segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 52

Hesitei bastante em dar mais detalhes dos atos que pratiquei com minha prima. E essa hesitação é a prova de que, no fundo, não os superei inteiramente, embora, como o amigo leitor verá no futuro, não houve consequências que justificasse tamanha vergonha e arrependimento. Mas para um garoto de pouco mais de 13 anos as coisas já não são tão simples, como não fora quando me vi dominado por Fabrício, permitindo que ele me usasse como cobaia. E as coisas se tornam ainda mais complexas quando a timidez é um de seus traços mais marcantes. Pois a timidez não é só um obstáculo a mais diante de qualquer desafio, permitindo que se seja dominado; é também um monstro terrível que assombra a lembrança de qualquer ato vergonhoso, como me assombrara por anos aqueles atos com meu primo. E embora hoje eu a tenha superado em muito, ainda sim não deixou de ser um fantasma. Afinal, quem nasce tímido carregará por toda a vida alguns traços dessa timidez.
Por outro lado a timidez me é uma aliada fundamental na hora de relembrar os fatos ocorridos naquela ilha, fatos esses que, para um extrovertido, provavelmente não teriam se fixado na memória com a mesma intensidade e riqueza de detalhes. Não posso afirmar com precisão, pois desconheço algum estudo nesse sentido, mas acredito que os tímidos têm uma memória mais privilegiada quando se trata de memorização. Existem muitos gênios, e nas mais diversas áreas do conhecimento, reconhecidamente tímidos; embora isso não queira dizer que a timidez seja a causa de sua genialidade. Talvez se trata apenas duma coincidência, aliás como muitas com as quais nos deparamos ao longo da vida. Verdade ou não, atribuo a timidez essa facilidade em relembrar os mais insignificantes momentos.
Assim, dizer que não me lembro do que de fato ocorreu entre mim e Ana Paula é faltar com a verdade. Melhor seria dizer que não quero falar do assunto. Como venho fazendo com relação a Fabrício, embora eu saiba que mais cedo ou mais tarde terá de contar.
Quanto à Ana Paula, eu realmente eu preferia não falar, mas ignorá-lo também não me parece correto com o leitor, já que este provavelmente deseja conhecer todos os fatos, ainda mais aqueles que de alguma forma contribuíram para o desfecho trágico de nossa estadia naquela ilha. Por isso, por mais que me seja difícil, não vou privá-lo do essencial.
O prazer que experimentei ao acariciar-lhe os mamilos dias antes levou-me inevitavelmente aos mesmos atos. Disso eu não tenho dúvida. O prazer é a força que, experimentado uma vez e nas mesmas circunstâncias, nos impele, sem que possamos fazer nada em contrário, a seguir o mesmo ritual a fim de alcançá-lo novamente. Por isso agarrei-lhe os seios e chupei-os e mordi-os a seguir. O fato de tê-los mordido deve ser atribuído um desejo de vingança, uma vez que a vingança produz não só um prazer peculiar como também nos faz sentir melhor e mais poderoso após tê-la alcançado. E não se deve esquecer que é justamente na vingança que mostramos a nossa verdadeira face, não há embuste, despojamos de toda a máscara e revelamos toda a nossa perversidade. Aliás, essa perversidade se estendeu por todos os atos praticados naqueles cinco minutos ou pouco mais.
Talvez somente o desejo sexual não me teria levado a possuí-la. O desejo de vingança pesou muito. Até porque, que outra forma mais prazerosa de se vingar de uma fêmea do que violentá-la? Claro que a maioria dos homens não saem por ai violentando mulheres das quais se tenciona vingar-se por algo que lhes tenham feito. A vingança sexual só é possível quando há um desejo sexual incontrolável, desejo esse que deve ser despertado por aquela de quem se busca a vingança. Por isso é muito comum um ex-namorado, ex-amante ou ex-marido vingar-se daquela que o abandonou estuprando-a ou mandando que a estuprem. E nada humilha e destrói tanto uma mulher quanto o estupro. Este é um dos atos mais vis e vergonhosos cometidos por um homem. E quem os cometem, merecem incontestavelmente não só a condenação como uma pena dura o bastante para não só satisfazer a vitima como permitir que o agressor possa chegar à conclusão de que o prazer de seu ato não compensa o sacrifício do cárcere. E embora eu fosse um garoto e a vítima – minha prima – não tenha sofrido o que normalmente uma vitima desses crimes sofre – a coisa é encarada com menos seriedade entre dois jovenzinhos do que se um de nós fosse adulto --, ainda sim meu ato não pode ser eximido de culpa, uma culpa que quase me levou ao desespero nos dois dias seguintes.
Naquele momento porém, eu não pensava em culpa e menos ainda nas consequências daqueles atos. Assim, quando meus olhos correram-lhe o dorso e foram parar-lhe nos quadris, ocorreu-me de arrancar-lhe a tanga do biquíni e fazer com ela o que vinha fazendo com Luciana; não só pelo prazer, pois eu não duvidada de que o experimentaria, como também para efeito de comparação. Queria tirar a dúvida se com minha prima sentiria o mesmo que com Luciana, se enfiar na “coisa” dela era o mesmo que enfiar na “coisa” da Luciana, já que a coisa da minha prima era diferente. E lembro-me, enquanto arrancava-lhe a tanga, pois esta arrebentou-se no instante em que a agarrei e a puxei, de indagar-me: “Será que a dela é igual a da outra: Luciana?”. Por isso, após jogar a tanga para o lado, apesar dos protestos de Ana Paula – e ela se debatia e me dizia para parar com aquilo, que ia contar para Marcela e os pais quando a gente saísse da ilha – afastei-lhe as pernas com certa dificuldade e observei-lhe o sexo. “Quase igual”, recordo-me de pensar. “O dela só num tem pelos e as beiradas são mais pequenas”. Como eu não sabia o nome dos grandes lábios, simplesmente os chamei de “beiradas”.
Nada mais me despertou o interesse, o que não teria acontecido com um homem mais velho e experimente. Certamente a curiosidade o teria levado a afastar os grandes lábios e observar-lhe o hímen. Mas que interesse poderia ter o hímen de uma mulher para um garoto como eu? Aliás, eu não só não sabia o que era um hímen como o ignorava completamente. Imaginava que ali havia tão somente um buraco onde a gente enfiava o “pinto” e metia até gozar. E essa ignorância era não só por causa da idade como também fruto da educação, do tabu, como já é de conhecimento do amigo leitor. Não que um conhecimento maior tivesse me impedido de cometer aquele ato, mas talvez teria me levado a imaginar o quanto representava a virgindade para uma mulher, coisa que só fui descobrir mais tarde, quando já era um rapaz de 16 anos.
Assim, voltei a olhá-la nos olhos, os quais expressavam pânico e terror, e, consumido pelo desejo, deitei-lhe sobre, afundando-lhe meus quadris no meio das pernas. Não a penetrei de imediato. Mordi-lhe novamente o mamilo e só então levei a mão ao falo e ajeitei-o. Ana Paula, tentou não só me tirar de cima dela como também -- implorando-me para não fazer aquilo -- forçou o sexo para impedir-me de penetrá-lo. Lembro-me perfeitamente da dificuldade para conseguir. Apesar de teso, meu falo deslizava tanto para cima quanto para baixo, como se ali no meio não houvesse nenhuma passagem. Mas eu sabia que havia. Se Luciana tinha, todas deveriam ter. Por isso eu só precisava encontrá-la. O que de fato aconteceu.
O desejo de penetrá-la era tanto que eu não teria desistido por nada desse mundo. E se fosse preciso, acho que teria arreganhado-lhe as pernas e procurado com os olhos aonde estava a abertura. Mas não foi preciso. De repente, senti a pressão, a qual acompanhou uma expressão de dor nos olhos de Ana Paula e um grito como quem leva uma espetada. Não compreendi a dor dela. Achei que aquilo na verdade era fruto do protesto por eu estar “metendo com ela”. Por isso ignorei-a.
Como aprendera com Luciana, penetrei-a até o fim, levantei os quadris e tornei a afundá-los, num ir e vir que me fazia experimentar as mais intensas sensações, as quais findaram numa explosão de prazer – mais intensos do que com a outra --, que me levaram a imobilidade, como que sem forças em cima de Ana Paula.
Não demorou até que eu tomasse consciência do que acabara de fazer. De repente, como num estalo, fui tomado pele arrependimento. Enquanto essa sensação terrível tomava conta de mim, saí-lhe de cima, apanhei minha sunga, e, ignorando-a completamente, como se fitá-la me fosse um dos mais pesados fardos, fui em direção à água. Senti uma necessidade indescritível de me lavar.
Enquanto entrava no mar, recriminava-me de todas as formas por ter feito aquilo. Pensava não só em como iria encará-la dali em diante como também no castigo que estava me reservado no inferno quando eu morresse. Era um homem perdido. Estava certo da condenação de minha alma. Disso eu não tinha mais dúvida. E como já me ocorrera antes, imaginava os tormentos pelos quais passaria no inferno. Aqueles castigos que a Bíblia falava eu teria de enfrentá-los. Mas antes, teria de enfrentar meus pais. E quando soubessem o que eu fizera? Estava certo de que Ana Paula contaria. Iriam castigar-me e me bater. Via meu pai me dando uma surra e inclusive me castrando. Aliás, não sei porque isso me ocorreu novamente. Nunca soubera de alguém que tivesse sido castrado, exceto quando era um garotinho e achava que as meninas não tinham pinto porque alguém tinha tirado delas. Todavia, vira a cerca de um ano, no sítio do tio Roberto, irmão de minha mãe, um porco sendo castrado. E isso me impressionou. Contudo, ao imaginar esse castigo, via-o cortando-me os testículos e pênis com uma faca e o sangue jorrando para todos os lados, como naquele porco, embora na ocasião só os testículos tenham sido removidos. Era uma imagem terrível! Entrei em desespero. E por pouco não cometi suicídio, seguindo mar adentro.
Não sei o que se passou com Ana Paula e que desculpa ela dera para chegar na cabana com a tanga do biquíni arrebentado. Só sei que, quando finalmente criei coragem para retornar e entrei na cabana, ouvi-a conversando normalmente com Marcela, como se nada houvesse acontecido.
Luciana olhou-me com desconfiança, como se pudesse ver, através de meu comportamento, que algo muito grave acontecera. Não me indagou naquele momento, mas na primeira oportunidade às sós comigo, interrogou-me com uma fúria, feito um policial ao interrogar um serial killer, em cujas mãos provavelmente um membro da família foi uma das vítimas, que por pouco não me arrancou a verdade.
Eu sabia que Ana Paula não lhe diria nada. As duas eram inimigas e Luciana não se rebaixaria a ponto de indagar a outra acerca do que havia acontecido. E minha prima não lhe daria o prazer da verdade. Deixaria a outra com a dor da dúvida. Nesse ponto, as mulheres são mais perversas que os homens. Usam de todo o expediente para fazer uma inimiga sofrer. Portanto, se Luciana viesse a saber alguma coisa, ou teria de ouvir da minha boca ou de uma conversa entre Ana Paula e Marcela, embora eu também duvidasse que teria coragem de contar para a amiga, já que muito provavelmente, assim como ocorrera entre mim e Fabrício, ela também se sentiria responsável. Marcela, embora não considerasse Luciana uma inimiga, não era sua amiga. Até porque sabia que Luciana não gostava dela, embora não entendesse o motivo dessa aversão.
Apensar de minhas negativas, fez questão de dizer:
-- Não sou uma idiota que nem você. Sei que aconteceu alguma coisa. E eu vou descobrir. Pode ter certeza disso. E se for o que estou imaginando, e espero que não seja, eu mato aquela pirralha.
Tal ameaça meteu-me tamanho medo que deixei de pensar nas consequências de meus atos ao longo daquela noite. Perdi todo o tempo, enquanto tomava conta da fogueira, pensando numa forma de demovê-la dessa suspeita. Conclui que teria de fazer o impossível, nem que para isso tivesse que lhe satisfazer os mais devassos instintos. Odiava ter de ser um brinquedo em suas mãos, mas para proteger minha prima faria qualquer coisa.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A REAÇÃO AOS ATAQUES TERRORISTAS NA FRANÇA

Os ataques terroristas em Paris que culminou com a morte de 13 pessoas mexeram profundamente com o orgulho dos franceses, um povo acostumado a levar a democracia às últimas consequências. As reações aos ataques vão desde a condenação veemente do extremismo islâmico, ao maior protesto que os franceses já viram em sua história, a uma edição com milhões de exemplares do jornal satírico Charlie Hebdo -- alvo principal do ataque e onde morreram o maior número de pessoas – e o envio de mais armamentos para o combate aos extremistas. Se o único objetivo desses extremistas era assassinar os editores e cartunistas do jornal a fim de vingar o profeta Maomé pelas charges, os terroristas conseguiram seu objetivo. Por outro lado, despertaram não só a ira ocidental como também a de grande parte da comunidade muçulmana moderada, a qual não compactua com a interpretação radical do islamismo e condena o assassinato religioso. E esse despertar custar-lhes-á muito caro, pois, pela primeira vez, se vê a maior parte do mundo disposta a varrer de uma vez por todas esses extremistas da face da terra. Embora o extremismo não seja exclusividade do islamismo, já que ele está presente tanto no judaísmo quanto o cristianismo que aliás no passado praticava os mesmos atos que condena hoje em dia. Grupos assim continuaram a existir, mesmo que uma grande coalização venha derrotar e enfraquecer a Al-Qaeda, os jihadistas do Estado Islâmico, o Boko Haran e outros grupos semelhantes. Mas se o ocidente quer realmente evitar que estes grupos se reorganizem ou que surjam outros tão radicais e perigosos quanto estes, deve antes de mais nada mudar sua estratégia. Esses grupos na realidade usam a religião como meio de sedução, mas o que eles querem mesmo é, de um lado, vingar-se das grandes colônias europeias por suas décadas de colonização e exploração, onde não fizeram nada para melhorar daquele povo; e, por outro, dos EUA pelo seu apoio incondicional à Israel, o qual vem colonizando e massacrando os palestinos da mesma forma que as grandes potências europeias fizeram nos séculos XIX e primeira metade do século XX, e principalmente pelas intervenções militares no Iraque, Afeganistão e mais recentemente na Líbia e na Síria. Os protestos em Paris no último domingo mostrou a união do ocidente e de alguns países árabes, mas a união e a retórica não vencem a guerra. É preciso mostrar que esses países estão dispostos a sacrificar muito mais do que o poderio bélico e tecnológico. Mas será que realmente estão dispostos?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SOB O CHUVEIRO


A tez de traços intensos sob o chuveiro
E a água a percorrer-lhe as curvas
E as mãos a contornar-lhe os meios
Despem-me de toda descompostura
E me fazem desejá-la por inteiro.

Minhas mãos procuram-lhe os seios
E meu desejo atrai-lhe todo o querer
Numa dança intensa, bela e sensual
Capaz de estarrecer os puritanos
Que veem no desejo apenas o imoral.

Meus lábios escorregam-lhe da boca
Em busca dos fartos e rijos seios.
Súbito, as deliciosas pernas se abrem
Para meu falo receber em teus meios
Sob a estimulante água do chuveiro.

Meus braços agarram-se-lhe os traços
E os quais procuram sustentar os meus
Para que o choque do ir e vir no espaço
Não os prive daquele jogo sem regras
E os impeça de chegar ao desejado ápice.

A água, caindo sobre aqueles corpos,
Torna aquela dança ainda mais especial
E aflora-lhes os instintos animalescos
E leva-os a emitir tortos grunhidos
Mergulhando-os num prazer descomunal.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 51


Quando acordei já estava claro. Marcela e Luciana dormiam e Ana Paula estava sentada do lado de fora da cabana, rabiscando na areia. Parecia compenetrada, pois não me viu levantar. Levantei com cuidado, procurando um meio de evitar que o pênis escapasse pelo rasgo ao fazer movimentos bruscos. Tinha de dar um jeito. Não queria que ficasse saindo por ali o tempo todo. Assim, pensei em usar um pedaço de cipó, mas para isso teria de embrenhar na mata para apanhá-lo. Contudo, eu não seria capaz de fazê-lo, ainda mais depois daquele som que ouvira na noite anterior. “Também que adianta! Daqui uns dias, ela vai rasgar mais ainda e a gente vai ter que andar pelados mesmo! É bom a gente ir se acostumando. Elas vão ficar olhando para ele. Que nem eu para elas. Só que elas mais”, pensei ao aproximar de Ana Paula.
-- Que susto! -- exclamou. Fitou-me. -- O que aconteceu? -- perguntou ao se aperceber do rasgo na minha sunga.
-- Luciana ia cair no chão. E pra num cair, tentou se agarrar me mim. Ai ela agarrou na minha sunga e ela rasgô – expliquei timidamente, lembrando-me de que talvez ela não acreditasse, pois, enquanto falava, recordava-me daquele momento onde me vira com Luciana na areia.
-- Sei – fez ela com uma expressão de pouco convencimento. -- E agora você vai ficar assim, com esse troço saindo para fora? -- Ela o observava com a mesma curiosidade com a qual Marcela o observara horas antes.
-- Fazer o quê? Num tem como imendar! -- Ela continuou observando-me e então começou a rir, num riso debochado, o que me levou a acrescentar: -- Pára de ficar olhando! Não vejo graça nenhuma!
-- Parece o do meu irmão – disse ela, quando conseguiu parar de rir. João Carlos era um garoto de sete anos, meu primo e irmão mais novo dela. -- Pequeninho e esquisito – voltou ela dar risadas.
Magoado, fui em direção ao mar, a fim de lavar o rosto. Embora ainda fosse cedo e o sol provavelmente abrira há pouco, fazia um calor abafado, agravado pela ausência de brisa. No céu, algumas nuvens pareciam indicar que ao longo do dia não haveria chuva.
Ana Paula se levantou e foi ao meu encontro, apanhando-me quando a água atingia-me os joelhos.
-- Desculpa! -- disse ela.
-- Tudo bem – falei após uma pausa, onde travei uma luta contra o orgulho ferido para poder desculpá-la. Naqueles poucos segundos, pensei seriamente em não desculpá-la. -- Isquece. Num foi nada.
Ana Paula adiantou-se e parou de frente, fitando-me novamente onde o pênis escapava. Eu só não sabia se fitava o rasgo na minha roupa ou o pênis, cuja metade estava para fora.
-- Me dá a sunga. Deixa eu ver se tem como dar um jeito.
-- Tirar? Mas vou ficar pelado? -- indaguei, com um tom avermelhado no rosto.
-- Você num já tá quase? O que você tinha pra esconder já tá aí, pra todo mundo ver.
“E agora? Ela vai ficar me olhando sem roupa. Já fica comigo assim. Mas se eu ficar assim a Marcela também vai ficar olhando. Vou ficar com mais vergonha ainda. Luciana vai ficar brava. Acabar descontando em todo mundo. Em mim também. Ameaçando, com raiva. Quem sabe ela consegue imendar”
Reticente, tirei a sunga e estendi-a. Ana Paula pegou-a com os olhos fixos no meu púbis. No entanto, talvez para não me deixar ainda mais constrangido, passou a examinar o rasgo. E ao tentar unir as duas partes, acabou provocando um pequeno rasgo em outro ponto, rasgo esse que mal dava para passar um dedo. Contudo, tratava-se de mais um rasgo naquela região, o qual se juntava a outros.
-- Tá rasgando à toa. Já tá meio podre – disse. -- Já já vai rasgá todinha. Tá que nem nosso biquíni.
Voltou a fitar-me nos quadris.
-- É maior do que o do meu irmão. E tuas bolas também. E o Carlinhos não tem esses pelos aí em volta – explicou. Curvou para olhar mais de perto. -- Por quê as vezes ele fica encolhido e as vezes fica grande?
Sem saber o que lhe responder, fez-se silêncio, onde eu procurava pensar numa forma de explicar-lhe. “Falar que é quando quero meter. Não. Isso não. Num posso falar isso pra ela. Num não. É não. Que ele cresce sozinho. Só se eu falar isso. Ela é menina. Não sabe como é. Vai acreditar.”
-- Ah, não sei! Ele cresce sozinho.
-- Sozinho assim... Você não faz nada?
-- Não.
-- Quando o do Carlinhos fica duro, a metade da cabecinha sai para fora. -- Sem pedir, pegou-me no falo com dois dedos. -- A do seu sai também? Pra fora?
-- Sai – respondi, sofrendo os primeiros efeitos daqueles dedos. Súbito, ela empurrou o prepúcio até que a glande ficar toda disposta. “E agora? O que faço? Ele vai ver ele crescendo.”
-- Nossa! A cabeça dele saiu toda. A dele não sai assim. Estranho né! Será por quê?
-- Não sei. A minha também não saia, mas agora sai. E tira a mão daí – falei, temendo que ela percebesse que meu falo começava a crescer.
Ao invés de soltá-lo, puxou o prepúcio de volta, o que fez com a excitação ficasse mais rápida.
-- Olha! Ele tá crescendo! -- exclamou admirada, como se visse algo fantástico. -- Acho que é porque eu estou mexendo nele – acrescentou, tornando a empurrar o prepúcio para trás, possivelmente achando graça naquilo.
-- Pára! Tira a mão! Já falei! -- Contrafeito, quase a empurrei para trás. -- Vai! Me dá a sunga!
-- Deixa de ser bobo! Deixa eu ver ele crescer. Quero ver que tamanho ele fica. Se fica igual ao do meu irmão: levantado e bem durinho.
-- Fica – respondi de chofre, querendo terminar com aquilo antes que meu pênis ficasse totalmente ereto, o que me deixaria ainda mais envergonhado. -- Anda! Me devolve a sunga antes que as meninas acorda e me vejam assim pelado.
Ana Paula soltou-o, retesou o tronco e, olhando-me nos olhos, deu um sorriso travesso, no qual, talvez por inocência, não vi maldade alguma. Súbito, quando achei que me entregaria a sunga, deu-me um empurrão, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse para trás, afundando n'água. Súbito, apoiei a mão no fundo para não me afogar, pois uma onda, apesar de pequena, passou-me por cima e quase me arrastou.
-- Então venha pegar – disse ela, saindo correndo na direção contrária da cabana.
Quando consegui levantar, ela já estava uns cinco metros de dianteira. Parti atrás praguejando: “Filha da puta! Tu me paga! Vou te enfiar a mão. Pirralha!”
-- Me dá minha sunga! -- exclamei, correndo ao encalço dela.
Embora mais veloz que ela, custei alcançá-la. E só a alcancei próximo às bananeiras. Minha prima ria, divertindo-se. Ao aproximar, pude ouvir-lhe as gargalhadas, as quais me enervaram ainda mais. “Vadia! Vai ver o que vou fazer contido”, pensei com o sangue fervendo-me nas veias. Embora fosse tão somente uma travessura por parte dela, eu me sentia humilhado não só pela nudez, mas principalmente por ter sido feito de bobo por aquela garotinha.
Alcancei-a quase do outro lado da ilha. Então, estendi o braço, segurei-a pelo ombro e puxei-a. Ela desequilibrou e caiu na areia fofa. Minha sunga escapuliu-lhe da mão e foi parar ali perto. Cheguei a acompanhá-la com os olhos e pensar em estender o braço para apanhá-la, no entanto, um desejo diabólico, fruto dos instintos mais animalescos que o homem pode experimentar, envolveu-me como uma densa nuvem negra, a qual me desnorteara, levando-me a agir feito um animal furioso. Num primeiro momento, sob o efeito da raiva, pulei sobre ela, agarrando-a pelos braços com a intenção de esbofetá-la e dar-lhe uma lição “procê nunca mais fazer isso, pirralha!”. Mas ao sentar sobre suas pernas, imobilizá-la e encontrar em seu rosto uma expressão de medo e submissão, a mesma expressão que encontrara no dia em corri atrás dela para impedi-la de contar para Marcela o que vira eu e Luciana fazendo, a lembrança das carícias que eu lhe fiz, afloraram-me numa intensidade e vivacidade que não me restou outra alternativa a não ser submeter-me. E antes que Ana Paula dissesse alguma coisa, abaixei a cabeça e meus lábios foram encontrar-lhe um dos mamilos, mamilos que mal passavam de uma protuberância nos seios, os quais também não passavam de pequenas elevações.
-- Pára! -- protestou ela, debatendo-se e procurando se desvincilhar. -- Mé solta! Disculpa! Juro que num faço mais isso – continuou ela acuada, em desespero, possivelmente temendo o mesmo acesso de fúria que me abatera daquela vez, o qual provocara-lhe medo.
Antes de levantar a cabeça para dizer-lhe algo, mordi-lhe o mamilo vingativamente, como teria feito um bebezinho ao sugá-lo e não encontrar o alimento. Então olhei-a nos olhos e, vendo tomada de pavor, ocorreu-me de arrancar-lhe a única peça do biquíni e possuí-la.
Por que me ocorreu de praticar tão vil ato? Ainda hoje, depois de tantos anos, não sei dizer. Talvez nunca venha a saber. Nem mesmo o fim da culpa, a qual nos é devastador, contribuiu para se chegar a uma resposta definitiva. Embora assentindo que uma conjunção de fatores contribuiu consideravelmente para a prática de tal ato, ainda sim não se pode justificá-lo. Afinal, quais foram de fato o peso desses fatores? Não estaria eu dando relevância demais a eles com o intuito de diminuir a minha responsabilidade? É a pergunta que eu me faço ainda hoje e toda vez que penso nisso.
Se ela não tivesse pego no meu pênis e o excitado, não me teria despertados instintos que a moral, muitas vezes de forma frágil e imatura como tudo nessa idade, procurava conter; e provavelmente não eu teria praticado. Por outro lado, se não tivesse me derrubado e fugido maldosamente com a intenção de provocar-me vergonha ou até mesmo por prazer, inclusive até, um prazer libidinoso, suspeita essa reforçada pela lubrificação da vulva quando a penetrei. Aliás, esta última suspeita ocorreu-me alguns anos depois, quando a memória me fez recordar desse detalhe até então passado despercebidamente por muito tempo. E foi inclusive um fator preponderante para expirar de uma vez por todas o fardo da vergonha, embora quando deixei a ilha este já não me pesava tanto quanto nas semanas seguintes.
Se hoje eu posso falar desse episódio com naturalidade e indiferença como se tratasse de uma ficção, de uma encenação até ou de algo ocorrido com outra pessoa, é porque a coisa acabou não sendo tão grave e não gerou consequências tão terríveis no futuro, embora ao tomar ciência do ato e do pecado cometido, entrei em desespero, o que levou a não ter coragem de pôr os olhos em Ana Paula por dois dias. Aliás, tal ato acabou por um lado reforçando laços que de alguma forma já existiam entre mim, minha prima e Marcela; e por outro, exacerbou as diferenças entre Luciana e nós três, diferenças essas que culminaram num final trágico.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 50


-- O que foi? -- perguntou Marcela, levantando-se, ao nos ver entrar. Apesar da escuridão, a cabana estava iluminada. Aliás, a luz da fogueira era tão intensa, que se via em nossas faces, talvez mais na minha do que na de Luciana, que algo acontecera.
-- Nada. Por quê? -- dissimulou Luciana.
-- Vocês estão ai, com uma cara estranha – disse ela.
Ana Paula, deitada do outro lado, parecia dormir um sono profundo.
-- Rasguei a sunga – asseverei envergonhado. Afinal não adiantava dissimular, pois mais cedo ou mais tarde todas acabariam percebendo.
-- Eu desequilibrei – adiantou-se Luciana, talvez me achando incapaz de inventar uma desculpa convincente. -- E fui tentar me agarrar nele para não estatelar no chão, minha mão escorregou e acabei puxando a sunga dele – acrescentou.
Ou para não criar problemas ou por pura inocência, Marcela não demonstrou desconfiança. Preocupou-se por outro lado em saber se Luciana não tinha se machucado.
-- Está tudo bem. Só me sujei de areia. Mas entrei na água e o Sílvio me ajudou a me lavar – explicou. Em seguida, ajudei-a a dar mais três passos e sentar-se no chão.
Enquanto auxiliava-a a se sentar, olhei para Marcela. Surpreendi-a com os olhos no rasgo, o qual se abriu ao curvar o dorso para ajudar Luciana. Envergonhada por ter sido surpreendida, disfarçou, apanhou um graveto e cutucou a fogueira. “Ela tá olhando. O que faço? Pôr a mão? Tapar ele? Vou virar”, pensei.
Nisso, Ana Paula acordou.
-- Pô! Não dá para vocês falar mais baixo? Tô querendo dormir – disse Ana Paula, fazendo que ia se levantar. No entanto, apenas virou de frente para nós e se encolheu numa posição fetal, voltando a dormir.
Apenas silenciamos por algum tempo.
-- É você quem vai tomar conta da fogueira primeiro? -- sussurrei para Marcela, procurando manter o rasgo longe do ângulo de visão dela.
-- É – respondeu-me ela baixinho.
-- Então vou dormir um pouco. Quando tiver na minha hora, você me acorda.
Luciana havia se deitado na outra extremidade, deixando-me como única opção o meio entre ela e minha prima. Foi ali que fui repousar.
Não adormeci de imediato. E até que o sono chegasse, fui tomado por devaneios com Marcela. Aliás, não poderia ser diferente. Estando apaixonado, o objeto de nossa paixão se torna inevitavelmente a fonte de nossos pensamentos.
Embora o longo tempo transcorrido entre os fatos narrados e o momento que faço esta narrativa possa ter apagado alguma coisa, uma parte significante daqueles devaneios ainda me permanecem vivos, como se de fato o tempo não tivesse passado. Ainda me lembro de imaginar eu e Marcela em algum ponto afastado daquela ilha, sobre a faixa de areia. Estamos frente a frente e de mãos dadas. Súbito, tomo-a nos braços e nos beijamos demoradamente. Isso me excita. E então minhas mãos percorrem-lhe o dorso quase nu. De repente, escorrego-lhe uma delas até o seio e o acaricio. Marcela cola ainda mais seu corpo ao meu. Pouco depois porém, ela para de me beijar e dar um passo para trás, empurrando minha mão. No entanto, não diz nada, nem uma palavra de reprovação. Nossos olhos permanecem fixos uns nos outros. Deixo escapar um sorriso. Tímida, ela abaixa os olhos. Então seus olhos esbugalham-se quando me fitam o falo, o qual escapara pela abertura, provocada pelo rasgo que Luciana fizera. Fico envergonhado e penso recolocá-lo para dentro. Mas antes que fizesse, Marcela pega-o delicadamente e o observa. A curiosidade a leva a acariciá-lo, o que me provoca intenso prazer. Instintivamente, levo-lhe a mão ao meio das pernas e também a acaricio com os dedos, talvez como um sinal de retribuição. Ela solta um suspiro, ergue a cabeça e nossos lábios se encontram novamente. Pego em sua mão (a que ainda mantém em meu falo) e a tiro dali. Em seguida, tento introduzi-lo no meio das pernas dela. Ao fazê-lo, quase perco o equilíbrio, o que nos faz interromper o beijo. Um tanto tímido, mas queimando-me nas chamas da volúpia, deixo escapar um sorriso contido. Ela o retribui, o que me instiga a seguir em frente. Agarro-a pela cintura e tento pô-lo novamente no meio das pernas dela. Marcela por sua vez facilita as coisas e as afasta. Mas, ao senti-lo ali, sobre a vulva, separando-os apenas as duas tiras que une os pedaços de pano e as quais anteriormente eram usados para cobrir-lhe os seios, experimenta o prazer. Abraça-me fortemente e aguarda que eu tome a iniciativa. Movo os quadris para frente e para trás com certa dificuldade, já que estamos de pé. Ela percebe isso e se solta, dá um passo para trás e finalmente o silêncio é interrompido pela sua voz meiga e apaixonada: “Vem cá! Vamos deitar”. Ela senta e em seguida se deita sobre a areia. Desata o nó e retira aquela peça usada como tapa-sexo. Retiro a minha sunga e me deito sobre ela. Abraço-a e penetro-a quase ao mesmo em que nossos lábios se encontram, como se o ato sexual não compreendesse só a penetração do falo mas também o acariciar das línguas. Lembro-me de sentir um prazer infinitamente maior do que aquele que senti ao penetrar Luciana. Lembro-me também de vê-la suspirar pouco depois, com os lábios rente ao meu ouvido: “Te amo! Te amo! Te amo...” Aliás, estas são as últimas lembranças daqueles devaneios. Talvez o que veio a seguir tenha se perdido com o tempo, embora eu ache improvável. Acredito todavia que a explicação é de que eu tenha adormecido, uma vez que o sono costuma vir justamente na melhor parte de nossas fantasias, levando-as para as partes mais inacessíveis de nossas memórias.
Na lembrança seguinte, ouço a voz dela, acordando-me para assumir o seu lugar. Diz que já deve ter passado mais de duas horas, desde o momento em que deitei.
-- Já não estou aguentando mais. Meus olhos não conseguem ficar abertos – confessou ela em seguida.
Levantei-me com dificuldade e ainda sonolento e disse-lhe para se deitar no meu lugar.
-- Vou ficar um muncado e depois acordo a Ana Paula – acrescentei, pronunciando erradamente a palavra “bocado”.
Observei-a a se deitar e as lembranças de meus devaneios que tivera ao ocupar aquele lugar antes dela me voltam à memória, o que me faz pensar: “Será que ela vai pensar em mim como eu pensei nela? Talvez. Ela pode pensar na família dela, nas pessoas que está procurando a gente, numa forma de sair daqui, no pé da Luciana. Em tanta coisa. Mas ela pode pensar em mim. Na gente. Nem que seja um pouquinho...”
Quando a observei novamente, ela estava imóvel. Então deduzi que adormecera.
Voltei a pensar em Marcela enquanto ficava sentado diante da fogueira ou de cócoras com uma vareta na mão cutucando-a. Todavia, diferentemente dos devaneios que tive antes de adormecer, estes não estavam envolto num manto de volúpia. Não que não tenha existido um quê de sensualidade, pois de fato houve; mas apenas num momento ou noutro. Meus pensamentos, a bem da verdade, focavam-se em encontrar uma solução se não definitiva, pelo menos temporária, capaz de me tirar das garras de Luciana e assim me dar mais liberdade de ficar com Marcela sem medo da outra.
Dentre todas as possibilidades, a mais terrível e a qual provavelmente eu jamais teria coragem de pôr em prática, implicava em cometer um dos atos mais revoltantes e condenáveis pela humanidade: o assassinato. Essa possibilidade inclusive me ocorreu depois de muito ponderar e chegar a conclusão de que, se de fato Luciana pusesse a vida de Marcela ou de minha prima em perigo eu não teria outra saída a não ser fazer uma encolha entre ela e as outras duas. O amigo leitor não teria dúvida de quem eu escolheria para sacrificar.
Antes porém de pensar nessa possibilidade, relembrei todas as ameaças que Luciana me fizera nos últimos dias. E então cheguei a conclusão de que estas se tornaram mais violentas e mais reais nos últimos dias. E sabia perfeitamente, embora ainda fosse um garoto, que estas não só não parariam como se aproximariam cada vez mais do insustentável, daquele momento onde a convivência entre Luciana, Ana Paula e Marcela seria impossível.
Não era a primeira vez que eu pensava em assassinar Luciana. Contudo, nunca pressenti o aproximar desse momento quanto naquela noite. Haveria de adiar esse terrível momento até que não houvesse mais saída, mas teria de ser feito. Ou Luciana morria ou ela mataria Marcela ou minha prima.
E pensando ter de executar essa terrível tarefa, cheguei a traçar alguns planos. Sabia que não poderia falhar, pois caso acontecesse eu próprio estaria em apuros. Desta feita, cheguei a conclusão de que teria de executá-lo longe das meninas, pois se fizesse diante delas, provavelmente tentariam me impedir, mesmo pondo a própria vida em risco. E mesmo que não impedissem, tal cena seria traumático por demais para minha prima. Éramos todos novos para presenciar uma cena dessas, minha prima, por ainda ser uma criança, não deveria sob hipótese alguma presenciá-la. Quanto a isso eu não tinha a menor dúvida.
Ocorreu-me que o melhor momento para fazê-lo era quando Luciana estivesse dormindo, o que seria executado na presença das duas. Se não fossem assim, teria de me afastar com Luciana da Cabana. Eu teria de me aproveitar dum momento de fraqueza dela, quando estivesse nos meus braços para matá-la, como já havia pensado dois dias antes. Foi então que tive uma nova ideia: “Poderia afogar ela? Quando ela desse um mergulho ou se abaixasse para se molhar. Era só agarrar no pescoço dela e segurar ela embaixo d'água. Ela ia se debater, mas ia se afogar.”
Naquele momento não pensei na possibilidade dela se escapar. Pelo menos não me recordo de ter pensado. Todavia, quando, dias depois, ponderei acerca dessa possibilidade com mais seriedade, isso me ocorreu.
Gostaria de ter pensando nessas alternativas com mais seriedade, já que dispunha de todo o tempo do mundo. Contudo, nossos pensamentos, diante de um fato novo e mais urgente, absorve esses fatos e muda completamente do rumo e de foco, dando lugar a outros pensamentos sem a menor relação com o anterior.
E a causa dessa mudança foi um ruído, o qual eu não sabia de onde via, mas que me fez gelar a espinha, o coração disparar e a sensação de medo invadir-me a alma de tal forma que por pouco não corri para junto das meninas e as acordei.
Durante um bom tempo, talvez uma meia hora, não fui capaz de me mover. Temia que um único movimento poderia chamar a atenção daquele que produzira aquele ruído. Imaginando que um grande monstro ou mesmo um animal feroz estivesse a espreita, elevei o pensamento para que, naquele momento, nenhuma das meninas se mexesse ou produzisse algum som.
Embora Ana Paula e Marcela tenham entrado naquela mata mais de uma vez e Luciana também embrenhara comigo a fim de me mostrar que naquela ilha não havia mais ninguém além de nós, ainda sim eu continuava a acreditar que algo nos observava. Talvez aquele ruído fosse um sinal de Deus por causa de meus pensamentos. Não era a primeira vez a pensar nessa possibilidade. Apesar de levar isso a sério, a existência de algo naquela ilha, procurando se ocultar da gente, pesava mais.
Acho que teria ficado imóvel a noite toda se Luciana não houvesse acordado e, vendo-me com aquela cara de assustado, indagado:
-- O que aconteceu?
-- Ouvi um barulho muito esquisito lá fora. Parecia o ruído de um bicho grande se aproximando – expliquei com a voz titubeante.
-- Mas já vem você de novo com essa história! Será que você é tão idiota assim para entender que não tem nada nessa ilha? Quantas vezes já não te disse isso? Enfia uma coisa nessa cabecinha: não tem mais ninguém além da gente aqui! -- disse ela, alterando a voz.
-- Eu sei que tem alguma coisa lá fora. Você ainda vai ver que eu tenho razão.
-- Me ajuda a levantar – pediu – que eu vou tomar conta dessa merda de fogueira para você dormir. Não estou com mais sono mesmo.
Ajudei-a e depois a sentar-se diante da fogueira. Só então deitei onde ela estivera deitada momentos antes e, minutos depois, cai no sono.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SE VOCÊ QUER PARTIR DA MINHA VIDA

Se você quer partir da minha vida
Não há nada que eu possa fazer
O amor muitas vezes abre feridas
Que só o tempo é capaz de conter

Obrigar-te a ficar comigo agora
Como um dever e contra a tua vontade
Só te faria sofrer, embora
Sem ti sofrerei eu na realidade

Mas o meu sofrer é uma ferida
Cuja cicatriz tende a desaparecer
A tua, renunciando a tua vida,
É uma dor que só se faz crescer

Assim, vá quando chegar a hora
E leve contigo um quê de saudade
Melhor te ver feliz mundo afora
A sofrer feito uma ave enjaulada.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SOB O VENTO DAS EMOÇÕES

























Eu procuro uma razão para me atirar aos teus braços
Mas o coração só conhece a linguagem dos sentimentos
Cuja lógica a razão desconhece. Não sei o que faço
Para conciliar mundos distintos e sem parâmetros.

As verdades do coração são um salto no abismo
De infinitas possibilidades; e provocam sensações
Que nos fazem dizer sim a todo paroxismo
Dos quais o futuro é uma fonte de recriminações

Mas a vida não é um viver nesse instável espaço
Das sensações? Viver não é sentir a cada momento
Emoções intensas como se tratasse do último passo?
Para o amor, buscar razões não tem cabimento.

Então que se dane todo esse meu preciosismo
Em procurar lógica em sentimentos e emoções
Atirar-me-ei aos teus braços sem o menor casuísmo
E então me deixarei guiar pelos ventos das sensações