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terça-feira, 24 de novembro de 2015

PARIS: ÓDIO À LIBERDADE E À DEMOCRACIA


Dez meses depois, a França sofre um novo ataque terrorista promovido pelo Estado Islâmico, matando até o momento 129 pessoas. E justamente a França que é um país democrático, tolerante, multirracial e berço da luta pelos direitos humanos. Nenhum país merece uma barbárie dessas, menos ainda a França. Mas terroristas não escolhem vítimas e muito menos o país. Querem apenas promover o caos, a comoção popular e combater a liberdade, a igualdade e a fraternidade. É um dos poucos meios que dispõem para chamar a atenção, para mostrar alguma força. Embora não pareça, no fundo os líderes dessa organização terrorista sabem que não vão chegar a lugar algum, que lutam uma guerra perdida. Por isso, eles usam os meios mais bárbaros para demonstrar força e poder, seja nos territórios onde dominam, seja nos lugares mais democráticos do mundo. Aliás, nada lhes é mais perigoso que a democracia. Eles a temem tanto, ou até mais, quanto temem o Diabo. A escolha da França não foi um acaso. Os franceses fazem parte da coalizão que vem promovendo ataques aos territórios dominados por esses terroristas. E de todos os integrantes da coalizão, a França talvez seja o país onde os terroristas teriam maiores chances de serem bem sucedidos e onde poderiam causar maior comoção. Talvez os EUA fossem o alvo desejado, mas o sistema de vigilância norte americano certamente frustraria qualquer tentativa de um ataque de grandes proporções. Nos outros países da coalizão, um ataque assim talvez até provocasse mais danos e mortes, mas não teria o mesmo efeito e no ocidente isto seria mais uma notícia corriqueira, sem muita relevância. Daí a França. E de fato conseguiram o que desejavam. Não resta dúvidas de que foram bem sucedidos. Resta saber o que os franceses farão. Somente uma resposta capaz de provocar perdas incalculáveis ao Estado Islâmico fará com que desistam de novos ataques. Talvez o mais sensato a fazer seja o envio do que há de mais moderno em armamento bélico e de um grande contingente de tropas para lutar em várias frentes, em conjunto com o exército iraquiano numa das frentes e com os curdos em outra. Chegou a hora de reconhecer que ataques aéreos por si só não vai derrotar esses terroristas, pois tendem a se dissiparem e combater os inimigos com atentados terroristas. Só há um meio de acabar com isso: dizimando-os. Ou isso ou é só questão de tempo para novos atentados terroristas. A França está numa encruzilhada e se deseja continuar a ser um exemplo de tolerância e democracia terá de fazer sacrifícios. Não há outra saída.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

SÃO OS LOUCOS QUE MUDAM O MUNDO

Aquele que se deixa afetar pelas opiniões alheias não só dá razão aos detratores como também expõe as próprias fraquezas, mostrando não ser merecedor do apreço que tem e das verdades que prega. A nossa sociedade chegou aonde hoje está graças a perseverança, a coragem e obstinação daqueles que eram na maioria das vezes taxados de loucos, por desafiar as verdades aceitas por todos a sua volta, verdades essas que muitas vezes remontavam de um passado distante e as quais, para aqueles de visão mais ampla, eram inconsistentes e difíceis de aceitar. Hoje sabemos que a Terra é redonda e não plano como se acreditava antes; que não é o centro do Universo, que gira em torno do sol e não o contrário como se pensou por milhares de anos; que existem milhares de outros sistemas solares iguais aos nossos. O avanço do conhecimento jogou por terra todos os mitos que regiam a vida dos primeiros homens. Ah, como nossos antepassados eram escravos desses mitos! A maioria dos dogmas religiosos já não encontram mais uma base de apoio capaz de mantê-los de pé. E embora o homem ainda não tenha encontrado provas da existência de vida em outros planetas, nunca se esteve tão próximo dessa descoberta. Eu não tenho a menor dúvida de que isso ocorrerá no futuro; não num futuro próximo, mas daqui a meio século ou até um pouco mais. E quando isso acontecer, o único pilar que ainda sustenta a maioria das crenças religiosas, principalmente as três grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e muçulmana, -- ruirá e então o homem chegará a conclusão que esse deus, um deus que criou o homem sua imagem e semelhança, e ao qual o homem se escravizou por milhares de anos, simplesmente não existe e nunca existiu. E então todos nós que, em pleno século XXI ainda somos chamados de loucos e vistos com desconfiança, inclusive condenados à morte em alguns países, por sermos ateus, por vermos o mundo sob uma outra perspectiva e enxergar nos dogmas religiosos a desrazão, seremos engrandecidos, assim como hoje se exalta Giordano Bruno, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e tantos outros, antes acusados de hereges e condenados por dizer aquilo que hoje é uma verdade incontestável pela ciência. Não se deve julgar e ridicularizar aqueles ainda presos às crenças do passado, pois muitos não estão preparados para a verdade dos fatos e não a suportariam. Da mesma forma não se deve deixar levar por essa maioria, pela maior onda, apenas porque nos sentimos um grão de areia diante dela; pois não são as grandes ondas que transformam o mundo – elas apenas provocam estragos e destruições --, mas os grãos de areia que, depositados lentamente um a um, formam os alicerces do saber e do avanço da humanidade em direção a um futuro melhor.

sábado, 1 de agosto de 2015

O VALOR DA VIDA HOJE

Há uma crise de valores que vem afetando praticamente toda a humanidade, sem distinção de credo, raça, modelo econômico ou orientação religiosa. Todos parecem sofrer do mesmo problema, embora algumas sociedades sofram mais do que outras. A causa disso eu não sei exatamente. Talvez seja uma conjunção de fatores, uma vez que o mesmo problema afeta os mais distintos povos. Quanto a essa crise, ela parece bem clara: a vida, tão valorizada nos últimos séculos, já não significa mais como há algumas décadas. É como se em duas ou três décadas ela perdesse um valor conquistado durante séculos. Usando um jargão financeiro, é como se fosse a moeda de um país que, ao passar por uma grave crise econômica, perde completamente o valor. Parece que é mais ou menos isso que está acontecendo. As sucessivas crises econômicas pelas quais a maioria dos países enfrentou e vem enfrentando desde os anos 90, devido a globalização, afetou não só o valor dos bens materiais, como o valor da própria vida, a qual não deveria jamais ser equiparada a qualquer outro bem. A vida do outro parece valer muito pouco, isso quando vale alguma coisa. Durante milhares de anos, até o advento da modernidade, matava-se por qualquer coisa. E sobreviver, principalmente os que não tinham nada ou muito pouco, era uma questão de sorte. Era uma verdadeira luta pela sobrevivência, digna da teoria darwiniana. Hoje tem-se a impressão da volta desse terrível período de nossa história. E uma das causas desse desprezo pela viada é fruto da perda de força e significado da religião. Como o próprio Nietzsche afirmou há quase 150 anos, “Deus está Morto. Nós o matamos”. O cristianismo não rege mais o dia a dia dos cristãos, assim como o Judaísmo a dos judeus e o islamismo a dos muçulmanos embora a presença dessa última seja muito maior na vida dos muçulmanos do que o cristianismo e o judaísmo na dos cristãos e judeus. E mesmo aqueles que ainda acreditam num deus, na vida após a morte, lidam com a religião de forma muito diferente daquela que os nossos antepassados lidaram durante mais de 1.000 anos. E o que sobrou dessas crenças, tanto no cristianismo como nas demais religiões monoteístas, foi o que de pior havia nelas: o fundamentalismo. Aliás, este não é nada mais nada menos que fruto da perda de poder das mesmas. Ou seja: uma luta desesperada pela sobrevivência. Assim, cada uma trata a outra e as demais crenças como inimiga, como um mal que deve ser eliminado, usando os mais desprezíveis artifícios. E para isso deve-se antes de mais nada eliminar o indivíduo, alguém que não é como nós e por isso sua vida não tem valor. Essa é uma das principais causas do desprezo pela vida atualmente. Mas não é só isso. O materialismo sem limites, o consumismo como fonte de felicidade, uma felicidade inalcançável diga-se de passagem, também é responsável por isso. O homem hoje transformou o dinheiro em poder, o qual deve ser buscado a qualquer custo. E se para isso tiver de tirar o seu semelhante do caminho, não pensará duas vezes. Isso aliás é uma das principais causas no aumento dos latrocínios, das mortes por encomenda, da corrupção e dos crimes financeiros. Em nome do dinheiro tudo vale. Esse capitalismo selvagem que se pratica desde o fim dos anos 80 é fruto do fim da ameaça comunista. Desde o fracasso do socialismo, um regime que pelos seus próprios erros cometeu atrocidades mas que por outro lado segurava o cabresto do capitalismo, contendo o seu lado selvagem e desumano, o mundo vem se tornando escravo do capital, o qual surge como o novo deus, cultuado a cada dia mais por mais gente. E embora “o valor da vida não possa ser medido” como afirmou Nietzsche, hoje ela é negociada por qualquer bagatela. Enfim. O que tem valor hoje é o capital e o que ele pode comprar, o resto é supérfluo, inclusive a vida.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SEMENTES DO ESTADO ISLÂMICO


O tão temido “Estado Islâmico”, com sua violência, com seu desprezo pela vida, muitas vezes se assemelha aos bárbaros da antiguidade. Aliás, como não ver o tratamento dados por eles aos habitantes dos territórios que conquista e não se lembrar de Átila, o huno? Ou até mesmo Gengis Kahn? Talvez os mais terríveis homens da história. Mas Átila, Gengis Kahn e tantos outros fazem parte de um remoto tempo, de uma era onde a humanidade – senão toda, pelo menos a grande maioria dela -- ainda vivia mergulhada nas trevas da ignorância e do desprezo ao ser humano, pois a vida de um homem valia tanto quando a de qualquer outro animal. O “Estado Islâmico”, por outro lado, é fruto de uma era onde a vida é o bem mais precioso que se pode ter e onde qualquer ato de violência contra um semelhante causa indignação e revolta. Então, por que o surgimento de uma organização tão sanguinária e cruel, principalmente contra os inimigos? Seria uma volta à barbárie? Não, definitivamente não. De fato ele é fruto do fracasso daquilo que chamamos sociedade, uma vez que ela não é mais capaz de suprir os anseios de uma população materialista, individualista e ávida por bens materiais, onde a vida se tornou inclusive uma mercadoria. E na incapacidade de suprir uma necessidade cada vez maior de consumo, o homem se sente frustrado e sem perspectiva com relação ao futuro. E é aí que entra o “Estado Islâmico”. Eles prometem uma nova ordem social, um mundo menos materialista e, principalmente, uma eternidade gloriosa após a breve passagem pela vida terrena, coisa que a civilização ocidental não oferece mais, aliás como já afirmava Nietzsche em pleno século IXX, ao declarar que “Deus está morto” (A Gaia Ciência, aforismo 341). Enfim, o “Estado Islâmico” só precisou de um vasto terreno fértil, onde semeava o caos, para plantar suas sementes, as quais podem sem encontradas em abundância nos quatro cantos do mundo, principalmente no ocidente.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A REAÇÃO AOS ATAQUES TERRORISTAS NA FRANÇA

Os ataques terroristas em Paris que culminou com a morte de 13 pessoas mexeram profundamente com o orgulho dos franceses, um povo acostumado a levar a democracia às últimas consequências. As reações aos ataques vão desde a condenação veemente do extremismo islâmico, ao maior protesto que os franceses já viram em sua história, a uma edição com milhões de exemplares do jornal satírico Charlie Hebdo -- alvo principal do ataque e onde morreram o maior número de pessoas – e o envio de mais armamentos para o combate aos extremistas. Se o único objetivo desses extremistas era assassinar os editores e cartunistas do jornal a fim de vingar o profeta Maomé pelas charges, os terroristas conseguiram seu objetivo. Por outro lado, despertaram não só a ira ocidental como também a de grande parte da comunidade muçulmana moderada, a qual não compactua com a interpretação radical do islamismo e condena o assassinato religioso. E esse despertar custar-lhes-á muito caro, pois, pela primeira vez, se vê a maior parte do mundo disposta a varrer de uma vez por todas esses extremistas da face da terra. Embora o extremismo não seja exclusividade do islamismo, já que ele está presente tanto no judaísmo quanto o cristianismo que aliás no passado praticava os mesmos atos que condena hoje em dia. Grupos assim continuaram a existir, mesmo que uma grande coalização venha derrotar e enfraquecer a Al-Qaeda, os jihadistas do Estado Islâmico, o Boko Haran e outros grupos semelhantes. Mas se o ocidente quer realmente evitar que estes grupos se reorganizem ou que surjam outros tão radicais e perigosos quanto estes, deve antes de mais nada mudar sua estratégia. Esses grupos na realidade usam a religião como meio de sedução, mas o que eles querem mesmo é, de um lado, vingar-se das grandes colônias europeias por suas décadas de colonização e exploração, onde não fizeram nada para melhorar daquele povo; e, por outro, dos EUA pelo seu apoio incondicional à Israel, o qual vem colonizando e massacrando os palestinos da mesma forma que as grandes potências europeias fizeram nos séculos XIX e primeira metade do século XX, e principalmente pelas intervenções militares no Iraque, Afeganistão e mais recentemente na Líbia e na Síria. Os protestos em Paris no último domingo mostrou a união do ocidente e de alguns países árabes, mas a união e a retórica não vencem a guerra. É preciso mostrar que esses países estão dispostos a sacrificar muito mais do que o poderio bélico e tecnológico. Mas será que realmente estão dispostos?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A PAZ MUNDIAL SÓ SERÁ POSSÍVEL...

Acreditar na paz entre todas as nações do mundo, de forma que os povos vivam em harmonia é uma utopia sem tamanho. No entanto, quem em algum momento não sonha ou já sonhou com isso? E cada um de nós, a esperança de que as nações deixem as diferenças de lado, tem lá sua receita para acabar as guerras e a matança injustificada. A minha receita seria mais ou menos assim:


A paz mundial só será possível quando
As religiões desaparecerem
E o ódio religioso não ter mais razão de ser;
Quando o homem se importar mais
Com a realidade que lhe cerca
Do que com o que lhe acontecerá
Depois da morte.

A paz mundial só será possível quando
A cor da pele não fazer a menor diferença
E o ódio racial não ter mais razão de existir;
Quando o homem se importar mais
Com o futuro da humanidade
Do que com seus desejos mesquinhos
De explorar o seu semelhante.

Mas a paz mundial só será mesmo possível
Quando não houverem mais nações
Pelas quais se guerrear;
Quando não houver mais discriminações
E nem razões para ofensas e humilhações
E compreender de uma vez por todas
Que no fundo somos todos iguais...

domingo, 19 de janeiro de 2014

A DIFÍCIL MISSÃO DE SER ATEU


Diferentemente de ser ateu, que envolve uma escolha racional, ser crente e pertencer à essa ou aquela religião não é fruto de uma decisão pessoal, embora haja um quê de pessoal nisso quando o indivíduo passa a ter o direito de fazer suas próprias escolhas. A religião nos é passada por nossos pais e pelo grupo social ao qual pertencemos. Assim, desde que nascemos, fazemos parte de uma seita religiosa, da qual normalmente fazem parte nossos parentes – ou a maioria deles --, os amigos de nossos pais, nossos vizinhos, nossos professores, nossos amiguinhos da escolha e etc. Dessa forma, não temos escolhas. Vamos ser criados nesse meio e todos farão o possível para que aceitemos aqueles preceitos e acreditamos neles. Assim, nos tornamos crentes, porque nossos pais são, nossos amigos são e quase todos que nos rodeiam são. E mesmo que, ao longo do tempo, venhamos a fazer questionamentos – a maioria não o faz --, ainda sim somos pressionados pelo nosso meio a afastá-los, pois estamos errados e até mesmo cometendo um pecado. Mas ser ateu é completamente diferente. É preciso lutar contra aquilo que nossos pais nos ensinou a vida toda; é preciso encarar os amigos e todos aqueles que fazem parte do nosso meio. E ainda temos de dizer para nós mesmo que, apesar de todos viverem num consenso quanto a existência de Deus, são eles quem estão errados. E ao negar a existência divina tanto do homem quanto do próprio mundo, temos de ter argumentos suficientes para lutar contra todos, porque eles vão tentar nos convencer do contrário. Por isso, ser crente não existe muito esforço, mas ser ateu são outros quinhentos. Você precisa de uma inteligência acima da média; terá de dispor de muitos conhecimentos – que não te foram ensinados pelos seus pais e parentes, pelos seus professores e nem passados pelos seus amigos--; terá de ser capaz de retrucar sozinho cada razão que alguém de seu relacionamento vai lhe dar para justificar a crença deles, principalmente porque um crente não admite que alguém simplesmente não possa acreditar em Deus. Eles serão muitos, mas você vai estar sozinho. Eles vão te tachar de louco ou coisa ainda pior. Vão lhe dizer que os ateus não respeitam a vida, não tem moral e coisas afins. Grande mentira! Quase 100% dos criminosos tem uma religião. Mas como bom ateu, você não se deixa levar, permanece firme, pois sabe que o ateísmo tem as suas vantagens, principalmente a de não estar sob o julgo de velhas crenças, de dar o melhor de si aqui, sem esperar por nada após a morte e etc.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O NOSSO TALIBÃ

Muitos se indignaram (inclusive eu) com o fato de um pastor evangélico e declaradamente racista e contra os homossexuais ter assumido uma comissão que trata exatamente das questões dos direitos dessas minorias. Embora este tenha sido o caso de maior repercussão na mídia é bom lembrar que se trata tão somente da ponta de um iceberg. A questão é muito mais profunda e séria. É bom lembrar que o Brasil sempre esteve na vanguarda da tolerância racial e no respeito aos direitos dos homossexuais, inclusive durante o Regime Militar, onde o alvo não era essas minorias, mas os chamados “subversivos” ou aqueles de orientação marxista, os quais combatiam o regime. No entanto, com a redemocratização e com os partidos de centro-esquerda no poder, o alvo dos movimentos “religiosos” e de direita passaram a ser essas minorias. E para combatê-las, nada melhor do que o poder legislativo, onde as leis são feitas de fato. E foi aí que as igrejas, principalmente as evangélicas, se uniram não só para proteger seus interesses como para combater o homossexualismo, o aborto e a “imoralidade que se abateu sobre a sociedade brasileira”. Um prova de que essa estratégia vem dando resultado é o fato de o Brasil ter ficado para trás nessas questões, sendo ultrapassado inclusive por Argentina e Uruguai onde o união civil de pessoas do mesmo sexo tornou-se lei. E para mostrar o quanto o Brasil caminha para trás, a bancada evangélica (sempre ela) quer proibir que solteiros entre em motéis. O projeto é de autoria do deputado Josias Macieira (DEM-TO) que estabelece a obrigatoriedade da apresentação da certidão de casamento nas recepções de motéis. Não, isso não é piada! Pelo jeito querem transformar o Brasil numa Arábia Saudita, num Irã ou num Afeganistão. Aliás, se o Afeganistão tem o seu Talibã, pelo jeito o Brasil também tem o seu: os fundamentalistas evangélicos. E do jeito que eles vem atuando nos bastidores e usando as igrejas para enganar o povo, em poucos anos voltaremos à Idade Média, a mesma que muitos países do Oriente Médio vivem mergulhados.

quarta-feira, 13 de março de 2013

NOVO PAPA: NOSSOS HERMANOS LEVARAM A MELHOR


Afinal, a eleição de um papa argentino pode acirrar ainda mais a rivalidade entre Brasil e Argentina, ao abrir mais um campo de disputa? É sabido que tudo que envolve os dois países acaba numa rivalidade. É assim no esporte, na cultura, na política e até mesmo na economia. E será também na religião? Pois agora nossos vizinhos poderão dizer: se deus é brasileiro, o seu representante direto aqui na terra é argentino. É claro que a rivalidade entre Brasil e Argentina é saudável e jamais afetou a relação entre ambos os países. Contudo, assim como os brasileiros não perdem uma oportunidade de caçoar os argentinos, os nossos vizinhos não a perderão com relação ao novo papa. E o pior é que o cardeal brasileiro era um dos favoritos, o que torna a vitória dos nossos hermanos ainda mais saborosa. Por mais que se diga que com religião não se brinca, o uso dessa escolha será usada para nos alfinetar. Por outro lado, a eleição de um argentino tende a aproximar os dois países, uma vez que há muita semelhança histórica, principalmente no tocante à ditadura militar, quando a igreja, tanto a argentina quanto a brasileira, foi conivente com os militares no poder; embora, nos últimos anos da ditadura, a igreja brasileira tenha se afastado e se oposto publicamente. Enfim, num caso ou noutro, tanto a igreja brasileira como argentina serão profundamente influenciadas pelo novo papa. E quanto à rivalidade, só o tempo dirá.