lá
estarei
andando?
--
quis
saber,
com
certo
entusiasmo,
como
se
minhas
previsões
fossem
infalíveis.
--
Talvez
--
procurando
manter
vivas
suas
esperanças.
Não
queria
desapontá-la
e
deixá-la
de
mau
humor,
pois
se
o
fizesse
a
coisa
acabaria
refletindo
em
nós
mesmos.
Até
lá
ela
estaria
mais
conformada
e
viria
que
sua
recuperação
poderia
levar
semanas.
--
Não
quero
você
andando
com
aquelazinha
por
aí.
--
Num
precisa
se
preocupar.
Num
vou
fazer
nada
com
ela.
Já
disse!
--
respondi
com
irritação,
deixando
bem
claro
o
quanto
essa
conversa
me
desagradava.
De
fato,
toda
vez
em
que
ela
falava
da
Marcela
daquele
jeito
eu
me
irritava.
Ela
não
podia
compreender,
mas
eu
amava
outra
e
não
ela.
Se
era
condescendente
com
Luciana
e
a
deixava
praticar
certos
atos
comigo
era
por
medo
e
fraqueza.
Se
tivesse forças e pudesse
escolher,
não
faria
com
ela
aquelas
coisas
de
jeito
nenhum,
mas
a
minha
covardia
não
deixava.
Por
isso,
na
medida
do
possível
procurava
fugir
dela,
mas
nem
sempre
isso
era
possível.
--
É
bom
mesmo!
Nisso,
Marcela
e
Ana
Paula
retornaram
com
os
peixes
limpos.
Marcela,
por
ter
mais
experiência,
colocou-os
para
assarem
na
fogueira
enquanto
minha
prima
se
encarregava
de
manter
o
fogo
a
todo
vapor,
alimentando-o
com
pequenos
gravetos.
E
não
demorou
a ficarem
prontos,
embora
talvez
se
os
houvéssemos
deixado
mais
teriam
ficado
mais
saborosos.
No
entanto
não
reclamamos
da
falta
de
tempero
e
sal.
Melhor
assim
do
que
comermos
frutas
o
tempo
todo.
--
Um pouco de sal e eles iam ficar mais saborosos – disse Luciana.
--
Mas a gente num tem sal – falei.
--
Por que a gente não tira do mar? -- inquiriu Marcela.
--
Mas num tem sal aqui. Só água salgada – interveio Ana Paula
--
É só a gente por a água do mar dentro de algum recipiente e deixar
ela evaporar. O sal não evapora e vai ficar no fundo do recipiente –
explicou.
Aquela
sugestão rendeu uma acalorada discussão. Se por um lado havia a
possibilidade de obter sal para temperar os peixes, por outro havia a
dificuldade em obtê-lo. Não havia um recipiente grande o suficiente
onde pudéssemos armazenar uma grande quantidade de água. E essa
dificuldade acabou adiando a tentativa de obtê-lo até que houvesse
como. Por fim, concluímos que isso não era tão importante e
necessário assim.
Súbito,
fez um breve silêncio.
--
Estava saboroso, mas não
deu
para
matar
direito
a
fome
--
disse
Luciana.
--
Quer
que
eu
vá
pegar
alguma
fruta?
--
perguntei.
--
Não.
Precisa
não.
Mas
se
você
quiser
trazer
um
pouco
de
água
eu
aceito.
Apanhei
a
casca
de
coco,
a
qual
usávamos
para
transportar
e beber água
--
embora
quando
tínhamos
sede
íamos
na
fonte,
pois
a
mesma
ficava
a
menos
de
um
quilômetro
da
cabana
--,
e
fui
buscar
água.
Aliás,
a
sede
não
nos
preocupava
tanto
quanto
a
fome.
Talvez
porque
sabíamos
que
água
não
nos
faltaria.
Quando
algum
de
nós
sentia
sede,
simplesmente
ia
até
a
fonte,
onde
encontramos
a
faca,
bebia
e
retornava
sem
dar
santificação
aos
demais.
Era
como
fazer
uma
necessidade:
todos
nós
fazíamos
naturalmente,
sem
alarde.
No
entanto,
para
Luciana,
devido
à impossibilidade
de
se
locomover,
isso
deixou
de
ser
uma
coisa
simples
e
natural.
Pois
dependia
de nós para
tudo, embora quase sempre esse
“nós” se resumia a mim.
Ao
retornar,
passei
pelas
meninas.
Estavam
tomando
banho
de
mar.
E
embora
não
tenha
prestado
atenção,
pude
perceber
que
diziam
alguma
coisa
engraçada
uma
para
a
outra,
pois
ambas
riam
alto.
"Só
espero
que
num
estejam
falando
de
mim",
lembro-me
de
pensar.
De
vez
em
quando
via-as
cochichando
e,
embora
não
soubesse
do
que
se
tratava,
achava
que
falavam
de
mim.
Talvez
por
andar
fazendo
coisas
erradas
com
Luciana, vivia receoso e
desconfiado. Aliás,
tinha
quase
certeza
de
que
sabiam
de
alguma
coisa.
Por
mais
que
Luciana
não
contara
nada,
não
era possível,
devido
ao
comportamento
meu
e
principalmente
ao dela,
que
Marcela
não
tenha
notado nada.
Quanto a Ana
Paula
abrir a
boca e comentar alguma coisa eu
não temia e sabia que não falaria nada,
ainda
mais
depois
das
ameaças
que
lhe
fiz.
Entreguei
o
pote com
água
para
Luciana
e
ela
bebeu.
--
Quer
mais?
--
perguntei.
--
Não.
Obrigada
--
foi
a
resposta
que
me
deu,
entregando-me
a
casca
de
coco
vazia.
E
depois
de
um
breve
silêncio
perguntou
um
tanto
mal
humorada:
--
Por
que
aquelas
duas
vadias
tanto
ri?
Apesar
de
não
ser
uma
pessoa
mal
humorada,
o
estado
de
espírito
de
Luciana
contrastava
com
o
daquelas
duas.
E
pela
maneira
como
se
referiu
à
Ana
Paula
e
Marcela,
pude
perceber
o
quanto
a
descontração
delas
irritava
a
outra.
--
Num
faço
a
menor
ideia
--
respondi.
--
Mas
vou
lá
dar
uma
olhada.
--
Não.
Não
precisa!
Não
quero
que
você
vá.
Fique
aqui
comigo,
meu
hominho.
Disse-lhe
que
não
demoraria.
Ela
insistiu
para
que
ficasse
com
ela,
alegando
que
se
sentia
muito
sozinha
presa
naquela
cabana.
Respondi-lhe
que
uns
minutinhos
sem
mim
não
fariam
diferença.
E
também
precisava
dar
uma
mijada.
Aliás
usei
isso
como
desculpa.
Aproximei.
Não
me
viram
chegar
porque
pareciam
procurar
alguma
coisa.
Aliás,
pude
ver
no
rosto
de
Ana
Paula,
antes
que
ela
mergulhasse,
um
certo
ar
de
desespero.
Achei
estranho
aquilo,
porque
momentos
antes
podia-se
ouvir
da
cabana
as
duas
brincando.
E
quando
aproximei
e
notaram
a
minha
presença
foi
como
se
vissem
um
fantasma.
Não
notei
nada
de
diferente
porque
estavam
com
água
até
o
pescoço.
--
O
que
foi?
--
indaguei,
deduzindo
que
havia
algo
de
errada.
Ambas
entreolharam-se.
Só
então
Ana
Paula
resolveu
falar:
--
Marcela
perdeu
a
parte
de
baixo
do
biquíni.
Instintivamente
olhei
para
ela
e,
apesar
de
coberta
pela
água
do
mar,
a
imagem
de
seu
corpo
seminu
condensou-me
no
cérebro.
Obviamente
ocorreu
uma
transposição
de
imagens.
Na
verdade
aquela
parte
do
corpo
dela
que
se
manteve
até
então
coberta
pelo
biquíni
e
que
se
formou
nos
meus
pensamentos
não
eram
dela,
mas
de
Luciana.
Eu
completara
a
parte
oculta
com
o
que
estava
acostumado
a
ver
na
outra.
--
Como
isso
aconteceu?
--
perguntei
surpreso.
--
Ela
tirou
para
lavar
e
de
brincadeira
tomei
da
mão
dela.
Ela
começou
a
correr
atrás
de
mim
e
joguei
por
ali
– apontou
Ana
Paula
para
um
ponto
cerca
de
meio
metro
de
onde
estavam,
em
direção
ao
mar.
--
Só
que
ele
afundou
e
num
achamos
mais.
--
Já
procuramos,
mas
nenhum
sinal
--
volveu
Marcela.
--
Vô
dá
um
mergulho
pra
ver
se
acho.
Mergulhei.
Mas
ao
invés
de
me
atentar
em
achar
a
peça
do
biquíni,
procurei
antes
de
mais
nada,
manter
os
olhos
bem
atentos
para
ver
se
conseguia
observar
o meio das pernas de Marcela.
Talvez
se
perdesse
aquela
oportunidade
não
teria
outra.
E
de
mais
a
mais,
fui
tomado
pela
curiosidade
em
saber
se
a dela era
igual
a da Luciana.
Embora
soubesse
que
as
duas
tinham
a
mesma
coisa,
desejava
saber
o que
havia de diferente.
Talvez
por
estar
apaixonado
por
Marcela,
estava
certo
de
que
não
só
naquela
parte
do
corpo,
mas
em
tudo
que
se
referia
a
ela,
era
mais
bonito
e
mais
perfeito.
Era
muito
jovem
e
inocente
para
saber
que
o
amor
é
cego
e
transforma
a
feiura
em
beleza,
porém
só
fazia
confirmar
o
velho
ditado.
E
se
não
estivesse
cerca
de
meio
metro
dela,
teria
visto
tudo
com
clareza,
mas
a
água
distorcia
as
imagens.
Por
isso,
naquela
primeira
investida,
não
pude
ver
muita
coisa.
Embora
conseguisse
prender
a
respiração
por
bastante
tempo,
não
quis
que
ela
desconfiasse
das
minhas
intenções.
Então
voltei
à
tona
e
disse-lhe
que
não
estava
conseguindo
ver
muita
coisa.
--
Mas
vô
tentar
de
novo
– falei.
Prendi
a
respiração
e
dei
outro
mergulho.
Fui
ao
fundo
e
me
segurei
na
areia
para
que
dessa
forma
ficasse
difícil
para
saberem
onde
eu
estava.
E
com
muito
cuidado
para
não
voltar
a
superfície,
aproximei
de
Marcela,
numa
distância
onde
a
água
não
distorcesse
minha
visão.
E
o
que
vi
quase
me
fez
perder
o
controle
e
emergir
diante
dela.
Ainda
hoje
tenho
essa
imagem
impressa
no
cérebro
como
se
essa
visão
houvesse
ocorrido
a
poucos
instantes.
Acredito
inclusive
que
mesmo
quando
a
vida
estiver
me
escapando
e
a
morte
me
estendendo
a
mão
e
a
vida
me
passar
como
um
flash,
essa
imagem
passará
diante
dos
meus
olhos
com
todos
os
detalhes.
Embora
ela
estivesse
com
as
pernas
juntas
e
não
me
fosse
possível
ver
muita
coisa,
só
a
visão
daqueles
pelos
negros,
apesar
de
mais
curtos
e
espaçados
que
os
de
Luciana,
foi-me
suficiente.
Dava
por
satisfeito
por
ter
retido
aquela
imagem.
Mas
havia
mais.
Um
detalhe
me
chamou
ainda
mais
a
atenção.
Uma
parte
dela
parecia
sair
para
fora.
Era
algo
pequeno,
mas
que
eu
não
tinha
visto
em
Luciana.
E
esse
algo,
que
eu
não
fazia
a
menor
ideia
do
que
se
tratava,
intrigou-me
de
uma
forma
que,
se
não
fosse
a
falta
de
ar,
eu
teria
o
observado
por
mais
tempo
até
ter
uma
noção
melhor
do
que
se
tratava.
Mas
o
instinto
de
sobrevivência
falou
mais
alto
e
então
dei
um
impulso
para
trás
e
voltei
à
tona.
Se
tivesse
outra
oportunidade,
observaria
com
mais
atenção
e
tentaria
descobrir.
--
E
aí?
Achou?
– Foi
a
pergunta
que
Marcela
me
fez.
--
Não.
Nada.
A
Correnteza
deve
ter
levado
ela
– respondi.
--
E
agora
o
que
faço?
Ana
Paula
olhou
para
minha
cara
a
procura
de
uma
resposta.
Pensei
em
dizer-lhe
para
ficar
assim
mesmo.
Mas
obviamente
isso
lhe
seria
constrangedor,
embora
se
demorássemos
mais
tempo
naquela
ilha,
mais
cedo
ou
mais
tarde
nossas
roupas
acabariam
se
despedaçando.
Então
ocorreu-me
de
sugerir-lhe:
--
Tira
a
parte
de
cima
e
amarra
em baixo.
Titubeante,
acabou
dizendo:
--
Mas
eu
vou
ficar
com
os
peitos
de
fora?
--
E
qual
o
problema?
Eu
e
a
Luciana
num
já
estamos?
--
acudiu
Ana
Paula,
com
um
certo
sorriso.
--
Melhor
isso
que
sua
coisa
de
fora
– falei,
dando
de
ombros,
como
se
não
lhe
houvesse
outra
saída.
--
Então
sai
daqui,
que
a
gente
vai
tentar
dar
um
jeito
– Pediu
ela,
virando-se
de
frente
para
a
imensidão
do
oceano.
Constrangido,
acabei
por
me
afastar
em
direção
à
areia.
Aliás,
era
o
melhor
que
eu
tinha
a
fazer.
Se
saísse
com
elas,
vir-me-iam
excitado.
Era
preciso
esconder
isso
não
só
delas
como
de
Luciana.
Assim,
fui
em
direção
ao
bananal
e,
longe
das
vistas
daquelas
duas,
bati
uma
rápida
punheta,
já
que
aquela
imagem
tão
fresca
em
minha
mente
tratou
de
apressá-la
a
ponto
de
me
provocar
uma
ejaculação
quase
instantânea.
terça-feira, 13 de maio de 2014
A VONTADE DE NADA
Feliz quem não busca a verdade de nada
Porque verdade mesmo não há
São apenas explicações mal dadas
E uma forma de nos confortar.
Tudo é inconstante e inconsequente
Como nossas mais firmes opiniões
Pois julgamos moral e parcialmente
O outro com as nossas paixões
Mesmo que a verdade fosse alcançada
Nós a ignoraríamos e deixaríamos pra lá
Pois seria uma carga por demais pesada
Para qualquer ser humano carregar
A ilusão é a verdade aparente
É a raiz de todas as religiões
É a fantasia plantada profundamente
Na nossa alma e em nossos corações
Porque verdade mesmo não há
São apenas explicações mal dadas
E uma forma de nos confortar.
Tudo é inconstante e inconsequente
Como nossas mais firmes opiniões
Pois julgamos moral e parcialmente
O outro com as nossas paixões
Mesmo que a verdade fosse alcançada
Nós a ignoraríamos e deixaríamos pra lá
Pois seria uma carga por demais pesada
Para qualquer ser humano carregar
A ilusão é a verdade aparente
É a raiz de todas as religiões
É a fantasia plantada profundamente
Na nossa alma e em nossos corações
sexta-feira, 2 de maio de 2014
UM QUERER CONSTANTE
O meu querer, é um querer constante
É uma volúpia, um não sei o que dizer
Que se faz mais intenso no instante
Em que tua a roupa você faz ceder
Tua nudez, tão única e virginal
É um narcótico que me faz diminuir
O homem e sobressair o animal
Cuja chama que não se pode extinguir,
Sem que a carne com a carne
Num ir e vir de forma tão frenética
O nó da volúpia e da desrazão se desarme
Ainda sim, o meu querer não finda enfim
Pois a estonteante beleza de tua estética
Faz-me a imaginação não ter fim...
É uma volúpia, um não sei o que dizer
Que se faz mais intenso no instante
Em que tua a roupa você faz ceder
Tua nudez, tão única e virginal
É um narcótico que me faz diminuir
O homem e sobressair o animal
Cuja chama que não se pode extinguir,
Sem que a carne com a carne
Num ir e vir de forma tão frenética
O nó da volúpia e da desrazão se desarme
Ainda sim, o meu querer não finda enfim
Pois a estonteante beleza de tua estética
Faz-me a imaginação não ter fim...
sábado, 12 de abril de 2014
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 42
-- O que aconteceu? -- perguntou Luciana. -- Tá com a cara de quem viu fantasma.
De fato eu estava muito amedrontado. No entanto, não tive coragem de confessar a verdade. Ela não acreditaria e ainda caçoaria de mim e me humilharia como gostava de fazer. Parecia sentir prazer em fazê-lo. – aliás, como gostam de fazer todos aqueles que, para manter o controle sobre o outro, procura humilhá-lo e rebaixá-lo para que este se sinta impotente e aceite melhor sua condição, sem forças para contestar. Desta feita, preferi responder:
-- Nada não. É que vim correndo e tô cansado.
Se de fato acreditou, não sei dizer, pois parecia por demais preocupada com a lesão no pé. Quis apenas saber minha opinião acerca dos benefícios de enfaixá-lo com folhas de bananeira.
-- Você acha que vai ajudar a sarar mais rápido?
-- Acho. Quando a gente se machuca o médico num manda enfaixar? Então? É pra sarar logo.
Esse diálogo, que prosseguiu em torno da gravidade e do tempo de recuperação daquela lesão, findou com a chegada de Marcela e Ana Paula. Elas vinham alegremente falando de algo que suspeitei estar relacionado a mim; pois, ao me avistarem, súbito silenciaram com uma expressão de surpresa no rosto, como se não esperassem me encontrar ali.
-- Uai! Já voltou? -- disse minha prima.
-- Não. Tô lá ainda! -- exclamei.
A minha resposta arrancou uma gargalhada de Luciana, a qual em tom provocativo acrescentou em seguida:
-- Idiota! Se ele está aqui é porque chegou né!
-- Idiota é você, sua imprestável, que tá aí entrevada...
Antes que ela terminasse a frase, intervi:
-- Vão parar as duas. Já num temos problemas demais aqui pra ficarem arrumando mais? -- indaguei. Embora tenha sido o culpado por aquele princípio de tumulto, a inimizade entre Luciana e Ana Paula só colocou mais lenha naquela fogueira por demais incendiária.
Silenciaram-se.
Eu não sabia como enfaixar o pé lesionado, ainda mais que o material usado não era o adequado e qualquer toque provocava-lhe muita dor. Desta feita a contribuição de Marcela foi por demais útil, embora, a medida em que o enfaixava, Luciana, apesar de gemer de dor a cada pequeno movimento na parte lesionada, também explicava como melhor pôr-lhe as ataduras. Aliás, foi uma tarefa dificultosa, onde tive de executá-la com uma delicadeza e paciência incrível, coisa que não estava acostumado a fazer, pois, embora fosse um garoto tímido, a delicadeza, muitas vezes encontrado em pessoas assim, não fazia parte das minhas qualidades. Até isso me faltava.
-- Pronto – disse após dar um nó para prender os pedaços de folha na canela. Embora o trabalho não tenha ficado lá essas coisas, percebia-se um resultado razoável, capaz de se não resolvesse o problema pelo menos imobilizaria em parte o pé contribuindo assim para uma recuperação mais rápida.
-- Ufa! Ainda bem. Já não aguentava mais – exclamou ela.
-- Isso vai te ajudar a recuperar depressa – disse Marcela levantando-se, que até então permanecera agachada ao meu lado. -- A gente não sabe quando vamos ser resgatada.
-- Se é que vamos – obtemperou Luciana.
-- Claro que vamos. E num vai demorar – declarou Ana Paula que, devido à inimizade com Luciana, mantinha-se recostada à entrada da cabana assistindo com certo deleite o sofrimento da outra.
-- Espero que você esteja certa – falei, -- porque eu lá tenho as minhas dúvidas.
Houve um pequeno debate onde a posição de cada um de nós sobre o resgate ficou bem clara. Tanto eu quanto Luciana era partidário de que as buscas por nós haviam cessado enquanto que Ana Paula não aceitava isso e insistia que estavam a nossa procura e que seríamos encontrados em mais dois ou três dias. Marcela por outro lado mantinha uma posição dúbia. Ora concordava comigo e Luciana, ora apoiava a posição de Ana Paula. Aliás, com o passar dos dias acabou aceitando que tanto eu quanto Luciana estávamos com a razão.
Aliás, nesse ínterim esqueci por completo o incidente de mais cedo, o qual me levou a retornar para a cabana com o coração escapando pela boca. No entanto, quando Marcela e Ana Paula anunciaram que dariam uma volta pela ilha, a lembrança daquele som que eu não sabia do que se tratava veio-me à memória e, como ocorrera ao ouvi-lo, um filete de gelo percorreu-me a espinha. E se não fosse isso, talvez teria acompanhado as duas, mas faltou-me coragem. Assim permaneci quieto e compenetrado em meus pensamentos.
Partiram.
– O que foi? Você parece meio esquisito – quis saber Luciana, deitada a minha frente, pois ainda permanecia agachado ao lado do pé lesionado.
– Nada não.
– Como não? Pensa que não te conheço? Vai. Não seja bobo. Desembucha logo – insistiu, fazendo esforço para sentar.
Relutei em contar. Contudo, mesmo impossibilitada de se mover, Luciana exercia poder sobre mim, talvez porque eu já começava a me acostumar com aquela condição. Assim, não me restou outra alternativa a não ser contar-lhe.
– Mas você com essa história de novo! Nós já não demos uma volta por aí e não achamos nada?
Anui.
– Então? Isso é fruto da sua imaginação, só isso! Você só se assustou da primeira vez e agora qualquer barulho te deixa com medo. Vem cá, meu bebezinho – disse ela estendendo um dos braços e pegando-me na mão. – Não precisa ficar com medo – acrescentou. Pensei em recusar; contudo, suas palavras dominavam feito o canto de uma sereia, o que me acabou puxando para ela. Súbito estava nos seus braços feito uma criança assustada no colo da mãe. – Eu não vou deixar que nada te aconteça. É só você ser um bom menino e me obedecer.
Por um momento eu realmente me senti confortado e seguro. E embora aquela lembrança me continuava viva na memória, nos braços de Luciana, com o rosto colado nos seus seios, ela não me parecia mais tão assustadora. Aliás, cheguei até mesmo a duvidar que houvesse escutado algum som estranho. Talvez eu tenha me enganado e, sob a influência do medo, tenha imaginado tudo aquilo. “Vai ver que ela tá certa! Vai ver que eu ando imaginando coisas mesmo!”, pensei. No entanto, eu não estava certo de nada. Possivelmente, quando estivesse sozinho, não teria a mesma opinião e então meus temores me causariam novos calafrios e eu voltaria achar que havia alguma coisa naquela mata a nos observar.
– Vem cá. Deita aqui do me ladinho – pediu ela. – Quero te abraçar. Me sinto tão sozinha e abandonada nesse estado. Você não faz ideia. É horrível não poder sair por aí como aquelas duas – começou ela a se lamentar. – Pelo menos a gente se distraia um pouco, não ficava pensando nos nossos familiares e não sentiria tanta falta de casa. Eu me sinto como um animal preso, enjaulado. Ah, meu anjo! É tão horrível. – Era a primeira vez a ouvi-la me chamar assim, de forma tão carinhosa e com uma ternura que me tocou o coração. Senti pena dela e naquele momento esqueci por completo não só tudo que me fizera como também as ameças com relação à Marcela. – Ainda bem que tenho você para me ajudar a suportar tudo isso. Quando você está assim tão juntinho de mim eu me sinto a mulher mais feliz e poderosa do mundo.
Ergui a cabeça e olhei-a nos olhos. Brilhavam como eu nunca tinha visto. Por um momento achei que ela fosse chorar, todavia abaixou a cabeça e aproximou seus lábios dos meus, beijando-me ardentemente. Confuso e impotente, pois não esperava aquele tipo de reação por parte dela, só não deixei-a me beijar como correspondi ao beijo, abraçando-a fortemente.
Foi mais um erro, um erro gravíssimo. Mas como evitá-lo. Era um garoto bobo, inexperiente, muito aquém da esperteza dela. Como eu poderia saber que por trás daquelas belas e comoventes palavras havia uma segunda intenção. Hoje eu sei que muitas mulheres fazem esse jogo porque é uma das formas mais eficientes de enganar o homem, pois estes se iludem facilmente como tais palavras, achando que têm o dever de amparar o sexo frágil, quando na realidade não há fragilidade alguma. Embora sem condições de sair daquela cabana sozinha, Luciana sabia como poucas me manter no cabresto. Aliás, essa é a única explicação para eu não a tenha deixado ali, sozinha, quando, aproveitando que estava em seu poder, levou-me a mão a suga e empurrando-a para baixo, disse com naturalidade:
– Deixa eu ver como está o meu brinquedinho. – Pegou-me no pênis encolhido e acrescentou: – estou com saudades de você. Quando eu estiver melhor a gente vai brincar muito, muito mesmo.
Tentei puxar-lhe a mão e cobri-lo novamente. No entanto, ela disse:
– Não, não. Ele é meu! E brinco com ele o quando quiser. Não é, minha coisinha fofa, deliciosa? -- falou. Súbito porém acrescentou: -- E se eu desconfiar que uma daquelas vadiazinhas andou brincando com você, eu te arranco com uma mordida. Tá entendendo? – Ao proferir tais palavras, fez questão de apertá-lo a fim de me provocar dor.
Senti medo. E fiquei tão amedrontado quanto ficara ao ouvir aquele som vindo da floresta. Todavia, o medo não era de um castigo divino ou coisa parecido, mas por temer não só pelo meu futuro como pelo de Marcela e Ana Paula naquela ilha se por ventura precisássemos ficar ali por muito tempo. Se levássemos semanas ou meses longe da civilização, mais cedo ou tarde a barbárie acabaria despertando nela e as consequências seriam inimagináveis. Assim, tomado pela impotência, deixei que ela continuasse.
– Faz ele ficar grande – pediu.
– Para quê? Você num pode fazer nada – argumentei.
– Não importa. Quero ver ele grande. Não gosto dele assim. Acho muito esquisito e feio. Ele deveria ficar sempre grande. É tão bonito. Não todo enrugado e encolhido assim, feito uma coisa morta. – Luciana continuava a brincar com meu pênis, ora balançando-o de um lado para outro, ora empurrando e puxando o prepúcio. Aliás, ela parecia sentir algum prazer nisso.
– Não consigo – respondi.
– Claro que você consegue. Chupa meus peitos e se concentra. Pensa que não sei que é assim que funciona? Com a gente é assim. Eu fico quando você me acaricia e chupa eles. Com vocês também não deve ser diferente. Foi assim que fiz o Paulinho ficar de pinto duro. Parecia contigo. Tinha a tua idade e era tímido que nem tu é. Ele quis escapar mais segurei ele. Quando levantei a camiseta e mandei ele chupar meus peitos, o pinto dele cresceu rapidinho. Era um pintinho fino e cumprido, mais e mais rosado que o teu. Se a gente tivesse mais tempo acho que tinha deixado ele enfiar em mim. Mas eu só queria ver e pegar.
Obedeci. E de fato aqueles mamilos nos meus lábios deram resultado. Vendo-o crescer sentiu-se satisfeita e exclamou:
– É tão bonito ver ele ficar grande. Parece uma coisa mágica. Parece que ele não vai parar nunca de crescer. Mas aí ele para e se torna tão duro. Nem parece que agorinha era uma coisa horrível e todo mole.
Continuou a observá-lo enquanto mexia aqui e ali. Houve um momento em que o soltou e agarrou-me os testículos como já fizera uma vez. Então apertou um e depois o outro entre os dedos. Súbito, indagou:
– É daqui que sai aquela coisa que chamam de “esperma”, não é?
– Não sei. Acho que sim – respondi. De fato não sabia. Era o tipo de garoto, talvez por ser ainda muito jovem, que não se preocupara em conhecer a fundo como se engravidava uma mulher e nem de onde vinha o “aquilo que saia de mim” quando me masturbava. Suspeitava que poderia ser dos testículos, mas não estava certo.
– Como não sabe! Todo homem deveria saber. Como você pode ser tão ingênuo assim, garoto? Em que mundo você vive?
Luciana parecia indignada. Eu por outro lado jazia com as faces em brasa de vergonha, por não saber algo que ela me fazia acreditar que tinha a obrigação de saber. Talvez se sua mão não me segurasse firmemente os testículos, eu teria me levantado e a deixado sozinha. Mas se tentasse escapar, ela os agarraria e então a dor seria insuportável. Assim, esperei que os soltasse, o que de fato aconteceu pouco depois. Então me levantei.
– Onde você pensa que vai?
– Vou pegar alguma coisa pra comer. Tô ficando com fome – respondi.
Luciana me atirou seu olhar faiscante, como se sentisse enganada e declarou:
– Mentira. Sei muito bem o que você vai fazer.
– Não. Num vou fazer nada.
De fato não mentira. Embora tenha usado uma desculpa para me afastar, não pensava em me masturbar. Só não queria mais ficar ali, em suas mãos, sendo tocado como um boneco de luxo que quando ela cansa de brincar atira-o num canto até que sente vontade novamente.
– É sim – disse ela quando me viu sair da cabana. – Vem cá – chamou. – Deixa e fazer para você. Vai ser mais gostoso.
Não lhe dei ouvidos. Apanhei a vara de pescar e virei em direção às pedras, onde ela se machucara no dia anterior. Ao me afastar, ainda pude ouvi-la dizer:
– Volte aqui, Sílvio! Se você não quer que eu faça então eu deixo você pôr ele em mim. Eu também quero. Tô morrendo de vontade dele.
De fato eu estava muito amedrontado. No entanto, não tive coragem de confessar a verdade. Ela não acreditaria e ainda caçoaria de mim e me humilharia como gostava de fazer. Parecia sentir prazer em fazê-lo. – aliás, como gostam de fazer todos aqueles que, para manter o controle sobre o outro, procura humilhá-lo e rebaixá-lo para que este se sinta impotente e aceite melhor sua condição, sem forças para contestar. Desta feita, preferi responder:
-- Nada não. É que vim correndo e tô cansado.
Se de fato acreditou, não sei dizer, pois parecia por demais preocupada com a lesão no pé. Quis apenas saber minha opinião acerca dos benefícios de enfaixá-lo com folhas de bananeira.
-- Você acha que vai ajudar a sarar mais rápido?
-- Acho. Quando a gente se machuca o médico num manda enfaixar? Então? É pra sarar logo.
Esse diálogo, que prosseguiu em torno da gravidade e do tempo de recuperação daquela lesão, findou com a chegada de Marcela e Ana Paula. Elas vinham alegremente falando de algo que suspeitei estar relacionado a mim; pois, ao me avistarem, súbito silenciaram com uma expressão de surpresa no rosto, como se não esperassem me encontrar ali.
-- Uai! Já voltou? -- disse minha prima.
-- Não. Tô lá ainda! -- exclamei.
A minha resposta arrancou uma gargalhada de Luciana, a qual em tom provocativo acrescentou em seguida:
-- Idiota! Se ele está aqui é porque chegou né!
-- Idiota é você, sua imprestável, que tá aí entrevada...
Antes que ela terminasse a frase, intervi:
-- Vão parar as duas. Já num temos problemas demais aqui pra ficarem arrumando mais? -- indaguei. Embora tenha sido o culpado por aquele princípio de tumulto, a inimizade entre Luciana e Ana Paula só colocou mais lenha naquela fogueira por demais incendiária.
Silenciaram-se.
Eu não sabia como enfaixar o pé lesionado, ainda mais que o material usado não era o adequado e qualquer toque provocava-lhe muita dor. Desta feita a contribuição de Marcela foi por demais útil, embora, a medida em que o enfaixava, Luciana, apesar de gemer de dor a cada pequeno movimento na parte lesionada, também explicava como melhor pôr-lhe as ataduras. Aliás, foi uma tarefa dificultosa, onde tive de executá-la com uma delicadeza e paciência incrível, coisa que não estava acostumado a fazer, pois, embora fosse um garoto tímido, a delicadeza, muitas vezes encontrado em pessoas assim, não fazia parte das minhas qualidades. Até isso me faltava.
-- Pronto – disse após dar um nó para prender os pedaços de folha na canela. Embora o trabalho não tenha ficado lá essas coisas, percebia-se um resultado razoável, capaz de se não resolvesse o problema pelo menos imobilizaria em parte o pé contribuindo assim para uma recuperação mais rápida.
-- Ufa! Ainda bem. Já não aguentava mais – exclamou ela.
-- Isso vai te ajudar a recuperar depressa – disse Marcela levantando-se, que até então permanecera agachada ao meu lado. -- A gente não sabe quando vamos ser resgatada.
-- Se é que vamos – obtemperou Luciana.
-- Claro que vamos. E num vai demorar – declarou Ana Paula que, devido à inimizade com Luciana, mantinha-se recostada à entrada da cabana assistindo com certo deleite o sofrimento da outra.
-- Espero que você esteja certa – falei, -- porque eu lá tenho as minhas dúvidas.
Houve um pequeno debate onde a posição de cada um de nós sobre o resgate ficou bem clara. Tanto eu quanto Luciana era partidário de que as buscas por nós haviam cessado enquanto que Ana Paula não aceitava isso e insistia que estavam a nossa procura e que seríamos encontrados em mais dois ou três dias. Marcela por outro lado mantinha uma posição dúbia. Ora concordava comigo e Luciana, ora apoiava a posição de Ana Paula. Aliás, com o passar dos dias acabou aceitando que tanto eu quanto Luciana estávamos com a razão.
Aliás, nesse ínterim esqueci por completo o incidente de mais cedo, o qual me levou a retornar para a cabana com o coração escapando pela boca. No entanto, quando Marcela e Ana Paula anunciaram que dariam uma volta pela ilha, a lembrança daquele som que eu não sabia do que se tratava veio-me à memória e, como ocorrera ao ouvi-lo, um filete de gelo percorreu-me a espinha. E se não fosse isso, talvez teria acompanhado as duas, mas faltou-me coragem. Assim permaneci quieto e compenetrado em meus pensamentos.
Partiram.
– O que foi? Você parece meio esquisito – quis saber Luciana, deitada a minha frente, pois ainda permanecia agachado ao lado do pé lesionado.
– Nada não.
– Como não? Pensa que não te conheço? Vai. Não seja bobo. Desembucha logo – insistiu, fazendo esforço para sentar.
Relutei em contar. Contudo, mesmo impossibilitada de se mover, Luciana exercia poder sobre mim, talvez porque eu já começava a me acostumar com aquela condição. Assim, não me restou outra alternativa a não ser contar-lhe.
– Mas você com essa história de novo! Nós já não demos uma volta por aí e não achamos nada?
Anui.
– Então? Isso é fruto da sua imaginação, só isso! Você só se assustou da primeira vez e agora qualquer barulho te deixa com medo. Vem cá, meu bebezinho – disse ela estendendo um dos braços e pegando-me na mão. – Não precisa ficar com medo – acrescentou. Pensei em recusar; contudo, suas palavras dominavam feito o canto de uma sereia, o que me acabou puxando para ela. Súbito estava nos seus braços feito uma criança assustada no colo da mãe. – Eu não vou deixar que nada te aconteça. É só você ser um bom menino e me obedecer.
Por um momento eu realmente me senti confortado e seguro. E embora aquela lembrança me continuava viva na memória, nos braços de Luciana, com o rosto colado nos seus seios, ela não me parecia mais tão assustadora. Aliás, cheguei até mesmo a duvidar que houvesse escutado algum som estranho. Talvez eu tenha me enganado e, sob a influência do medo, tenha imaginado tudo aquilo. “Vai ver que ela tá certa! Vai ver que eu ando imaginando coisas mesmo!”, pensei. No entanto, eu não estava certo de nada. Possivelmente, quando estivesse sozinho, não teria a mesma opinião e então meus temores me causariam novos calafrios e eu voltaria achar que havia alguma coisa naquela mata a nos observar.
– Vem cá. Deita aqui do me ladinho – pediu ela. – Quero te abraçar. Me sinto tão sozinha e abandonada nesse estado. Você não faz ideia. É horrível não poder sair por aí como aquelas duas – começou ela a se lamentar. – Pelo menos a gente se distraia um pouco, não ficava pensando nos nossos familiares e não sentiria tanta falta de casa. Eu me sinto como um animal preso, enjaulado. Ah, meu anjo! É tão horrível. – Era a primeira vez a ouvi-la me chamar assim, de forma tão carinhosa e com uma ternura que me tocou o coração. Senti pena dela e naquele momento esqueci por completo não só tudo que me fizera como também as ameças com relação à Marcela. – Ainda bem que tenho você para me ajudar a suportar tudo isso. Quando você está assim tão juntinho de mim eu me sinto a mulher mais feliz e poderosa do mundo.
Ergui a cabeça e olhei-a nos olhos. Brilhavam como eu nunca tinha visto. Por um momento achei que ela fosse chorar, todavia abaixou a cabeça e aproximou seus lábios dos meus, beijando-me ardentemente. Confuso e impotente, pois não esperava aquele tipo de reação por parte dela, só não deixei-a me beijar como correspondi ao beijo, abraçando-a fortemente.
Foi mais um erro, um erro gravíssimo. Mas como evitá-lo. Era um garoto bobo, inexperiente, muito aquém da esperteza dela. Como eu poderia saber que por trás daquelas belas e comoventes palavras havia uma segunda intenção. Hoje eu sei que muitas mulheres fazem esse jogo porque é uma das formas mais eficientes de enganar o homem, pois estes se iludem facilmente como tais palavras, achando que têm o dever de amparar o sexo frágil, quando na realidade não há fragilidade alguma. Embora sem condições de sair daquela cabana sozinha, Luciana sabia como poucas me manter no cabresto. Aliás, essa é a única explicação para eu não a tenha deixado ali, sozinha, quando, aproveitando que estava em seu poder, levou-me a mão a suga e empurrando-a para baixo, disse com naturalidade:
– Deixa eu ver como está o meu brinquedinho. – Pegou-me no pênis encolhido e acrescentou: – estou com saudades de você. Quando eu estiver melhor a gente vai brincar muito, muito mesmo.
Tentei puxar-lhe a mão e cobri-lo novamente. No entanto, ela disse:
– Não, não. Ele é meu! E brinco com ele o quando quiser. Não é, minha coisinha fofa, deliciosa? -- falou. Súbito porém acrescentou: -- E se eu desconfiar que uma daquelas vadiazinhas andou brincando com você, eu te arranco com uma mordida. Tá entendendo? – Ao proferir tais palavras, fez questão de apertá-lo a fim de me provocar dor.
Senti medo. E fiquei tão amedrontado quanto ficara ao ouvir aquele som vindo da floresta. Todavia, o medo não era de um castigo divino ou coisa parecido, mas por temer não só pelo meu futuro como pelo de Marcela e Ana Paula naquela ilha se por ventura precisássemos ficar ali por muito tempo. Se levássemos semanas ou meses longe da civilização, mais cedo ou tarde a barbárie acabaria despertando nela e as consequências seriam inimagináveis. Assim, tomado pela impotência, deixei que ela continuasse.
– Faz ele ficar grande – pediu.
– Para quê? Você num pode fazer nada – argumentei.
– Não importa. Quero ver ele grande. Não gosto dele assim. Acho muito esquisito e feio. Ele deveria ficar sempre grande. É tão bonito. Não todo enrugado e encolhido assim, feito uma coisa morta. – Luciana continuava a brincar com meu pênis, ora balançando-o de um lado para outro, ora empurrando e puxando o prepúcio. Aliás, ela parecia sentir algum prazer nisso.
– Não consigo – respondi.
– Claro que você consegue. Chupa meus peitos e se concentra. Pensa que não sei que é assim que funciona? Com a gente é assim. Eu fico quando você me acaricia e chupa eles. Com vocês também não deve ser diferente. Foi assim que fiz o Paulinho ficar de pinto duro. Parecia contigo. Tinha a tua idade e era tímido que nem tu é. Ele quis escapar mais segurei ele. Quando levantei a camiseta e mandei ele chupar meus peitos, o pinto dele cresceu rapidinho. Era um pintinho fino e cumprido, mais e mais rosado que o teu. Se a gente tivesse mais tempo acho que tinha deixado ele enfiar em mim. Mas eu só queria ver e pegar.
Obedeci. E de fato aqueles mamilos nos meus lábios deram resultado. Vendo-o crescer sentiu-se satisfeita e exclamou:
– É tão bonito ver ele ficar grande. Parece uma coisa mágica. Parece que ele não vai parar nunca de crescer. Mas aí ele para e se torna tão duro. Nem parece que agorinha era uma coisa horrível e todo mole.
Continuou a observá-lo enquanto mexia aqui e ali. Houve um momento em que o soltou e agarrou-me os testículos como já fizera uma vez. Então apertou um e depois o outro entre os dedos. Súbito, indagou:
– É daqui que sai aquela coisa que chamam de “esperma”, não é?
– Não sei. Acho que sim – respondi. De fato não sabia. Era o tipo de garoto, talvez por ser ainda muito jovem, que não se preocupara em conhecer a fundo como se engravidava uma mulher e nem de onde vinha o “aquilo que saia de mim” quando me masturbava. Suspeitava que poderia ser dos testículos, mas não estava certo.
– Como não sabe! Todo homem deveria saber. Como você pode ser tão ingênuo assim, garoto? Em que mundo você vive?
Luciana parecia indignada. Eu por outro lado jazia com as faces em brasa de vergonha, por não saber algo que ela me fazia acreditar que tinha a obrigação de saber. Talvez se sua mão não me segurasse firmemente os testículos, eu teria me levantado e a deixado sozinha. Mas se tentasse escapar, ela os agarraria e então a dor seria insuportável. Assim, esperei que os soltasse, o que de fato aconteceu pouco depois. Então me levantei.
– Onde você pensa que vai?
– Vou pegar alguma coisa pra comer. Tô ficando com fome – respondi.
Luciana me atirou seu olhar faiscante, como se sentisse enganada e declarou:
– Mentira. Sei muito bem o que você vai fazer.
– Não. Num vou fazer nada.
De fato não mentira. Embora tenha usado uma desculpa para me afastar, não pensava em me masturbar. Só não queria mais ficar ali, em suas mãos, sendo tocado como um boneco de luxo que quando ela cansa de brincar atira-o num canto até que sente vontade novamente.
– É sim – disse ela quando me viu sair da cabana. – Vem cá – chamou. – Deixa e fazer para você. Vai ser mais gostoso.
Não lhe dei ouvidos. Apanhei a vara de pescar e virei em direção às pedras, onde ela se machucara no dia anterior. Ao me afastar, ainda pude ouvi-la dizer:
– Volte aqui, Sílvio! Se você não quer que eu faça então eu deixo você pôr ele em mim. Eu também quero. Tô morrendo de vontade dele.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
MINHA ALMA POR TI DOMADA
Uma coisinha tão linda assim
Deve ser fruto da minha imaginação
Ou meus olhos estão enfim
Completamente cegos de paixão
Mas o que posso eu fazer agora
Se meus olhos não enxergam nada
Além desta delicada flor de amora?
Sim, minha alma está aprisionada
Pareço viver um sonho sem fim
Ao alimentar o meu pobre coração
Com tua beleza e frescor. Enfim,
Só você me dá ao viver uma razão
Portanto, não parta, não vá embora
Seja a minha eterna namorada
Eu te amarei sempre, como agora
Que tenho a alma por ti domada...
Deve ser fruto da minha imaginação
Ou meus olhos estão enfim
Completamente cegos de paixão
Mas o que posso eu fazer agora
Se meus olhos não enxergam nada
Além desta delicada flor de amora?
Sim, minha alma está aprisionada
Pareço viver um sonho sem fim
Ao alimentar o meu pobre coração
Com tua beleza e frescor. Enfim,
Só você me dá ao viver uma razão
Portanto, não parta, não vá embora
Seja a minha eterna namorada
Eu te amarei sempre, como agora
Que tenho a alma por ti domada...
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