quinta-feira, 11 de novembro de 2010

FLUXO DA VIDA


Por que fazer indagações
Se a vida tem suas razões
Que a lógica desconhece?

Por que desperdiçar energias
Se no fluir de cada dia
É o acaso quem floresce?

A vida diz sim a toda irracionalidade
E às mais belas espontaneidades
Que o acaso faz fluir

A vida é um não sei porque,
Cuja força é o prazer
Que se esgota com a morte enfim.

domingo, 7 de novembro de 2010

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 15

Nós nos alimentamos mais uma vez com bananas. Não estavam tão maduras, no entanto, era o que tínhamos para comer naquele momento. Não dava para ficar exigindo algo melhor quando nosso objetivo principal era sobreviver até que alguém nos encontrasse. Ainda era o segundo dia naquela ilha e certamente passaríamos muitos outros. Aliás, nossas opiniões acerca do período de estadia ali era das mais divergentes. Uma achava que seríamos encontrados em mais um ou dois dias; outras, menos otimistas, arriscavam de cinco a dez dias. Agora eu, talvez com exagero de pessimismo, cheguei a dizer que poderiam levar meses para nos achar, embora no fundo não quisesse acreditar nessa possibilidade. Claro que isso provocou certa comoção. Todas sem distinção foram unânimes em dizer que eu estava errado, que jamais nossos pais nos deixariam perdidos todo esse tempo. Entretanto, argumentei:
-- Por que não? Por acaso sabem onde a gente está? Claro que não fazem a menor idéia. E se nos afastamos muitas milhas de onde a lancha afundou? Não vão encontrar a gente assim tão fácil não. Se não acharam a gente em mais uma semana, vão suspender a busca – expliquei.
-- Se isso acontecer, então eles nunca vão achar a gente – deduziu Ana Paula, sentada ao meu lado. Estávamos os quatros atrás da fogueira, de frente para o mar devorando as últimas bananas. Já havia começado a escurecer. No céu ainda podia se ver a formação de algumas nuvens, levando-me a crer que teríamos chuva no dia seguinte.
-- Claro que isso não vai acontecer – discordou Luciana. – Nunca que vão deixar de procurar a gente! Eu conheço meus pais – afirmou ela, atirando a casca de banana ao longe e ao mesmo tempo deixando transparecer certo aborrecimento.
-- E você, Marcela? O que acha? – inquiri, voltando-me em sua direção. Ela estava sentada à esquerda do meu lado.
-- Sei lá! Mas acho que a Luciana tem razão. Eles não vão parar de procurar a gente enquanto não achar. Nossos pais têm dinheiro e podem pagar para continuar as buscas.
-- Espero que vocês estejam certas. Mas já vi muitos casos assim. Se durante um tempo eles não encontrar a gente, vão parar de procurar. Pois vão achar que a gente morreu afogado ou foi comidos pelos tubarões. Quem não pensaria?
-- Nossa! Que horror! – interrompeu Luciana. – Fiquei até arrepiada.
-- Que coisa mais horrível! Como você tem coragem pensar uma coisa dessas?
-- Calma, Ana Paula! Não precisa ficar desse jeito. – Acho que, ao se imaginar sendo devorada por tubarões, minha prima tenha perdido o controle de suas emoções, talvez por deduzir que isso possa ter acontecido ao pai. – Eu só estava supondo o que nossos pais podem achar. Mas mesmo que eles desistam de procurar a gente, acho que vamos sair daqui.
-- Como? Se eles não vão mais procurar a gente? – perguntou Ana Paula, alterando a voz. Ela havia se levantado e agora parecia por demais inquieta, andando de um lado para outro na nossa frente.
-- É mesmo? Como? – Quis saber Luciana.
-- Como? Vocês não fazem a menor idéia? – perguntei, aumentando o volume da voz, tal como fizeram elas.
-- Não – responderam as duas. Somente Marcela não dizia nada, como se só prestasse atenção àquela disputa para saber até onde iríamos.
-- Muito simples – falei, diminuindo o tom da voz. – Essa ilha não é uma ilha perdida no oceano. Mais dia menos dia, alguém vai aparecer por aqui e aí vão encontrar a gente.
-- É! Tem razão – concordou Luciana. -- Não pensei nisso.
-- É verdade – proferiu Marcela, com aquele seu jeitinho tímido e tranqüilo. – Não existem mais ilhas desconhecidas na terra. Não sei a que país esta pertence, mas que ela tem dono, ah isso tem! Vocês podem ter certeza.
-- Mas e se demorar muito para alguém aparecer aqui? – quis saber Ana Paula, agora já mais calma.
-- Vamos ter que esperar – falei. – Não sabemos quanto tempo vamos ficar aqui. Podemos ser encontrados em poucos dias, como pode até levar meses. O que não podemos fazer é perder as esperanças. Por isso temos que nos mantermos unidos. E vocês duas – apontei para Luciana e Ana Paula – podem parar com essa desavença. Nada de ficar brigando uma com a outra. Fui bem claro?
Ambas olharam entre si e em seguida menearam a cabeça em concordância. Foi bom termos iniciado aquele assunto, pois serviu para tentar selar a paz entre a mais velha e a mais nova do grupo. Se realmente a harmonia voltaria a habitar naquela ilha, só o tempo para dizer.
-- Sabe o que eu estava pensando – disse Marcela, pouco depois, mudando de assunto. – Ao invés de ficar comendo frutas o tempo todo, por que a gente não tenta pescar. Viram que peixes enormes têm ali naquelas pedras?
-- Não, não reparei. – falei. “Como eu não havia pensado nisso antes”, pensei logo em seguida. – Mas você deu uma boa ideia.
-- Mas como a gente vai pescar? Não temos vara? – quis saber Ana Paula.
-- Como, eu não sei. Mas a gente dá um jeito – asseverei, um tanto empolgado com a ideia. Afinal de contas, aquele negócio de ficar só comendo frutas não poderia continuar por muito tempo. Ou acabaríamos com elas em poucos dias, ou nos fartaríamos antes. Essa era a verdade.
Creio que se a ideia da pescaria não tivesse surgido naquele instante, certamente não demoraria a surgir. Mais cedo ou mais tarde, um de nós teria sugerido tal coisa. Pois quando a necessidade se torna urgente, o instinto de sobrevivência fala mais alto e acabamos nos surpreendendo com nós mesmos, com nossa capacidade de improvisar e de encontrar alternativas. O homem é assim: não desiste facilmente. E é isso que nos faz tão superior a todas as espécies de seres vivos.
-- Eu já vi num filme – comentou Marcela. – Não me lembro o nome agora, que havia um cara perdido numa ilha. E ele pescava com uma lança de madeira. Ele mirava o peixe e atirava a vara -- fez um gesto com a mão como se atirasse uma lança invisível. -- Aí o peixe era fisgado.
-- É uma ideia interessante – comentei ao me levantar.
-- O problema vai ser acertar o peixe – riu Luciana. – Do jeito que são espertos.
-- A gente acaba aprendendo.
-- Por falar em peixe, vou tomar um banho. Vocês não querem ir também? – convidou Ana Paula, dirigindo-se em direção ao mar.
Foi como se ela estivesse nos dado uma ordem. Todos, sem exceção, saímos correndo feito crianças em direção à água.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A HORA CHEGOU

Sob um sol escaldante ele seguia em frente com seus passos lentos, quase sem forças. Pensava em parar um pouco para descansar, mas sabia que se o fizesse não teria forças para se levantar e continuar. Precisava antes de mais nada de encontrar água. Sua boca ressecada e seus lábios rachados tornavam-lhe a sede ainda mais terrível. Não sabia onde encontraria água, mas tinha esperança disso acontecer antes de perder os sentidos.
Uns dois quilômetros adiante ouviu sons ao longe. Olhou para o céu e viu pássaros voando em forma de círculo. Deduziu que em algum lugar por perto deveria existir água. Tentou andar mais rápido, mas as forças lhe faltavam. Continuou lentamente.
A cada passo o som ficava mais alto e nítido. Parecia uma cachoeira em algum ponto daquela região montanhosa. Olhou para os lados, mas só via montanhas e montanhas desertas, sem o menor sinal de vida. Talvez em algum lugar por ali houvesse um vale. Há muito que aquela região fora coberta por densa vegetação, onde se podia plantar e colher. Dessa época só se ouvia histórias, como tantas outras acerca de um tempo onde a produção de alimentos era abundante.
Súbito, ao longe, avistou a origem daqueles sons. De fato era uma queda d`água. Ufa! Estou salvo!, pensou. Embora com muita dificuldade, conseguiu andar mais rápido; mas não com a mesma rapidez com que costumava fugir dos predadores. Afinal a vida já não valia mais como antes. Pessoas matavam uns aos outros para roubar-lhes o pouco que carregava consigo.
Ao aproximar, deparou com uma cachoeira de águas límpidas. Onde a água caia numa represa, a qual dava origem a um riacho. Parecia ter sido construída em algum tempo no passado. Provavelmente muitos estiveram ali antes da população do planeta ter-se reduzido a menos de um terço nos últimos cinquenta anos.
Aproximou-se e se deixou cair de joelhos na margem, e depois tombou para frente e bebeu até matar a sede. Aproveitou e encheu o cantil que desde o dia anterior jazia sem uma gota d`água.
Poderia ter se levantado e continuado em direção à costa, onde diziam ainda haver vegetação e animais domesticados, e a vida ainda preservar um pouco de civilidade mas preferiu entrar naquela água para tomar um banho. Deu um mergulho. Não viu que a profundidade era pequena e acabou batendo com a cabeça em uma pedra no fundo. Perdeu os sentidos e não acordou mais. Depois de escapar dos mais variados perigos, o destino lhe pregou uma peça. Acabou morrendo da forma mais improvável.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 14

Uma sensação desconhecida apossou-se de mim. Senti uma espécie de vertigem, como se algo invisível trespassasse-me pelo corpo, como que tocado por uma mão invisível. Já sentira algo parecido quando beijei Marcela no dia anterior e quando lhe toquei nos seios pouco antes, mas nada parecido com aquilo.
Um tanto confuso, ergui os olhos e procurei no rosto dela algo parecido com o que eu estava experimentando. Luciana porém me olhava com impassividade, como se meu toque não lhe causasse nenhuma afetação.
-- O que foi? – perguntou-me ela
-- Nada – respondi.
-- Tem certeza? Você está com cara de quem quer pedir alguma coisa – insistiu ela, como se adivinhasse meus pensamentos. Eu queria fazer aquilo que vi algumas vezes nos filmes e em algumas revistas pornográficas. Eu queria saber qual a sensação de chupar aqueles peitos e descobrir porque os homens gostam tanto de fazer tal coisa. Mas eu tinha vergonha de lhe confessar isso por causa da timidez.
-- Tenho sim.
-- Então me deixa ver ele – disse ela com naturalidade, apontando para meu púbis. Aliás, desinibida, Luciana não fazia rodeios, ia direta ao ponto.
Fiquei vermelho e sem reação, como se me pedisse para fazer algo vergonhoso demais. Senti algo me parar na garganta, impedindo-me de dizer alguma coisa. Retirei as mãos dos seios dela e por alguns instantes fiquei parado, como diante de um precipício, na incerteza entre pular ou suportar uma vergonha insuportável pelo resto da vida.
-- Vai, mostra ele pra mim! Tá com vergonha?
-- Tô – confessei.
-- Mas o que tem? Só tem a gente aqui. Só quero ver como ele é. Eu não deixei você pegar nos meus peitos?
-- Deixou – respondi meneando a cabeça.
-- Então? Direitos iguais. Agora é a minha vez de pegar nele.
Eu não entendia a causa daquela vergonha toda. Não me senti assim no dia anterior, quando estava às sós com Marcela. Era como se a idade e a desenvoltura de Luciana me fizesse diminuído e ao mesmo tempo com medo de provocar-lhe risos, e de ser motivo de chacotas por parte dela, pois certamente ela não perderia a oportunidade de fazê-la. Além do mais havia aquela sensação de que estávamos fazendo algo errado, algo que nossos pais não aprovariam de forma alguma O que pensaria se nos vissem fazer aquilo? Seríamos repreendidos e nos diriam que essa não foi a educação que nos deram.
Fiz o que ela pediu. E como estava excitado, aquilo provocou-lhe certo espanto. Talvez porque não esperava que meu falo pudesse ter aquele tamanho.
-- Nossa! Como é duro! – exclamou ela, ao apertá-lo entre os dedos. Embora naquela época essas palavras tenham me passado quase despercebido, elas demonstravam que para ela aquilo tudo também é novidade.
Não respondi. Apenas aguardei que ela matasse sua curiosidade. E sua curiosidade parecia não acabar nunca. Ela mexeu aqui e acolá, tocou-o como se examinasse um objeto raríssimo, como se não fosse ter outra oportunidade igual aquela.
E aqueles toques me afetavam. Tinha vontade de dizer-lhe que queria examiná-la da mesma forma e fazer outras coisas com ela. Mas a vergonha me impedia de confessar-lhe tal coisa. Nunca, nunca que lhe diria o que se passava na minha cabeça. Não, por nada desse mundo. Ainda não estava preparado para suprir as exigências de meu corpo. Diante daquela menina mais velha e experiente, eu me sentia um menino, um menino incapaz de lhe mostrar que podia fazer o que os homens adultos faziam e lhe proporcionar sensações inimagináveis.
Assim, usando a desculpa de que tínhamos obrigações a fazer, disse-lhe:
-- Agora chega. Vamos apanhar a lenha antes que anoiteça.
-- Ta bom então. Vamos – assentiu ela.
Luciana havia me mostrado alguns galhos secos pouco antes. Nós os catamos e os deixamos no meio da trilha; então fomos procurar mais, o mais rápido possível, pois o sol começava a se esconder.
Tanto eu quanto Luciana não dissemos uma única palavra acerca de nossas intimidades. Pelo contrário, eu fazia o possível para não lhe dar motivos para tocar no assunto. Agora que o ímpeto passara, tudo me parecia ainda mais vergonhoso. Eu até tentava evitar que mesmo por acaso meus olhos fossem parar nos seus seios livres. Era o mínimo que eu poderia fazer, já que não podia deixar de pensar neles o tempo todo.
Por sorte, não tivemos dificuldades em juntar grande quantidade de galhos e gravetos. Encontramos inclusive um tronco meio apodrecido, mas ainda capaz de queimar por longas horas.
-- Acho que isso é o suficiente – falei.
-- É mesmo. Só esse pedaço grande dá para queimar a noite toda – asseverou ela, ajudando-me a erguê-lo e colocá-lo nas costas.
Luciana apanhou os galhos que tínhamos recolhido e seguiu na minha frente, de volta à cabana.
Durante alguns momentos não trocamos palavras. Era como se cada um tivesse algo para dizer, mas temia em tocar no assunto. Eu fazia o possível para não ficar pensando naqueles seios que tocara pouco antes e nem nas mãos dela no meu corpo. Tentava fixar o pensamento nas outras duas, no que estariam elas fazendo, mas era inútil. Era como se meus pensamentos fluíssem por si sós, sem que eu tivesse o poder de intervir, sem que eu pudesse fazer alguma coisa para acabar com aquela excitação.
Antes de chegarmos à faixa de areia, Luciana parou um pouco para descansar e virou de frente para mim. Ao me percorrer os olhos atentos e cheios de curiosidades, comentou:
-- Mas ele ainda está desse jeito? Cuidado hein! Se tu chegar assim lá, elas vão ver e pensar besteiras.
Fiquei mais uma vez enrubescido, como se fosse surpreendido num ato obsceno. No entanto falei:
-- Paciência. Ele não quer ficar pequeno.
-- Mas não tem nada que você possa fazer?
-- Não. Daqui a pouco ele fica. E é melhor você não contar nada do que a gente fez – recomendei em seguida.
-- Pode deixar. Não ia falar nada mesmo! Senão sua priminha é capaz de caçar ainda mais assunto. – Luciana apanhou os galhos e voltou a carregá-los.
-- Vê se não fica arrumando confusão com ela. Ela ainda é uma criança – pedi, seguindo-me atrás dela. – Vou ter uma conversa com ela. Não podemos ter desavenças entre a gente. Temos que nos mantermos unidos. Precisamos uns dos outros. Afinal de contas só temos nós para cuidar de nós mesmos.
-- Sei disso – interrompeu ela. – Só que ela não sabe.
-- Não se preocupe. Vou explicar tudo isso pra ela. Mas tenha um pouco mais de paciência com ela, tá bom? -- pedi quando aproximávamos da cabana. Já estava um pouco mais sem luz e podíamos ver a luz da fogueira.
-- Só quero ver se isso vai adiantar.
-- Se não adiantar, eu ponho ela de castigo.
Nisso, Marcela apareceu correndo em nossa direção.
-- Pensei que tinham se perdido – foi o que ela disse.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

UM PEIXINHO DOURADO

















Um peixinho dourado
Desgarrou-se do cardume
E foi arrastado
Por uma forte correnteza
Até as profundezas
Do oceano.

Sozinho e abandonado
Pensou estar tudo acabado
Quando um tubarão
Veio em sua direção
Com sua boca dentada
Para lhe dar uma abocanhada


Mas eis que surge do nada
Um corajoso golfinho
Que arrastou o peixinho
Até um cardume
Onde seus irmãozinhos
O encontraram então.

Foi um momento de alegria
Onde se chorava de rir
Pois se pensava então
Que o irmãozinho querido
Tinha sido comido
Ou pego numa pescaria.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PARA UM AMOR DE FILHA


Os versos abaixo foram escritos em 2004, quando a minha filha fez 8 anos. Nessa época ainda vivia um momento difícil com o fim do meu casamento dois anos antes. Para uma criança dessa idade não era fácil compreender porque os pais não moravam mais juntos e não se entendiam. Não cheguei a lhe dar esse poema na época, mas algum tempo depois. Lembro-me de ver as lágrimas escorrerem de seus olhinhos. Eu mesmo fiquei emocionado. Talvez por isso goste tanto desses versos. Para aqueles que não tiveram a oportunidade de lê-lo na Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), no Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br) ou em tantos outros sites da internet, poderá apreciá-lo agora. Ei-lo:


Quando você acorda,
O dia te diz: bom dia!
Você levanta com preguiça
E vai para a escola.

Quando você deita,
As estrelas começam a brilhar
E então você adormece
E elas estão lá para te guiar.

Quando você sonha,
Teus sonhos são sonhos de princesa,
Como nos contos de fada
Que foram feitos para te encantar.

Mas quando você se sente só,
Com vontade de chorar;
É só pensar em mim, seu pai,
Que vou estar lá para te alegrar.