Eu tenho ilusões e sou um sonhador
Como qualquer ser humano.
Quanto a isso eu não me engano.
Talvez eu seja apenas insensível de vez em quando
Como se a dor do outro não me dissesse respeito.
Mas será que isso é realmente um defeito?
Ou o fato de andar com o pé na verdade
Faz-me ver melhor a realidade?
Uma realidade que na realidade
É dura e fria como amiúde é a verdade.
Eu tenho ilusões e não deixo de sonhar de vez em quando
Pois não posso suportar a realidade
Com o peso que se impõe ao ser humano
Quando este procura sempre a verdade.
Não é por questão de fraqueza ou covardia
Que o homem às vezes foge da realidade
É para suportar as dores do dia a dia
As quais fatalmente o elevaria a completa insanidade.
Apaixonado por literatura desde pequeno, começou a escrever as primeiras histórias aos 11 anos e desde então não parou mais. Parte desse material escrito nos últimos 30 anos você poderá encontrar aqui, inclusive trechos de obras que estão sendo preparadas para a publicação.
domingo, 29 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
ADEUS Á INOCÊNCIA - CAP. 25
-- Não. Para! – ordenou Marcela ao
sentir minha mão apertar-lhe o seio.
-- O que tem? Não estou fazendo nada
demais – declarei. Embora desejoso, sentia-me tenso, com o coração
palpitante, os lábios frios e as mãos quase trêmulas, pois no
fundo sabia que não estava cometendo um pecado; pelo menos no meu
entender.
Marcela olhava-me com desconfiança,
receosa de dar um passo em falso, de ir além da conta e depois se
arrepender. Aliás, se tem uma coisa que aprendi com ela e minha
prima, foi isso: o medo de ir longe demais. Não posso acreditar que
tenha sido mera coincidência as duas agirem dessa forma, com medo,
com receio de dar um passo maior que a perna, cair e se machucarem
profundamente. De todas, Luciana foi a única que não demonstrou
isso; talvez porque fosse a mais velha, a mais esclarecida e a mais
destemida; entretanto, nos momentos aonde ir longe demais poderia
custar-lhe caro, ela titubeou, embora isso não a tenha impedido de
seguir adiante. Acho que isso é algo que faz parte do instinto
feminino, algo encontrado em todas – ou quase todas – as
mulheres.
Por que elas se sentiam ameaçadas? Foi
o que me pus a perguntar várias vezes. No início, eu não soube
responder; aliás, era inocente demais para saber. No entanto, depois
com o passar do tempo e após ponderar bastante durante nossa estada
naquela ilha, cheguei a algumas suposições; e dessas suposições a
resposta mais condizente foi a de que faziam isso por temor da
gravidez (isso só ocorreu-me algumas semanas depois, quando Luciana,
ao se aproveitar de mim, falou dos riscos e do precisaria fazer para
evitá-la). Acho que no fundo elas pensavam: se ficarmos grávida e
não sairmos dessa ilha antes do nascimento, teremos que ter sozinhas
o filho aqui no meio do mato? Será que não tinham consciência
dessa possibilidade? E mesmo que não tivessem consciência disso, o
inconsciente antevia esses perigos, como um sexto sentido. Sim,
querido leitor. Não estou dizendo que tais conclusões sejam de todo
verdadeiras, uma vez que não sou versado no assunto, contudo foi a
melhor explicação encontrada por mim.
-- Eu sei. Mas eu não quero –
retrucou ela dando um passo para trás.
-- Então? Eu não vou fazer nada
demais. Eu gosto de você e jamais te faria algum mal. – Dei um
passo adiante, tornando a ficar frente a frente com ela, quase
colado. E estava tão próximo que podia sentir sua respiração
descompassada, como se ela se sentisse acuada feito uma presa. Seus
seios arfavam e a pele ia adquirindo certo brilho, devido às
minúsculas gotas de suor a brotar de todos os poros. Dir-se-ia estar
tão amedrontada quanto um animal atacado por um predador.
No curto intervalo de tempo, onde o
silêncio foi absoluto, nenhum detalhe me passou despercebido. E como
num golpe de sorte, percebi sua fraqueza, seu medo. Aí eu ponderei:
“Se eu pegar neles, ela não vai me impedir. Ela está assim por
isso, porque sabe que não vai escapar. Acho que ela pensa que não
adianta correr e nem gritar, porque estamos longe da cabana e elas
não vão ouvir. Ela está achando que se correr vou correr atrás
dela e agarrar ela a força. É mesmo! Nem havia pensado nisso! Eu
podia correr atrás dela, derrubar ela na areia e ela não ia poder
fazer nada. Sou mais forte. Não. Mas ela não vai correr. Se fosse
já teria corrido. Ela vai deixar. Quer ver?”.
Meus olhos fixaram-se nela e
mantiveram-se imóveis, como que vidrados, como os olhos de um
predador aguardando o momento certo para dar o derradeiro golpe em
sua presa. Nisso, uma secura subia-me pela garganta ao mesmo tempo em
que uma sensação desmedida de calor fazia-me o corpo transpirar. Os
meus pensamentos, desordenados e confusos até então, pareciam ter
cessado, como se uma força invisível e muito poderosa me impedisse
de pensar, de formar ideias, como se perdesse a capacidade de
processar imagens, sons e sensações. Eu era puro instinto; eis a
verdade!
E então, sem controle sobre meus atos,
minhas mãos se moveram como se agissem por si só e foram tocar
levemente os seios dela, sobre o biquíni. E tomado pela curiosidade
e desejo – eram eles quem me dominavam, quem me fazia agir assim –,
apalpei-os com as pontas dos dedos, como se apenas tencionasse sentir
a consistência daquelas formações arredondas e pontiagudas do
corpo dela, aquelas partes que no meu não existiam.
E ao tocar-lhe os seios, esperei que
Marcela dissesse alguma coisa, mesmo que fosse para me mandar parar,
mas ela não pronunciou nenhuma palavra e nem mesmo fez algum gesto
capaz me induzir a tirar as mãos e recuar; simplesmente ficou ali,
de pé diante de mim, com os seus meigos e confusos olhinhos presos
ao meu rosto, como que hipnotizada. Embora enleado, pude notar-lhe um
estado de submissão e até mesmo um quê de receio, como se temesse
os momentos seguintes. A verdade era que ela estava completamente em
meu poder tal qual eu vez ou outra ficava nas mãos de Luciana.
Eu também sentia medo. Mas o meu medo
era um medo diferente. Eu sentia medo do desconhecido, do novo e das
minhas próprias sensações. Pois a vendo ali tão dócil,
totalmente sob o meu poder, eu senti uma sensação de poder como
nunca sentira até então. Era como se sua vida, seu destino me
pertencesse e estivesse em minhas mãos. Era como se em minhas mãos,
tal qual nas mãos de Deus, estivesse o poder de dar-lhe ou tirar-lhe
a vida. E isso me provocava êxtase e pavor ao mesmo tempo. Aliás, o
poder nas mãos de quem sabe ter poder é usado sem medo, mas na mão
de um fraco é inútil e desastroso, por isso tenho de concordar com
aquele filósofo alemão que enaltece tanto os fortes e vê nos
fracos apenas uma ponte.
E foi por causa desse dualismo, desse
fluir entre duas sensações tão opostas que não cometi nenhum ato
do qual me envergonharia e me arrependeria por toda a vida. Cheguei
avançar um pouco mais, ao enfiar a mão por baixo do pano e
desnudar-lhe o par de seios, contudo, ao fazer isso e tê-los diante
de meus olhos, o pavor se apoderou de mim, como se um espírito
maligno saísse do meu corpo e minha alma retomasse o controle sobre
ele. Então retirei as mãos trêmulas e dei um passo para trás,
abaixando a cabeça de vergonha. Foi então que pensei: “Meu deus!
O que eu ia fazer? Ia me condenar ao inferno para sempre. Ia ser
atirado ao fogo, amarrado naquelas correntes grossas e chicoteado por
aquele monstro horrível enquanto o fogo me queimava todo. Eu ia
gritar por toda a eternidade. Meu deus! Ser queimado no inferno! Não.
Não deixa isso acontecer comigo. Eu prometo que vou parar de pensar
nessas coisas, que não vou agarrar ela de novo, que não vou querer
fazer com ela aquelas coisas que eu penso. Eu juro! Eu juro que,
quando começar a pensar nessas coisas e meu troço crescer, eu não
vou ficar pensando nisso. Mas não me deixe ir para o inferno. Eu vou
ser um bom menino. Prometo que vou rezar toda noite, se o Senhor me
perdoar”. E tais pensamentos por pouco não me arrancaram lágrimas,
feito um garotinho que, após uma travessura, se põe a chorar de
medo de levar uma grande surra dos pais.
Marcela, ainda envergonhada, arrumara o
biquíni no lugar. Em seguida abaixou-se para apanhar as bananas e
disse:
-- Vamos embora. As meninas devem estar
preocupadas com a nossa demora.
Concordei com meneios de cabeça, pois a
vergonha era tamanha que não tive ânimo nem para pronunciar uma
palavra. Aliás, se me fosse possível, imediatamente sairia a nado
daquela ilha. Ela se afastou e eu apanhei o restante das bananas
sobre a vegetação rasteira. E enquanto retornávamos – Marcela
seguia alguns passos à frente --, não tive nem mesmo coragem de
olhar para ela. Só pensava no que ia dizer quando chegasse, pois
tinha a certeza de que Luciana e a minha prima Ana Paula notariam
alguma coisa estranha entre a gente.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
ALGUÉM ASSIM COMO VOCÊ
Quando
eu partir dessa vida
Quero
levar apenas a lembrança
De
ter amado imensamente
Alguém
assim como você
Que
me ensinou a viver
Cada
dor e cada alegria
Com
o mais intenso prazer
Quando
aqui eu não estiver mais
E
então ter deixado para trás
Apenas
um rastro de minha passagem
Quero
que, ao lembrar-se de mim,
De
teus lábios escapem enfim
Um
deleite que te compraz;
Um
deleite que o tempo não desfaz.
E
quando minha partida se perder no tempo
E
tua memória esquecer os meus traços
Ainda
sim em teus braços
Há
de sentir os meus abraços;
E
em teus lábios murchos e ressecados
Há
de sentir os meus beijos molhados
Como
se o tempo não houvesse passado.
É
por isso que enquanto vivo estou
Faço
de cada instante
Motivo
para cultivar o amor
E
mesmo naqueles momentos
Onde
esbarro em nossas diferenças
Tento
te provar que meu amor
É
eterno, pois renova-se constantemente
domingo, 1 de abril de 2012
QUANDO O CORAÇÃO NÃO PARA DE SANGRAR
Chega a noite e uma voz penetra-me profundamente no ouvido
E
então eu me lembro em algum momento vivido
Do
rosto que, em carícias abundantes, produzia essa voz,
A
qual criava uma cortina sobre nós e nos deixava as sós.
Sem
que eu queria, o som dessa voz delirante
Faz-me
voltar ao passado; o coração sangra, quer aqueles instantes,
O
quais nas tardes frias de domingo, à beira mar,
Tornava
quente e aconchegante o mais gélido lugar
Inútil
dizer que tudo findou e ficou perdido no passado
O
coração é um ser que quer de volta o que lhe foi negado
Quando
no momento da mais pura e intensa felicidade
O
destino sorrateiramente veio e lhe mostrou a dor da saudade.
As
noites chegam e eu me vejo novamente atormentado
Por
essa dor que sangra feito um ferimento mal curado,
Cujo
sangue, num fluxo constante, leva-me também a vida
A
qual, a cada dia, gota a gota, deixa a morte bem nutrida.
quarta-feira, 14 de março de 2012
OS NIILISTAS ALIENADOS
Um
diz que o homem atual é um alienado (Marx) e o outro que ele vive
num Niilismo (Nietzsche). Embora cada um tenha lá seus argumentos e
seus pontos de vista, tenho de concordar que estão certos. A
impressão que tenho é de que as pessoas, mergulhadas numa
modernidade onde a informação pipoca aos quatro ventos, não
conseguem lidar com elas e se sentem impotentes diante do
conhecimento. Claro que muita gente esbarra nas próprias convicções
e naquilo que lhe foi ensinado pelos pais e por todos que o cercam
desde os primeiros anos de vida. Mas por que não questionar a mais
inquestionável das convicções, mesmo que seja para afirmar a
própria convicção? E uma das questões que as pessoas resistem em
questionar é justamente a religião e a crença em Deus. Como um bom
ateu, não quero destruir a crença de ninguém (só os
fundamentalistas tentam te convencer a acreditar naquilo que
acreditam). Mas há alguns fatos difíceis de ignorar. Como este: Que
as religiões vivam do sofrimento, da doença, como afirmou Nietzsche
acerca do cristianismo ao dizer que "o
cristianismo tem por base o rancor dos doentes, o instinto voltado
contra os sadios,
contra a saúde",
e da miséria, como afirmou Marx ao declarar que a “a religião é
o ópio do povo”, do ser humano, com algumas raras exceções, eu
não tenho dúvida; pois sem isso as religiões já teriam sido
varridas da face da terra há centenas de anos. Mas o que eu não
conformo é ver pessoas ditas “inteligentes” e com um grau de
conhecimento satisfatório acreditar num Deus rancoroso, vingativo e
ciumento que precisa ser louvado o tempo todo, de um lado; e por
outro, um deus que está disposto a satisfazer os nossos mais
insignificantes e absurdos desejos. Ou essas pessoas se fazem de
idiotas ou são tomadas pela mais absurda ingenuidade. Num ou noutro
caso elas não devem ser levas muito a sério. Citando Nietzsche mais
uma vez, eu pergunto: Será que as pessoas não se dão conta de que
"O Homem, em seu orgulho, criou
a Deus a sua imagem e semelhança"?
terça-feira, 6 de março de 2012
A OPÇÃO PELO PINGUIM
Embora tenha dado aulas de informática por anos e nesse período tenha ensinado Windows, há 4 anos que não o uso, exceto talvez uma vez ou outra no computador de algum conhecido. Desde que tomei contato com o Linux por volta do ano 2000 percebi que havia algo no sistema do pinguim (como o Linux é conhecido) que não havia no Windows: a segurança e a estabilidade (naquela época o Windows ainda era bastante instável). Aliás, ficava muito puto da vida quando o computador pegava vírus e era preciso formatar o computador, pois muitas vezes o vírus não podia ser removido por um antivírus. Outras vezes porém o maldito vírus havia danificado os meus dados, os quais muitas vezes não podiam ser recuperados, e então dava vontade de quebrar o computador. E quem já não passou por isso?
Claro que naquela época o Linux não era como hoje – mais fácil de instalar e usar do que o próprio Windows --, mas com algum esforço e graças a internet acabei aprendendo a instalá-lo, configurá-lo para que tudo no computador funcionasse e a usá-lo, já que para alguém acostumado com o sistema da Microsoft como eu o Linux era bastante estranho. Aos poucos porém, vi que a maioria das tarefas que eu fazia no Windows era possível fazer no Linux. E então gradualmente a troca de um pelo outro foi ocorrendo. Por volta de 2007 o Linux já havia evoluído tanto a ponto de se tornar tão fácil de usar quanto Windows XP. Não tive dúvida em abandonar quase que de vez o Windows.
Já havia trocado o pacote Office da Microsoft pelo OpenOffice e aos poucos troquei o PhotoShop pelo Gimp, o Corel pelo Inkscape e finalmente o PageMaker pelo Scribus. Na realidade, os três últimos eram usados com pouca frequência, só para fazer cartões de visita, convites e cartazes. Confesso que tive certa dificuldade em fazer as mesmas coisas que fazia nos aplicativos para Windows. A substituição mais difícil foi a do CorelDraw pelo Inkscape. Este não havia atingido no nível que tem hoje e muita coisa que fazia no Corel não era possível fazer no Inkscape. Hoje porém isso são águas passadas e tanto o Inkscape quanto o Gimp e o Scribus atingiram um nível de maturidade e possuem uma gama de recursos que não deixam a desejar em nada aos similares para Windows. Aliás, existem versões desses programas para Windows. Sem contar que são gratuitos e você não corre o risco de ser acusado de estar usando um programa pirata.
Hoje eu mudei de profissão. Uso quase que exclusivamente o pacote para escritório LibreOffice (um derivado do OpenOffice) e a internet. Claro que assisto vídeos, ouço música e rádios online, mas isso qualquer sistema faz. Não posso afirmar que jamais usarei o Windows, mas não tenho a menor intenção de instalá-lo nos meus computadores. Os notebooks das minhas filhas tem o Linux e o Windows instalados lado a lado (não é preciso tirar o Windows para instalar o Linux. Ao ligar o computador você opta por um ou outro), mas ainda sim elas preferem o Linux pois dizem que é mais rápido (provavelmente o antivírus seja a causa da lentidão no Windows. Lembro como isso me irritava na época). E como o Linux possui uma infinidade de variantes (chamadas de distribuições) uma das filhas prefere o Linux Mint enquanto a outra (e eu também) o Mandriva.
Independentemente do uso que se faça do computador, só o fato de saber que não há perigo de vírus e de ter as senhas e os dados roubados já é o bastante para optar pelo Linux. Aliás, este foi um dos motivos pelos quais a maioria das empresas fizeram a troca. Então por que não faça o mesmo você também?
ABAIXO UMA IMAGEM DO DO LINUX MINT E MANDRIVA. PARA MELHOR VISUALIZÁ-LAS, CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 24
-- Hoje também vai fazer um calor daqueles – comentei pouco depois, quando nos aproximávamos do pequeno vão de água doce. De fato estava muito quente e não haviam nuvens no céu.
-- É verdade! Tá muito calor – concordou Marcela, caminhando ao meu lado.
-- Sabe o que vou fazer mais tarde?
-- Não. O quê?
-- Pescar. Vou tentar pegar uns peixes – contei. – Já estou ficando enjoado de tanto comer frutas. Estou até emagrecendo. – Puxei a borda da sunga para mostrar-lhe o quanto estava folgada. Aliás, isso se devia mais a uma perda de elasticidade daquela peça do que a perda de peso. Claro que, depois de quatro dias naquela ilha alimentando-se de frutas e comendo pouco, uma pequena perda de peso era inevitável, mas nada parecido com o que eu fazia acreditar.
-- E como você vai fazer? – quis ela saber.
-- Vou pegar uma vara comprida, fazer uma ponta nela e mirar bem no peixe. Aí eu atiro ela. Se acertar, a vara vai fincar nele e o peixe vai ficar preso – expliquei, fazendo gestos com a mão para que ele fizesse uma ideia melhor.
-- Será que vai dar certo? – tornou ela.
-- Não sei. Acho que sim – respondi com insegurança. “Tem que dar certo. Não podemos ficar comendo fruta a vida toda. Não sei quanto tempo ainda vamos ficar aqui. E se não der certo, vou ter que encontrar outro jeito”, pensei.
À frente, avistei as bananeiras. Eram vários pés – cerca de vinte --, onde cachos verdes e amarelos descaiam, produzindo uma visão bela, capaz de aguçar ainda mais o nosso apetite. A maioria dos cachos jazia verde. Alguns inclusive novos e pequenos, outros entretanto começavam a madurar. Agora, maduros, aptos para serem comidos, eram somente dois. Um deles aliás comido por pássaros. Podia-se ver uma ou outra banana – as mais amarelas – com um buraco.
-- A gente podia era apanhar logo essas bananas que estão maduras – sugeri –, antes que os passarinhos comam o resto.
-- Você acha?
-- Com certeza. Ainda mais que não tem muitas assim tão maduras. Se a gente deixar elas aí, vamos acabar ficando sem o que comer – expliquei, aproximando de uma das bananeiras.
-- Depois a gente podia era apanhar aquelas ali. – Apontou para um cacho em que as bananas começavam a madurar, a adquirir um tom verde-amarelo. – Assim elas maduravam mais rápido.
-- É mesmo. Não havia pensando nisso.
-- Qualquer coisa a gente volta mais tarde e apanha elas, porque agora não vai dar para levar tudo – disse Marcela, olhando para cima, para o cacho que deveríamos cortar.
-- Vamos fazer isso, sim – concordei. – Mas agora, venha me ajudar a colher estas. Você sobe ou eu? – perguntei.
Para alcançar o cacho de bananas um de nós teria de suspender o outro. Na maioria das vezes, eu apoiava e uma das meninas subia, pois eram mais leves e, se eu subisse, não conseguiam me sustentar por muito tempo, uma vez que as mulheres têm uma força física menor que os homens.
-- Eu subo – respondeu.
-- Toma. Leva ela para você cortar, caso precise. – Entreguei-lhe a lasca de pedra, a qual era usada como faca.
Prendi uma mão na outra, firmei-as bastante. Marcela segurou em meu ombro e deu um impulso.
Enquanto ela se espichava ao máximo para alcançar o cacho de bananas, meus olhos percorreram seu corpo feito um scanner. Seus quadris estavam colados em meu rosto. E foi justamente nesse ponto – mais precisamente no meio das pernas dela – que olhei com mais atenção, como se o que houvesse ali fosse a síntese de todo o fascínio que exercia sobre mim. E afetado, por sentir aquela parte do corpo dela tão próxima, não pude deixar de pensar: “Se minhas mãos não estivessem ocupadas agora, ia acariciar as pernas e a bunda dela. Dá até pra ver direitinho a coisa dela. Parece que é gordinha. Ah, meu deus! Eu quero ela pra mim. Quero pegar nela, ver como ela é. Quero enfiar meu pinto nela. Pinto!? Ele já até cresceu. Ih! Merda! Quando ela descer, ela vai ver. Sentir ele grande. O que faço agora? Será que vai me perguntar porque ele está assim? Não, não vai ter coragem. Mas e se tiver? E o que eu vou responder?”
-- E o que eu faço com essas bananas? – perguntou ela, tirando-me de meus devaneios.
-- O quê!? – Olhei para cima. Ela me fitava com ar de mistério, como se tivesse pensando em algo. – Joga no chão. Depois a gente cata.
Foi o que fez até apanhar todas as bananas que estavam maduras.
-- Pronto. Pode me descer agora.
-- Ora. É só dar um pulo – falei. Foi o que me ocorreu para que ela não deslizasse pelo meu corpo e me visse naquele estado, embora desejasse ardentemente que sentir seu corpo deslizando pelo meu.
-- Não. Posso me machucar – retorquiu ela. – Vou me segurar nos seus ombros e descendo devagar.
Marcela firmou e deixou seu corpo escorregar, roçando no meu. Enquanto seu corpo deslizava, fui arrastado pelo turbilhão de sensações. Sensações essas que me levaram a pensar: “Será que ela está fazendo isso de propósito? Para me provocar? É bem capaz. E esses peitos passando na minha cara? Isso me enlouquece. Será que ela não vê? Que vontade de agarrar eles. Desse jeito eu não vou aguentar. Sei que não posso, que é pecado, mas não tô aguentando...”. Em seguida, assim que ela desceu, nossos olhos se cruzaram. Ela esboçou um sorriso com certo ar de malícia, e então eu lhe retribuí o sorriso. Nisso, pensei: “Será que ela me dá um beijo? A gente está sozinho aqui. Não tem porque ela ter vergonha. Acho que ela não vai negar. E ela está tão bonita. Mais linda a cada vez que olho para ela. Vou tentar”. Mas antes que abrisse a boca, ela se abaixou e começou a cantar as bananas no chão.
Abaixei também e ajudei-lhe a recolher as frutas. Enquanto fazia isso, discretamente, levantei os olhos e mirei-os em seus seios. Devido à força da gravidade e a posição do corpo dela – eles estavam dependurados --, pareciam maiores, mais belos e chamativos. “Que lindo! Deliciosos. Dá vontade de apertar, de meter a boca neles”, disse pra mim mesmo.
Só não os fitei mais porque em dado momento ela levantou a cabeça e me surpreendeu. Tornei-me rubro de vergonha e desviei o olhar no mesmo instante. E quando tornei a olhar para ela, Marcela fazia o mesmo que eu fizera antes: olhava-me na região dos quadris,com olhares perscrutantes. Aliás, isso me levou a acreditar que ela não fosse tão inocente quanto eu pensara.
“Que vergonha! Agora ela sabe por que estou assim. Pior que não tem jeito de esconder. Ela vai saber que é por causa dos peitos dela. O que faço? Será o que ela está pensando?”, inquiri-me naquele momento.
Havíamos acabado de catar as bananas. Não eram muitas, mas estávamos com as mãos cheias.
-- Vamos! – disse ela, chamando-me para retornar.
Começamos a pegar o caminho de volta. Logo atingimos a faixa de areia.
-- Você está linda, sabia? – falei.
-- Que nada! Estou toda descabelada – disse ela olhando-me nos olhos. Caminhávamos lado a lado, quase colados um no noutro, como se ambos fizesse um tipo de esforço para ficar o mais próximo possível do outro.
-- É verdade, gata! – repliquei. – Posso te pedir uma coisa?
Paramos.
-- O quê? – Pude ver um ar de timidez e curiosidade na sua maneira de inquirir.
-- Posso te dar um beijo? – perguntei. A frase por pouco ficou entalada na garganta. Meu coração palpitava, minhas mãos quase tremiam e uma sensação estranha, inexplicável se apoderava de mim. Meus instintos, sejam eles quais forem, pareciam travar uma luta sem trégua e me levar ao desespero.
Marcela titubeou por alguns instantes. Tive a sensação de que ela fazia ponderações antes de tomar a decisão e me comunicar, talvez com medo de dar um passo mais largo que as pernas. Depois de um minuto -- tempo esse que pareceu uma eternidade -- ela respondeu com afetação, como se estivesse insegura:
-- Pode.
Dei três passos e depositei o punhado de bananas e a “faca” sobre a grama.
-- Vem cá. Põe elas aqui também – falei.
Marcela me obedeceu.
Tomei-a nos braços.
Ainda era um garoto e não tinha jeito com as mulheres, não sabia como abraçá-la feito um homem experiente que ao tomar a mulher nos braços deixa-a a sua mercê; no entanto, isso não fez muita diferença. Ela também não sabia, não tinha experiência. Assim, como saberíamos se estávamos fazendo a coisa certa?
O importante não era a forma, mas sim as sensações que aquilo provocava em nós dois. Afinal de contas tudo era novidade, embora não fosse a primeira vez. Agora a coisa era diferente: não havia mais a sensação de medo e insegurança tão comum na primeira vez e a qual não nos deixa aproveitar toda a beleza e a magia do momento. Agora, aquelas sensações seriam experimentadas de forma mais intensa, com um deleite maior, onde cada um dos “eus” em cada um de nós experimentaria o sabor do prazer.
Mas eu queria mais; e também ela parecia querer mais, ir além do que fomos da última vez. A questão era que eu sentia um quê de receio, um temor de dar um passo em falso, cair e pôr tudo a perder. Sabia que Marcela não era Luciana. A Luciana me provocava por brincadeira, curiosidade, perversidade e para mostrar seu poder, mas Marcela não, ela não era esse tipo de pessoa. Não era extrovertida assim. Era tímida, embora quando estava as sós comigo parecesse mais solta, e sentimentalista. Qualquer forma de envolvimento entre nós dois ia além do jogo erótico e da busca por prazer sexual. Na verdade, ela tinha todos os traços dessas adolescentes sonhadores que acham que o amor é puro e está acima de tudo, quando na verdade o amor não passa de uma combinação de sensações prazerosas provocadas pelos nossos instintos, onde os instintos sexuais são os que mais contribuem com essas sensações.
Enquanto nos beijávamos senti uma necessidade incontrolável de tocar-lhe nos seios. Ela tinha se negado da última vez, mas quem sabe dessa ela deixava? “Quero apertar eles, quero ver como eles são”, pensei. Assim, lentamente minha mão foi escorregando de seus quadris e subindo lento, lento até tocar o pedaço de pano que os envolvia. Titubeei por alguns segundos, mas continuei.
-- É verdade! Tá muito calor – concordou Marcela, caminhando ao meu lado.
-- Sabe o que vou fazer mais tarde?
-- Não. O quê?
-- Pescar. Vou tentar pegar uns peixes – contei. – Já estou ficando enjoado de tanto comer frutas. Estou até emagrecendo. – Puxei a borda da sunga para mostrar-lhe o quanto estava folgada. Aliás, isso se devia mais a uma perda de elasticidade daquela peça do que a perda de peso. Claro que, depois de quatro dias naquela ilha alimentando-se de frutas e comendo pouco, uma pequena perda de peso era inevitável, mas nada parecido com o que eu fazia acreditar.
-- E como você vai fazer? – quis ela saber.
-- Vou pegar uma vara comprida, fazer uma ponta nela e mirar bem no peixe. Aí eu atiro ela. Se acertar, a vara vai fincar nele e o peixe vai ficar preso – expliquei, fazendo gestos com a mão para que ele fizesse uma ideia melhor.
-- Será que vai dar certo? – tornou ela.
-- Não sei. Acho que sim – respondi com insegurança. “Tem que dar certo. Não podemos ficar comendo fruta a vida toda. Não sei quanto tempo ainda vamos ficar aqui. E se não der certo, vou ter que encontrar outro jeito”, pensei.
À frente, avistei as bananeiras. Eram vários pés – cerca de vinte --, onde cachos verdes e amarelos descaiam, produzindo uma visão bela, capaz de aguçar ainda mais o nosso apetite. A maioria dos cachos jazia verde. Alguns inclusive novos e pequenos, outros entretanto começavam a madurar. Agora, maduros, aptos para serem comidos, eram somente dois. Um deles aliás comido por pássaros. Podia-se ver uma ou outra banana – as mais amarelas – com um buraco.
-- A gente podia era apanhar logo essas bananas que estão maduras – sugeri –, antes que os passarinhos comam o resto.
-- Você acha?
-- Com certeza. Ainda mais que não tem muitas assim tão maduras. Se a gente deixar elas aí, vamos acabar ficando sem o que comer – expliquei, aproximando de uma das bananeiras.
-- Depois a gente podia era apanhar aquelas ali. – Apontou para um cacho em que as bananas começavam a madurar, a adquirir um tom verde-amarelo. – Assim elas maduravam mais rápido.
-- É mesmo. Não havia pensando nisso.
-- Qualquer coisa a gente volta mais tarde e apanha elas, porque agora não vai dar para levar tudo – disse Marcela, olhando para cima, para o cacho que deveríamos cortar.
-- Vamos fazer isso, sim – concordei. – Mas agora, venha me ajudar a colher estas. Você sobe ou eu? – perguntei.
Para alcançar o cacho de bananas um de nós teria de suspender o outro. Na maioria das vezes, eu apoiava e uma das meninas subia, pois eram mais leves e, se eu subisse, não conseguiam me sustentar por muito tempo, uma vez que as mulheres têm uma força física menor que os homens.
-- Eu subo – respondeu.
-- Toma. Leva ela para você cortar, caso precise. – Entreguei-lhe a lasca de pedra, a qual era usada como faca.
Prendi uma mão na outra, firmei-as bastante. Marcela segurou em meu ombro e deu um impulso.
Enquanto ela se espichava ao máximo para alcançar o cacho de bananas, meus olhos percorreram seu corpo feito um scanner. Seus quadris estavam colados em meu rosto. E foi justamente nesse ponto – mais precisamente no meio das pernas dela – que olhei com mais atenção, como se o que houvesse ali fosse a síntese de todo o fascínio que exercia sobre mim. E afetado, por sentir aquela parte do corpo dela tão próxima, não pude deixar de pensar: “Se minhas mãos não estivessem ocupadas agora, ia acariciar as pernas e a bunda dela. Dá até pra ver direitinho a coisa dela. Parece que é gordinha. Ah, meu deus! Eu quero ela pra mim. Quero pegar nela, ver como ela é. Quero enfiar meu pinto nela. Pinto!? Ele já até cresceu. Ih! Merda! Quando ela descer, ela vai ver. Sentir ele grande. O que faço agora? Será que vai me perguntar porque ele está assim? Não, não vai ter coragem. Mas e se tiver? E o que eu vou responder?”
-- E o que eu faço com essas bananas? – perguntou ela, tirando-me de meus devaneios.
-- O quê!? – Olhei para cima. Ela me fitava com ar de mistério, como se tivesse pensando em algo. – Joga no chão. Depois a gente cata.
Foi o que fez até apanhar todas as bananas que estavam maduras.
-- Pronto. Pode me descer agora.
-- Ora. É só dar um pulo – falei. Foi o que me ocorreu para que ela não deslizasse pelo meu corpo e me visse naquele estado, embora desejasse ardentemente que sentir seu corpo deslizando pelo meu.
-- Não. Posso me machucar – retorquiu ela. – Vou me segurar nos seus ombros e descendo devagar.
Marcela firmou e deixou seu corpo escorregar, roçando no meu. Enquanto seu corpo deslizava, fui arrastado pelo turbilhão de sensações. Sensações essas que me levaram a pensar: “Será que ela está fazendo isso de propósito? Para me provocar? É bem capaz. E esses peitos passando na minha cara? Isso me enlouquece. Será que ela não vê? Que vontade de agarrar eles. Desse jeito eu não vou aguentar. Sei que não posso, que é pecado, mas não tô aguentando...”. Em seguida, assim que ela desceu, nossos olhos se cruzaram. Ela esboçou um sorriso com certo ar de malícia, e então eu lhe retribuí o sorriso. Nisso, pensei: “Será que ela me dá um beijo? A gente está sozinho aqui. Não tem porque ela ter vergonha. Acho que ela não vai negar. E ela está tão bonita. Mais linda a cada vez que olho para ela. Vou tentar”. Mas antes que abrisse a boca, ela se abaixou e começou a cantar as bananas no chão.
Abaixei também e ajudei-lhe a recolher as frutas. Enquanto fazia isso, discretamente, levantei os olhos e mirei-os em seus seios. Devido à força da gravidade e a posição do corpo dela – eles estavam dependurados --, pareciam maiores, mais belos e chamativos. “Que lindo! Deliciosos. Dá vontade de apertar, de meter a boca neles”, disse pra mim mesmo.
Só não os fitei mais porque em dado momento ela levantou a cabeça e me surpreendeu. Tornei-me rubro de vergonha e desviei o olhar no mesmo instante. E quando tornei a olhar para ela, Marcela fazia o mesmo que eu fizera antes: olhava-me na região dos quadris,com olhares perscrutantes. Aliás, isso me levou a acreditar que ela não fosse tão inocente quanto eu pensara.
“Que vergonha! Agora ela sabe por que estou assim. Pior que não tem jeito de esconder. Ela vai saber que é por causa dos peitos dela. O que faço? Será o que ela está pensando?”, inquiri-me naquele momento.
Havíamos acabado de catar as bananas. Não eram muitas, mas estávamos com as mãos cheias.
-- Vamos! – disse ela, chamando-me para retornar.
Começamos a pegar o caminho de volta. Logo atingimos a faixa de areia.
-- Você está linda, sabia? – falei.
-- Que nada! Estou toda descabelada – disse ela olhando-me nos olhos. Caminhávamos lado a lado, quase colados um no noutro, como se ambos fizesse um tipo de esforço para ficar o mais próximo possível do outro.
-- É verdade, gata! – repliquei. – Posso te pedir uma coisa?
Paramos.
-- O quê? – Pude ver um ar de timidez e curiosidade na sua maneira de inquirir.
-- Posso te dar um beijo? – perguntei. A frase por pouco ficou entalada na garganta. Meu coração palpitava, minhas mãos quase tremiam e uma sensação estranha, inexplicável se apoderava de mim. Meus instintos, sejam eles quais forem, pareciam travar uma luta sem trégua e me levar ao desespero.
Marcela titubeou por alguns instantes. Tive a sensação de que ela fazia ponderações antes de tomar a decisão e me comunicar, talvez com medo de dar um passo mais largo que as pernas. Depois de um minuto -- tempo esse que pareceu uma eternidade -- ela respondeu com afetação, como se estivesse insegura:
-- Pode.
Dei três passos e depositei o punhado de bananas e a “faca” sobre a grama.
-- Vem cá. Põe elas aqui também – falei.
Marcela me obedeceu.
Tomei-a nos braços.
Ainda era um garoto e não tinha jeito com as mulheres, não sabia como abraçá-la feito um homem experiente que ao tomar a mulher nos braços deixa-a a sua mercê; no entanto, isso não fez muita diferença. Ela também não sabia, não tinha experiência. Assim, como saberíamos se estávamos fazendo a coisa certa?
O importante não era a forma, mas sim as sensações que aquilo provocava em nós dois. Afinal de contas tudo era novidade, embora não fosse a primeira vez. Agora a coisa era diferente: não havia mais a sensação de medo e insegurança tão comum na primeira vez e a qual não nos deixa aproveitar toda a beleza e a magia do momento. Agora, aquelas sensações seriam experimentadas de forma mais intensa, com um deleite maior, onde cada um dos “eus” em cada um de nós experimentaria o sabor do prazer.
Mas eu queria mais; e também ela parecia querer mais, ir além do que fomos da última vez. A questão era que eu sentia um quê de receio, um temor de dar um passo em falso, cair e pôr tudo a perder. Sabia que Marcela não era Luciana. A Luciana me provocava por brincadeira, curiosidade, perversidade e para mostrar seu poder, mas Marcela não, ela não era esse tipo de pessoa. Não era extrovertida assim. Era tímida, embora quando estava as sós comigo parecesse mais solta, e sentimentalista. Qualquer forma de envolvimento entre nós dois ia além do jogo erótico e da busca por prazer sexual. Na verdade, ela tinha todos os traços dessas adolescentes sonhadores que acham que o amor é puro e está acima de tudo, quando na verdade o amor não passa de uma combinação de sensações prazerosas provocadas pelos nossos instintos, onde os instintos sexuais são os que mais contribuem com essas sensações.
Enquanto nos beijávamos senti uma necessidade incontrolável de tocar-lhe nos seios. Ela tinha se negado da última vez, mas quem sabe dessa ela deixava? “Quero apertar eles, quero ver como eles são”, pensei. Assim, lentamente minha mão foi escorregando de seus quadris e subindo lento, lento até tocar o pedaço de pano que os envolvia. Titubeei por alguns segundos, mas continuei.
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