O ser humano por natureza necessita constantemente de um bode expiatório para culpá-lo pelo seus próprios fracassos, pois esta é a melhor forma de se livrar do fardo da responsabilidade. Assim se faz àquele e a quem depositou sua confiança, dizendo: “Ele me enganou. Eu acreditei nele. A culpa não foi minha” ou coisas desse tipo. Como exemplo disso pode-se citar os políticos que, depois de eleitos, não horam o cargo para o qual foram eleitos, e então o eleitor prefere culpá-los por isso, sem se dar conta de que foi ele, o eleitor, quem fracassou nas suas escolhas, pois o poder só deve ser dado a quem o merece. Claro que em alguns casos a índole de um político só se revela quando lhe é dado poder, mas isso não exime o eleitor de seu erro. Outros, na impossibilidade de encontrar um verdadeiro culpado pelo seu fracasso, pelo simples fato de não existir um bode expiatório, atribui tal fracasso à vontade de Deus. Aliás, este é o pior tipo de ser humano, pois além enganar a si próprio, ainda foge de sua responsabilidade usando a fé como forma de não ser contradito. Essa é para mim a pior forma de esperteza, a qual não contribui em nada para um mundo melhor; ao contrário: rebaixa o homem. Mas infelizmente este é o caminho mais fácil, menos penoso e o qual exime as pessoas de suas responsabilidades. Lamentavelmente, só uma ínfima minoria não envereda por este caminho. Esta minoria porém não se encontra por aí.
Apaixonado por literatura desde pequeno, começou a escrever as primeiras histórias aos 11 anos e desde então não parou mais. Parte desse material escrito nos últimos 30 anos você poderá encontrar aqui, inclusive trechos de obras que estão sendo preparadas para a publicação.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 61
Em disparada, retornei à cababa, na esperança de encontrar algum sinal de fogo para que pudesse reacender a fogueira. Por isso não me preocupei com a minha nudez e menos ainda com a reação da Marcela quando a visse. Sabia que ela não deixaria de fitar-me, principalmente o sexo que, por suas peculiaridades, era uma fonte inesgotável de curiosidade do sexo oposto.
Cheguei e ajoelhei diante do fogo morto. Não havia o menor sinal de chamuscamento. Mexi nos gravetos e soprei a ponta queimada de cada um, na esperança de surgir uma fagulha vermelha, mas não encontrei o que procurava. “Ela apagou mesmo!”, conclui.
-- Quando chegamos, ela já estava apagada – disse Marcela. Só então lembrei-me de sua presença. Ela jazia sentada numa das “camas”, atrás de mim. No entanto, levantou-se e aproximou-se. -- Você acha que consegue acender ela de novo?
-- Vou tentar. A gente não pode ficar sem ela. Como é que a gente vai assar os peixes?
-- É mesmo! Nem me lembrava disso – disse ela, parando na minha frente e fitando-me com certa curiosidade, embora não olhasse diretamente para o púbis. -- Cadê as meninas?
Levantei a cabeça e fitei-a. Por um momento, meus pensamentos esqueceram a fogueira e concentraram-se nela. Não pude evitar a vontade de me levantar e tomá-la nos braços. Ainda mais agora que estávamos ambos nus. E caso a abraçasse, certamente nossos sexos se tocariam, eu ficaria excitado e muito provavelmente isso a assustaria. “Não. É melhor num ficar pensando nessas coisas. Ele vai crescer. Ficar duro. Vai sim! Luciana vai chegar. Vai ver. Vai saber que eu estava pensando na Marcela. Em fazer aquelas coisas com ela”, pensei.
-- Ficaram para trás. Eu vim correndo.
Marcela agachou-se na minha frente, apanhou um graveto e docilmente perguntou:
-- Quer que eu te ajudo a acender?
-- Quero – respondi. -- Vou ter que fazer que nem da outra vez: esfregar um pau no outro até pegar fogo. A gente vai ter que apanhar um pouco de folhas e capim, porque eles pegam fogo mais rápido – expliquei.
-- Vou buscar pra você – disse ela, levantando-se.
Novamente tive de resistir ao impulso de estender a mão e pedir para que não se levantasse e viesse aninhar em meus braços, mas temi pela chegada de Luciana e Ana Paula. Elas poderiam chegar de repente. Não deveriam estar longe. Aliás, se não fosse o tornozelo da Luciana, que ainda não havia melhorado de todo e o qual a impedia de correr, elas já teriam chegado. Isso contudo não me impediu de, enquanto Marcela se afastava, levantar a cabeça e olhá-la no traseiro enquanto deixava a cabana. Súbito pensei: “É mais bonito que o da Luciana. Mais redondo, mais cheio ele é. Que nem as pernas dela. Mais grossas. Se não fosse elas, se elas num tivesse vindo...”
Quando olhei para fora, vi ambas aproximando-se. Caminhavam uma ao lado da outra, contudo, em silêncio como duas estranhas. Ana Paula aproximava-se de cabeça baixa, como se olhasse onde punha o pé; Luciana por outro lado olhava para frente, de forma altiva, senhora de si. A falta de afabilidade entre elas era evidente.
Encontraram com Marcela do lado de fora da cabana. Pararam e ouvi Luciana perguntar:
-- Ele conseguiu acender?
-- Não. Já estava toda apagada – respondeu Marcela. -- Tô indo buscar um pouco de capim seco para ver se ele consegue acender ela novamente.
-- Vou com você – disse Ana Paula.
Luciana entrou logo em seguida.
-- Se a gente não tivesse que usar essa fogueira para assar os peixes, a gente não precisava mais dela -- foi logo dizendo. -- Se nesses quase trinta dias, não chamou a atenção de ninguém que poderia estar nas proximidades dessa ilha não vai chamar mais. Mas eu não vou comer peixe cru. Não sou japonês. E só temos ela para assar eles. Então, é bom que você consiga acender ela – proferiu, como se desse uma ordem.
-- Vou conseguir sim. É só fazer que nem eu fiz da primeira vez. Deu certo. Então vai dar de novo. Só vai demorar. Mas agora vai ser mais fácil. Tenho o machado e sei como fazer – falei. Selecionando um graveto mais grosso e resistente. Em seguida, peguei um pedaço de um galho, tirei uma lasca nele com o machado, para deixá-lo plano, e fiz uma pequena fenda. Por último fiz uma ponta no graveto. -- Pronto! Agora é só ir esfregando esse graveto assim – fiz para ela ver. -- Vai começar a soltar um pozinho. É da madeira. É ele que vai pegar fogo. Antes, ele vai começar a sair fumaça. Vai demorar um pouco, mas deve funcionar.
-- Depois quero ir de novo pescar contigo – disse.
-- Mas você não sabe pescar. Já tentou duas vezes e não conseguiu pegá nada. Se você for, vai é acabar me atrapalhando. Não sabe ficar quieta – falei, enquanto esfregava o graveto na fenda para lá e para cá.
-- Mas quero ir assim mesmo. Prometo que não vou te atrapalhar – insistiu, agachando do meu lado e pondo uma das mãos sobre minha coxa. -- Só quero ficar lá, vendo você pescar.
-- E me vigiando... -- acrescentei. -- Sei muito bem o que você quer.
Nosso ela escorregou a mão até o meio de minhas pernas e pegou em meu falo.
-- Tenho que tomar conta do que é meu. Ainda mais com ele solto assim -- e deixou escapar um sorriso malicioso. -- Aposto como aquela vadia já estava de olho nele. Doida pra abrir as pernas pra você enfiar ele nela.
-- Sai daqui! Não me atrapalhe – pedi. -- Preciso de concentração e não posso parar, senão não dá certo.
Ela obedeceu, ainda mais que as outras duas se aproximavam, conversando alegremente.
-- Será que isso aqui dá – perguntou Marcela, mostrando-me o maço de capim e dois punhados de folhas.
-- Acho que sim – respondi. -- Só amassa elas bem que fica mais fácil para elas pegar fogo – acrescentei.
Marcela agachou-se de frente para mim e ficou olhando para minhas mãos ocupadas e impacientes. Embora não segurasse o graveto onde ele estava em contato com a base, podia senti-lo quente. “É bom isso acender logo! Minha mão já tá doendo. Num vou aguentar esfregar isso por muito mais tempo”, pensei.
Minutos depois, surgiram os primeiros sinais de fumaça.
-- Encosta eles aqui do lado – pedi a Marcela, que estava com um punhado de arbustos numa das mãos. -- Já já vai pegar fogo.
De fato não demorou a chamuscar. Marcela pôs um punhadinho de folhas amassadas e soprei, levemente. As chamas surgiram. Em seguida ela colocou mais um punhado de folhas e um maço de arbustos. As chamas ficaram maiores. Nisso, empurrei tudo para baixo da fogueira, onde jaziam os gravetos e galhos maiores.
Quando esta acendeu, as meninas bateram palmas. Via-se a mesma alegria que elas esboçaram quando a acendi pela primeira vez, há mais de vinte dias.
-- Da próxima vez que vocês deixarem ela apagar, vocês vão acender ela – falei.
-- É só a gente usar lenha mais grossa que ela não se apaga assim tão fácil – disse Marcela. -- Ai a gente não precisa ficar se preocupando tanto com ela.
-- É, mas aonde a gente vai arrumar lenha mais grossa? -- perguntou Ana Paula. -- A gente já custa achar esses galhos aí -- apontou para alguns galhos recolhidos no dia anterior.
Realmente, toda vez que íamos apanhar lenha para a fogueira, apanhávamos os galhos que conseguíamos quebrar com as mãos. Até porque até quatro o cinco dias atrás não tínhamos com o que cortar uma árvore. E embora essa realidade tenha mudado, a tarefa de encontrar lenha para a fogueira continuava sendo das meninas e elas não sabiam manipular aquela ferramenta.
-- É só cortar as árvores – disse Luciana.
-- É mesmo! Você fez não aquilo ali – Marcela apontou para o machado esquecido no fundo da cabana. -- Se ele cortou esses paus da cabana, pode cortar lenha para a fogueira.
-- Só que pra fogueira, a gente precisa de madeira seca – falei. -- E eu não vi nenhuma árvore seca ainda.
-- Lá em cima tem uma árvore seca – lembrou Luciana – Aquela que o raio partiu ao meio.
-- É verdade – falei, recordando daquela terrível expedição, a qual eu desejaria esquecer. -- Mas eu não vô lá não. É muito longe e não gosto de ficar entrando nessa mata.
-- Mas não precisa de uma árvore seca. Verde também pega fogo – disse Marcela.
Até então, eu jamais ouvira dizer que árvores verdes pegavam fogo. Pensava que só as secas eram capazes de se queimar. Aliás, Ana Paula e Luciana também não sabiam disso, como confessaram. No entanto, Marcela nos lembrou que eram da madeira verde que se fazia carvão vegetal.
-- Madeira verde pega fogo sim – insistiu ela, quando insisti que não. -- Eu sei porque o amigo de meu pai é dono de uma carvoaria. Ele disse que não precisa esperar a madeira secar para fazer carvão.
Não a contestamos, já que ela demonstrava ser a mais inteligente do grupo.
-- Então depois a gente experimenta – falei.
-- Bom, agora que a fogueira está acesa, vocês não acham melhor a gente ir atrás de alguma coisa para comer, antes que fique de noite? -- perguntou Luciana, levantando-se.
-- É mesmo! -- disse Ana Paula. -- Já estou começando a ficar com fome.
-- A gente tem que encontrar uma outra forma de arrumar mais comida. As goiabas praticamente acabaram, as bananas estão verdes, e ficar comendo só esse pouquinho de peixe não vai dar muito certo não. A gente não está se alimentando direito. Vocês já repararam que a gente está emagrecendo? -- comentou Marcela.
Ambos concordamos. Aliás, a perda de peso ficara mais evidente em Marcela, por ter maios volume. Por outro lado, não se via diferença em mim, uma vez que eu sempre fora um garoto franzino.
-- A gente não sabe quanto tempo a gente ainda vai ficar aqui. Pode ser que vai demorar pra gente sair dessa ilha. Tenho essa impressão. Se a gente não se alimentar melhor, a gente pode ficar doente e ai não temos médico e nem remédio. Se a gente ficar doente, é bem capaz de morra – concluiu.
Olhamos um para os outros preocupados. Ela estava com a razão. Mas o que fazer para melhorar a nossa alimentação? No dia anterior, ocorreu-nos de usar flechas para mantar algumas daquelas aves que viviam na ilha, mas isso ainda não tinha sido posto em prática. E de mais a mais, a carne de ave não supriria as nossas necessidades. Precisávamos de outras fontes de vitaminas. Mas como obtê-las?
-- Você tem razão – falei.
-- É, mas vamos deixar para discutir isso enquanto a gente come. Primeiro, temos que ir atrás de comida – interveio Luciana. -- Por que vocês duas não entram de novo na mata e tentam achar alguma coisa pra comer? Eu fico aqui tomando conta da fogueira e o Sílvio vai pescar.
-- E por que que tem que ser você? Por que não eu ou a Marcela? -- protestou Ana Paula, provavelmente para afrontá-la, já que ambas não perdiam a oportunidade de alfinetar uma a outra.
-- Porque o meu pé ainda não está bom. Se eu subir esse morro, é bem capaz dele se machucar de novo. Ele ficou doendo quando subimos da última vez. Não quero me arriscar. Quando eu estiver melhor, pode deixar que eu irei, até sozinha se for preciso – explicou ela, contrafeita.
-- É verdade, prima. O pé dela ainda não melhorou direito – falei, procurando defender Luciana para evitar um novo desentendimento, embora realmente fosse muito arriscado ela entrar na mata e subir o morro sem que o tornozelo estivesse totalmente recuperado.
Marcela se levantou e sem olhar para mim, chamou Ana Paula para acompanhá-la, dizendo que era melhor ir logo, antes que escurece. No entanto, acrescentou:
-- Mas não sei se vamos achar alguma coisa.
-- Aproveita e trás lenha para a fogueira – falei.
-- Tá. Pode deixar... – disse ela saindo.
Levantei, apanhei a lança que jazia ao lado da entrada e, sem dar muita importância à Luciana, disse que ia pegar alguns peixes. Ao me ver saindo, levantou-se e correu atrás de mim.
-- Eu vou com você.
-- E quem vai ficar tomando conta da fogueira?
-- Ninguém.
-- Mas alguém tem que ficar – falei. -- Senão ela pode apagar de novo.
-- Não, não vai não. Eu pus mais lenha nela. E vai demorar pra queimar ela toda. Até lá a gente já voltou. E também não vamos demorar muito. Você é rápido com esse troço aí. -- disse ela se referindo a lança que eu usava para fisgar os peixes. -- Mas vou por aquele resto por segurança. Aquelas duas vão trazer mais mesmo.
Não fiz objeção. Sabia que não adiantaria de nada. Apenas pedi:
-- Então faça isso que eu vou indo na frente.
Deixei-a e fui me afastando. Pouco depois, olhei para trás e Luciana vinha ao meu encalço, embora andando lentamente. “Ela tá armando alguma. Num é boba. Quando enfia uma coisa na cabeça, vai até conseguir. Até sei o que ela quer. Fazer por trás. Que nem o Fabrício fez comigo. De manhã, quando a gente estava pescando, ela queria. Quer experimentar. Saber como é. Fabrício gostava. Tava sempre querendo fazer. Três naquele dia. De manhã, acordei com ele puxando o meu shorts. Eu disse que num queria, mas foi subindo pra cima de mim. O pinto dele já tava duro. Eu vi. A cabeça pra fora. Não pude fazer nada. Ele era bem mas forte. De tarde também. Esperou a dona... Como era mesmo o nome dela? Merda! Num consigo me lembrar. Era tão boazinha. Atenciosa comigo. Ela saiu. No mercado ela disse que ia. A gente tava na sala, vendo TV. Ele chegou perto e chamou pra gente meter de novo. Abaixou o short e mostrou o pinto duro, dizendo que queria pôr na minha bunda. Eu disse que num tava com vontade. Mas ele me segurou e disse que ia contar pra mãe dele quando ela voltasse de São Paulo que eu ficava chamando ele pra meter com ele, que eu ficava abaixando o shorts e oferecendo a bunda pra ele e que ficava pegando no pinto dele. Fiquei com medo. Ela não ia acreditar em mim. Ia acreditar nele. Ia pensar que eu era bicha. Filho dela. Ainda ia contar pros meus pais. Fiquei com muito medo mesmo. Fui. Ficou pelado. O pinto dele. Duro. Ele fez eu tirar a minha roupa toda. Deitou em cima de mim e fez de novo. Gemendo no meu ouvido. De noite, de novo. Falei que num queria porque minha bunda tava dolorida. E tava mesmo! Aí ele me fez chupar o pinto dele. Só fiz um pouquinho. Gosto esquisito. Meio salgado. Falei que num queria mais. Aí me disse que se eu não continuasse ia comer o meu cu. E ia machucar ele. Falava bem assim. Preferi deixar. Ele demorou mais do que das outras vezes. Foi horrível. Nunca vou esquecer. Ela tá chegando. Parece que tá sorrindo. Ele mandou eu ficar de quatro. Eu não sabia. Me mostrou como era. Ficava pondo com força, como se estivesse com raiva. Tudo. Ficou doendo. Dormi chorando. Nem me levantei pra me limpar. No outro dia, tinha manha de sangue na cueca. Tava toda suja. Tive que lavar ela no banheiro pra ninguém ver. Ela tá sorrindo sim. Vai me chamar pra fazer com ela. Sei quando ela quer...”, pensei.
domingo, 2 de agosto de 2015
BATALHA PERDIDA
Travo uma luta
incansável contra o tempo
Embora seja uma
batalha perdida
A necessidade de
conhecimento
É a fome que não
pode ser saciada
Por que tanto saber?
E tanto querer
Respostas para
tantas indagações?
Não te parece ser
medo de morrer
Essa grande ânsia
de informações?
Isso não é fruto
do aniquilamento
Inevitável a tudo
que tem vida
É mais o desejo de
continuar vivendo
Quando o corpo
fez-se massa dissolvida
Morrerei nessa
batalha por viver
A posteridade. São
aspirações
De todo poeta no
eterno dissolver
Entre tristes versos
e belas canções
sábado, 1 de agosto de 2015
O VALOR DA VIDA HOJE
Há uma crise de valores que vem afetando praticamente toda a humanidade, sem distinção de credo, raça, modelo econômico ou orientação religiosa. Todos parecem sofrer do mesmo problema, embora algumas sociedades sofram mais do que outras. A causa disso eu não sei exatamente. Talvez seja uma conjunção de fatores, uma vez que o mesmo problema afeta os mais distintos povos. Quanto a essa crise, ela parece bem clara: a vida, tão valorizada nos últimos séculos, já não significa mais como há algumas décadas. É como se em duas ou três décadas ela perdesse um valor conquistado durante séculos. Usando um jargão financeiro, é como se fosse a moeda de um país que, ao passar por uma grave crise econômica, perde completamente o valor. Parece que é mais ou menos isso que está acontecendo. As sucessivas crises econômicas pelas quais a maioria dos países enfrentou e vem enfrentando desde os anos 90, devido a globalização, afetou não só o valor dos bens materiais, como o valor da própria vida, a qual não deveria jamais ser equiparada a qualquer outro bem. A vida do outro parece valer muito pouco, isso quando vale alguma coisa. Durante milhares de anos, até o advento da modernidade, matava-se por qualquer coisa. E sobreviver, principalmente os que não tinham nada ou muito pouco, era uma questão de sorte. Era uma verdadeira luta pela sobrevivência, digna da teoria darwiniana. Hoje tem-se a impressão da volta desse terrível período de nossa história. E uma das causas desse desprezo pela viada é fruto da perda de força e significado da religião. Como o próprio Nietzsche afirmou há quase 150 anos, “Deus está Morto. Nós o matamos”. O cristianismo não rege mais o dia a dia dos cristãos, assim como o Judaísmo a dos judeus e o islamismo a dos muçulmanos embora a presença dessa última seja muito maior na vida dos muçulmanos do que o cristianismo e o judaísmo na dos cristãos e judeus. E mesmo aqueles que ainda acreditam num deus, na vida após a morte, lidam com a religião de forma muito diferente daquela que os nossos antepassados lidaram durante mais de 1.000 anos. E o que sobrou dessas crenças, tanto no cristianismo como nas demais religiões monoteístas, foi o que de pior havia nelas: o fundamentalismo. Aliás, este não é nada mais nada menos que fruto da perda de poder das mesmas. Ou seja: uma luta desesperada pela sobrevivência. Assim, cada uma trata a outra e as demais crenças como inimiga, como um mal que deve ser eliminado, usando os mais desprezíveis artifícios. E para isso deve-se antes de mais nada eliminar o indivíduo, alguém que não é como nós e por isso sua vida não tem valor. Essa é uma das principais causas do desprezo pela vida atualmente. Mas não é só isso. O materialismo sem limites, o consumismo como fonte de felicidade, uma felicidade inalcançável diga-se de passagem, também é responsável por isso. O homem hoje transformou o dinheiro em poder, o qual deve ser buscado a qualquer custo. E se para isso tiver de tirar o seu semelhante do caminho, não pensará duas vezes. Isso aliás é uma das principais causas no aumento dos latrocínios, das mortes por encomenda, da corrupção e dos crimes financeiros. Em nome do dinheiro tudo vale. Esse capitalismo selvagem que se pratica desde o fim dos anos 80 é fruto do fim da ameaça comunista. Desde o fracasso do socialismo, um regime que pelos seus próprios erros cometeu atrocidades mas que por outro lado segurava o cabresto do capitalismo, contendo o seu lado selvagem e desumano, o mundo vem se tornando escravo do capital, o qual surge como o novo deus, cultuado a cada dia mais por mais gente. E embora “o valor da vida não possa ser medido” como afirmou Nietzsche, hoje ela é negociada por qualquer bagatela. Enfim. O que tem valor hoje é o capital e o que ele pode comprar, o resto é supérfluo, inclusive a vida.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
A SITUAÇÃO DE EDUARDO CUNHA ESTÁ SE COMPLICANDO
Ainda é muito cedo para dizer que Eduardo Cunha realmente recebeu os 5 milhões de dólares do “petrolão”, uma vez que a denúncia é recente e ainda não foi apresentada nenhuma prova. No entanto, ele já vem sendo acusado de ter enviado um e-mail para uma das empreiteiras, fazendo ameaças. Agora a ex-advogada de vários réus que fizeram delação premiada também o acusa indiretamente de ameaçá-la, o que a levou a abandonar a defesa dos réus e a profissão, temendo pelos seus familiares. Se não bastasse, o lobista e delator da Lava Jato Júlio Camargo repassou R$ 125.000,00 à igreja evangélica Assembleia de Deus em Campinas, igreja essa frequentando por nada menos que Eduardo Cunha. E para complicar ainda mais a sua situação, o doleiro Alberto Youssef o acusa de estar ameaçando seus familiares, na tentativa de intimidá-lo. Tudo até pode não passar de uma armação, mas a cada denúncia essa tese fica menos desacreditada. Ainda mais que a maioria dos usaram esse mesmo procedimento acabaram desmascarado. E a forma violenta com que reagiu as denúncias só se faz confirmar uma das frases dessa mesma denúncia, a de que ele é um homem agressivo. Quer agressividade maior do que a reação dele? Agora, amigo leitor, imagine um homem desse comandando o Brasil, caso Eduardo Cunha e o Congresso venha a caçar o mandato da Dilma embora isso seja pouco provável pois não há o menor sinal de envolvimento dela no “petrolão”. Se o país já está desse jeito, o quanto pior não poderia ficar? Bom, é melhor nem imaginar.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
INSENSATO CORAÇÃO
Ó insensato coração!
Por que tamanha traição?
Por que me fazes vagar
Em tão revoltoso mar?
Não lhe disse que a razão
Sempre me era a opção?
E por que fostes deixar
A paixão me dominar?
Eis que vivo este agora:
Interminável aurora
Dessas intensas sensações
Nesse mar de desrazões
O meu querer não tem hora
É um desatino que aflora
Em milhares de emoções
Ah, como doem as paixões!
Por que tamanha traição?
Por que me fazes vagar
Em tão revoltoso mar?
Não lhe disse que a razão
Sempre me era a opção?
E por que fostes deixar
A paixão me dominar?
Eis que vivo este agora:
Interminável aurora
Dessas intensas sensações
Nesse mar de desrazões
O meu querer não tem hora
É um desatino que aflora
Em milhares de emoções
Ah, como doem as paixões!
terça-feira, 14 de julho de 2015
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 60
Tivemos
talvez a melhor refeição naquele dia. Comemos um peixe cada. E
depois, por causa do calo infernal daquele começo de tarde, corremos
para o mar a fim de refrescar um pouco. Ao ser atingido por uma onda,
o que ainda restava de minha sunga rasgou-se e desprendeu-se,
deixando-me inteiramente nu. Corri para apanhá-la, mas esta foi
levada até a faixa de areia.
Envergonhado,
com a água até o umbigo, gritei para que minha prima fosse
apanhá-la. Olhei para Marcela e Luciana e ambas me fitavam, cada uma
com uma expressão diferente no rosto. Marcela parecia estampar um
sorriso tímido e ao mesmo tempo curioso, como se disse: “Agora
você está igual à gente.” ou: “agora vou poder ver ele quantas
vezes quiser”; Luciana por outro lado, demonstrava espanto e um ar
de indignação, talvez achando que eu fosse o culpado por aquele
pedaço de pano ter apodrecido e agora estar se desfazendo. Embora
soubéssemos que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, ela
parecia não aceitar.
Ana
Paula correu até a faixa de areia e a apanhou. Em seguida,
levantou-a e, segurando-a com as duas mãos, espichou-a. O pano muito
fraco não resistiu e partiu ao meio. Ela ficou com um pedaço em
cada mão.
Tenho
cá comigo que ela fiz isso de propósito, tanto que cheguei a
pensar: “ela fez isso para se vingar”. Talvez quisesse dar o
troco por eu ter corrido atrás dela e, ao não ser capaz de conter
os instintos, tê-la violentado. Ela sabia da minha timidez. E sabia
também que, diferente das meninas, ficar nu na frente delas me seria
constrangedor. Assim aproveitou para rasgar a minha sunga.
--
Lamento, primo! Mas essa já era. Agora você vai ter que ficar
pelado também – disse rindo, um sorrisinho malicioso. -- Vai ter
que ficar com o seu troço sem nada tampando ele.
--
Pelado? -- perguntei.
--
O que tem? A Marcela e a Luciana não estão. E quer saber duma
coisa. Vô ficar também. Já num aguento mais essa coisa colada em
mim. Tenho que ficar tirando ela com o maior cuidado para num acabar
de rasgar. -- Ana Paula simplesmente puxou a tanga do biquíni e esta
se rompeu. Além de mim, era a única que ainda mantinha alguma coisa
cobrindo as partes pudicas, embora sua tanga também estivesse
rasgada em vários pontos.
--
Mas eu não posso ficar pelado – retruquei.
--
Por que não? -- indagou Marcela, aproximando-se de mim.
Olhei
mais uma vez para Luciana e sua cara estava fechada. Temi que ela não
fosse capaz de se controlar e fosse fazer uma besteira.
--
Porque eu sou homem – foi o que respondi.
--
É que ele tem vergonha de andar com o troço dele de fora – disse
Ana Paula rindo.
--
Ou da gente ver que ele é pequenininho? -- falou Marcela.
--
Num é nada disso! -- respondi, olhando mais uma vez para Luciana. O
sangue parecia subir-lhe pela face.
--
E você, Luciana? – Marcela virou-se na direção dela -- Por que
você acha que o Sílvio não quer ficar pelado que nem a gente?
Houve
um breve silêncio. Luciana parecia pensar em uma resposta.
--
As duas coisas: ele é um idiota todo envergonhado e o pintinho dele
já deve ter uma dona, por isso que não quer exibir ele por ai.
De fato, comparado com a esperteza e a
experiência de Luciana, eu era idiota e ingenuo demais, uma vez que
era resultado da edução que meus pais me dera, uma educação
restrita e inadequada para os dias atuas não só devido às
limitações de meus pais, pois eles tinham pouco estudo, mas também
fruto da rígida moral religiosa que imperava em nosso lar. E se não
bastasse isso, a minha timidez tornava-me ainda mais limitado, pois
os tímidos não se interagem com os outros e consequentemente não
aprende na rua, com os amigos, aquilo que os pais não ensinam.
Talvez
para provocar Luciana, já que as duas não morriam de amores uma
pela outra, Ana Paula acrescentou, dando uma risadinha:
--
Quem será? Uma de nós ou alguém que eu não conheço.
--
Querem parar vocês! Ficam falando besteiras, inventando coisas. Não
é nada disso! -- falei, dando uma pausa. Tinha de tomar uma decisão
e por fim àquilo. Lembrei da última vez em que minha sunga foi
parar nas mãos de Ana Paula e temi que ela tecesse algum comentário
sobre aquele episódio e provocasse a ira de Luciana, uma vez que
tanto eu quanto minha prima negara ter havido entre nós alguma coisa
naquele episódio. -- É sério! E agora? Como vou fazer? --
perguntei com um certo desespero. Não só por temer que Ana Paula
falasse demais, embora duvidasse que fizesse algum comentário sobre
como perdera a inocência, mas também pelo temor de que Luciana
viesse a arrumar briga caso pegasse Marcela ou até mesmo minha prima
observando-o, o que inevitavelmente aconteceria.
E
havia outro motivo. Nos primeiros dias, quando ficava excitado, a
sunga escondia, senão de todo, pelo menos parte desse excitamento. E
agora? Não havia nada que o prendesse junto ao corpo. Se me
excitasse, chamaria tanta a atenção que não teria como qualquer
uma delas não ver. E isso com toda a certeza seria fonte de
curiosidades e perguntas, as quais me provocariam grandes
constrangimentos, embora para Luciana e minha prima isso não fosse
mais um mistério.
--
Já disse! Vai ter que ficar assim.
--
Não, eu não vou sair da água com vocês ai, olhando. Só vou sair
quando vocês não estiverem mais ai – falei.
--
E se a gente ficar aqui até você sair? -- quis ela saber
--
Eu num saio – tornei a afirmar.
--
Então vamos passar a noite aqui, né meninas? -- Minha prima parecia
ter encontrado o meu ponto fraco e decidira me espezinhar.
Fui
salvo por Luciana que até então procura não se meter. Talvez
porque não soubesse o que fazer.
--
Não, nós não vamos ficar aqui. Se ele está com vergonha de ficar
pelado na frente da gente, porque é tímido, a gente tem que
respeitar isso. Mas não tem outro jeito. A não ser que você
amarrasse uma folha de bananeira ai na frente. Mas isso ia ficar tão
ridículo e não ia dar certo. Ela ia acabar caindo. Portanto não
tem jeito. Você vai ter que ficar. Se não for agora, será mais
tarde. -- disse, muito certamente com alguma coisa em mente. Súbito,
acrescentou: -- Vai vocês duas pra cabana que vou conversar com ele.
--
E por quê você? -- quis saber Marcela.
--
Porque sou mais velha e sei lidar melhor com essa situação. Tenho
certeza que vou acabar com essa vergonha rapidinho -- disse ela. --
Vão, saiam as duas.
Contrariadas
e com um ar de desconfiança, elas nos deixaram.
Quando
as duas desapareceram instantes depois, Luciana aproximou-se, parou
na minha frente e, enfiando a mão embaixo d'água, agarrou-me os
testículos como fazia todas as vezes que era possuída pelo ciúme e
queria fazer mais ameaças.
--
Ai, tá doendo! -- falei.
--
É para doer mesmo! E vai doer muito mais se eu ver ele crescendo na
frente delas. Já te disse que ele é meu e o que é meu não divido
com ninguém, principalmente isso. Dele, elas não vão sentir o
gostinho. Porque se sentir, você fica sem ele.
--
Mas eu não posso controlar. Às vezes, ele começa a crescer sozinho
– asseverei.
Ela refletiu por alguns instantes.
--
Pensa que eu sou idiota? -- apertou-me ainda mais os testículos. --
Crescer sozinho! Ele só cresce quando você pensa em sacanagem. Sei
muito bem disso! Aqueles idiotas do colégio me disseram isso. E eles
eram muito mais esperto e experiente do que você possa imaginar. E o
mais idiota deles achava que era o mais esperto, ainda teve a cara de
pau de confessar que toda vez que pensava em mim o pinto dele crescia
e que já tinha até batido punheta pensando em mim. Um dia, levei
ele para trás da biblioteca e perguntei se o pinto dele estava duro.
Ele disse que não. -- Empolgada pelas lembranças, Luciana afrouxou
a mão e soltou-me os testículos. -- Ai eu disse para ele me
mostrar. Ele disse que só me mostrava se eu mostrasse a minha
xoxota. Acho que ele achou que eu não fosse capaz. Levantei a saia e
abaixei a calcinha. Ele esbugalhou os olhos e ficou de boca aberta.
Não dei tempo a ele. Disse que se ele me mostrasse ali, naquele
momento, eu deixava ele por a mão na minha xana. Ele abriu o zíper
e tirou o pinto. Ele estava mole, mas foi crescendo bem ali na minha
frente. Ah, que delícia ver aquilo. Peguei a mão dele e enfiei ela
no meio das minhas pernas. Ele parecia paralisado, sem saber o que
fazer. Tive que falar para ele enfiar o dedo ali no meio. Quando ele
tirou o dedo, o pinto dele estava mais duro que tudo. Uns quinze dias
depois, deixei ele por ele no meio das minhas pernas, mas não deixei
ele enfiar. Teve que gozar nas minhas coxas. Portanto, seu idiota,
não sou uma idiota que nem você – afirmou, tornando a apertar-me
os testículos. -- E sabe o que vou fazer para não correr o perigo
de ver ele crescer na frente delas? Vou fazer você ficar sem
vontade. E vou começar agora. Vem, vamos lá pra trás.
Cabisbaixo,
feito um garoto aprisionado que vai ser violentado, segui-a.
Um
golpe do destino, no entanto, frustrou-lhe os planos. Ana Paula
surgiu, correndo em nossa direção, no exato momento em que Luciana
havia me atirado ao chão.
--
Por que vocês vieram pra cá? -- perguntou, ao se aproximar.
Eu
levei um grande susto, mas Luciana denotou grande frustração. Seu
rosto adquiriu um tom avermelhado e seus olhos faiscaram.
--
Porque esse idiota saiu correndo e eu vim atrás dele – disse ela
contrafeita. -- E você o que está fazendo aqui? Veio ver o pintinho
do priminho?
--
Não. Vim avisar que a fogueira apagou.
--
Apagou? -- Levantei num sobressalto, esquecendo que estava
completamente nu. Aliás, não tinha motivos para me envergonhar. Não
era a primeira vez que ela me via naquele estado.
--
Apagou. A gente até tentou evitar que ela se apagasse totalmente,
mas não conseguimos. Ainda tinha um toquinho de brasa, mas ele
também se apagou. A Marcela soprou, soprou, mexeu nos gravetos, mas
nada. Você vai ter que tentar acender ela de novo, como você fez
daquela vez.
--
Só me faltava essa agora! -- exclamou Luciana, gesticulando os
braços. -- Perdemos o nosso bem mais precioso.
--
Como isso foi acontecer? -- indaguei. -- Ninguém se lembrou de por
lenha nela quando a gente foi tomar banho. Acho que ficamos
empolgados com aqueles peixes e nem vimos que a fogueira estava se
apagando.
Uma sombra de irritação envolveu-me,
talvez porque eu sabia quão trabalhoso seria acendê-la novamente.
-- E agora o que a gente vai fazer? --
indagou Ana Paula, fitando-me com discrição a minha nudez.
-- Ora! Deixa ela apagada – exclamou
Luciana.
-- Mas a gente precisa dela – falei.
-- No começo, era só para alguém achar a gente, mas agora isso já
não faz tanta diferença. Só que a gente precisa de fogo para assar
os peixes e, se você conseguir matar algumas daquelas aves, elas
também.
-- Isso é verdade! -- concordou minha
prima.
-- Ora! Se você acendeu uma vez, pode
acender de novo – asseverou Luciana, que alternava os olhares entre
eu e Ana paula como se nos vigiasse. Aliás, isso não me passou
despercebido, tanto que cheguei a pensar: “Se ela está de olho em
nós que somos primos, imagina como não vai ficar de olho em mim e
na Marcela! Vou ter que tomar muito cuidado! Se sentir que meu pinto
vai crescer, tenho de sair de perto delas”.
-- É o jeito! -- respondi.
-- E é melhor a gente voltar. Temos
que pensar em arrumar comida. Não temos nada para comer o resto do
dia e eu não vou dormir com fome.
Ambos concordamos. Até porque o plano
era tentar fazer um arco e flecha para matar algumas daquelas aves
que viviam na ilha. E embora o incidente da sunga tenha me feito
esquecer desse compromisso, no caminho de volta para a “casa”,
Luciana fez questão de relembrá-lo.
-- Vou sim. Quem sabe a gente consegue
matar uma dessas grandes. Ai a gente vai poder comer uma carne de
verdade.
-- Mas pra isso você vai ter que
acender a fogueira de novo – lembrou Ana Paula.
-- Uma coisa de cada vez – falei.
-- Mas não vamos contar com isso.
Quando chegarmos na cabana – Embora a cabana tivesse melhorado
muito e tivesse uma aparência de “casa”, por costume
continuávamos a chamá-la de “cabana” --, sua priminha e a
amiguinha dela vão tentar achar alguma coisa pra gente comer –
disse Luciana, com um certo ar de provocação.
-- E por que você num vai? -- volveu
Ana Paula.
-- Porque meu pé não melhorou
totalmente. Não quero me machucar de novo – retrucou a mais velha.
Foi uma má desculpa, uma vez que ela chegara inclusive a subir na
mata depois de torcer o pé, mas Ana Paula, por inocência e
ingenuidade, não se lembrou desse detalhe.
-- Só quero ver até quando você vai
ficá usando essa desculpa – falou Ana Paula, cutucando a outra.
Vendo que os ânimos começavam a se
exaltar, decidi por um basta naquilo. Se não o fizesse, as
provocações continuariam e certamente levariam as ofensas e depois
a agressão física.
-- Vamos parar as duas! Lá na cabana a
gente vê o que faz.
Não se ouviu mais nenhuma palavra até
chegarmos.
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