terça-feira, 16 de setembro de 2014

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 47

    Embora os fatos narrados aqui façam parte de um passado distante, o que de certa forma acaba comprometendo a veracidade de uma coisa ou outra, uma vez que a memória humana tem o dom do esquecimento e sem o qual a vida se tornaria insuportável (pelo menos assim penso), muita coisa – principalmente alguns fatos marcantes – ficou gravada tão profundamente que o tempo não foi capaz de apagá-las. Aliás, para um garoto feito eu, passando por uma experiência daquelas, cuja maioria delas me provocaram sensações que até então não havia experimentado, não poderia deixar de mantê-las vivas na memória ao longo de todos esses anos.
    Se por um lado a imagem de tio Jamil tenha me desaparecido quase que completamente da lembrança, feito uma fotografia que vai se apagando com o tempo, por outro aquele abraço e os atos que desencadeou mantêm-se tão vivos como se tudo ocorresse no exato instante em que escrevo estas palavras. Obviamente ela não está aqui para dividi-los, pois como o amigo leitor saberá no futuro, a ilha acabou sendo sua última e eterna morada. De forma que só me resta confiar na lembrança para contar o que se passou.
    Por um momento cheguei a temer que ela não aceitasse o meu pedido. No entanto, quando estendeu seus braços, abracei-a fortemente. E o contato de seu corpo no meu provocou-me sensações indizíveis, as quais me deixaram profundamente confuso. Algo parecido já havia me ocorrido, mas não naquela intensidade. Aliás, não desejava mais do que aquele abraço. Só de tê-la nos meus braços me deixava satisfeito, porque eu sabia que estava apenas dando mais um passo para tê-la em definitivo, mais até do que o que dera dias atrás.
    Não posso afirmar de forma convicta, mas acredito porém que meu estado de afetação acabou por envolvê-la. De repente nossos rostos se afastaram e os olharem se cruzaram sem saber o que de fato procuravam. Talvez tenham sido aqueles olhos fixos nos meus, e que pareciam tentar adivinhar  quais eram as minhas verdadeiras intenções, que me hipnotizaram, que me fizeram refém dos instintos, os quais, numa batalha intensa, empurraram-me os lábios na direção dos dela.
    Se Marcela não estivesse inebriada, talvez teria feito como fizera antes e em pedido para apanharmos o galho e voltarmos para junto de Ana Paula. Porém não foi isso que ela fez. Pelo contrário: deixou que seus lábios buscassem os meus. E numa intensidade de sensações, nós nos entregamos ao mais delicioso beijo que já experimentei. Um beijo longo e apaixonado, muito diferente daqueles que trocara e que viria a trocar no futuro com Luciana. E até mais intenso que da primeira vez em que a beijei, talvez porque agora não havia toda aquela tensão que quase sempre impede que aproveitamos as sensações de uma primeira vez. As mais diversas reações ocorreu-nos. Digo “ocorreu-nos” porque Marcela, pela primeira vez, entregou-se completamente àquele beijo, envolvendo-me e apertando-me contra si, como se quisesse dissolver-se em mim ou que eu me dissolvesse em si para formarmos um corpo só.
    Numa reação natural e impensada, provavelmente fruto de algum instinto que acabara de dominar os demais, escorreguei-lhe uma das mãos pelos quadris e esta foi subindo até encontrar-lhe o seio. Apalpei-o. Porém sem o temor que me invadira no outro dia. Mas isso não provocou o fim do beijo. Nossos lábios mantiveram-se colados embora o toque no seio dela me fizesse ter consciência de acariciá-lo, o que fez com que minhas sensações fossem divididas em duas experiências simultâneas. Como uma sensação só pode ser experimentada com toda a intensidade quando todas as demais são anuladas, a reação a uma nova acaba inevitavelmente anulando ou reduzindo consideravelmente os efeitos da primeira. E apesar do beijo ter-me causado um prazer incapaz de ser medido pouco antes, a carícia no seio acabou não só me fazendo ter consciência de que a beijava como a acariciava, permitindo-me escolher entre um e outro para o qual desviar minha atenção. E então pude pensar, coisa que não fizera desde o momento em que senti seu beijo, e concluir o melhor a fazer para que ela não me fizesse parar. O beijo prosseguiu embora eu desejasse findá-lo e então chupar-lhe o mamilo, o qual me daria muito mais prazer.
    Há uma corrente de pensadores que afirma que o ato mais racional não passa de fruto dos instintos, os quais numa luta constante, acaba por refletir em todos os nossos atos. Não sei até que ponto isso é verdadeiro, pois aquele período na ilha ensinou-me muito sobre o homem e a vida, talvez mais do que todos os livros. E ali eu aprendi que todas as tentativas de explicar a vida não passam de desperdício de tempo, pois há coisas que não podem ser explicadas da forma que ainda se faz hoje em dia. A vida é uma sequência de acasos, os quais são apenas um instante na eternidade. Não tem objetivo algum diferentemente do que nos ensinam as religiões. Não se vem e não se vai para lugar algum. E embora nos consideramos superiores a todos os demais seres vivos – inventamos inclusive uma alma para melhor suportarmos o fato de que iremos morrer – somos bem mais macaco do que admitimos. Portanto, o predomínio dos instintos me leva a crer que o pensamento só ocorre quando um instinto o estimula. Sendo assim, tenho de admitir que o pensamento de tocá-la no meio das pernas não surgiu por acaso. Possivelmente a excitação sexual tenha me feito pensar em praticar tal ato afim de obter o prazer, pois o prazer é o que todo instinto busca. Mas havia outro porém: o que a cobria ali, não era a tanga, mas a parte de cima que ela improvisara e a qual mal ocultava o sexo; parte dos negros pelos pubianos ficavam a mostra. E então, num ato quase involuntário, minha mão soltou-lhe o seio e escorregou-lhe até o meio das pernas, indo parar por baixo do folgado biquíni.
    Foi um ato rápido. Coisa de segundos. E então toquei-a naquela parte do corpo que ela fazia o possível para manter-se escondida. Não tive a menor dificuldade em introduzir a mão por baixo do pano, depois de certa relutância não só pelo temor de que ela se ofendesse como também por ter consciência de estar fazendo algo errado e -- como acreditava na época – cometendo um grave pecado.
    Minha mão fê-la interromper o beijo. Por um instante cheguei a pensar que fosse se zangar e mandar-me tirar a mão imediatamente. No entanto, sem me fitar, talvez por timidez, tombou a cabeça sobre meu ombro e deixou que eu continuasse embora, com a mão trêmula, eu não soubesse exatamente como proceder. Ocorreu-me somente de tentar introduzir o dedo entre os grandes lábios, o que não consegui devido a tira que prendia e mantinha unida os dois pedaços de pano que anteriormente cobriam-lhe os seios. Nervoso e afoito como um garoto inexperiente que ao ser levado a um prostíbulo para a sua primeira vez tenta ocultar esse fato da prostituta procurando penetrá-la o mais rápido possível mas sem sucesso.
    E talvez eu até tivesse conseguido se não chegasse aos nossos ouvidos os gritos de Ana Paula para nos apressarmos que não ia ficar trepada na goiabeira o dia inteiro a nossa espera. Marcela levantou a cabeça e então me encarando disse:
    – Chega! Vamos voltar.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A PAZ MUNDIAL SÓ SERÁ POSSÍVEL...

Acreditar na paz entre todas as nações do mundo, de forma que os povos vivam em harmonia é uma utopia sem tamanho. No entanto, quem em algum momento não sonha ou já sonhou com isso? E cada um de nós, a esperança de que as nações deixem as diferenças de lado, tem lá sua receita para acabar as guerras e a matança injustificada. A minha receita seria mais ou menos assim:


A paz mundial só será possível quando
As religiões desaparecerem
E o ódio religioso não ter mais razão de ser;
Quando o homem se importar mais
Com a realidade que lhe cerca
Do que com o que lhe acontecerá
Depois da morte.

A paz mundial só será possível quando
A cor da pele não fazer a menor diferença
E o ódio racial não ter mais razão de existir;
Quando o homem se importar mais
Com o futuro da humanidade
Do que com seus desejos mesquinhos
De explorar o seu semelhante.

Mas a paz mundial só será mesmo possível
Quando não houverem mais nações
Pelas quais se guerrear;
Quando não houver mais discriminações
E nem razões para ofensas e humilhações
E compreender de uma vez por todas
Que no fundo somos todos iguais...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 46

    Um vento forte na madrugada trouxe chuva ao amanhecer. Era uma chuva fina e gelada embora ainda estivéssemos no verão. A cabana nos protegia mas não impedia de gotejar em alguns pontos, fazendo com que nos espremêssemos onde não gotejava. Aliás, a fogueira teve de ser removida para o canto oposto ao da porta para não ser apagada por uma goteira que teimava em cair-lhe bem em cima.
    Ana Paula, desde que os ventos se tornaram mais forte, não deixou ninguém dormir. Insistia com certa razão que a cabana não resistiria e seria levada, deixando-nos ao léu. Tive de tomá-la nos braços para acalmá-la. Embora sentir os seios desnudos dela colados ao meu corpo me causasse certa inquietação, a coisa não ficou mais séria porque a minha preocupação estava voltada às condições de Luciana. Caso precisássemos sair dali as pressas e embrenhas na mata – o que me causava um medo terrível só de pensar nessa possibilidade –, Luciana não teria condições de correr. Precisaria ser carregada. E esta tarefa caberia a mim.
    Passamos umas duas horas quase imóveis ali. Na maior parte do tempo, ficamos em silêncio, como se não soubéssemos o que dizer. O medo e o pavor certamente foram a causa disso. Eu mesmo, que procurava na medida do possível acalmar as meninas, embora Luciana não demonstrava sentir medo, estava deveras assustado. Pensava na maior parte do tempo que, se aquela cabana não resistisse, teria de enfrentar os meus maiores temores e ir se abrigar naquela floresta. Aliás, não sei se seria capaz de enfrentá-la na escuridão. Embora não houvesse provas de existir alguém ali além de nós ou algum animal, ninguém seria capaz de me convencer do contrário. De mais a mais, a queda da cabana poria por terra todo o nosso trabalho, o qual teria de ser refeito. Por isso uma dezena de vezes prometi que a reforçaria. E cada uma das meninas não só concordaram comigo como inclusive prometeram me ajudar. Marcela inclusive chegou a dar algumas sugestões para torná-la mais resistente à tempestade.
    -- Mas num acho que a gente vai precisar – disse Ana Paula convicta.
    -- Por que não? -- indagou Luciana.
     -- A gente vai sair daqui logo. Já, já vão encontrar a gente. Vocês vão ver.
    -- Idiota! Eles pensam que a gente está morta – declarou Luciana em tom provocativo. -- Já pararam de nos procurar. Sabe quando vão encontrar a gente? Nunca!
    Essas palavras levaram Ana Paula às lágrimas. Tive de interferir e consolar minha prima dizendo que Luciana estava fazendo aquilo só para provocar. Aliás, tive de repreender Luciana dizendo:
    -- Se você num quer ajudar – Lembrei-me do que Luciana me dissera sobre a pronúncia do “não” -- então não piore as coisas.
    Ela calou-se e passou a maior parte do tempo silenciosa feito uma criança emburrada. Vez ou outra porém reclamava da posição e do pé machucado, mas fazia isso de uma forma como se pensasse alto, pois parecia falar consigo mesmo.
    Quando finalmente a chuva deu uma trégua, sugeri buscarmos alguma coisa para comer. Não havia sobrado nada do dia anterior e, assim como eu, aquelas meninas deviam estar famintas. Ana Paula se prontificou a me acompanhar. Embora sabendo que Luciana não gostaria, ainda sim chamei Marcela para ir conosco. Disse que nós três apanharíamos uma quantidade de frutas num menor tempo e voltaríamos mais rápido, antes da chuva recomeçar, já que tudo indicava que o tempo ruim duraria pelo menos o dia todo.
    Luciana atirou-me os olhos faiscantes quando a fitei. Não dei importância. Sabia que naquele momento ela não poderia fazer nada. Se ela ficasse com raiva, problema dela. A nossa sobrevivência vinha em primeiro lugar. Aliás, tal pensamento não me ocorreu. Apenas agi por instinto.
    Seguimos em silêncio e pensativos ao longo da praia. Por fim, Marcela resolveu dizer alguma coisa.
    -- Se em dois ou três dias ninguém aparecer, é melhor a gente pensar num meio de sair desse lugar.
    -- Você também acha que eles pararam de procurar a gente? -- indagou minha prima.
    -- Estou começando a ficar com medo de que isso tenha acontecido – declarou Marcela.
    -- Eu também – concordei.
    De fato eu já tinha perdido as minhas esperanças. Faziam uma semana e ainda continuávamos perdidos naquele fim de mundo. Por que ninguém passara por ali ainda? Era a pergunta que me inquietava. Por mais distante que estivéssemos do acidente, um navio, um barco ou mesmo um avião teria de ter passado naquelas redondezas, mas até aquele momento nada. Comentei este fato com as duas, mas também elas não sabiam responder.
    -- Olha lá! -- disse Marcela, apontando, assim que chegamos – Bem lá na ponta! Duas goiabas.
    Aproximamos e as observamos.
    Eu havia apanhado algumas maduras no segundo dia naquele mesmo pé, mas não havia visto aquelas duas frutas amarelas, talvez porque naquele dia estivessem verdes e tenham passado despercebido.
    -- O problema é: quem vai até lá – falei.
    -- Eu vou – adiantou-se minha prima. -- Mas alguém vai ter que me ajudar a alcançar aquele galho.
    Sem muito esforço eu e Marcela suspendemos Ana Paula e então ela pode continuar a subir sozinha. No entanto, não foi muito longe. Ficou com medo de seguir em frente e o galho quebrar com ela. De fato este era fino demais e provavelmente não suportaria o seu peso.
    -- Algum de vocês vai ter que procurar uma vara para eu bater nelas – disse Ana Paula dependurada na goiabeira.
    -- Espera aí que eu vou procurar – disse Marcela.
    -- Eu também vou ajudar – falei.
    Poderia ter ficado ali esperando, mas naquele momento vi uma oportunidade rara de ficar as sós com Marcela. Sabia que com Luciana por perto esses momentos seriam raros. E mesmo que não chegasse a beijá-la, pelo menos tentaria arrancar-lhe um abraço, o que já me deixaria satisfeito.
    Afastamos alguns metros e entramos na mata.
    Eu daria qualquer coisa para não entrar ali, mas meus sentimentos por Marcela foram mais fortes que o medo; talvez porque estar junto dela também era uma forma de protegê-la caso aquilo que imaginava estar escondido naquela mata aparecesse. Não sei o que faria caso algo realmente aparecesse. Talvez o temor e o instinto de sobrevivência falasse mais alto e eu acabasse saindo em disparada, deixando Marcela para trás. Contudo, tudo não passa de conjecturas. O amor é um sentimento cujo poder não pode ser mensurado.
    Aliás, o que me impulsionava a estar junto dela além de meu amor eram seus seios, os quais atraíam a minha visão com sua nudez feito um ímã. Por mais que eu tentasse, não resistia em fitá-los. Se sabia que ela não estava me olhando, ou em minha direção, atirava-lhe os olhos e os contemplava, desejando-os. Mas era só ela mexer a cabeça e então eu desviava o olhar. De quando em quando isso não dava certo e ela me surpreendia. Então, minhas faces afogueavam e, envergonhado, eu me recriminava e prometia não fitá-los mais, promessa essa que não conseguia cumprir nem por cinco minutos. E de mais a mais como poderia me esquecer que tocara-os dias atrás? Desejava tocá-los novamente como fizera da outra vez, ainda mais que agora desnudos poderia senti-los em minhas mãos.
    As sós com ela naquela mata, os meus pensamentos agitavam-se mais do que o mar sob uma grande tempestade. Os pensamentos que eu procurava evitar rompiam as barreiras da moral e da fé religiosa para fervilhar-me o sangue como numa caldeira quente, mais do que da outra vez; talvez porque agora eu me sentia mais corajoso em ir mais longe. Ela seguia à minha frente olhando de um lado para outro em busca de algo que servisse para Ana Paula alcançar as goiabas, mas eu, em vez de fazer o mesmo, olhava para suas costas desnudas, para seu traseiro mais descoberto que tampado pela peça que não fora feita para cobrir aquelas partes e para suas pernas; e quando ela virava de lado, para seus seios. Queria tocá-los e acariciá-los; queria sentir Marcela nos meus braços, os seus seios roçando em mim enquanto a beijava. E esse desejo crescia em mim feito uma onda após um tremor de terra, levando-me ao desespero. Aliás, eu mal via por onde estava indo. No meu cérebro só a imagem de seus, mais nada.
    Embora não estivéssemos longe de Ana Paula, a vegetação a impedia de ver a gente. Então, incontido, aproximei-me de Marcela e toquei-a no ombro. Surpresa, virou em minha direção.
    -- O que foi? -- perguntou.
    Indeciso e trêmulo, tive dificuldade para balbuciar:
    -- Posso te dar outro abraço?
    Fez-se um breve silêncio, o qual pareceu uma eternidade. Nesse ínterim pude notar certa indecisão. Ela parecia reticente em dar um passo em falso, embora parecesse também desejá-lo, talvez com medo de que dessa vez não a respeitasse. Entretanto, eu sabia que embora ela não estivesse apaixonada por mim – pelo menos ainda não – procurava ser simpática e carinhosa feito uma jovem que se abre para o amor.
    Dei mais um passo e parei diante dela, tão próximo que quase se podia sentir a sua respiração.  Ela me fitou nos olhos e sem dizer palavra estendeu os braços.
    Embora não tenha sido o primeiro, foi um abraço inesquecível, uma sensação que eu precisaria de páginas e páginas para descrevê-la. Mas isto fica para o próximo capítulo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

FRUTO DA DESRAZÃO




















Eu tento me convencer de que o tempo
Não passou tão rápido assim
E os anos tantos e já tão corridos
Não esculpiram em mim marcas visíveis
Que mostram que a vida caminha para o fim.

Olho pra você assim tão jovem
E a inveja invade o meu coração.
Queria ter o teu frescor e tua mocidade,
Mas os anos em mim porém
Tirou-me tudo isso, sem piedade.

Desejo-te com as chamas do pensamento,
Da fantasia que ainda arde em mim;
Pois isso os anos não me suprimiram
Como fizeram com a virilidade, que no entanto
Não mais responde ao querer-te enfim.

Talvez tudo tenha acabado porém
E a vida tenha passado então.
E a tua flor no auge do desabrochar
Só esse contemplá-la me convém,
Pois o resto infelizmente é fruto da desrazão.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 45


Eu procurava não ficar olhando para Marcela, mas era como se uma enorme força me atraísse os olhos para ela. E vez ou outra, após certificar que Luciana não estava me observando, pois não queria que ela despejasse ainda mais seu veneno sobre nós, desviava os olhos e os pousava rapidamente naquele par de seios, os quais eu daria tudo para acariciá-los.
Por sorte a noite caiu rápido e as coisas ficaram mais fáceis. Fiz questão de sentar o mais afastado possível de Luciana e nem mesmo a luz da fogueira era suficiente para mostrar a direção que meus olhos tomavam. Por outro lado porém, a pouca luz impediu-me de enxergar os detalhes, aqueles traços que tornavam os seios da Marcela diferentes de todos os outros, detalhes estes que para mim os faziam especiais. Aliás, por estar apaixonado por Marcela tudo nela era especial como se em tudo nela fosse sinônimo de perfeição.
Durante o tempo em que fiquei tomando conta da fogueira, passei-o pensando neles e naquele monte de pelos que vira ao mergulhar. Como eu já disse, Luciana não só tinha mais pelos pubianos como também os seus eram maiores e loiros. Ainda sim eram os de Marcela que eu desejava. Ah, como eu queria tocar aqueles seios e beijá-los! Como eu queria acariciar aqueles pelos negros, deitar sobre eles e fazer com Marcela o que Luciana me obrigava a fazer consigo! E estas imagens, misturando-se na minha cabeça, produziam outras, pois tomado pelo excitamento, pelo prazer que aqueles pensamentos me provocavam, minha imaginação procurava alimentá-los como se alimentasse lobos famintos.
Num dado momento, cheguei a me levantar para ir lá fora e bater uma punheta, a fim de por um fim naqueles desatinos. Uma lua cheia, iluminando a cabana, dava a impressão de que a noite não estava tão escura assim. Aliás, podia-se avistar as ondas arrebentando no mar. Mas justamente nesse momento Luciana acordou-se e, vendo-me preparar para sair, indagou-me aonde eu estava indo. Temendo uma reação imprevisível, acabei dizendo:
-- Lugar nenhum! Só estava cansado de ficar sentado e resolvi me levantar um pouco.
Deu-se por convencida. Aproveitei para perguntar-lhe se estava melhor e ela confirmou que o pé já não doía tanto. Sussurrei-lhe que talvez em dois ou três dias ela já conseguisse por o pé no chão. Isso a confortou. Ela quis se levantar e vir sentar ao meu lado, mas eu sugeri que fosse melhor ela ficar quieta para que a torção no pé melhorasse o mais rápido possível. Então virou para o lado e não disse mais nada.
Senti-me aliviado, embora ao acordar, ela não se parecesse em nada com aquela menina que mais cedo, tomada pelo ódio, insultara Marcela e despejara seu veneno contra nós todos como se fôssemos seus inimigos mais temíveis. Talvez o sono a tenha acalmado. Achei até estranho que ela não tenha falado nada sobre o fato de Marcela estar sem a parte de cima do biquíni naquele meio de noite. Não creio que ela tenha se esquecido. O mais provável é que o tenha omitido justamente para evitar que estes se tornassem fonte de meus pensamentos. Ela era uma mulher esperta e inteligente. Portanto sua omissão não era casual. De mais a mais a birra dela era com Marcela. Era a outra que ela a via como uma ameaça, não eu.
E aproveitando que ela me deixara em paz, voltei a pensar em Marcela. E quando esta veio me substituir mais tarde quase não resisti à tentação de permanecer ao seu lado o resto da noite, apenas para contemplar aqueles seios de pertinho. Aliás, demorei mais do que o de costume para me levantar e ir dormir. Enquanto ela sentava ao meu lado, fingi por mais lenha na fogueira. Parecia silenciosa e afim de pouca conversa. Talvez ainda estivesse chateada com o ocorrido mais cedo. Luciana fora injusta para com ela mais cedo. E aqueles insultos devem tê-la magoado profundamente. Mas mesmo assim procurei puxar assunto com a intenção de retardar minha ida para cama.
-- Tô perdendo as esperanças – falei.
-- Esperanças de quê?
-- Da gente sair daqui. Fez uma semana que a gente tá aqui e nada de encontrarem a gente. Já devem ter desistido de procurar.
Ela demorou alguns momentos para responder. No entanto, disse:
-- A minha esperança é nossos pais não desistam. Se isso acontecer a gente pode ficar aqui por um bom tempo – acrescentou. Enquanto ela falava, eu procurava, discretamente olhar para seus seios. E ao vê-los ali tão próximos, tão ao meu alcance, minhas mãos comichavam, ávidas por pegá-los. Ela continuou a falar de como seria difícil a nossa vida ali, principalmente por causa da Luciana. Eu concordava, mas muitas vezes nem sabia ao certo o que ela estava dizendo, pois eu não prestava atenção às suas palavras. Lembro-me apenas de ouvi-la dizer: -- Talvez a gente tenha que torcer para que um barco chegue aqui. Isso vai acontecer, mas a questão é quando.
Respondi-lhe apenas que mais cedo ou mais tarde a gente acabaria sendo encontrados. Ela concordou que não ficaríamos ali para sempre. Entretanto, acrescentou em tom melancólico:
-- Só espero estarmos todos vivos até lá.
Não entendi o que ela quis dizer, mas não respondi. Foi então que ela, talvez vendo que eu não tirava os olhos de seus peitos, asseverou:
-- É melhor você ir se deitar. Deve estar com sono.
Levantei e, em vez de ir deitar, virei em direção à porta e falei:
-- Vou lá fora fazer um xixi.
Isso foi apenas uma desculpa para me livrar daquele excitamento e daqueles pensamentos que me atormentavam.
A lua já havia se movido para o outro lado da ilha. E embora a claridade chegasse até a cabana, não clareava como mais cedo. Pensei em me afastar, mas ao olhar para a montanha e enxergar tão somente a silhueta das árvores, veio-me a lembrança de como aquela floresta me causava pavor. A sensação de algo terrível a se esconder naquela mata me fazia a espinha gelar.
Não cheguei a dar mais do que dois passos. E mesmo que tentasse me masturbar, não seria capaz de me concentrar; portanto não conseguiria atingir meus objetivos.
Assim, acabei retornando. Passei por Marcela, fitei mais uma vez aqueles seios e fui deitar. Pois agora só me restava adormecer com os pensamentos neles.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP 44

Retornei à cabana numa carreira só, pois o sol começava a se esconder e pelo jeito em pouco mais de uma hora estaria tudo escuro. Quando entrei encontrei as três sentadas, em silêncio, como se algo tivesse acontecido. Olhei para uma, depois para a outra e finalmente para Luciana. Esta me encarou com os olhos faiscantes como se dominava por uma intensa raiva. Por um momento cheguei a pensar: “O que aconteceu? Será que as duas fizeram alguma coisa com ela pra ela ficar desse jeito? Será que Ana Pala discutiu com ela de novo? É capaz. As duas se odeiam. Mas por quê? Ou será que foi a Marcela? A Luciana num gosta dela, mas a Marcela num é de fazer confusão. A parte do biquíni. É isso! Luciana está com raiva, morrendo de ciúmes. Aposto...”
-- O que foi? Aconteceu alguma coisa? -- indaguei.
Ana Paula e Marcela entreolharam-se. Então Ana Paula olhou para Luciana, a qual permanecia em silêncio, como se houvesse feito algo de errado.
-- A Luciana disse que ela fez de propósito – respondeu minha prima.
-- De propósito... O quê? -- repeti.
-- Que eu perdi a calcinha do biquíni – explicou Marcela, que até então mantinha-se em silêncio, aliás como na maioria das vezes em que estávamos todos reunidos. De fato ela falava pouco e parecia se soltar mais quando estava as sós com Ana Paula.
-- E foi mesmo! -- insistiu Luciana com seriedade, como se houvesse sido agredida.
-- E por que ela ia fazer isso? -- perguntei, fitando rapidamente os seios desnudos de Marcela, os quais, numa rápida comparação, me pareceram os mais bonitos de todos.
-- Para ficar se exibindo por aí para você – apressou Luciana em dizer, após fazer um grande esforço para se sentar.
-- Você está ficando louca – volveu Marcela, contrafeita. -- Eu não sou uma puta que nem você, que não pode ver um homem que já vai se deitando com ele – defendeu-se de uma forma que me surpreendeu. Aliás, ao ouvir tais palavras não sabia onde enfiar a cara. Até parecia que aquelas acusações eram dirigidas a mim e não à Luciana. -- Pensa que não sei?
-- Puta é tua mãe, cadela enrustida – retrucou Luciana.
E antes que alguma delas dissesse alguma coisa e provocasse uma discórdia ainda maior, intervi, dizendo:
-- Vamos parar com isso agora! Será que vocês num percebem que desse jeito num vamos chegar a lugar nenhum? Já tamos nessa merda de ilha há sete dias e vocês já brigam desse jeito? Imagine se a gente passar um ou dois meses aqui! Já pensaram que isso pode acontecer? -- De fato estávamos completando uma semana naquela ilha. E algo me dizia que ficaríamos ainda muito mais. Se nesse período não fomos encontrados, as buscas provavelmente haviam cessado e todos nós dados como mortos.
Nenhuma delas respondeu. Luciana, em tom desafiador, fitou as outras duas que, talvez para não criar mais problemas, não a fitaram. Por alguns instantes, ouvia-se tão somente o som do mar, das ondas arrebentando na praia. Talvez ninguém dizia nada por medo de soltar alguma coisa que pudesse reacender a chama da discórdia. Aliás, Ana Paula e Marcela entreolhavam-se de vez ou outra mas de forma tímida, como se temessem até mesmo um movimento mais brusco.
Eu, no entanto, não tinha o que temer. Nem mesmo Luciana, fitando-me com insistência embora também nada dissesse, intimidava-me naquele momento. Dir-se-ia que ao pôr um ponto final naquela briga eu adquirira uma coragem que até então não demonstrara. Olhei para Luciana mais uma vez e por um breve instante passou-me uma vontade de me levantar ir até ela do outro lado da cabana e dar-lhe uma bofetada na cara. Só não o fiz devido ao seu estado, embora não me tenha sido fácil conter-me. Seria vergonhoso demais bater numa mulher impossibilitada de se defender. Isso contudo não me impediu de pensar: “Marcela tá certa! Ela é uma puta mesmo! É só ficar sozinha comigo que já quer agarrar meu pinto e fazer aquelas coisas com ele. Nem tem vergonha de mandar eu enfiar ele nela que nem naquelas revistas de mulher pelada. Agora eu sei bem o que é uma puta. É essas mulheres que metem que nem bico. Não tem vergonha. Mas todas fazem. Senão como a gente ia nascer. Mas não assim em qualquer lugar. Será que todas quando crescem gostam de fazer essas coisas? Assim sem mais nem menos? É gostoso. Sinto umas coisas estranhas. E eu gosto também. Elas também devem gostar. Queria fazer com a Marcela. Deve ser mais gostoso ainda. Aqueles peitos. Lindos. Olha como eles são! Queria tanto fazer com ela. Mas ela não é uma puta. Por isso ela não deixar. Manda eu parar. Se fosse a Luciana, ia se deitar e abrir as pernas. Como uma puta...”. E só não continuei com tais pensamentos porque os mesmos começaram a me afetar de tal forma que se tornariam visíveis em pouco tempo. E prevendo isso, tratei de me levantar de dizer:
-- Precisamos pegar algumas frutas para comer, antes que escureça. Só que é melhor não deixar vocês três aqui sozinhas depois do que aconteceu. Então vá vocês duas buscar que eu fico com a Luciana.
Marcela e Ana Paula se levantaram sem dizer palavras e deixaram a cabana. Antes de se afastarem porém, sugeri:
-- Levem a faca. Vai que é preciso cortar alguma coisa.
Ana Paula retornou e a pegou. A faca estava fincando num dos troncos de sustentação da cabana. Imediatamente saiu correndo a fim de apanhar a amiga que não a esperou.
-- Ela pensa que me engana – disse Luciana pouco depois. – Pensa que eu não sei que ela fez aquilo só para ficar por ai, exibindo a bocetinha para você. Ela ficou com inveja de mim, aí quis ficar igual.
-- Não é nada disso! – retruquei.
-- Pensa que não vejo que ela está doida para se deitar contigo. Aquela vadia não me engana. Me chamou de puta, mas é mais puta do que eu. Uma puta enrustida, isso sim. Aposto que na primeira oportunidade abre as pernas para você.
Aquelas palavras afetaram-me. Será que Luciana estava certa? Será que, apesar de todas as recusas e esquivas, no fundo Marcela se interessava tanto assim por mim? E se realmente ela me desejasse e quisesse fazer aquelas coisas comigo? Bem... Nesse caso eu não recusaria por nada desse mundo. E apesar de não saber direito como fazer, embora tenha aprendido nos últimos dias mais do que aprendera a vida toda, acabaria descobrindo. Marcela provavelmente não sabia fazer também. Era mais nova que Luciana e as mulheres sempre aprendem essas coisas mais tarde que os homens. Isso me dava a certeza de nunca tê-lo feito. Luciana era uma exceção, embora eu não soubesse disso. Como ela mesmo confessou mais tarde, aprendera com um primo, quando passou uma semana na casa dele. “Meu primo uma vez me contou que foi dormir na casa da Viviane, minha prima de 13 anos, e ficaram os dois brincando no quarto dela. E depois que os pais dela foi dormir, eles deitaram na mesma cama e ficaram brincando de marido e mulher. Aí, foram fazer o que os adultos fazem. Disse que a Viviane tirou a roupa e disse pra ele tirar a dele. Aí, os dois se deitaram debaixo das colchas, se abraçaram, começaram a se beijar como marido e mulher. Então a prima dele abriu as pernas, pegou o pinto dele e pois naquele lugar e mandou ele enfiar. Ele disse que ficou com medo de machucar ela, mas enfiou assim mesmo. Ele disse que começaram a se mexer e que aquilo foi ficando cada vez melhor até que ficou sem forças”, pensei naquela história que meu primo me contara há quase dois anos. Fabrício não chega a ser um ano mais velho do que eu. Lembro-me de perguntá-lo: “Como assim?”, pois eu nunca tinha gozado. “Ora, eu gozei na boceta dela!”, ele me disse com naturalidade. Foi então que fiquei sabendo alguma coisa sobre sexo. Ninguém nunca até então me falara nada. Uma vez eu fui perguntar a minha mãe e ela disse que isso era pecado e que eu não tinha idade para ficar falando dessas coisas. O pouco que aprende foi com ele, quem, uns dois meses depois me fez passar por uma experiência que me afetou para sempre.
-- Você não sabe o que está falando. Tá é morrendo de ciúmes. Ela não esse tipo de garota.
-- E por acaso você sabe? Ou já andou tentando? Já te falei: se eu pegar vocês dois com gracinhas, eu acabo com os dois – ameaçou-me mais uma vez.
Um filete de ar frio percorreu-me a espinha, o que me provocou arrepios e deixou-me os pelos enrijecidos. Foi como se a tivesse visualizado decepando-me o pênis.
-- Já disse que num vou fazer – tornei a repetir.
-- E vê se aprende a falar. Já te falei: “num” não existe. É “não”. Entendeu?
Respondi como meneios de cabeça.
Fez um breve silêncio.
– Vem cá! Me ajuda a ir lá fora que preciso fazer xixi.
Aproximei e segurando-a pelo braço e depois pelos quadris ajudei-a a se levantar. Lentamente, deixamos a cabana e na beira d'água e com minha ajuda, ela conseguiu se abaixar para fazer suas necessidades.
-- Preciso ficar boa logo! Isso é tão ultrajante – deixou ela escapar. – Depender assim dos outros para fazer essas coisas.
– Não se preocupe. Você vai melhorar logo – falei, sem pronunciar o “não” de forma incorreta.
– Queria tanto correr com você por ai, embrenhar nessa mata e me deitar contigo – disse ela com naturalidade, como se isso fosse a coisa mas natural do mundo.
-- Entrar nessa mata ai? A essas horas? Nem morto! – respondi a me lembrar dos sons que andara ouvido. Aliás, por mais que tentasse me convencer, eu não deixaria de acreditar que havia algo ou alguém nos observando.
-- Você é um idiota medroso mesmo! Se não fosse por causa dessa coisa funcionar, eu ia pensar que você era um bichinha.
-- Já disse que num sou.
-- Eu sei, seu bobo! Bichas não gostam de mulher. E eu sei muito bem que você gosta daquela vadia. Pena que não vai ter ela. Você é meu. E o que é meu, eu não divido com ninguém.
Calei-me. Não tive coragem de desmenti-la.
Luciana pediu-me para ajudá-la a se levantar. Em seguida disse que precisava se lavar, pois se ficasse assim acabaria com assaduras. Guiei-a até o mar. Quando à água ultrapassou-nos os joelhos, disse-lhe que estava bom. Ela insistiu em ir um pouco mais para o fundo. Eu insisti que poderia ser perigoso, pois se uma onda nos atingisse poderíamos perder o equilíbrio e cair. Com o daquele jeito ela não conseguiria se levantar sozinha.
-- Consigo sim. Dentro d'água nem sinto o meu doer. Vem! Vamos mais um pouco, até à água chegar na nossa cintura. Quero dar um mergulho e me lavar direitoordenou. Aliás, na maioria das vezes ela não me pedia as coisas: dava uma ordem como se eu fosse um subalterno.Também, se algo acontecer com ela, o problema é dela, pensei.
Quando a água atingiu-nos o umbigo, disse-lhe que chegava, que estava fundo demais. Numa das raras oportunidades, concordou comigo. Eu continuava com um dos braços envolvendo-a pelos quadris. Ela por sua vez mantinha o direito enlaçado ao meu pescoço
-- Me ajuda a se abaixar. Quero lavar o rosto.
Obedeci.
Com
água até o pescoço, ela mergulhou a mão esquerda e depois esfregou-a no rosto.
-- Merda! Fazer as coisas com a mão esquerda fica difícil. Parece que ela não quer obedecer a gente.
-- É verdadeconcordei.
Nisso uma onda fraca (a maré estava calma naquele começo de noite) nos atingiu e passou por cima de nossas cabeças. Foi como se tivéssemos dado um mergulho.
-- Ótimo! Não poderia ter sido melhor. Pelo menos estou toda molhada.Luciana, de forma desajeitada, arrumou o cabelo, esticando um lado e depois o outro. Então disse:Sabe de uma coisa? delicioso ficar aqui. Estou me sentindo bem melhor. Nem sinto meu doer.
De fato parecia mais disposta e animada. Até seu tom de voz, que antes parecia com o de uma pessoa amargurada e inconformada com a vida, estava mais terno e de uma suavidade que ela acostumava a usar somente quando queria me seduzir.
-- Vamos emborafalei.As meninas devem estar de volta.
-- Calma! Nem me lavei direito ainda. Vai! Faz alguma coisa! Lava a minha xana. Não vou conseguir lavar direito.
-- Mas eu não sei como lavafalei.
-- Ora! É passar a mão nela com os dedos assimmostrou com a mãopara frente e para trás.
Envergonhado,
como se fosse participar de um ato vergonhoso, levei-lhe a mão no meio das pernas e toquei-lhe a vulva. E como se estivesse com medo de tocar naquela parte do corpo dela, movia-a lentamente como muito cuidado. Nisso, Luciana agarrou-me o braço e pressionou-o contra seu corpo.
Assim, seu medrosomostrou.Agora enfia o dedo do meio nela e esfrega.
Relutei por algum instante, mas acabei obedecendo. Movi a mão algumas vezes para frente e para trás. Não me recordo quantas. Lembro-me de sentir quão macia era aquela parte do corpo dela. No entanto, não sentia prazer algum em fazer aquilo; talvez porque me masturbara cerca de uma hora antes. Ela por sua vez parecia se deliciar com aquilo. Ainda mais quando disse:
-- Mais para cima um pouco.
Quando eu tirei a mão, instantes depois ela mandou-me continuar. Então virou seu rosto em minha direção e ofereceu-me os lábios. Deduzi de imediato que minha mão não exercia mais a função higiênica. Mandara eu continuar por outra finalidade.
Poderia ter me negado a beijá-la, mas não tive coragem, como sempre. Beijei-a. Então ela virou de frente para mim, aninhou-se e, apesar da dificuldade, arrancou-me o pequenino falo, o qual jazia ainda mais encolhido por estar submerso, para fora.
Pensei que ele ia estar grande e está desse tamanho? Pode fazer ele ficar grande. Quero ele agoramandou, como se desse uma ordem, a qual eu deveria cumprir sem contestação.
-- Num possorespondi.
-- Não pode por quê?
-- Por que num com vontaderespondi, puxando a sunga de volta e tirando a mão do meio de suas pernas.
-- Seu filho da puta!Nisso uma bofetada atingiu-me a face. Foi tão forte que quase tombei para o lado.Você andou batendo uma punheta não foi? E sei muito bem o porquê. Você ficou olhando aquela vadia sem roupa. Fez pensando nela, seu desgraçado?
Fiquei sem palavras. Por um instante pensei em deixá-la e sair correndo. Ela que desse um jeito de retornar para a cabana. Entretanto, acabei dizendo:
-- Não, num foi!
-- Se não foi nela, em mim é que não foi. Pensa que eu sou idiota como você? Vai. Vamos voltar, seu merda! E da próxima vez que você falar “num” de novo, vou te dar uma bofetada.
Caminhamos de volta à cabana em silêncio, como normalmente ocorre a um casal após uma briga.