segunda-feira, 27 de julho de 2015

INSENSATO CORAÇÃO

Ó insensato coração!
Por que tamanha traição?
Por que me fazes vagar
Em tão revoltoso mar?

Não lhe disse que a razão
Sempre me era a opção?
E por que fostes deixar
A paixão me dominar?

Eis que vivo este agora:
Interminável aurora
Dessas intensas sensações
Nesse mar de desrazões

O meu querer não tem hora
É um desatino que aflora
Em milhares de emoções
Ah, como doem as paixões!

terça-feira, 14 de julho de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 60



Tivemos talvez a melhor refeição naquele dia. Comemos um peixe cada. E depois, por causa do calo infernal daquele começo de tarde, corremos para o mar a fim de refrescar um pouco. Ao ser atingido por uma onda, o que ainda restava de minha sunga rasgou-se e desprendeu-se, deixando-me inteiramente nu. Corri para apanhá-la, mas esta foi levada até a faixa de areia.
Envergonhado, com a água até o umbigo, gritei para que minha prima fosse apanhá-la. Olhei para Marcela e Luciana e ambas me fitavam, cada uma com uma expressão diferente no rosto. Marcela parecia estampar um sorriso tímido e ao mesmo tempo curioso, como se disse: “Agora você está igual à gente.” ou: “agora vou poder ver ele quantas vezes quiser”; Luciana por outro lado, demonstrava espanto e um ar de indignação, talvez achando que eu fosse o culpado por aquele pedaço de pano ter apodrecido e agora estar se desfazendo. Embora soubéssemos que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, ela parecia não aceitar.
Ana Paula correu até a faixa de areia e a apanhou. Em seguida, levantou-a e, segurando-a com as duas mãos, espichou-a. O pano muito fraco não resistiu e partiu ao meio. Ela ficou com um pedaço em cada mão.
Tenho cá comigo que ela fiz isso de propósito, tanto que cheguei a pensar: “ela fez isso para se vingar”. Talvez quisesse dar o troco por eu ter corrido atrás dela e, ao não ser capaz de conter os instintos, tê-la violentado. Ela sabia da minha timidez. E sabia também que, diferente das meninas, ficar nu na frente delas me seria constrangedor. Assim aproveitou para rasgar a minha sunga.
-- Lamento, primo! Mas essa já era. Agora você vai ter que ficar pelado também – disse rindo, um sorrisinho malicioso. -- Vai ter que ficar com o seu troço sem nada tampando ele.
-- Pelado? -- perguntei.
-- O que tem? A Marcela e a Luciana não estão. E quer saber duma coisa. Vô ficar também. Já num aguento mais essa coisa colada em mim. Tenho que ficar tirando ela com o maior cuidado para num acabar de rasgar. -- Ana Paula simplesmente puxou a tanga do biquíni e esta se rompeu. Além de mim, era a única que ainda mantinha alguma coisa cobrindo as partes pudicas, embora sua tanga também estivesse rasgada em vários pontos.
-- Mas eu não posso ficar pelado – retruquei.
-- Por que não? -- indagou Marcela, aproximando-se de mim.
Olhei mais uma vez para Luciana e sua cara estava fechada. Temi que ela não fosse capaz de se controlar e fosse fazer uma besteira.
-- Porque eu sou homem – foi o que respondi.
-- É que ele tem vergonha de andar com o troço dele de fora – disse Ana Paula rindo.
-- Ou da gente ver que ele é pequenininho? -- falou Marcela.
-- Num é nada disso! -- respondi, olhando mais uma vez para Luciana. O sangue parecia subir-lhe pela face.
-- E você, Luciana? – Marcela virou-se na direção dela -- Por que você acha que o Sílvio não quer ficar pelado que nem a gente?
Houve um breve silêncio. Luciana parecia pensar em uma resposta.
-- As duas coisas: ele é um idiota todo envergonhado e o pintinho dele já deve ter uma dona, por isso que não quer exibir ele por ai.
De fato, comparado com a esperteza e a experiência de Luciana, eu era idiota e ingenuo demais, uma vez que era resultado da edução que meus pais me dera, uma educação restrita e inadequada para os dias atuas não só devido às limitações de meus pais, pois eles tinham pouco estudo, mas também fruto da rígida moral religiosa que imperava em nosso lar. E se não bastasse isso, a minha timidez tornava-me ainda mais limitado, pois os tímidos não se interagem com os outros e consequentemente não aprende na rua, com os amigos, aquilo que os pais não ensinam.
Talvez para provocar Luciana, já que as duas não morriam de amores uma pela outra, Ana Paula acrescentou, dando uma risadinha:
-- Quem será? Uma de nós ou alguém que eu não conheço.
-- Querem parar vocês! Ficam falando besteiras, inventando coisas. Não é nada disso! -- falei, dando uma pausa. Tinha de tomar uma decisão e por fim àquilo. Lembrei da última vez em que minha sunga foi parar nas mãos de Ana Paula e temi que ela tecesse algum comentário sobre aquele episódio e provocasse a ira de Luciana, uma vez que tanto eu quanto minha prima negara ter havido entre nós alguma coisa naquele episódio. -- É sério! E agora? Como vou fazer? -- perguntei com um certo desespero. Não só por temer que Ana Paula falasse demais, embora duvidasse que fizesse algum comentário sobre como perdera a inocência, mas também pelo temor de que Luciana viesse a arrumar briga caso pegasse Marcela ou até mesmo minha prima observando-o, o que inevitavelmente aconteceria.
E havia outro motivo. Nos primeiros dias, quando ficava excitado, a sunga escondia, senão de todo, pelo menos parte desse excitamento. E agora? Não havia nada que o prendesse junto ao corpo. Se me excitasse, chamaria tanta a atenção que não teria como qualquer uma delas não ver. E isso com toda a certeza seria fonte de curiosidades e perguntas, as quais me provocariam grandes constrangimentos, embora para Luciana e minha prima isso não fosse mais um mistério.
-- Já disse! Vai ter que ficar assim.
-- Não, eu não vou sair da água com vocês ai, olhando. Só vou sair quando vocês não estiverem mais ai – falei.
-- E se a gente ficar aqui até você sair? -- quis ela saber
-- Eu num saio – tornei a afirmar.
-- Então vamos passar a noite aqui, né meninas? -- Minha prima parecia ter encontrado o meu ponto fraco e decidira me espezinhar.
Fui salvo por Luciana que até então procura não se meter. Talvez porque não soubesse o que fazer.
-- Não, nós não vamos ficar aqui. Se ele está com vergonha de ficar pelado na frente da gente, porque é tímido, a gente tem que respeitar isso. Mas não tem outro jeito. A não ser que você amarrasse uma folha de bananeira ai na frente. Mas isso ia ficar tão ridículo e não ia dar certo. Ela ia acabar caindo. Portanto não tem jeito. Você vai ter que ficar. Se não for agora, será mais tarde. -- disse, muito certamente com alguma coisa em mente. Súbito, acrescentou: -- Vai vocês duas pra cabana que vou conversar com ele.
-- E por quê você? -- quis saber Marcela.
-- Porque sou mais velha e sei lidar melhor com essa situação. Tenho certeza que vou acabar com essa vergonha rapidinho -- disse ela. -- Vão, saiam as duas.
Contrariadas e com um ar de desconfiança, elas nos deixaram.
Quando as duas desapareceram instantes depois, Luciana aproximou-se, parou na minha frente e, enfiando a mão embaixo d'água, agarrou-me os testículos como fazia todas as vezes que era possuída pelo ciúme e queria fazer mais ameaças.
-- Ai, tá doendo! -- falei.
-- É para doer mesmo! E vai doer muito mais se eu ver ele crescendo na frente delas. Já te disse que ele é meu e o que é meu não divido com ninguém, principalmente isso. Dele, elas não vão sentir o gostinho. Porque se sentir, você fica sem ele.
-- Mas eu não posso controlar. Às vezes, ele começa a crescer sozinho – asseverei.
Ela refletiu por alguns instantes.
-- Pensa que eu sou idiota? -- apertou-me ainda mais os testículos. -- Crescer sozinho! Ele só cresce quando você pensa em sacanagem. Sei muito bem disso! Aqueles idiotas do colégio me disseram isso. E eles eram muito mais esperto e experiente do que você possa imaginar. E o mais idiota deles achava que era o mais esperto, ainda teve a cara de pau de confessar que toda vez que pensava em mim o pinto dele crescia e que já tinha até batido punheta pensando em mim. Um dia, levei ele para trás da biblioteca e perguntei se o pinto dele estava duro. Ele disse que não. -- Empolgada pelas lembranças, Luciana afrouxou a mão e soltou-me os testículos. -- Ai eu disse para ele me mostrar. Ele disse que só me mostrava se eu mostrasse a minha xoxota. Acho que ele achou que eu não fosse capaz. Levantei a saia e abaixei a calcinha. Ele esbugalhou os olhos e ficou de boca aberta. Não dei tempo a ele. Disse que se ele me mostrasse ali, naquele momento, eu deixava ele por a mão na minha xana. Ele abriu o zíper e tirou o pinto. Ele estava mole, mas foi crescendo bem ali na minha frente. Ah, que delícia ver aquilo. Peguei a mão dele e enfiei ela no meio das minhas pernas. Ele parecia paralisado, sem saber o que fazer. Tive que falar para ele enfiar o dedo ali no meio. Quando ele tirou o dedo, o pinto dele estava mais duro que tudo. Uns quinze dias depois, deixei ele por ele no meio das minhas pernas, mas não deixei ele enfiar. Teve que gozar nas minhas coxas. Portanto, seu idiota, não sou uma idiota que nem você – afirmou, tornando a apertar-me os testículos. -- E sabe o que vou fazer para não correr o perigo de ver ele crescer na frente delas? Vou fazer você ficar sem vontade. E vou começar agora. Vem, vamos lá pra trás.
Cabisbaixo, feito um garoto aprisionado que vai ser violentado, segui-a.
Um golpe do destino, no entanto, frustrou-lhe os planos. Ana Paula surgiu, correndo em nossa direção, no exato momento em que Luciana havia me atirado ao chão.
-- Por que vocês vieram pra cá? -- perguntou, ao se aproximar.
Eu levei um grande susto, mas Luciana denotou grande frustração. Seu rosto adquiriu um tom avermelhado e seus olhos faiscaram.
-- Porque esse idiota saiu correndo e eu vim atrás dele – disse ela contrafeita. -- E você o que está fazendo aqui? Veio ver o pintinho do priminho?
-- Não. Vim avisar que a fogueira apagou.
-- Apagou? -- Levantei num sobressalto, esquecendo que estava completamente nu. Aliás, não tinha motivos para me envergonhar. Não era a primeira vez que ela me via naquele estado.
-- Apagou. A gente até tentou evitar que ela se apagasse totalmente, mas não conseguimos. Ainda tinha um toquinho de brasa, mas ele também se apagou. A Marcela soprou, soprou, mexeu nos gravetos, mas nada. Você vai ter que tentar acender ela de novo, como você fez daquela vez.
-- Só me faltava essa agora! -- exclamou Luciana, gesticulando os braços. -- Perdemos o nosso bem mais precioso.
-- Como isso foi acontecer? -- indaguei. -- Ninguém se lembrou de por lenha nela quando a gente foi tomar banho. Acho que ficamos empolgados com aqueles peixes e nem vimos que a fogueira estava se apagando.
Uma sombra de irritação envolveu-me, talvez porque eu sabia quão trabalhoso seria acendê-la novamente.
-- E agora o que a gente vai fazer? -- indagou Ana Paula, fitando-me com discrição a minha nudez.
-- Ora! Deixa ela apagada – exclamou Luciana.
-- Mas a gente precisa dela – falei. -- No começo, era só para alguém achar a gente, mas agora isso já não faz tanta diferença. Só que a gente precisa de fogo para assar os peixes e, se você conseguir matar algumas daquelas aves, elas também.
-- Isso é verdade! -- concordou minha prima.
-- Ora! Se você acendeu uma vez, pode acender de novo – asseverou Luciana, que alternava os olhares entre eu e Ana paula como se nos vigiasse. Aliás, isso não me passou despercebido, tanto que cheguei a pensar: “Se ela está de olho em nós que somos primos, imagina como não vai ficar de olho em mim e na Marcela! Vou ter que tomar muito cuidado! Se sentir que meu pinto vai crescer, tenho de sair de perto delas”.
-- É o jeito! -- respondi.
-- E é melhor a gente voltar. Temos que pensar em arrumar comida. Não temos nada para comer o resto do dia e eu não vou dormir com fome.
Ambos concordamos. Até porque o plano era tentar fazer um arco e flecha para matar algumas daquelas aves que viviam na ilha. E embora o incidente da sunga tenha me feito esquecer desse compromisso, no caminho de volta para a “casa”, Luciana fez questão de relembrá-lo.
-- Vou sim. Quem sabe a gente consegue matar uma dessas grandes. Ai a gente vai poder comer uma carne de verdade.
-- Mas pra isso você vai ter que acender a fogueira de novo – lembrou Ana Paula.
-- Uma coisa de cada vez – falei.
-- Mas não vamos contar com isso. Quando chegarmos na cabana – Embora a cabana tivesse melhorado muito e tivesse uma aparência de “casa”, por costume continuávamos a chamá-la de “cabana” --, sua priminha e a amiguinha dela vão tentar achar alguma coisa pra gente comer – disse Luciana, com um certo ar de provocação.
-- E por que você num vai? -- volveu Ana Paula.
-- Porque meu pé não melhorou totalmente. Não quero me machucar de novo – retrucou a mais velha. Foi uma má desculpa, uma vez que ela chegara inclusive a subir na mata depois de torcer o pé, mas Ana Paula, por inocência e ingenuidade, não se lembrou desse detalhe.
-- Só quero ver até quando você vai ficá usando essa desculpa – falou Ana Paula, cutucando a outra.
Vendo que os ânimos começavam a se exaltar, decidi por um basta naquilo. Se não o fizesse, as provocações continuariam e certamente levariam as ofensas e depois a agressão física.
-- Vamos parar as duas! Lá na cabana a gente vê o que faz.
Não se ouviu mais nenhuma palavra até chegarmos.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SEMENTES DO ESTADO ISLÂMICO


O tão temido “Estado Islâmico”, com sua violência, com seu desprezo pela vida, muitas vezes se assemelha aos bárbaros da antiguidade. Aliás, como não ver o tratamento dados por eles aos habitantes dos territórios que conquista e não se lembrar de Átila, o huno? Ou até mesmo Gengis Kahn? Talvez os mais terríveis homens da história. Mas Átila, Gengis Kahn e tantos outros fazem parte de um remoto tempo, de uma era onde a humanidade – senão toda, pelo menos a grande maioria dela -- ainda vivia mergulhada nas trevas da ignorância e do desprezo ao ser humano, pois a vida de um homem valia tanto quando a de qualquer outro animal. O “Estado Islâmico”, por outro lado, é fruto de uma era onde a vida é o bem mais precioso que se pode ter e onde qualquer ato de violência contra um semelhante causa indignação e revolta. Então, por que o surgimento de uma organização tão sanguinária e cruel, principalmente contra os inimigos? Seria uma volta à barbárie? Não, definitivamente não. De fato ele é fruto do fracasso daquilo que chamamos sociedade, uma vez que ela não é mais capaz de suprir os anseios de uma população materialista, individualista e ávida por bens materiais, onde a vida se tornou inclusive uma mercadoria. E na incapacidade de suprir uma necessidade cada vez maior de consumo, o homem se sente frustrado e sem perspectiva com relação ao futuro. E é aí que entra o “Estado Islâmico”. Eles prometem uma nova ordem social, um mundo menos materialista e, principalmente, uma eternidade gloriosa após a breve passagem pela vida terrena, coisa que a civilização ocidental não oferece mais, aliás como já afirmava Nietzsche em pleno século IXX, ao declarar que “Deus está morto” (A Gaia Ciência, aforismo 341). Enfim, o “Estado Islâmico” só precisou de um vasto terreno fértil, onde semeava o caos, para plantar suas sementes, as quais podem sem encontradas em abundância nos quatro cantos do mundo, principalmente no ocidente.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O MAIOR EQUÍVOCO DA NATUREZA















Em meio a uma hipocrisia desmedida
Vou equilibrando minha vida
Na esperança de que lá adiante
Depare com um futuro diferente;

Mas o tempo, esse inimigo da vida,
Faz minha esperança perdida.
Vejo a humanidade decadente
Definhando a cada instante.

Rumo a uma inevitável extinção
Talvez agora seja tarde demais
Para uma mudança de direção

O homem é o maior equívoco
Da natureza. E dentre os animais
À existência é quem traz maior perigo

domingo, 28 de junho de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 59

Naquela manhã, como acontecera outras vezes, não tínhamos o que comer. Assim, para quebrar o jejum, tomamos água de coco. Súbito, consultando um pedaço de tábua onde jazia uma série de riscos, Marcela disse:
-- Já não tenho certeza de quanto tempo estamos aqui. Será que não esquecemos de marcar algum dia?
-- Não sei – respondi. -- Você é que faz isso todos os dias.
-- 23 dias. Mas parece que estamos uma eternidade aqui – lamentou, deixando escapar uma voz triste. -- Será que já desistiram da gente?
-- Acho que as autoridades já. O Corpo de Bombeiros com certeza já encerrou as buscas – asseverou Luciana.
-- Mas nós tamos vivos. Eles num podem parar de procurar a gente – exclamou Ana Paula.
-- Por que não? Não vão procurar a gente a vida inteira. Como não acharam a gente, para todos efeitos já estamos mortos – afirmou Luciana.
-- Será que nossos pais também desistiram? -- perguntei.
-- Não, acho que não. Eles ainda tem esperança de encontrar a gente – disse Marcela. -- Talvez pensem que a gente esteja perdido numa ilha qualquer.
-- Como realmente a gente tá – acrescentou minha prima.
-- Só não entendo porque nunca vieram procurar a gente aqui – falei.
-- Talvez porque tenham encontrado os destroços do barco muito longe daqui. Eles não vão procurar o oceano inteiro. Procuram até um certo ponto. E se não vieram procurar a gente aqui quer dizer que viemos parar muito, mas muito longe de onde o barco afundou – explicou Marcela. -- a gente ficou boiando por quase dois dias.
-- Também acho – concordei. -- Mas acredito que dia menos dia vai aparecer alguém aqui. Ai será nossa chance de voltar para casa.
-- Quanto a isso, tenho de concordar com vocês. Só acho que não será tão cedo. Não encontramos marcas recentes da passagem de alguém por aqui. E por quê? Porque esta ilha é muito pequena e sem importância. Claro que algum curioso vai vir aqui qualquer dia. Mas pode ser que demore ainda alguns meses – disse Luciana.
-- Mas será? -- indaguei.
-- Eu estava até pensando sobre isso uma noite dessas, enquanto tomava conta da fogueira. A gente tinha viajado em direção ao norte. Isso quer dizer que talvez a gente nem esteja longe do litoral, mas longe o bastante da rota de navegação. Por isso nunca vimos sinal de barcos ou navios – continuou Luciana com um certo ar de superioridade, como se aquela suposição fosse fruto de uma inteligência excepcional embora, é preciso admitir, ela fosse dotada de uma esperteza invejável. Prova disso era a facilidade com que me manipulava. -- Também não adianta a gente ficar lamentando. -- Levantou-se, limpou a areia das nádegas e acrescentou: -- Estou com fome e não temos nada para comer. Não é melhor a gente tratar de pegar uns peixes logo?
-- Tem razão – falei, levantando-me. -- Vou pegar uns enquanto vocês vão procurar alguma coisa para a gente comer.
-- E você vai me ensinar a pescar e a usar a flecha como prometeu ontem – lembrou-me Luciana. -- E vocês duas, que gostam tanto de andar no mato, vão fazer a parte de vocês. Precisamos matar algumas dessas aves. Tantas por ai e nós aqui passando fome.
Ana Paula e Marcela levantaram-se. Apanharam a lâmina de ferro e partiram desejando-nos sorte na pescaria.
-- Já que você quer tanto aprender a pescar, então vamos. Só quero ver no que vai dar isso – felei instantes depois, apanhando a lança que jazia recostada a um dos cantos da casa. -- Pensa que é fácil? Levei tempo para aprender.
-- Tá pensando que não sou capaz de aprender? Você vai se surpreender – disse ela, pegando-me na mão, prostrando-se bem a minha frente e acrescentando: -- Mas antes quero um beijo bem gostoso. Quero sentir o gosto da tua boca. Estou com saudades. Se não fosse aquelas duas ia ficar te beijando o tempo inteiro.
-- Agora não. Elas podem voltar – falei, procurando evitar que aquele beijo pudesse ser o primeiro passo de outros que acabariam me levando a deitar-se com ela.
-- Não. Elas não vão voltar. E você também não vai querer que eu fique brava, né? Você sabe que quando não me obedecesse eu fico muito brava e perco a cabeça, não sabe?
Nisso, senti suas mãos agarraram-me por entre as pernas a dor embora leve chegou-me ao cérebro.
-- Sei sim -- respondi, vencido.
-- Ótimo. Então seja um bom menino.
A dor desapareceu e então senti sua mão escorregar um pouco para cima e agarrar-se outra parte do meu corpo; mas ao invés de apertá-la, apenas a acariciou. Nisso, meus lábios haviam encontrado os delas e sua língua procurava desesperadamente enroscar-se a minha.
Eu apenas e segurava pelos quadris enquanto ela usava um dos braços para me prender pelo pescoço. Súbito porém, ela o tirou e pegou num dos meus punhos e levou e o ergueu até que minha mão foi parar-lhe no seio. Como se eu fosse um idiota ou não soubesse o que fazer, ela pegou-me a mão a fez apertar-lhe o seio. Talvez por não conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo, a outra mão, a qual parara de mexer como meu falo, voltou a deslizar sobre ele para frente e para trás. Isso me levou a espremer os quadris contra os dela a fim de evitar que ele continuasse, pois assim não haveria espaço para os movimentos de sua mão. Ela porém interpretou meu gesto de outra forma. Pensou que eu tencionava penetrá-la. Assim, afastou as pernas e seus ágeis dedos conseguiram empurrar-me o falo para o meio delas.
Até então eu procurava conter a excitação. Mas diante de certas circunstâncias, não tive como evitá-la. Embora tenhamos por hábito julgar aquele que não foi capaz de conter seus instintos, na realidade deveríamos ser bem mais condescendentes com essas pessoas, uma vez que em se tratando do instinto praticamente nada pode ser feito para contê-lo. Assim, meu falo reagiu instantaneamente.
-- Isso. Deixa ele ficar do jeito que eu gosto. Tô com saudades dele – disse-me ela, quando seus lábios finalmente deixaram os meus.
-- Mas a gente tem que pescar. Não temos nada para comer – argumentei.
-- Daqui a pouco a gente vai. Os peixes não vão fugir. Elas também não voltar tão cedo – disse ela. -- Vem cá – deu um passo para trás e sentou numa das camas, a qual estava forrada com folhas de bananeira. -- Estou pegando fogo.
Não compreendi aquele pegando fogo embora cheguei a deduzir que se tratava de algo relacionado com a sua vontade em se deitar comigo. Aliás, não de importância a isso. Principalmente após vê-la deitar-se e abrir as pernas para me receber.
Tudo foi muito rápido, mais do que das outras vezes, talvez porque enquanto a fodia, imaginava Marcela e não Luciana entre mim e aquela cama. Ela porém manteve-me preso entre seus braços. Meu rosto jazia apoiado entre os seios dela. Os lábios jaziam entreabertos ao lado de um dos mamilos dela, o qual, momentos antes, por mais de uma sofrera a pressão de meus dentes.
-- Alguma coisa está acontecendo comigo – disse ela, dando fim aquele silêncio que se formara após o gozo. -- Meus peitos estão sensíveis e até doeram quando você ficou chupando eles. Isso antes não acontecia.
Levantei a cabeça, fitei-os e só então a indaguei:
-- Como assim?
-- Não sei. Sinto que tem algo estranho. E ainda não menstruei. Talvez seja por isso. Já vai fazer um mês que fiquei da última vez.
-- Menstruar é ficar naqueles dias? -- perguntei, lembrando do que Ana Paula me dissera no dia anterior.
-- É.
-- E o que acontece se você não ficar?
-- Se eu não ficar quer dizer que possa estar grávida.
-- Gravida? -- dei um sobressalto e sai de cima dela.
-- É. Não sei ainda. Mas pode ser que a gente vai ter um bebê.
-- Eu num quero ter um bebê contigo – falei com ar de revolta e sentindo-me usado, como se o mundo estivesse por desmoronar-me na cabeça. E ao imaginar-lhe um recém-nascido nos braços e ela me oferecendo aquele bebê, dizendo-me que era nosso filho, subitamente fui tomando pelo desejo de pegá-lo a atirá-lo longe como teria feito uma criança mimada ao ganhar um brinquedo que não lhe agradasse. E ao me ver fazendo isso, não fui tomado pelo arrependimento, nem mesmo de ter aqueles pensamentos. Aliás, ao supor que este filho de fato viesse ao mundo, senti apenas ódio, tanto dela quanto da criança. “Se ela quer tanto ter um bebê, então que fique com ele. Eu num quero, não quero o bebê dela. Eu amo a Marcela e é só ela que eu quero...”, lembrou-me de pensar.
-- Por que não? Vai ser incrível.
-- Não. Não vai ser incrível coisa nenhuma. Eu num quero! – falei, demonstrando ainda mais irritação. -- E nem tenho idade pra isso.
-- Mas se eu estiver, você não pode fazer nada. E aposto que fosse com a Marcela você ia querer. Não é verdade?
Não, eu não queria ter um filho com ela também. Pelo menos não desejava isso. Talvez, quando fosse mais velho e estivesse preparado para ser pai, mudasse de opinião. Mas naquela ilha não queria engravidar nem uma nem a outra.
-- Claro que não.
-- Duvido. Mas aposto como você vai mudar de ideia quando ver minha barriga crescer. E meus peitos vão crescer também. Sabia?
-- Não, não vou mudar. Já disse que num quero ter um filho teu.
-- Bobinho. Se eu não tiver, vou ficar mais cedo ou mais tarde. E você não vai poder fazer nada.
De fato ela estava certa. Não estava em minhas mãos decidir se ela teria ou não um filho meu. Ela me dominava e fazia de mim o seu brinquedo. Enquanto eu continuasse a despejar quase que diariamente todo o meu sêmen dentro dela, seria apenas questão de tempo para que fosse fecundada, embora eu não soubesse direito como engravidar uma mulher, uma vez que sabia que o fato de ter se deitado com ela não era o suficiente.
Luciana sentou na cama e olhou para o meio das pernas. Em seguida levou a mão lá e a retirou toda lambuzada.
-- Nossa! Quanta porra! Melhor a gente ir se lavar. Isso aqui vai me escorrer pelas pernas abaixo – disse levantando-se.
Ela se aproximou e tentou me abraçar, mas eu me afastei, empurrando-lhe a mão para longe de mim.
-- Não fica assim. Eu ainda não sei se estou grávida. E se tiver também, você ficar com raiva de mim não vai adiantar de nada. Vem cá, seu bobinho. Não se preocupa com isso agora. Vamos pegar aqueles peixes. Estou faminta.
Permaneci em silêncio. Apanhei a vara e sai. Luciana me seguiu de perto, puxando assunto a fim de fazer com que eu falasse consigo. No entanto, não me deixei dobrar. Mantive-me calado. Aliás, aproveitei aquele silêncio para pensar em Marcela e no que lhe diria caso viesse a ser pai.
-- Como é que eu devo segurar a lança? -- perguntou ela, quando chegamos. -- Assim? -- Levantou-a, segurando na altura do ombro, como eu fizera da última vez em que a levei para me ver pescar.
-- É – respondi, abrindo a boca pela primeira vez desde que deixamos a cabana. -- Fala baixo, senão eles assustam – sussurrei.
-- E agora? O que eu faço? -- perguntou ela num tom de voz tão baixo que quase não consegui ouvir.
-- Você mira ele. E quando tiver certeza de que vai acertar ele, atira ela com força – expliquei.
Luciana ficou imóvel por alguns instantes, com os olhos fixos num peixe que parecia não se importar com a nossa presença, talvez porque não tinha nos notado ali. Súbito, ela lançou a vara, mas esta enterrou a ponta na areia a cerca de meio metro do peixe. Este, com o som produzido, desapareceu da nossa vista.
-- Merda! Errei! -- esbravejou. -- E agora?
-- Pega a lança e vamos esperar um pouco que aparece outro. Às vezes, até mais de um – expliquei. -- Ai você tenta de novo. Mas tente mirar mais certo dessa vez.
Alguns minutos depois, outro peixe apareceu.
-- Você não vai me escapar – balbuciou ela.
Deixei que ela mirasse e tentasse acertá-lo. Mas ela não teve a paciência necessária para esperar o melhor momento. Ela simplesmente atirou a lança e esta foi parar ainda mais longe.
-- Quer saber duma coisa? Não quero mais aprender a pescar. Isso é muito difícil. É coisa para homem – disse ela, dando alguns passos sobre as pedras e apanhando a lança. -- Toma! Vou ficar em cima daquela pedra olhando. Se eu ficar aqui tentando, não vamos ter o que comer hoje – acrescentou por fim, enquanto se afastava. Deu alguns passos e sentou numa grande pedra, cerca duns dois metros de onde eu estava.
Fez silêncio por alguns instantes. Então ela principiou a dizer alguma coisa. Mas antes que ela terminasse a palavra, fiz-lhe sinal de silêncio. Ela calou-se até que me viu atirar a lança e apanhá-la em seguida com um peixe pequeno se debatendo, embora devesse pesar umas 300 gramas.
-- Nossa! Que rapidez! -- exclamou ela, com empolgação. -- Pelo menos nisso você é eficiente – acrescentou em seguida com um tom de sarcasmo.
Depois de tirar o peixe da lança e espetá-lo na vareta que eu costumava usar para transportá-los, fiquei na espreita a fim de fisgar o próximo. Às vezes, eles retornavam rápido, mas vez ou outra tinha de ter paciência e esperar uns bons minutos.
O próximo não demorou muito. Aliás, vieram três de uma vez. Assim, pude escolher o maior. Lancei a vara e por pouco não o errei. A ponta atravessou-o próximo do rabo. Se eu não tivesse sido rápido em puxá-la para fora e dar-lhe uma pedrada na cabeça provavelmente teria escapado mesmo assim. Após parar de se mexer, espetei-o na vareta junto com o outro e dei-os para Lucina segurar.
-- Nossa! Esse é bem grande hein – disse ela. -- Hoje vamos passar bem.
-- Tamos com sorte – respondi.
Voltei a ficar na espreita. Levou algum tempo até que consegui avistar outro um pouco mais adiante de onde fisgara o último. Mirei-o e então atirei a lança. Dessa vez porém não tive sorte. Errei-o por alguns centímetros.
-- Merda! -- exclamei. -- Escapou. E o pior que agora eles vão ficar com medo e vão demorar a aparecer. -- De fato, normalmente era isso que ocorria. Eles pareciam pressentir o perigo e só retornavam depois de algum tempo. Vez o outra eu tinha de esperar um tempão até que conseguisse avistar outro.
Esperamos por uns cinco ou dez minutos. Talvez até mais, já que não tínhamos como marcar o tempo, uma vez que o meu relógio de pulso fora danificado pela água e deixara de funcionar desdes a nossa chegada àquela ilha.
Luciana manteve-se em silêncio a maior parte do tempo. Súbito, quando eu circulava entre as pedras a fim de ver se avistava mais algum peixe, ouvi-a perguntar:
-- Você acha a minha bunda bonita?
Desviei os olhos em sua direção e a vi curvada sobre a pedra, mostrando-me o traseiro. Olhei para suas nádegas com uma certa indiferença. Ainda não havia reparado atentamente em seu traseiro. Nos seios sim. Achava-os bonitos. Talvez porque eram grandes. Mas aquele traseiro não me despertara a mesma atenção. Reparando-o porém naquela posição não havia como negar os seus atrativos.
-- Ah, sei lá! Nunca reparei – respondi.
-- Então repara, seu idiota!
Ela mexeu os quadris e balançou o traseiro como que o oferecesse a mim. Aliás, fez questão de se curvar mais a fim de que eles se destacassem.
-- E aí? O que você acha?
-- É bonita sim – respondi, como quem cumpre apenas a obrigação de dar uma resposta.
-- Você gostaria de me pegar assim? Por trás? -- Ela afastou um pouco as pernas e tornou a mexer os quadris.
Aquela pergunta me desconsertou de tal forma que por pouco não perdi o equilíbrio e caí sobre as pedras. O que me afetou não foi a pergunta dela, mas a lembrança que dos quinze dias passados na casa dos pais de Fabrício, fazendo-lhe companhia enquanto seus pais viajavam para São Paulo. Súbito, veio-me a imagem de meu primo excitado embaixo do chuveiro (eu também estava) brincando de passar o seu pênis nas minhas nádegas. De repente ele me abraçou por trás e o introduziu no meio de minhas pernas, movimentando os quadris para frente e para trás enquanto acariciava o meu pênis. Não sei por que razão, ele, resolveu me chamar para “meter”. Eu não sabia ao certo o que ele estava querendo dizer, por isso disse que não. Mas ele insistiu e foi persuasivo. Pressionado e sem ter como escapar ou a quem recorrer, já que só a empregada da família estava em casa, acabei aceitando. Só não imaginava que ele fosse me penetrar e, apesar de meus protestos, continuar até chegar ao orgasmo.
-- Eu? Por quê?
-- Porque eu li outro dia numa Playboy do meu pai que a maioria dos homens adoram possuir a mulher por trás, como os animais fazem. Agora eu me lembrei disso assim do nada. Ai pensei: será que ele também gosta? Você não gostaria de trepar em mim assim? -- Luciana continuava a mexer os quadris como se procurasse me excitar.
Talvez se eu fosse um rapaz mais velho e não tivesse o trauma de ter vítima desse tipo de experiência, tivesse ficado excitado na hora, mas eu era apenas um menino de 13 anos, totalmente averso ao sexo anal. E mesmo que não fosse esse trauma, ainda sim seria bem possível que me exibir o traseiro não me excitasse como ela provavelmente estava imaginando. A chama da volúpia ainda não tinha aquela força e virilidade tão comum nos rapazes que trilham o misterioso caminho da puberdade. De mais a mais, tínhamos transado pouco antes. Assim, procurando ocultar minha afetação e mostrado ar de indiferença, tornei a responder:
-- Ah, não sei! Talvez.
-- Como não sabe?
-- Não sabendo. Eu nunca fiz! -- menti.
Fabrício, para tentar me convencer a deixar que ele me penetrasse novamente na noite do dia seguinte, quando já estávamos na cama, disse que me deixaria “meter” nele também. Mais uma vez persuadido, acabei aceitando. Mas, após o gozo, ele rolou para o lado e disse que não estava mais com vontade e que no outro dia deixaria. Envergonhado como estava, não tive coragem de insistir. No outro dia, ele realmente cumpriu a promessa quando tomávamos banho. Deitou no chão do banheiro e disse para eu “trepar” nele, mas deixou bem claro que não era para “enfiar”. Aliás, fiquei em cima dele por cerca um minuto. Talvez percebendo que aquilo não daria em nada, pois até então eu nunca tivera um orgasmo, disse: “agora é a minha vez”. Trocamos de posição e assim que trepou em mim, penetrou-me. Dessa vez porém não cheguei a protestar. Apenas aguardei.
-- Então por que não vem descobrir?
-- Não. Num tô com vontade. Tenho que tentar pegar mais uns peixes -- esquivei.
Apesar da minha recusa, ela continuava a mexer os quadris. Agora, entretanto, mexia-os para cima e para baixo. Fitei-a por alguns instantes. Temendo porém que aquilo acabasse me afetando e me levasse a aceitar o seu convite, virei para o outro lado e fingi procurar peixes na água.
-- E se eu te desse o cu?
Confesso não saber onde enfiar a cara. No entanto, não podia deixar que ela percebesse. Lembro perfeitamente de minha preocupação um tanto exagerada com isso, talvez para ocultar o meu passado. De forma que me fiz de desentendido.
-- Como assim?
-- Você não sabe o que é dar o cu? -- perguntou ela com um ar de incredulidade, como se eu tivesse a obrigação de saber tudo.
-- Não. Quer dizer, sei mais ou menos – menti.
-- Cada vez eu tenho mais certeza que você é um idiota. Dar o cu é deixar você enfiar o teu pinto no meu cu, ao invés de enfiar na minha boceta. Entendeu agora? -- Luciana parecia irritada, pois seu tom de voz havia mudado. E isso ficou ainda mais claro quando ela se ergueu e virou de frente para mim.
-- E para que eu ia querer enfiar meu pinto na sua bunda? -- Proferi a palavra bunda porque não tive coragem de falar cu. Fabrício, nas primeiras vezes também disse bunda, mas depois, demonstrando intimidade, simplesmente me agarrava por trás e dizia: “vem cá, deixa eu comer seu cu”, o que eu consentia.
-- Porque eu li na mesma revista que muitos homens adoram fazer isso. Eles dizem que sentem mais prazer. E algumas mulheres diziam que também sentem muito prazer. Não vejo qual a graça disso, mas se você quiser experimentar eu também deixo. Você quer? -- perguntou ela, vindo em minha direção.
Embora eu estivesse de costas, mergulhado em velhas lembranças, pude perceber seu aproximar. Ouvia seus passos sobre as pedras.
Tentando demovê-la de qualquer tentativa em me seduzir ali, disse-lhe de forma categórica um “não”.
-- Ah, mas eu vou querer experimentar. Nem que seja só para saber como é. – Pude ouvir sua voz cada vez mais próxima. -- Você vai enfiar para a gente experimentar, não vai? -- As últimas palavras soaram tão próximas que pude sentir sua respiração na minha nunca. Então ela me abraçou e escorregou a mão direita até meu falo e o acariciou. -- Que tal se a gente experimentasse agora? Tô morrendo de curiosidade.
-- Não. Agora não – respondi, tirando-lhe a mão e me desvincilhando dela.
-- Por que não?
-- Porque não estou com vontade – tornei a responder. -- E eu preciso pegar pelo menos mais um peixe. Esses dois não vai dar para matar nossa fome o dia todo – acrescentei.
Contrariada, Luciana acabou dizendo:
-- Tá bom então, seu frouxo! Mas mais tarde, você vai fazer.
Ela voltou a sentar na mesma pedra e tornou a ficar em silêncio me observando. Não sei o que se passava naquela cabeça, mas nas poucas vezes em que virei os olhos em sua direção ela parecia compenetrada, como se estivesse perdida em pensamentos. Talvez divagasse acerca de seus pais ou até mesmo com alguma coisa não relacionada a mim, mas hoje tenho quase a certeza de que simplesmente fantasiava comigo. E só saiu daquele estado de absorção e correu em minha direção quando gritei que pegara mais um peixe.
-- E esse também é grande – falei, ao espetá-lo junto com os outros.
Pouco depois peguei o quarto peixe e dei aquela pescaria por encerrada, temendo que ela viesse a insistir em fazer aquelas coisas, uma vez que aqueles quatro peixes nos eram suficientes para aquele dia, apressei em chamá-la para retornarmos.